{"id":49209,"date":"2024-01-04T08:40:46","date_gmt":"2024-01-04T11:40:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=49209"},"modified":"2024-01-04T08:40:46","modified_gmt":"2024-01-04T11:40:46","slug":"brasil-resgatou-31-mil-trabalhadores-escravizados-em-2023","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/brasil-resgatou-31-mil-trabalhadores-escravizados-em-2023\/","title":{"rendered":"Brasil resgatou 3,1 mil trabalhadores escravizados em 2023"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil resgatou, em 2023, 3.151 trabalhadores em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o. O n\u00famero \u00e9 o maior desde 2009, quando 3.765 pessoas foram resgatadas. Apesar dessa alta, o dado mostra como o pa\u00eds regrediu no per\u00edodo recente porque o n\u00famero de auditores fiscais do trabalho est\u00e1 no menor n\u00edvel em 30 anos.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1575123&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1575123&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>Com esses dados, subiu para 63,4 mil o n\u00famero de trabalhadores flagrados em situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 escravid\u00e3o desde que foram criados os grupos de fiscaliza\u00e7\u00e3o m\u00f3vel, em 1995.<\/p>\n<p>O trabalho no campo ainda lidera o n\u00famero de resgates. A atividade com maior n\u00famero de trabalhadores libertados foi o cultivo de caf\u00e9 (300 pessoas), seguida pelo plantio de cana-de-a\u00e7\u00facar (258 pessoas). Entre os estados, Goi\u00e1s teve o maior n\u00famero de resgatados (735), seguido por Minas Gerais (643), S\u00e3o Paulo (387) e Rio Grande do Sul (333).<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s das estat\u00edsticas, restam hist\u00f3rias de abuso nos campos e nas cidades que mostram como o trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o ainda \u00e9 recorrente no Brasil. Em f\u00e1bricas improvisadas, em casas de alto padr\u00e3o, nas planta\u00e7\u00f5es, crimes continuam a ser cometidos.<\/p>\n<p>\u201cForam 30 anos sem ganhar sal\u00e1rio. At\u00e9 chegou um ponto de ela n\u00e3o querer deixar mais que eu comesse, que eu tomasse caf\u00e9. Eu s\u00f3 podia ir para meu quarto tarde da noite, n\u00e3o podia conversar mais com ningu\u00e9m\u201d, contou uma trabalhadora idosa resgatada, entrevistada pela\u00a0TV Brasil\u00a0em mar\u00e7o do ano passado. Ela acabou morrendo de uma parada cardiorrespirat\u00f3ria antes de receber qualquer indeniza\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cAcordava de manh\u00e3 e s\u00f3 ia dormir quase meia-noite. Sem contar que eles me xingavam muito, ficavam falando palavr\u00e3o. Ficavam xingando minha ra\u00e7a, me chamando de negra e aquelas coisas todas. Quando foi um belo dia, apareceu a Pol\u00edcia Federal e a\u00ed ocorreu tudo\u201d, conta outra trabalhadora entrevistada pela\u00a0TV Brasil, que ainda aguarda indeniza\u00e7\u00e3o. Essas duas mulheres foram resgatadas do trabalho dom\u00e9stico.<\/p>\n<h2>Problemas<\/h2>\n<p>Um dos desafios para que o resgate de trabalhadores em situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 escravid\u00e3o continue crescendo \u00e9 a falta de auditores fiscais.<\/p>\n<p>\u201cEra esperado at\u00e9 [esse problema] porque, nos \u00faltimos quatro ou cinco anos, n\u00e3o tivemos a\u00e7\u00f5es diretas de combate ao trabalho escravo. Ent\u00e3o, foram represando muitos pedidos de ajuda por parte de trabalhadores que estavam em situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 de trabalho escravo. Por isso, a gente n\u00e3o v\u00ea como surpresa, mas sim, v\u00ea ainda como uma car\u00eancia. Porque temos poucos auditores do Minist\u00e9rio do Trabalho fazendo as fiscaliza\u00e7\u00f5es\u201d, diz Roque Renato Pattussi, coordenador de projetos no Centro de Apoio Pastoral do Migrante.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego reconhece a falta de pessoal. Ele, no entanto, afirma que o governo conseguiu aumentar o n\u00famero de resgates mesmo com o n\u00famero de auditores fiscais do trabalho no menor n\u00edvel da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma prioridade da Secretaria de Inspe\u00e7\u00e3o do Trabalho fiscalizar, num sentido amplo, o trabalho dom\u00e9stico e, especificamente, casos de trabalho escravo dom\u00e9stico. Temos menos de 2 mil auditores fiscais do trabalho na ativa. Esse \u00e9 o menor n\u00famero desde a cria\u00e7\u00e3o da carreira, em 1994. Mesmo assim, conseguimos entregar, em 2023, o maior n\u00famero de a\u00e7\u00f5es fiscais\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil resgatou, em 2023, 3.151 trabalhadores em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o. O n\u00famero \u00e9 o maior desde 2009, quando 3.765 pessoas foram resgatadas. 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