{"id":48460,"date":"2023-11-21T08:18:40","date_gmt":"2023-11-21T11:18:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=48460"},"modified":"2023-11-21T08:18:40","modified_gmt":"2023-11-21T11:18:40","slug":"com-seca-no-amazonas-ribeirinhos-tem-dificuldades-para-se-locomover","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/com-seca-no-amazonas-ribeirinhos-tem-dificuldades-para-se-locomover\/","title":{"rendered":"Com seca no Amazonas, ribeirinhos t\u00eam dificuldades para se locomover"},"content":{"rendered":"<p>A situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica do Rio Negro, no Amazonas, tem afetado a vida da popula\u00e7\u00e3o ribeirinha local que enfrenta problemas de acessibilidade para sair e voltar \u00e0s suas comunidades. Na Marina do Davi, principal terminal p\u00fablico de Manaus\u00a0para deslocamento a comunidades ribeirinhas, &#8211; a exemplo de Igarap\u00e9, Tarum\u00e3 Mirim, Praia da Lua e Praia do Tup\u00e9 -, o cen\u00e1rio \u00e9 de muita dificuldade para a popula\u00e7\u00e3o que precisa\u00a0chegar a diferentes locais.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1567872&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1567872&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>Na Marina, ap\u00f3s descer uma ladeira, os passageiros t\u00eam de caminhar quase um quil\u00f4metro atravessando lama, bancos de areia, pontes prec\u00e1rias de madeira, em um\u00a0percurso arriscado, at\u00e9 chegar ao local onde aguardam os pequenos barcos que ainda conseguem fazer a travessia. \u00c9 o caso da dona de casa Madalena Soares Fernandes, de 73 anos, que toda vez\u00a0que precisa se deslocar enfrenta essa saga. Moradora de Tarum\u00e3, dona Madalena reclamou \u00e0\u00a0Ag\u00eancia Brasil\u00a0sobre a dificuldade de caminhar para chegar at\u00e9 o local de embarque.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muita dificuldade, com muita areia. Est\u00e1 dif\u00edcil de chegar em casa, est\u00e1 horr\u00edvel. Vamos esperar, n\u00e3o \u00e9?\u201d, disse a dona de casa referindo-se \u00e0 volta do per\u00edodo de chuva.<\/p>\n<p>Segundo dona Madalena, j\u00e1 s\u00e3o quase tr\u00eas meses enfrentando essa situa\u00e7\u00e3o. Ela relatou ainda ter vivido uma seca similar, em 2010, mas de curta dura\u00e7\u00e3o. \u201cEm 2010 deu, mas n\u00e3o foi tanto quanto neste\u00a0[per\u00edodo], entendeu? Foi uma seca grande, mas r\u00e1pida. Essa aqui n\u00e3o, est\u00e1 sendo demorada\u201d, disse.<\/p>\n<p>Entre as compras que tenta levar para casa est\u00e1 um garraf\u00e3o de \u00e1gua. Para auxiliar no transporte, ela contratou uma pessoa para carregar o saco com ra\u00e7\u00e3o para as galinhas que cria. Entre sorrisos, dona Madalena contou\u00a0que ap\u00f3s o desembarque em Tarum\u00e3 precisaria caminhar cerca de tr\u00eas horas para chegar em casa, j\u00e1 que, com o rio seco, o barco n\u00e3o consegue entrar na comunidade. No caminho, n\u00e3o contar\u00e1 com o aux\u00edlio do filho\u00a0que mora com ela, para transportar as compras.<\/p>\n<p>\u201cQuando est\u00e1 cheio, o barco vai at\u00e9 perto de casa e agora acho que demora umas tr\u00eas\u00a0horas para\u00a0chegar\u201d, afirmou. \u201cE ele [o filho] nem est\u00e1 aqui, s\u00f3 vamos\u00a0eu e Deus\u201d, completou,<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio desafiador tamb\u00e9m gera\u00a0oportunidades diversas para os moradores locais, que encontram na dificuldade vivenciada por uns\u00a0a oportunidade de gerar renda. \u00c9 o caso de Leandro da Silva, de 27 anos, que trabalha\u00a0na Marina\u00a0carregando mercadorias de quem quer atravessar para as comunidades. Ele foi contratado para transportar a ra\u00e7\u00e3o das aves de dona Madalena.<\/p>\n<p>\u201cA gente carrega tudo, tanto variedades quanto mudan\u00e7as e d\u00e1 para fazer uma moeda\u201d, disse\u00a0Leandro \u00e0\u00a0Ag\u00eancia Brasil. Segundo o jovem, o expediente come\u00e7a bem cedo e acaba, em geral, por volta das 17h, em raz\u00e3o das dificuldades para voltar \u00e0\u00a0comunidade.<\/p>\n<p>Na volta, ele segue um caminho similar ao tra\u00e7ado por dona Madalena. \u201cA maior dificuldade \u00e9 na comunidade &#8211;\u00a0o que era feito\u00a0em 15 minutos\u00a0voc\u00ea faz em uma hora de perna, areia, praia, lama\u201d, observou Leandro, refletindo sobre a situa\u00e7\u00e3o vivenciada na marina. \u201cA seca quebra as pernas de todo mundo, tem gente que sobrevive de flutuante e pode ver, tudo parado. As lanchas n\u00e3o passam, agora s\u00f3 as rabetinhas (tipo de embarca\u00e7\u00e3o), ainda encalhando porque est\u00e1 seco\u201d, resumiu.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o dos flutuantes, encalhados na Marina do Davi desde outubro, tamb\u00e9m \u00e9 preocupante. Localizada no bairro Ponta Negra, \u00e0s margens do Igarap\u00e9 do Gigante, a marina tamb\u00e9m \u00e9 utilizada para passeios tur\u00edsticos no Rio Negro.<\/p>\n<p>Um grupo de 56 barqueiros, organizados em torno da Cooperativa dos Profissionais de Transporte Fluvial da Marina do Davi (Acamdaf), presta tanto servi\u00e7os para as comunidades, quanto realiza passeios tur\u00edsticos na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Um dos cooperativados, Jo\u00e3o da Rocha Lopes, 52 anos, tamb\u00e9m disse \u00e0\u00a0Ag\u00eancia Brasil\u00a0que s\u00f3 tinha visto uma seca similar em 2010, mas com impacto muito menor. Parado desde outubro, ele\u00a0contou que est\u00e1 sobrevivendo como pode.<\/p>\n<p>\u201cA gente se vira com o que tem, com o que conseguiu ganhar e guardar um pouquinho, n\u00e3o \u00e9? Vai se virando, afirmou. \u201cPerdeu o com\u00e9rcio, perderam\u00a0muitas \u00e1reas&#8221;.\u00a0Por exemplo, o Uber parou o movimento. Alguns colegas nossos ainda est\u00e3o trabalhando na rabeta.\u00a0A\u00a0gente trabalha com sete comunidades e os transportes est\u00e3o sendo feitos por meio\u00a0de rabetinhas, que andam praticamente na lama. E eles [os moradores] t\u00eam necessidade de ir e vir, porque precisam\u00a0comprar alimentos, rem\u00e9dios,\u00a0precisam fazer essa locomo\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<h2>Seca<\/h2>\n<p>Ap\u00f3s a volta\u00a0de nuvens de fuma\u00e7a em pontos de Manaus durante o fim de semana, o Instituto Nacional de Meteorologia lan\u00e7ou\u00a0alerta\u00a0de perigo\u00a0para a possibilidade de chuvas intensas na capital amazonense. O alerta, divulgado\u00a0nessa segunda-feira (20), vale at\u00e9 esta ter\u00e7a (21) e tamb\u00e9m abrange regi\u00f5es dos estados do Acre, de Mato Grosso, do Par\u00e1, de Rond\u00f4nia e Roraima.<\/p>\n<p>Segundo o Inmet, o alerta vale para as regi\u00f5es do vale do Acre, leste rondoniense, centro amazonense, sudoeste amazonense, norte mato-grossense, sul amazonense, norte amazonense, madeira-guapor\u00e9, sul de Roraima, vale do Juru\u00e1,e sudoeste paraense.<\/p>\n<p>Em Manaus, a nuvem de fuma\u00e7a que deixou o c\u00e9u cinzento voltou\u00a0no s\u00e1bado (18) e p\u00f4de ser observada at\u00e9 a manh\u00e3 de ontem. No in\u00edcio da tarde, a cidade registrou chuva\u00a0em pontos isolados. Segundo o monitoramento do Sistema Eletr\u00f4nico de Vigil\u00e2ncia Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas, a qualidade do ar em boa parte da capital ficou moderada.<\/p>\n<p>O estado do Amazonas enfrenta seca severa, com o Rio Negro alcan\u00e7ando o pior marca em 121 anos, quando come\u00e7aram as medi\u00e7\u00f5es. No dia 26 de outubro, a cota do rio chegou ao n\u00edvel mais baixo registrado, ficando em 12,7 metros. No in\u00edcio de novembro come\u00e7ou a subir, ficando novamente acima dos 13 metros. A\u00a0\u00faltima medi\u00e7\u00e3o registrada pelo Porto de Manaus, no\u00a0dia 17 deste m\u00eas, mostrou recuo no volume, com a calha do Rio Negro ficando em\u00a012,96 metros.<\/p>\n<p>De acordo com o mais recente boletim divulgado pela Defesa Civil do Amazonas, todos os\u00a062 munic\u00edpios\u00a0do estado\u00a0permanecem em situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia. S\u00e3o 598 mil pessoas e 150 mil fam\u00edlias afetadas.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica do Rio Negro, no Amazonas, tem afetado a vida da popula\u00e7\u00e3o ribeirinha local que enfrenta problemas de acessibilidade para sair e voltar&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":48461,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-48460","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48460","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48460"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48460\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":48462,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48460\/revisions\/48462"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/48461"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48460"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48460"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48460"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}