{"id":48321,"date":"2023-11-09T09:23:26","date_gmt":"2023-11-09T12:23:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=48321"},"modified":"2023-11-09T09:23:26","modified_gmt":"2023-11-09T12:23:26","slug":"guerra-36-dos-estrangeiros-autorizados-a-deixar-gaza-sao-dos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/guerra-36-dos-estrangeiros-autorizados-a-deixar-gaza-sao-dos-eua\/","title":{"rendered":"Guerra: 36% dos estrangeiros autorizados a deixar Gaza s\u00e3o dos EUA"},"content":{"rendered":"<p>Dos 3.463 estrangeiros autorizados a sair da Faixa de Gaza at\u00e9 esta quarta-feira (8), 1.253 t\u00eam passaporte dos Estados Unidos, o que representa 36,1% do total. O principal aliado de Israel na guerra que o pa\u00eds declarou contra o Hamas lidera\u00a0a lista de\u00a0nacionalidades at\u00e9 agora autorizadas a deixar o enclave palestino.\u00a0<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1565357&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1565357&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>Al\u00e9m dos Estados Unidos, outros oito pa\u00edses tiveram mais de 100 nacionais autorizados a sair da regi\u00e3o. Essas nove na\u00e7\u00f5es somam 86% do total de estrangeiros autorizados a deixar Gaza.\u00a0A segunda nacionalidade mais beneficiada foi a Alemanha, com 335 pessoas, o que representa 9,6% do total.<\/p>\n<p>Em terceiro lugar est\u00e1 a Ucr\u00e2nia com 329 pessoas (9,5%) e, em quarto, a Jord\u00e2nia, com 289 pessoas autorizadas a sair de Gaza (8,3%). Em seguida, est\u00e3o o Reino Unido com 241 pessoas nas listas (6,9%), Rom\u00eania com 154 (4,4%), Filipinas com 153 (4,4%), Canad\u00e1 com 120 (3,4%) e Fran\u00e7a com 111 (3,2%).<\/p>\n<p>A\u00a0Ag\u00eancia Brasil\u00a0teve acesso \u00e0s listas por meio de brasileiros na Faixa de Gaza. Esses documentos trazem os mesmos n\u00fameros divulgados pelo Escrit\u00f3rio de Representa\u00e7\u00e3o do Brasil em Ramala, na Cisjord\u00e2nia ocupada.<\/p>\n<p>Outras 22 nacionalidades foram contempladas nas listas, al\u00e9m de funcion\u00e1rios de organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias que atuam em Gaza. Dos pa\u00edses latino-americanos, apenas o M\u00e9xico teve quatro nacionais autorizados a sair do enclave palestino. At\u00e9 o momento, nenhum dos 34 brasileiros que se encontram em Gaza puderam deixar o territ\u00f3rio palestino.<\/p>\n<p>Segundo o Itamaraty, a lista \u00e9 feita pelas autoridades locais, israelenses e eg\u00edpcias. Por\u00e9m, a Embaixada de Israel no Brasil informou, por meio da assessoria, que as listas s\u00e3o preparadas por \u201centidades e organismos internacionais\u201d, mas n\u00e3o informou quais entidades seriam essas. J\u00e1 a Embaixada do Egito no Brasil n\u00e3o respondeu aos questionamentos enviados pela\u00a0Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<h2>Crit\u00e9rios geopol\u00edticos<\/h2>\n<p>Como os crit\u00e9rios para sele\u00e7\u00e3o dos estrangeiros n\u00e3o t\u00eam sido divulgados, tr\u00eas especialistas ouvidos pela\u00a0Ag\u00eancia Brasil\u00a0avaliaram que isso levanta suspeitas de que Israel possa estar privilegiando aliados geopol\u00edticos em detrimento de pa\u00edses que criticaram ou se op\u00f5em a a\u00e7\u00e3o do pa\u00eds na Faixa de Gaza.<\/p>\n<p>O cientista pol\u00edtico e professor de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais Maur\u00edcio Santoro, que \u00e9 colaborador do Centro de Estudos Pol\u00edtico-Estrat\u00e9gicos da Marinha, suspeita que haja manipula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do que deveria ser uma decis\u00e3o humanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma lista que se explica em raz\u00e3o da proximidade pol\u00edtica ou econ\u00f4mica de v\u00e1rios desses pa\u00edses com Israel. Tem o grupo dos pa\u00edses do G7 (grupo das sete maiores economias do mundo), os pa\u00edses do sudeste asi\u00e1tico que t\u00eam muitos imigrantes em Israel e pa\u00edses que t\u00eam uma certa proximidade pol\u00edtica cultural, como no caso da Ucr\u00e2nia ou da Jord\u00e2nia\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Sobre Filipinas e Ucr\u00e2nia, Santoro destacou que ambos t\u00eam la\u00e7os culturais e forte presen\u00e7a imigrat\u00f3ria em Israel. Em rela\u00e7\u00e3o a Jord\u00e2nia, apesar de a na\u00e7\u00e3o \u00e1rabe ter feito duras cr\u00edticas a\u00a0Israel desde o in\u00edcio da guerra, inclusive retirando o embaixador de Tel Aviv, o analista apontou que esse \u00e9 um dos pa\u00edses \u00e1rabes mais pr\u00f3ximos de Israel.<\/p>\n<p>\u201cA Jord\u00e2nia teve que reagir porque o pa\u00eds registrou protestos muito grandes contra os bombardeios em Gaza. Por mais que tenha uma ret\u00f3rica e alguns gestos diplom\u00e1ticos que sejam duros contra Israel, n\u00e3o \u00e9 nem de longe a mesma animosidade que a gente v\u00ea, por exemplo, no L\u00edbano e na S\u00edria\u201d, concluiu.<\/p>\n<p>Para o pesquisador Bruno Alcebino Fabr\u00edcio da Silva, do\u00a0Observat\u00f3rio de Pol\u00edtica Externa e Inser\u00e7\u00e3o Internacional do Brasil\u00a0(Opeb), a concentra\u00e7\u00e3o de estrangeiros em poucos pa\u00edses \u201csuscita preocupa\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas sobre a distribui\u00e7\u00e3o e o crit\u00e9rio de sele\u00e7\u00e3o para a sa\u00edda da regi\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA percep\u00e7\u00e3o de um privil\u00e9gio para os aliados de Israel n\u00e3o pode ser ignorada. Os Estados Unidos, por exemplo, est\u00e3o notavelmente bem representados na lista, o que pode ser atribu\u00eddo \u00e0 influ\u00eancia pol\u00edtica significativa desse pa\u00eds em Israel. Fica claro que pa\u00edses aliados ao Ocidente ou pr\u00f3ximos diplom\u00e1tica ou politicamente aos EUA s\u00e3o beneficiados\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Jord\u00e2nia, o especialista destacou que outros crit\u00e9rios, para al\u00e9m do alinhamento pol\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra, podem ter sido considerados. \u201cMuitos palestinos na Faixa de Gaza t\u00eam la\u00e7os de parentesco com jordanianos devido \u00e0 hist\u00f3ria do conflito na regi\u00e3o. Esses la\u00e7os podem ter influenciado a decis\u00e3o de priorizar a sa\u00edda de cidad\u00e3os jordanianos em uma situa\u00e7\u00e3o de crise, devido ao temor de Israel do envolvimento dos demais pa\u00edses \u00e1rabes no conflito\u201d, afirmou.<\/p>\n<h2>Brasil<\/h2>\n<p>A aus\u00eancia dos 34 brasileiros nas seis listas at\u00e9 agora divulgadas tamb\u00e9m t\u00eam intrigado especialistas. O professor de hist\u00f3ria contempor\u00e2nea da Universidade Federal Fluminense (UFF)\u00a0Bernardo Kocher\u00a0destacou que, como n\u00e3o h\u00e1 explica\u00e7\u00e3o dos crit\u00e9rios para sa\u00edda de estrangeiros, a impress\u00e3o \u00e9 que existe a inten\u00e7\u00e3o de desgastar o governo brasileiro.<\/p>\n<p>\u201cSe houver algum \u00f3bito (de brasileiro), o desgaste vai ser da pol\u00edtica externa brasileira. Talvez seja isso que eles querem: desgastar a posi\u00e7\u00e3o brasileira em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o em Gaza uma vez que o Brasil n\u00e3o se alinhou 100% com as a\u00e7\u00f5es de Israel\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Para o cientista pol\u00edtico Maur\u00edcio Santoro, a recusa do Brasil em classificar o Hamas como grupo terrorista\u00a0e o\u00a0discurso\u00a0do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, que\u00a0disse que\u00a0as a\u00e7\u00f5es de Israel em Gaza se constituem em\u00a0 &#8220;genoc\u00eddio&#8221;, podem ter rela\u00e7\u00e3o com a demora para sa\u00edda dos brasileiros.<\/p>\n<p>O\u00a0Brasil n\u00e3o classifica o Hamas como grupo terrorista porque segue as decis\u00f5es do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU sobre o tema. A maioria dos pa\u00edses-membros da ONU, incluindo pa\u00edses europeus como Noruega e Su\u00ed\u00e7a, al\u00e9m de China, R\u00fassia, na\u00e7\u00f5es latino-americanas, como o pr\u00f3prio Brasil, M\u00e9xico, Col\u00f4mbia, seguem a defini\u00e7\u00e3o atual da ONU que n\u00e3o classifica o Hamas como grupo terrorista.<\/p>\n<p>Outro fator citado por Santoro \u00e9 mudan\u00e7a nas rela\u00e7\u00f5es do Brasil com Israel depois da sa\u00edda do ex-presidente Jair Bolsonaro, que tinha fortes liga\u00e7\u00f5es pol\u00edticas com Benjamim Netanyahu.<\/p>\n<p>\u201cMe parece tamb\u00e9m que h\u00e1 um pouco esse c\u00e1lculo pol\u00edtico, quer dizer, uma insatisfa\u00e7\u00e3o por parte do governo Netanyahu de como Israel tem sido tratado pelo atual governo brasileiro em contraste com os v\u00e1rios benef\u00edcios que recebeu durante o governo Bolsonaro\u201d, concluiu.<\/p>\n<h2>Israel<\/h2>\n<p>Em comunicado divulgado \u00e0 imprensa nesta quarta-feira (8), o embaixador de Israel no Brasil, Daniel Zohar Zonshine, negou que haja qualquer interesse em atrasar a sa\u00edda dos brasileiros ou de qualquer outra nacionalidade. Segundo ele, \u201ca cota para sair da Faixa de Gaza \u00e9 determinada pelo Egito e de acordo com ela, algumas centenas de estrangeiros recebem permiss\u00e3o para sair a cada dia\u201d.<\/p>\n<p>Zonshine argumentou ainda que o Hamas tem atrasado a sa\u00edda dos estrangeiros. \u201cO Estado de Israel est\u00e1 empregando esfor\u00e7os para evacuar todos os estrangeiros de 20 pa\u00edses diferentes e para aumentar a cota de forma a compensar o atraso causado pelo Hamas\u201d, informou.<\/p>\n<p>Antes dos estrangeiros come\u00e7arem a sair pela fronteira de Rafah, o porta-voz do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Egito eg\u00edpcio, o embaixador Ahmed Abu Zeid, negou que a\u00a0obstru\u00e7\u00e3o\u00a0para sa\u00edda de estrangeiros seja culpa do Egito.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dos 3.463 estrangeiros autorizados a sair da Faixa de Gaza at\u00e9 esta quarta-feira (8), 1.253 t\u00eam passaporte dos Estados Unidos, o que representa 36,1% do&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":48322,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-48321","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48321","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48321"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48321\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":48323,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48321\/revisions\/48323"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/48322"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48321"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48321"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48321"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}