{"id":47603,"date":"2023-09-25T08:20:59","date_gmt":"2023-09-25T11:20:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=47603"},"modified":"2023-09-25T08:20:59","modified_gmt":"2023-09-25T11:20:59","slug":"desinformacao-sobre-vacinas-se-comporta-como-epidemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/desinformacao-sobre-vacinas-se-comporta-como-epidemia\/","title":{"rendered":"Desinforma\u00e7\u00e3o sobre vacinas se comporta como epidemia"},"content":{"rendered":"<p>A enxurrada de desinforma\u00e7\u00e3o que passou a circular na pandemia de covid-19 com mais for\u00e7a deixou sequelas, impactou servi\u00e7os de sa\u00fade e se comporta como uma epidemia, avaliaram pesquisadores na Jornada Nacional de Imuniza\u00e7\u00f5es, realizada em Florian\u00f3polis, pela Sociedade Brasileira de Imuniza\u00e7\u00f5es (SBIm). A diretora da SBIm e integrante do grupo consultivo da Vaccine Safety Net da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, Isabela Ballalai, compara a desinforma\u00e7\u00e3o \u00e0 uma doen\u00e7a de f\u00e1cil transmiss\u00e3o.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1557100&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1557100&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>Organizar essa resposta se torna ainda mais importante porque movimentos antivacinistas se tornaram mais estruturados na Am\u00e9rica Latina com a pandemia de covid-19, recebendo inclusive recursos transnacionais. No caso do Brasil, esses grupos chegaram a contar tamb\u00e9m com apoio do governo de Jair Bolsonaro, que deu voz a antivacinistas em\u00a0uma audi\u00eancia p\u00fablica\u00a0promovida pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade sobre a vacina\u00e7\u00e3o pedi\u00e1trica contra a covid-19.<\/p>\n<p>Isabela Ballalai chama a aten\u00e7\u00e3o para o planejamento de uma comunica\u00e7\u00e3o que chegue at\u00e9 as pessoas, uma vez que pacotes de internet mais baratos muitas vezes dificultam o acesso a p\u00e1ginas oficiais e fontes confi\u00e1veis de informa\u00e7\u00e3o, mas garantem a comunica\u00e7\u00e3o por redes sociais, local em que conte\u00fados virais de desinforma\u00e7\u00e3o circulam fortemente.<\/p>\n<h2>Estresse vacinal<\/h2>\n<p>Um exemplo emblem\u00e1tico desse padr\u00e3o foi a campanha de desinforma\u00e7\u00e3o contra a vacina do HPV no Acre, entre 2014 e 2019. A vacina \u00e9 indicada para adolescentes de 9 a 14 anos, e \u00e9 de grande import\u00e2ncia para prevenir casos de c\u00e2ncer, como o c\u00e9rvico-uterino. Epis\u00f3dios de rea\u00e7\u00f5es \u00e0 vacina, chamados de estresse vacinal,\u00a0entretanto, levaram a uma forte campanha de desinforma\u00e7\u00e3o que atribuiu falsamente \u00e0 vacina o risco de causar paralisias e epilepsia.<\/p>\n<p>O psiquiatra Renato Marchetti, professor da Universidade de S\u00e3o Paulo, explica que rea\u00e7\u00f5es de estresse p\u00f3s-vacina\u00e7\u00e3o t\u00eam como gatilhos dor, medo e ansiedade e podem se proliferar quando uma pessoa v\u00ea imagens ou testemunha outra pessoa sofrendo dessa rea\u00e7\u00e3o. Esses sintomas afetam principalmente adolescentes do sexo feminino, s\u00e3o involunt\u00e1rios e se parecem com sintomas neurol\u00f3gicos, mas suas causas s\u00e3o psicossociais.<\/p>\n<p>&#8220;A gente conviveu com muitos m\u00e9dicos que atenderam \u00e0s meninas no Acre, e a maior parte deles n\u00e3o eram pessoas mal intencionadas. Eles [m\u00e9dicos] tinham d\u00favidas sobre o que estava acontecendo porque essa rea\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 bem conhecida nem entre os m\u00e9dicos&#8221;.<\/p>\n<p>Situa\u00e7\u00f5es como essa s\u00e3o registradas desde a d\u00e9cada de 1990, com diferentes vacinas, e principalmente durante a imuniza\u00e7\u00e3o escolar. Com a divulga\u00e7\u00e3o de imagens e relatos pela imprensa ou grupos contr\u00e1rios \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o, esses casos se alastram.<\/p>\n<p>Foi o que ocorreu no Acre, em que imagens de adolescentes desmaiadas causaram forte temor e levaram at\u00e9 mesmo profissionais de sa\u00fade a contraindicarem a vacina\u00e7\u00e3o. O desconhecimento dos profissionais da imprensa e da sa\u00fade sobre as rea\u00e7\u00f5es de estresse vacinal agravaram a situa\u00e7\u00e3o. O temor e o pico de informa\u00e7\u00e3o antivacina, explica Marchetti, causa um fen\u00f4meno chamado hesita\u00e7\u00e3o vacinal reativa transmiss\u00edvel, um surto de hesita\u00e7\u00e3o vacinal. No caso do Acre, a cobertura da vacina HPV chegou a menos de 1%.<\/p>\n<h2>At\u00e9 pediatras<\/h2>\n<p>A desinforma\u00e7\u00e3o sobre as vacinas covid-19 pode ter aumentado a hesita\u00e7\u00e3o vacinal (relut\u00e2ncia ou recusa) at\u00e9 mesmo entre pediatras, indica um estudo ainda em andamento com quase mil m\u00e9dicos brasileiros dessa especialidade.<\/p>\n<p>Por meio de entrevistas em que os profissionais declaravam concordar ou discordar de afirma\u00e7\u00f5es, os pesquisadores detectaram uma forte correla\u00e7\u00e3o entre a cren\u00e7a de que as vacinas contra a covid-19 ainda s\u00e3o experimentais e a desconfian\u00e7a de que as vacinas n\u00e3o s\u00e3o seguras de forma geral.<\/p>\n<p>A pesquisa \u00e9 resultado de uma parceria entre a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e o Instituto Quest\u00e3o de Ci\u00eancia (IQC), e busca produzir material direcionado \u00e0 conscientiza\u00e7\u00e3o desses profissionais, recuperando sua confian\u00e7a nas imuniza\u00e7\u00f5es. Foram ouvidos 982 pediatras &#8211; 90% fizeram resid\u00eancia m\u00e9dica, 60% declararam que atuam nas redes p\u00fablica e privada e 41% estavam com o calend\u00e1rio vacinal em dia.<\/p>\n<p>Coordenador do trabalho e diretor de educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do IQC, Luiz Gustavo de Almeida apresentou que os pediatras se posicionaram sobre as seguintes afirma\u00e7\u00f5es: &#8220;as vacinas covid-19 em pediatria ainda podem ser consideradas experimentais&#8221;; &#8220;a vacina covid-19 de RNAm pode acarretar algum risco de modifica\u00e7\u00e3o do DNA da crian\u00e7a&#8221;; e &#8220;a vacina\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as \u00e9 fundamental, pois est\u00e1 \u00e9 uma doen\u00e7a importante na pediatria que pode levar a casos graves&#8221;. As duas primeiras afirma\u00e7\u00f5es s\u00e3o falsas e frequentemente usadas em campanhas de desinforma\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a terceira \u00e9 verdadeira e comprovada por estudos cient\u00edficos e autoridades sanit\u00e1rias de diversos pa\u00edses.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das frases sobre as vacinas contra a covid-19, tamb\u00e9m foram apresentadas outras como &#8220;eu tenho total confian\u00e7a de que as vacinas s\u00e3o seguras&#8221;; &#8220;a vacina tr\u00edplice viral causa autismo&#8221;; e a &#8220;a vacina HPV administrada na adolesc\u00eancia pode favorecer o in\u00edcio da vida sexual&#8221;. As duas \u00faltimas frases s\u00e3o mentiras usadas pelo movimento antivacinista.<\/p>\n<p>Almeida disse que a pesquisa constatou forte coes\u00e3o entre todas as respostas contr\u00e1rias \u00e0 confian\u00e7a nas vacinas, mostrando que a desconfian\u00e7a propagada contra as vacinas covid-19 pode ter contaminado as cren\u00e7as sobre outros imunizantes.<\/p>\n<h2>Resid\u00eancia m\u00e9dica<\/h2>\n<p>O estudo tamb\u00e9m pode indicar que profissionais que fizeram resid\u00eancia m\u00e9dica est\u00e3o menos sujeitos a hesitar na recomenda\u00e7\u00e3o de vacinas para seus pacientes. Os dados preliminares mostram que, entre o grupo minorit\u00e1rio que respondeu \u00e0 entrevista demonstrando desconfiar das vacinas, a caracter\u00edstica mais comum era a aus\u00eancia de resid\u00eancia m\u00e9dica na forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Almeida explicou que os pesquisadores ainda est\u00e3o debru\u00e7ados sobre os dados para interpret\u00e1-los, mas as respostas j\u00e1 permitiram identificar dois perfis: um que concorda fortemente que as vacinas s\u00e3o confi\u00e1veis, e outro que se declara neutro em rela\u00e7\u00e3o a isso ou discorda parcial ou integralmente. Esse segundo grupo somou cerca de 10% dos respondentes.<\/p>\n<p>De acordo com Almeida, os pediatras est\u00e3o entre o grupo m\u00e9dico que mais confia nas vacinas. Ele afirmou que a maioria dos que responderam o question\u00e1rio \u00e9 favor\u00e1vel \u00e0 imuniza\u00e7\u00e3o. &#8220;Teve esses 10% que t\u00eam uma outra vis\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 a mais prevalente. E a ideia de formar esses perfis \u00e9 munir [com informa\u00e7\u00f5es] todos que t\u00eam d\u00favidas e n\u00e3o acreditam nas vacinas&#8221;.<\/p>\n<p>Entre os que concordam fortemente que as vacinas s\u00e3o seguras, o perfil foi de profissionais que fizeram resid\u00eancia m\u00e9dica, n\u00e3o t\u00eam mestrado nem doutorado e atuam nas redes p\u00fablica e privada. Almeida afirma que uma hip\u00f3tese dos pesquisadores \u00e9 que a viv\u00eancia dos servi\u00e7os de sa\u00fade durante a resid\u00eancia m\u00e9dica refor\u00e7a a confian\u00e7a de que as vacinas s\u00e3o seguras e importantes para prevenir doen\u00e7as.<\/p>\n<p>&#8220;Isso \u00e9 algo que ainda estamos discutindo. Quem passou direto da faculdade para o atendimento talvez n\u00e3o teve esse contato principalmente com o atendimento na rede p\u00fablica&#8221;,\u00a0diz. &#8220;Quem n\u00e3o fez resid\u00eancia pode ter visto nos jornais, mas n\u00e3o viu crian\u00e7as sofrendo em hospitais&#8221;.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A enxurrada de desinforma\u00e7\u00e3o que passou a circular na pandemia de covid-19 com mais for\u00e7a deixou sequelas, impactou servi\u00e7os de sa\u00fade e se comporta como&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":47604,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-47603","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47603","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47603"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47603\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47605,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47603\/revisions\/47605"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47604"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47603"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47603"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47603"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}