{"id":47143,"date":"2023-08-28T07:12:02","date_gmt":"2023-08-28T10:12:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=47143"},"modified":"2023-08-26T14:12:54","modified_gmt":"2023-08-26T17:12:54","slug":"demanda-reprimida-e-novos-players-expandirao-mercado-global-de-reciclagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/demanda-reprimida-e-novos-players-expandirao-mercado-global-de-reciclagem\/","title":{"rendered":"Demanda reprimida e novos players expandir\u00e3o mercado global de reciclagem"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil est\u00e1 entrando no mercado global de reciclagem de embarca\u00e7\u00f5es e uma fatia pequena j\u00e1 seria interessante para desenvolver a atividade em instala\u00e7\u00f5es brasileiras e criar uma cadeia de suprimentos reversa como em outros pa\u00edses. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 de Newton Narciso Pereira, professor adjunto da Universidade Federal Fluminense (UFF) lotado na Escola de Engenharia Industrial Metal\u00fargica de Volta Redonda. Para Pereira, existem novas oportunidades para estaleiros nacionais, que possuem vantagem competitiva devido \u00e0 capacidade de receber navios de grande porte.<\/p>\n<p>O professor citou um levantamento acad\u00eamico de Guilherme Coltri Peres Ramos, mestrando em Montagem Industrial da UFF, que mapeou que, dos 48 estaleiros e instala\u00e7\u00f5es de reciclagem na lista da Comunidade Europeia, apenas 17 conseguiram atender navios com mais de 300 metros de comprimento. O regulamento europeu prev\u00ea que as instala\u00e7\u00f5es de reciclagem precisam ser certificadas e listadas na comunidade europeia. J\u00e1 os estaleiros fora da comunidade precisam passar por inspe\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma oportunidade porque ainda n\u00e3o h\u00e1 estaleiros brasileiros na lista da comunidade europeia e \u00e9 um mercado que deve se expandir nos pr\u00f3ximos anos pela necessidade de instala\u00e7\u00f5es capazes de receber esses navios\u201d, disse o professor durante painel no 3\u00ba dia da confer\u00eancia da 17\u00aa Navalshore.<\/p>\n<p>Pereira identifica uma tend\u00eancia de aumento do volume de embarca\u00e7\u00f5es enviadas para reciclagem nos pr\u00f3ximos anos. Um estudo da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Com\u00e9rcio e Desenvolvimento (Unctad) mostrou que, a partir de 2030, centenas de navios ser\u00e3o enviados para reciclagem. Segundo Pereira, algumas empresas j\u00e1 perceberam que, provavelmente, n\u00e3o haver\u00e1 instala\u00e7\u00e3o de reciclagem suficiente para atender \u00e0 demanda global.<\/p>\n<p>O professor observa que caiu, de 800 para cerca de 400, a m\u00e9dia anual de navios enviados para reciclagem, o que teria acumulado demandas nos \u00faltimos anos. Pereira calcula que uma fatia de 5% (40 navios\/ano) j\u00e1 representaria uma grande demanda para as instala\u00e7\u00f5es brasileiras. Pereira explicou que a principal diferen\u00e7a entre a Conven\u00e7\u00e3o de Hong Kong (2009) e o regulamento europeu (2013) \u00e9 a proibi\u00e7\u00e3o de reciclar diretamente nas praias, al\u00e9m de exigir sistemas de prote\u00e7\u00e3o de derrames de todos materiais perigosos que possam cair na \u00e1gua.<\/p>\n<p>Pereira tamb\u00e9m constatou que no per\u00edodo entre 2013-2019, entre publica\u00e7\u00e3o e entrada em vigor do regulamento europeu, o mercado asi\u00e1tico perdeu capacidade de atendimento de navios porque navios de bandeira europeia s\u00e3o proibidos de migrar para realizar esse processo na \u00c1sia. A atividade se concentrou na \u00cdndia, Bangladesh e Paquist\u00e3o a partir da d\u00e9cada de 1980, por\u00e9m os m\u00e9todos rudimentares foram questionados, principalmente pela inseguran\u00e7a dos trabalhadores e pelos danos ambientais causados pela falta de tratamento e descarte correto dos res\u00edduos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a ratifica\u00e7\u00e3o da Hong Kong Convention por Lib\u00e9ria e Bangladesh, as regras devem entrar em vigor no dia 26 de junho de 2025. No Brasil, tramita na C\u00e2mara dos Deputados o projeto de lei 1.584\/2021, que trata da reciclagem de embarca\u00e7\u00f5es. O PL, por\u00e9m, n\u00e3o estabeleceu uma lista de materiais perigosos. Uma proposta de instru\u00e7\u00e3o normativa para controle de importa\u00e7\u00e3o de res\u00edduos inclui materiais que constam na lista de materiais perigosos de navios. A avalia\u00e7\u00e3o, segundo Pereira, \u00e9 que a proibi\u00e7\u00e3o poderia representar um risco \u00e0 atividade de reciclagem de navios.<\/p>\n<p><strong>P-32<\/strong><br \/>\nPereira considera que o Brasil passou a ser player do mercado de reciclagem em 2023, a partir do an\u00fancio da primeira grande instala\u00e7\u00e3o no pa\u00eds: o desmantelamento da plataforma P-32, pelo cons\u00f3rcio formado pelas empresas Gerdau e Ecovix, que administra o estaleiro Rio Grande (RS). A execu\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o no ativo, de 44.000 toneladas, foi licitado pelo valor de R$ 3,2 milh\u00f5es. Ele avalia que o m\u00e9todo adotado para a primeira opera\u00e7\u00e3o de reciclagem do Brasil, em dique seco, foi acertado para gerar curva de aprendizado para grandes embarca\u00e7\u00f5es em dique controlado, al\u00e9m de mostrar para autoridades brasileiras que o pa\u00eds tem condi\u00e7\u00f5es de desmantelar estruturas de maneira eficiente e segura.<\/p>\n<p>O professor tamb\u00e9m nota que outros pa\u00edses come\u00e7aram a investir nessa atividade. \u00c9 o caso da \u00c1frica do Sul, com o projeto de um estaleiro de reciclagem no Oriente M\u00e9dio e da Ar\u00e1bia Saudita, que anunciou um novo estaleiro com quatro diques para atender navios de 350 metros a 500 metros e que entra em opera\u00e7\u00e3o em 2025 para atender o mercado de reciclagem sustent\u00e1vel. Tr\u00eas estaleiros turcos entraram na \u00faltima lista da Comunidade Europeia, divulgada em julho deste ano. \u201cSe demorarmos muito, vamos perder esse mercado. \u00c9 importante o PL (1.584\/2021) ser aprovado e o ambiente de neg\u00f3cios ser fomentado no pa\u00eds porque outros players est\u00e3o de olho nessa oportunidade\u201d, alertou.<\/p>\n<p>Fonte: Portos e Navios<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil est\u00e1 entrando no mercado global de reciclagem de embarca\u00e7\u00f5es e uma fatia pequena j\u00e1 seria interessante para desenvolver a atividade em instala\u00e7\u00f5es brasileiras&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":47144,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-47143","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47143","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47143"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47143\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47145,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47143\/revisions\/47145"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47144"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47143"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47143"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47143"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}