{"id":4702,"date":"2014-04-04T09:40:34","date_gmt":"2014-04-04T12:40:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=4702"},"modified":"2014-04-04T10:34:53","modified_gmt":"2014-04-04T13:34:53","slug":"novas-descobertas-achatam-preco-do-petroleo-e-mudam-forcas-do-mercado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/novas-descobertas-achatam-preco-do-petroleo-e-mudam-forcas-do-mercado\/","title":{"rendered":"Novas descobertas achatam pre\u00e7o do petr\u00f3leo e mudam for\u00e7as do mercado"},"content":{"rendered":"<p>Novas descobertas de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural ao redor do mundo poderiam baixar o pre\u00e7o do barril dos atuais US$ 100 para US$ 75 nos pr\u00f3ximos cinco anos.\u00a0Al\u00e9m disso, uma queda na demanda tamb\u00e9m vai pressionar a supremacia do petr\u00f3leo \u00e0 medida que aumenta o uso de combust\u00edveis alternativos, como o g\u00e1s natural.<\/p>\n<p>Edward Morse, chefe da \u00e1rea de pesquisa global de commodities do Citigroup, acredita que a estabiliza\u00e7\u00e3o do consumo de petr\u00f3leo, combinada com o aumento da produ\u00e7\u00e3o, levar\u00e1 a um pre\u00e7o m\u00e9dio de US$ 75 o barril e a um teto de US$ 90.<\/p>\n<p>A proje\u00e7\u00e3o contrasta gritantemente com o paradigma dos \u00faltimos 40 anos, que previa uma demanda maior por petr\u00f3leo, alimentada pelo crescimento de economias em desenvolvimento, e uma redu\u00e7\u00e3o da oferta. S\u00f3 que, nos \u00faltimos cinco anos, foram descobertas fontes n\u00e3o convencionais de petr\u00f3leo num total de mais de um trilh\u00e3o de barris &#8211; o equivalente a mais de 30 anos de suprimento extra. A maior parte desses recursos pode ser explorada a US$ 75 ou menos.<\/p>\n<p>Dentro dos pr\u00f3ximos cinco anos, o crescimento da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo dos EUA deve tornar o pa\u00eds um exportador l\u00edquido, pondo fim a uma situa\u00e7\u00e3o que persiste desde a Segunda Guerra Mundial. &#8220;Embora esse pa\u00eds ainda v\u00e1 importar bastante petr\u00f3leo m\u00e9dio e pesado, a maioria das importa\u00e7\u00f5es vir\u00e1 do Canad\u00e1 e do M\u00e9xico&#8221;, diz Morse. &#8220;Assim, os EUA n\u00e3o ter\u00e3o mais que se preocupar com interrup\u00e7\u00f5es no fornecimento que podem afetar a atividade econ\u00f4mica. \u00c9 por isso que a chamamos de era da independ\u00eancia energ\u00e9tica da Am\u00e9rica do Norte.&#8221;<\/p>\n<p>Do lado da oferta, fontes n\u00e3o convencionais de petr\u00f3leo est\u00e3o sendo exploradas em pa\u00edses como \u00cdndia, Bahrein e Uganda. Do lado da demanda, um ter\u00e7o da frota de autom\u00f3veis do Brasil j\u00e1 pode rodar com combust\u00edvel alternativo.<\/p>\n<p>Os problemas pol\u00edticos recentes causados pela R\u00fassia, grande exportadora de petr\u00f3leo e g\u00e1s, fazem lembrar a fragilidade da oferta mundial de energia. O consultor de energia Philip Verleger prop\u00f4s como &#8220;resposta significativa para a agress\u00e3o russa&#8221; que os EUA vendessem os cerca de 700 milh\u00f5es de barris em sua Reserva Estrat\u00e9gica de Petr\u00f3leo como uma forma de &#8220;reduzir os pre\u00e7os do petr\u00f3leo e causar um dano substancial \u00e0 R\u00fassia&#8221;, j\u00e1 que a reserva &#8220;n\u00e3o \u00e9 mais necess\u00e1ria para a seguran\u00e7a nacional&#8221; [dos EUA]. Um editorial recente do The Wall Street Journal prop\u00f4s que o Departamento de Energia [dos EUA] &#8220;aprovasse imediatamente os 25 pedidos [para a cria\u00e7\u00e3o de] terminais de exporta\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural liquefeito&#8221;, j\u00e1 que &#8220;cada d\u00f3lar de g\u00e1s nos EUA \u00e9 um d\u00f3lar a menos que flui para a economia de Putin&#8221;.<\/p>\n<p>Estas propostas teriam sido impens\u00e1veis h\u00e1 cinco anos, quando o suprimento de petr\u00f3leo e g\u00e1s era uma fonte de preocupa\u00e7\u00e3o para os EUA.<\/p>\n<p>As receitas com petr\u00f3leo e g\u00e1s representam 70% do total das exporta\u00e7\u00f5es da R\u00fassia e mais de 50% da renda de seu governo federal. A R\u00fassia exporta mais de sete milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo por dia, perdendo apenas para a Ar\u00e1bia Saudita. Uma diferen\u00e7a fundamental entre a R\u00fassia e o pa\u00eds \u00e1rabe \u00e9 que mais de 60% do petr\u00f3leo russo \u00e9 produzido na Sib\u00e9ria, onde os custos s\u00e3o muito maiores. Logo, uma queda de US$ 100 para US$ 75 no pre\u00e7o do barril afetaria muito mais a receita l\u00edquida russa do que a saudita.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, cerca de 75% das exporta\u00e7\u00f5es de g\u00e1s natural da R\u00fassia v\u00e3o para a Europa Ocidental, suprindo 30% da demanda da regi\u00e3o a pre\u00e7os que chegam a tr\u00eas vezes os dos EUA. Essa diferen\u00e7a enorme decorre da inexist\u00eancia de um mercado mundial para g\u00e1s natural, por causa do custo proibitivo de transportar o produto no seu estado normal. Da\u00ed o argumento nos EUA pela aprova\u00e7\u00e3o acelerada de terminais de exporta\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural liquefeito. Com a abund\u00e2ncia de g\u00e1s natural existente hoje em pa\u00edses como Brasil, Argentina, Austr\u00e1lia e \u00c1frica do Sul, \u00e9 poss\u00edvel que surja algo parecido com um mercado global de g\u00e1s natural liquefeito nos pr\u00f3ximos cinco anos. Isso quebraria o monop\u00f3lio da R\u00fassia no seu mercado, permitindo que os europeus comprem de outras fontes.<\/p>\n<p>Amy Jaffe, diretora executiva de energia e sustentabilidade da Universidade da Calif\u00f3rnia, em Davis, prev\u00ea que o pre\u00e7o m\u00e9dio poderia cair abaixo de US$ 75, em parte porque os custos de produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo n\u00e3o s\u00e3o fixos. &#8220;Estudos mostram que os custos seguem os pre\u00e7os do petr\u00f3leo e n\u00e3o o contr\u00e1rio&#8221;, observa. Quando os pre\u00e7os do petr\u00f3leo baixam, a demanda por sondas de perfura\u00e7\u00e3o e equipamentos cai, reduzindo o custo de perfura\u00e7\u00e3o. E isso \u00e9 m\u00e1 not\u00edcia para Putin.<\/p>\n<p>Os fatores que est\u00e3o reescrevendo as regras do jogo, no lado da oferta, s\u00e3o os tr\u00eas novas fontes de petr\u00f3leo que at\u00e9 recentemente n\u00e3o haviam entrado na equa\u00e7\u00e3o: \u00e1guas profundas, xisto e areias betuminosas. Juntas, elas poderiam produzir mais de um trilh\u00e3o de barris &#8211; uma enorme adi\u00e7\u00e3o a reservas previamente estimadas em cerca de 1,5 trilh\u00e3o. Segundo Eric Lee, analista de energia do Citigroup, boa parte desse trilh\u00e3o de barris extras poderia ser extra\u00edda a US$ 75 por barril ou menos porque os custos de extra\u00e7\u00e3o no xisto e \u00e1guas profundas podem continuar caindo.<\/p>\n<p>O petr\u00f3leo de xisto, extra\u00eddo principalmente pelo fraturamento hidr\u00e1ulico, ou &#8220;fracking&#8221;, foi estimado pelo governo americano em 345 bilh\u00f5es de barris, dos quais 58 bilh\u00f5es seriam recuper\u00e1veis nos EUA.<\/p>\n<p>J\u00e1 as areias betuminosas, segundo o &#8220;Statistical Review&#8221;, uma publica\u00e7\u00e3o da BP, s\u00e3o encontradas em apenas dois pa\u00edses: o Canad\u00e1(167,8 bilh\u00f5es de barris) e a Venezuela (220 bilh\u00f5es). Embora n\u00e3o esteja claro se a produ\u00e7\u00e3o seria vi\u00e1vel a US$ 75 por barril, Morse, do Citigroup, acredita que &#8220;outras empresas estariam abertas a investir [nessas regi\u00f5es], incluindo estatais do Extremo Oriente, j\u00e1 que o fluxo de caixa seria robusto por 40 anos ou mais&#8221;.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 demanda, o monop\u00f3lio do petr\u00f3leo no transporte est\u00e1 sendo desafiado pela abund\u00e2ncia de g\u00e1s natural de xisto. Segundo estimativas da Advanced Resources International, uma empresa de consultoria de energia que compila dados junto com a Ag\u00eancia Internacional de Energia dos EUA, as reservas americanas de g\u00e1s de xisto alcan\u00e7ariam o not\u00e1vel volume de quase 33 trilh\u00f5es de metros c\u00fabicos, comparados a 8 trilh\u00f5es na R\u00fassia e a um total em torno de 221 trilh\u00f5es no mundo (equivalentes a 1,4 trilh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a queda nos pre\u00e7os do g\u00e1s natural resultante da disparada na produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 levando empresas de transporte a migrar de combust\u00edveis derivados de petr\u00f3leo para o g\u00e1s natural. Empresas como Cummins e Westport Innovations vendem motores movidos tanto a g\u00e1s natural l\u00edquido quanto comprimido.<\/p>\n<p>Juntas, essas tend\u00eancias devem ser mais do que suficientes para que o consumo mundial de petr\u00f3leo se desacelere e depois se estabilize nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>Mas os perigos da perfura\u00e7\u00e3o em \u00e1guas profundas e do fraturamento hidr\u00e1ulico, al\u00e9m do uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis, j\u00e1 est\u00e3o provocando rea\u00e7\u00f5es dos ambientalistas. No final, por\u00e9m, como observa Trevor Houser, do Instituto Peterson: &#8220;Desde que a ind\u00fastria aceite um n\u00edvel razo\u00e1vel de supervis\u00e3o regulat\u00f3ria, \u00e9 improv\u00e1vel que o boom de petr\u00f3leo e g\u00e1s seja interrompido por ambientalistas.<\/p>\n<p>Fonte: Valor Econ\u00f4mico\/Gene Epstein Barron&#8217;s<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Novas descobertas de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural ao redor do mundo poderiam baixar o pre\u00e7o do barril dos atuais US$ 100 para US$ 75 nos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-4702","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4702","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4702"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4702\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4703,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4702\/revisions\/4703"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4702"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4702"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4702"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}