{"id":46757,"date":"2023-08-04T10:29:53","date_gmt":"2023-08-04T13:29:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=46757"},"modified":"2023-08-04T10:29:53","modified_gmt":"2023-08-04T13:29:53","slug":"como-a-descarbonizacao-do-transporte-maritimo-afetara-os-consumidores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/como-a-descarbonizacao-do-transporte-maritimo-afetara-os-consumidores\/","title":{"rendered":"Como a descarboniza\u00e7\u00e3o do transporte mar\u00edtimo afetar\u00e1 os consumidores"},"content":{"rendered":"<p>Diariamente estamos lendo dezenas de not\u00edcias sobre a situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica do meio ambiente e diversas iniciativas para sua prote\u00e7\u00e3o. Para dimensionar a gravidade da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 oito anos, os l\u00edderes de 193 pa\u00edses membros da ONU se reuniram e definiram 17 metas chamadas \u201c Sustainable Develpmente Goals \u2013 SDG\u201d, onde concordaram em realizar at\u00e9 o ano de 2030 as medidas necess\u00e1rias para minimizar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e desenvolver energias verdes. A lista \u00e9 longa e as metas ambiciosas.<\/p>\n<p>Fatores externos, por\u00e9m, t\u00eam contribu\u00eddo para atrasar o atingimento das metas como a crise mundial dos refugiados, o Brexit, a Guerra na Ucrania e sua consequente crise energ\u00e9tica. Nitidamente florestas queimam em diversas partes do mundo, os polos est\u00e3o descongelando e, cada vez mais, presenciamos secas, ondas de frio\/calor, enchentes, ciclones e vendavais sem precedentes. Ou seja, mesmo com a crise clim\u00e1tica j\u00e1 batendo \u00e0 porta de todos, ela acaba sempre sendo adiada nas agendas pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Recentemente, a ONU emitiu um relat\u00f3rio de avalia\u00e7\u00e3o onde no sum\u00e1rio constou: \u201cA meio caminho da agenda de 2030, todas as metas est\u00e3o seriamente em risco!\u201d<\/p>\n<p>Antes de falarmos mais especificamente das mudan\u00e7as a caminho no transporte mar\u00edtimo, objeto desse artigo, \u00e9 oportuno mencionar o ranking dos setores com maior responsabilidade nas emiss\u00f5es de GEE (gases efeito estufa), segundo levantamento da Climate Trade:<\/p>\n<p>1. Gera\u00e7\u00e3o de energia &amp; Combust\u00edveis (carv\u00e3o, petr\u00f3leo e g\u00e1s): ap\u00f3s uma pequena queda durante a pandemia, a emiss\u00e3o de CO2 cresceu de novo em 2022;<\/p>\n<p>2. Agropecu\u00e1ria: o g\u00e1s metano gerado a partir da rumina\u00e7\u00e3o dos bovinos, as queimadas e os desmatamentos s\u00e3o grandes emissores de GEE (ainda de acordo com esse levantamento, Indon\u00e9sia, Brasil e Congo respondem por mais de 60% das emiss\u00f5es desse setor);<\/p>\n<p>3. Ind\u00fastria da Moda;<\/p>\n<p>4. Transportes: estima-se que 40% das emiss\u00f5es do setor se referem ao transporte de cargas (a\u00e9reo e mar\u00edtimo) e 60% ao transporte de passageiros;<\/p>\n<p>5. Constru\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>Certezas e contradi\u00e7\u00f5es emanadas da reuni\u00e3o da IMO<\/p>\n<p>De 3 a 7 de julho realizou-se em Londres a 80\u00aa sess\u00e3o do MEPC (Marine Environment Protection Committee) da IMO (Organiza\u00e7\u00e3o Mar\u00edtima Internacional) cercada de muitas expectativas quanto \u00e0s decis\u00f5es a serem tomadas para redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de carbono pelos navios. Conv\u00e9m lembrar que o transporte mar\u00edtimo mundial (composto por cerca de 58.000 navios acima de 500 tons de porte bruto) \u00e9 respons\u00e1vel por 3% das emiss\u00f5es de carbono do planeta, que pode parecer pouco, mas \u00e9 o mesmo que o Jap\u00e3o, 3\u00aa maior economia do mundo.<\/p>\n<p>Resumidamente as decis\u00f5es tomadas foram:<\/p>\n<p>\u2022 Estabelecer pontos de verifica\u00e7\u00e3o indicativos para atingir emiss\u00f5es l\u00edquidas zero de GEE (gases efeito estufa) provenientes do transporte mar\u00edtimo internacional:<\/p>\n<p>\u2022 Reduzindo o total anual de emiss\u00f5es de GEE em pelo menos 20%, tentando chegar em 30% at\u00e9 2030, comparado a 2008;<\/p>\n<p>\u2022 Reduzindo o total anual das emiss\u00f5es de GEE em pelo menos 70%, tentando chegar a 80% at\u00e9 2040, sempre comparado a 2008.<\/p>\n<p>\u2022 Um \u201cn\u00edvel de ambi\u00e7\u00e3o\u201d para usar \u201ctecnologias, combust\u00edveis e\/ou fontes de energia com emiss\u00e3o zero ou quase zero de GEE que represente pelo menos 5%, buscando 10%, da energia usada pelo transporte mar\u00edtimo internacional at\u00e9 2030\u201d.<\/p>\n<p>\u2022 Para que a ind\u00fastria naval \u201calcance zero emiss\u00f5es l\u00edquidas de GEE por volta de 2050, levando em considera\u00e7\u00e3o diferentes circunst\u00e2ncias nacionais\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel observar a linguagem bastante amb\u00edgua nas decis\u00f5es, que retratam a falta de consenso entre os membros da IMO e a solu\u00e7\u00e3o de compromisso que emanou da reuni\u00e3o. Ainda assim foram passos importantes a demonstrar uma preocupa\u00e7\u00e3o e um compromisso do setor com o problema do aquecimento global. Mas h\u00e1 uma s\u00e9rie de quest\u00f5es na mesa, a serem resolvidas ao longo dos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>Para come\u00e7o de conversa o setor relata a incerteza sobre as futuras regulamenta\u00e7\u00f5es que tem dificultado as encomendas de novos navios que n\u00e3o s\u00f3 foi mantida, como foi exacerbada.<br \/>\n\u201cEm \u00faltima an\u00e1lise, o resultado da reuni\u00e3o tem um alvo muito mais agressivo de \u2018onde\u2019, sem muita clareza adicional sobre a parte \u2018como\u2019 da equa\u00e7\u00e3o\u201d, disse Ben Nolan, analista de shipping da Stifel, em uma nota para clientes. \u201cEssa ambiguidade de \u2018como\u2019 deve manter os novos pedidos de navios limitados.\u201d<\/p>\n<p>Apesar da resist\u00eancia da China e de outros pa\u00edses, o acordo final da IMO inclu\u00eda um cronograma para desenvolver uma taxa global de carbono.<\/p>\n<p>Houve \u201cconsenso sobre a necessidade de um mecanismo de precifica\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de GEE [gases de efeito estufa]\u201d, disse a corretora de navios \u201cBRS Shipbrokers\u201d logo ap\u00f3s a reuni\u00e3o.<\/p>\n<p>Parece haver bastante consenso de que em algum momento essa \u201ctaxa de carbono\u201d venha a ser implementada a n\u00edvel global, como forma de desestimular o uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis e viabilizar os combust\u00edveis \u201cverdes\u201d, reconhecidamente mais caros. A quest\u00e3o \u00e9 como, quanto e quando!<\/p>\n<p>J\u00e1 para os operadores de cont\u00eaineres, o acordo de sete de julho teoricamente aumenta a possibilidade de custos de frete mais altos no futuro, pois o uso dos combust\u00edveis ditos \u201cverdes\u201d vem com um custo maior e que, junto com a poss\u00edvel aplica\u00e7\u00e3o da taxa global de carbono referida, ser\u00e1 inevitavelmente repassada aos fretes, provavelmente sob t\u00edtulo dos conhecidos \u201csurcharges\u201d.<\/p>\n<p>Mas os operadores de navios e seus clientes j\u00e1 enfrentar\u00e3o a precifica\u00e7\u00e3o do carbono em breve: a inclus\u00e3o gradual do transporte mar\u00edtimo no Sistema de Com\u00e9rcio de Emiss\u00f5es (ETS) da UE come\u00e7a em 1\u00ba de janeiro de 2024. \u201cO EU ETS que entrar\u00e1 em vigor no pr\u00f3ximo ano ser\u00e1 muito mais impactante [do que outras regulamenta\u00e7\u00f5es ambientais existentes]\u201d, alertou Carlos Balestra Di Mottola, CFO da armadora D\u2019Amico, na confer\u00eancia Marine Money Week em junho. \u201cDados os pre\u00e7os atuais das permiss\u00f5es de CO2 e os pre\u00e7os do combust\u00edvel, isso pode levar a um aumento de cerca de 50% nos custos do bunker nas viagens europeias. \u00c9 um aumento bastante acentuado.\u201d<\/p>\n<p>Os armadores de cont\u00eaineres que encomendam novos navios t\u00eam se concentrado em dois tipos de combust\u00edvel alternativo, ambos muito mais caros do que o combust\u00edvel de bunker tradicional: g\u00e1s natural liquefeito e metanol.<\/p>\n<p>A grande maioria dos navios porta-cont\u00eaineres encomendados nos \u00faltimos dois anos s\u00e3o bicombust\u00edveis, com o metanol emergindo como a escolha preferida de combust\u00edvel alternativo. Recentemente a Evergreen encomendou 24 novos navios bicombust\u00edveis. Muitos armadores est\u00e3o tamb\u00e9m adaptando embarca\u00e7\u00f5es para uso de metanol. A Hapag-Lloyd e a<br \/>\nSeaspan anunciaram h\u00e1 duas semanas que reformar\u00e3o 15 embarca\u00e7\u00f5es para uso de metanol, com op\u00e7\u00e3o para mais 45.<\/p>\n<p>O metanol \u00e9 o triplo do pre\u00e7o do \u00f3leo combust\u00edvel com baixo teor de enxofre, disse a Hapag-Lloyd. A consultoria Drewry estimou que uma mudan\u00e7a para o metanol \u201cverde\u201d \u2013 metanol produzido a partir de biomassa ou por outros meios para atingir a neutralidade de carbono, aumentaria os custos de combust\u00edvel em 350%, equivalendo a um custo adicional de mais de US$ 1.000 por FEU para cont\u00eaineres embarcados da \u00c1sia para a Europa.<\/p>\n<p>Por raz\u00f5es competitivas, estima-se que as embarca\u00e7\u00f5es bicombust\u00edveis capazes de queimar GNL ou metanol continuem queimando principalmente \u00f3leo combust\u00edvel at\u00e9 que o campo de jogo seja nivelado por um imposto sobre o carbono.<\/p>\n<p>\u201cComo o diferencial de custo \u00e9 t\u00e3o grande, governos e formuladores de pol\u00edticas ter\u00e3o que adotar regras mais fortes ou ainda mais obrigat\u00f3rias para for\u00e7ar a mudan\u00e7a se quiserem alcan\u00e7ar o transporte ecol\u00f3gico\u201d, disse a consultoria Drewry.<\/p>\n<p>\u2018Durante a feira Nor-Shipping 2023 o Global Centre for Maritime Decarbonization (GCMD) apresentou uma pesquisa feita com 130 l\u00edderes do shipping que enfatizaram a forte disposi\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria em reduzir as emiss\u00f5es de GEE. Surpreendentemente 70% dos entrevistados disseram considerar que o processo de descarboniza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma prioridade m\u00e1xima, enquanto 30% deles j\u00e1 tem planos de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de GEE. Por \u00faltimo, 75% dos entrevistados t\u00eam uma meta zero ou intermedi\u00e1ria para emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>A Drewry em recente publica\u00e7\u00e3o resumiu muito bem a quest\u00e3o, escrevendo: \u201c\u00c9 f\u00e1cil perder de vista o quadro geral quando se trata de preocupa\u00e7\u00f5es de curto prazo, como a dire\u00e7\u00e3o das taxas de frete ou do tr\u00e1fego portu\u00e1rio. Mas tais assuntos carregam apenas import\u00e2ncia transit\u00f3ria e ser\u00e3o rapidamente esquecidos. O que ser\u00e1 lembrado nos pr\u00f3ximos anos \u00e9 o que a ind\u00fastria naval fez para reduzir seu impacto ambiental no mundo.\u201d<\/p>\n<p>Portanto, o \u201cshipping\u201d tem sua parcela de responsabilidade no aquecimento global e est\u00e1 come\u00e7ando, com muitas dificuldades, a assumir sua parte, mas h\u00e1 um longo e desafiador futuro a frente.<\/p>\n<p>Fonte: Portos e Navios<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diariamente estamos lendo dezenas de not\u00edcias sobre a situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica do meio ambiente e diversas iniciativas para sua prote\u00e7\u00e3o. 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