{"id":46457,"date":"2023-07-18T09:19:29","date_gmt":"2023-07-18T12:19:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=46457"},"modified":"2023-07-18T09:19:29","modified_gmt":"2023-07-18T12:19:29","slug":"imo-2023-o-que-muda-no-transporte-maritimo-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/imo-2023-o-que-muda-no-transporte-maritimo-internacional\/","title":{"rendered":"IMO 2023: O QUE MUDA NO TRANSPORTE MAR\u00cdTIMO INTERNACIONAL"},"content":{"rendered":"<p>O transporte mar\u00edtimo mundial jamais ser\u00e1 o mesmo a partir de 1\u00ba de janeiro de 2024. Isso porque entrar\u00e1 em vigor o IMO 2023, regras estabelecidas pela Organiza\u00e7\u00e3o Mar\u00edtima Internacional que obriga todos os navios a calcularem seu \u00cdndice de Efici\u00eancia Energ\u00e9tica (EEXI) e iniciarem a coleta de dados para o relat\u00f3rio de seu indicador anual de intensidade de carbono operacional (CII). Tendo em vista que os navios s\u00e3o respons\u00e1veis por 1 bilh\u00e3o de toneladas de CO2 e GEE (Gases de Efeito Estufa) anuais lan\u00e7adas na atmosfera, o objetivo \u00e9 reduzir as emiss\u00f5es em prol do planeta.<\/p>\n<p>O tema foi abordado por \u00c9rika Jamas diretora comercial da CMA CGM, que falou sobre \u201cInd\u00fastria do shipping no p\u00f3s-pandemia\u201d no primeiro dia da Semana Cultural Allog 2023. O evento \u00e9 voltado ao t ime de colaboradores do Grupo Allog para atualiza\u00e7\u00e3o sobre o mercado log\u00edstico e do Comex.<\/p>\n<p>\u00c9rika explica que o IMO 2023 impactar\u00e1 diretamente o mercado mar\u00edtimo internacional nos pr\u00f3ximos anos. Isso porque, \u00e0 semelhan\u00e7a dos selos de efici\u00eancia energ\u00e9tica que nos acostumamos a ver nas geladeiras de forma l\u00fadica, navios mercantes que hoje possuem classifica\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica n\u00edvel D e E precisar\u00e3o se adaptar para alcan\u00e7ar, pelo menos, o \u00edndice C em apenas 2 anos, sob o risco de n\u00e3o poderem mais operar em linhas internacionais.<\/p>\n<p><strong>Mas, afinal, como ficar\u00e1 o custo do frete?<\/strong><\/p>\n<p>As d\u00favidas s\u00e3o muitas. A estrat\u00e9gia adotada para tornar o transporte internacional cada vez menos poluente ser\u00e1 economicamente sustent\u00e1vel? Ser\u00e1 necess\u00e1rio renovar 100% das frotas de navios de carga? Como os armadores lidar\u00e3o com as transforma\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias em rotas mar\u00edtimas j\u00e1 existentes? O frete mar\u00edtimo ficar\u00e1 mais caro?<\/p>\n<p>Segundo \u00c9rica, todas as companhias precisar\u00e3o considerar suas rotas de uma nova forma a partir de 2024. Al\u00e9m da instala\u00e7\u00e3o de filtros no motor dos navios e mudan\u00e7a de combust\u00edvel, ser\u00e1 necess\u00e1rio \u201caposentar\u201d pra sempre boa parte da frota e reformular servi\u00e7os mar\u00edtimos. \u201cUma das primeiras medidas ser\u00e1 reduzir a velocidade de alguns navios para que alcancem o \u00edndice adequado de efici\u00eancia energ\u00e9tica\u201d, cita a diretora comercial da CMA CGM.<\/p>\n<p>Como exemplo, um servi\u00e7o semanal que hoje opera com 6 navios poder\u00e1 precisar de 8 ou 9 embarca\u00e7\u00f5es para manter a mesma regularidade. Um dos efeitos imediatos \u00e9 a poss\u00edvel eleva\u00e7\u00e3o do custo do frete nos pr\u00f3ximos 2 ou 3 anos. \u201cSer\u00e1 uma equa\u00e7\u00e3o desafiadora. Com menos navios e automaticamente menos espa\u00e7o para as cargas, \u00e9 prov\u00e1vel que o mercado sinta uma regula\u00e7\u00e3o imediata entre oferta e demanda\u201d, cita.<\/p>\n<p>S\u00f3 para se ter uma ideia mais clara do impacto das mudan\u00e7as, a fatia de navios de carga refrigerada que ser\u00e3o tirados de circula\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos 2 anos representar\u00e1 o espa\u00e7o equivalente a 500 mil cont\u00eaineres refrigerados.<\/p>\n<p><strong>Novos navios<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com a IMO, se nada for feito, at\u00e9 2050 as emiss\u00f5es poder\u00e3o aumentar entre 90% e 130% dependendo de diferentes cen\u00e1rios econ\u00f4micos e energ\u00e9ticos de longo prazo. No Brasil, circulam cerca de 70 navios de diferentes armadores na rota comercial mercante. Destes, todos os servi\u00e7os dever\u00e3o ser adequados ao IMO 2023.<\/p>\n<p>Neste contexto, as companhias mar\u00edtimas j\u00e1 encomendaram navios novos e mais sustent\u00e1veis, adaptados para a categoria A ou B. Atualmente, a CMA CGM j\u00e1 possui novos navios encomendados e voltados para sustentabilidade, a exemplo do CMA CGM Jacques Saad\u00e9, navio LNG do grupo. Um deles \u00e9 espec\u00edfico para as \u00e1guas brasileiras: uma embarca\u00e7\u00e3o mais larga e rasa para se adaptar ao calado dos nossos portos. Logo ap\u00f3s a transforma\u00e7\u00e3o dos navios mercantes, ser\u00e1 necess\u00e1rio adaptar os navios de passageiros e, a longo prazo, tamb\u00e9m as aeronaves ao redor do mundo.<\/p>\n<p><strong>Entenda melhor o IMO 2023<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0 semelhan\u00e7a daqueles selos de efici\u00eancia energ\u00e9tica que nos acostumamos a ver nas geladeiras, com o IMO 2023 os navios passam a ser classificados conforme seu n\u00edvel de efici\u00eancia energ\u00e9tica, por meio de tr\u00eas indicadores espec\u00edficos: o Energy Efficiency Existing Ship Index (EEXI), o Carbon Intensity Indicator (CII) e o Ship Energy Efficiency Management Plan (SEEMP). O secret\u00e1rio-geral da IMO, Kitack Lim, afirma que \u201ca descarboniza\u00e7\u00e3o do transporte mar\u00edtimo internacional \u00e9 uma quest\u00e3o priorit\u00e1ria para a IMO e estamos todos comprometidos em agir juntos na revis\u00e3o de nossa estrat\u00e9gia e no aprimoramento de nossa ambi\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>Os 3 indicadores que classificam a efici\u00eancia energ\u00e9tica dos navios:<\/strong><\/p>\n<p><strong>1) Energy Efficiency Existing Ship Index (EEXI)<\/strong><\/p>\n<p>Aplic\u00e1vel a todos os navios com mais de 400 toneladas, por\u00e9m de maneira proporcional a um \u201cpatamar m\u00ednimo\u201d que vai variar de acordo com os diferentes tipos, tamanhos e categorias de navios (o c\u00e1lculo do EEXI tende a impactar mais os navios mais antigos).<\/p>\n<p><strong>2) Carbon Intensity Indicator (CII)<\/strong><\/p>\n<p>Os navios ser\u00e3o classificados em: A, B, C, D ou E (sendo \u201cA\u201d o melhor) de acordo com a emiss\u00e3o de GEE proporcional \u00e0 quantidade de carga e a dist\u00e2ncia percorrida. Esse \u00edndice determinar\u00e1 o fator de redu\u00e7\u00e3o anual necess\u00e1rio para assegurar a cont\u00ednua melhoria da intensidade de emiss\u00e3o de carbono dos navios. Embarca\u00e7\u00f5es menores ou mais antigas tender\u00e3o a se focar em rotas curtas\/regionais. O navio que por tr\u00eas anos consecutivos for classificado como \u201cD\u201d e \u201cE\u201d dever\u00e1 tomar medidas corretivas, a exemplo de mudar o combust\u00edvel, trocar de rota ou diminuir a velocidade, para reclassificar-se no n\u00edvel \u201cC\u201d.<\/p>\n<p><strong>3) Ship Energy Efficiency Management Plan (SEEMP)<\/strong><\/p>\n<p>Passar\u00e1 a ser um documento obrigat\u00f3rio do navio, estabelecendo o plano para melhorar sua efici\u00eancia energ\u00e9tica de maneira economicamente vi\u00e1vel.<\/p>\n<p>Fonte: Informativo dos Portos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O transporte mar\u00edtimo mundial jamais ser\u00e1 o mesmo a partir de 1\u00ba de janeiro de 2024. 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