{"id":45931,"date":"2023-06-16T12:56:27","date_gmt":"2023-06-16T15:56:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=45931"},"modified":"2023-06-16T12:56:27","modified_gmt":"2023-06-16T15:56:27","slug":"transicao-energetica-e-descarbonizacao-dominaram-os-debates-na-conferencia-brazilnor-shipping","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/transicao-energetica-e-descarbonizacao-dominaram-os-debates-na-conferencia-brazilnor-shipping\/","title":{"rendered":"Transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e descarboniza\u00e7\u00e3o dominaram os debates na Confer\u00eancia Brazil@Nor-Shipping"},"content":{"rendered":"<p>Apresenta\u00e7\u00f5es e debates de alto n\u00edvel marcaram a 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o da tradicional confer\u00eancia\u00a0Brazil@Nor-Shipping.\u00a0O evento aconteceu em paralelo \u00e0 feira, que terminou na \u00faltima sexta-feira, na Noruega. Novos combust\u00edveis, transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e descarboniza\u00e7\u00e3o estiveram no centro das discuss\u00f5es, que contaram com a participa\u00e7\u00e3o de diversos representantes da Marinha do Brasil, Petrobras, Transpetro, ANP e EPE. Pelo lado noruegu\u00eas, expoentes da ind\u00fastria mar\u00edtima deram sua contribui\u00e7\u00e3o para a troca de experi\u00eancias e an\u00e1lises do cen\u00e1rio atual e do que pode ser esperado para os pr\u00f3ximos anos tanto no segmento offshore quanto no de navega\u00e7\u00e3o. E um ponto \u00e9 consenso. Como um dos pa\u00edses com matriz energ\u00e9tica mais limpa do mundo, o Brasil tem, sim, importante papel na redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases poluentes mas tamb\u00e9m pode contribuir com seu know-how em diversas outras \u00e1reas. Embora n\u00e3o possam ser considerados solu\u00e7\u00e3o no longo prazo, os biocombust\u00edveis d\u00e3o ao Brasil algum f\u00f4lego at\u00e9 que possa desenvolver outras op\u00e7\u00f5es de combust\u00edveis economicamente mais vi\u00e1veis. Parceria foi o tema da Nor-Shipping 2023 e tamb\u00e9m na confer\u00eancia brasileira a necessidade e import\u00e2ncia da colabora\u00e7\u00e3o entre os diversos atores foi ressaltada por diversas vezes.<\/p>\n<p>Na abertura da confer\u00eancia, o anfitri\u00e3o, Felipe Meira, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira do Armadores Noruegueses (Abran), ressaltou como ser\u00e1 fundamental trabalhar em colabora\u00e7\u00e3o para transpor as barreiras frente ao desafio da descarboniza\u00e7\u00e3o. &#8220;Brasil e Noruega tem longa tradi\u00e7\u00e3o de parceria nos assuntos relacionados ao mar e com estes debates esperamos contribuir para ampliar ainda mais essa parceria&#8221;.<\/p>\n<p>Com um n\u00famero recorde de participantes, cerca de 90 pessoas, a confer\u00eancia brasileira reuniu empres\u00e1rios e executivos interessados em conhecer mais do est\u00e1 sendo feito e o que est\u00e1 por vir no pa\u00eds que \u00e9 considerado uma das pot\u00eancias do segmento energ\u00e9tico mundial.<\/p>\n<div id=\"beacon_1642eccdc3\"><\/div>\n<p>O CEO da Norwegian Shipowners Association (NSA), Harald Solberg, lembrou como as mudan\u00e7as no cen\u00e1rio energ\u00e9tico mundial devido \u00e0 guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia, trouxeram novos desafios \u00e0 navega\u00e7\u00e3o mundial. Segundo ele, os armadores noruegueses est\u00e3o trabalhando duro e focados em reduzir as emiss\u00f5es de carbono para cumprir a meta de zerar as emiss\u00f5es at\u00e9 2050. Solberg disse que o Brasil tem papel essencial para que as regulamenta\u00e7\u00f5es da IMO visando a descarboniza\u00e7\u00e3o sejam cumpridas. &#8220;O prazo \u00e9 curto e o tempo para agir \u00e9 agora&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>J\u00e1 o ministro da Pesca e Pol\u00edticas Oce\u00e2nicas da Noruega, Bj\u00f8nar Selnes Skj\u00e6ran, enfatizou um outro aspecto que n\u00e3o costuma ser muito citado mas \u00e9 de extrema import\u00e2ncia em diversos pa\u00edses: A oportunidade que a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica poder\u00e1 trazer na gera\u00e7\u00e3o de empregos. N\u00e3o somente em termos quantitativos mas tamb\u00e9m na gera\u00e7\u00e3o de valor em muitos deles. &#8220;A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica vai criar muitas novas oportunidades em tecnologias verdes&#8221;, pontuou, lembrando que a pandemia de Covid 19 atrasou a implementa\u00e7\u00e3o das regras da IMO e \u00e9 preciso um esfor\u00e7o geral para agilizar os processos. Ele lembrou ainda que Petrobras e Equinor v\u00e3o atuar em coopera\u00e7\u00e3o em projeto de energia e\u00f3lica no Brasil e com seu hist\u00f3rico de parceria \u00e9 esperado que seja mais um bem sucedido.<\/p>\n<p>No painel Energia, Navega\u00e7\u00e3o e Transi\u00e7\u00e3o Energ\u00e9tica, o CEO da empresa de consultoria Rystad Energy, Jarand Rystad, ressaltou que o Brasil tem uma das fontes de recursos renov\u00e1veis mais baratas e limpas. E ainda com tend\u00eancia dos custos de produ\u00e7\u00e3o seguirem em queda. Sobre o hidrog\u00eanio verde, embora a maioria dos projetos estejam na Europa, a participa\u00e7\u00e3o do Brasil est\u00e1 crescendo e ele acredita que o pa\u00eds ter\u00e1 um papel muito relevante nos pr\u00f3ximos anos. Destacando a pujan\u00e7a da frota mar\u00edtima brasileira, ele destacou que atualmente o pa\u00eds tem 250 embarca\u00e7\u00f5es de apoio offshore, 150 rebocadores, 50 navios-tanque e 25 graneleiros.<\/p>\n<p>Segundo ele, o \u00e1pice da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo no pa\u00eds deve acontecer em torno de 2030, decaindo a partir da pr\u00f3xima d\u00e9cada. Como o petr\u00f3leo do pr\u00e9-sal tem menos carbono, o aumento da produ\u00e7\u00e3o nesses campos mais profundos acaba favorecendo a redu\u00e7\u00e3o da pegada de carbono no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para Rystad, outro ponto a ser destacado \u00e9 que aos poucos e cada vez de forma mais intensa o consumo de energia prim\u00e1ria no Brasil est\u00e1 migrando dos combust\u00edveis f\u00f3sseis para as renov\u00e1veis, como biomassa, solar e e\u00f3lica.<\/p>\n<p>Ainda segundo os dados apresentados pelo CEO, os estados com maior capacidade e\u00f3lica (considerando os projetos em processo de licenciamento ambiental) s\u00e3o Rio Grande do Sul, Cear\u00e1, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Piau\u00ed, ES, SC e MA. &#8220;O potencial e\u00f3lico brasileiro tem atra\u00eddo n\u00e3o s\u00f3 desenvolvedores locais para tamb\u00e9m globais, de olho na descarboniza\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Em sua apresenta\u00e7\u00e3o, o chefe do Estado-Maior da Armada, alte. Jos\u00e9 Augusto Vieira da Cunha de Menezes, falou sobre as perspectivas da Autoridade Mar\u00edtima Brasileira frente transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. Em tom otimista, ele lembrou que o Brasil \u00e9 o segundo maior produtor de biocombust\u00edveis no mundo e ainda disp\u00f5e de extensas \u00e1reas para o crescimento da produ\u00e7\u00e3o de forma sustent\u00e1vel. E ressaltou que n\u00e3o h\u00e1 conflito com a produ\u00e7\u00e3o de alimentos : as lavouras ocupam 8% do territ\u00f3rio nacional. &#8220;A expectativa \u00e9 de que em 2030 os biocombust\u00edveis representem 18% da matriz energ\u00e9tica brasileira&#8221;, comemorou.<\/p>\n<p>O alte. Cunha lembrou ainda que o Brasil busca outras fontes de energia limpa e destacou o projeto desenvolvido no porto do Pec\u00e9m, a 1\u00aa planta de hidrog\u00eanio verde do pa\u00eds.<br \/>\nEm sua apresenta\u00e7\u00e3o, o diretor da ANP, Daniel Vieira, lembrou que o Brasil est\u00e1 cada vez mais ocupando uma posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a no segmento de E&amp;P com 14.9 bilh\u00f5es de barris em reservas de \u00f3leo provadas e 406 bilh\u00f5es de m3 de reservas de g\u00e1s em 2022 Em 2022 foram exportados 1.34 milh\u00f5es de barris de \u00f3leo cru. &#8220;A previs\u00e3o \u00e9 de que de 2023 a 2027 sejam investidos US$ 90 bilh\u00f5es em E&amp;P. E de 2018 a 2022 foram investidos US$ 2,5 bilh\u00f5es em P&amp;I e em transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica foi bem pouco, s\u00f3 5%.<\/p>\n<p>Ainda segundo ele, o segmento de g\u00e1s no Brasil tem o desafio de aumentar a monetiza\u00e7\u00e3o da atividade, que ainda \u00e9 baixa.<\/p>\n<p>O diretor da ANP afirmou que atualmente o Brasil abriga a maior parte dos FPSOs em desenvolvimento e at\u00e9 2027 outras 20 unidades entrar\u00e3o em opera\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Desse total somente quatro s\u00e3o de outras operadoras que n\u00e3o a Petrobras.<\/p>\n<p>O diretor da Antaq, alte. Wilson de Lima Filho, disse n\u00e3o haver d\u00favidas de que o Brasil \u00e9 verde. E ressaltou que no longo prazo alguns combust\u00edveis como am\u00f4nia e metanol ter\u00e3o papel relevante mas no curto prazo o Brasil tem biocombust\u00edveis e g\u00e1s natural. &#8220;Biocombust\u00edveis n\u00e3o s\u00e3o solu\u00e7\u00e3o de longo prazo&#8221;, pontuou, lembrando que atualmente o Brasil tem 10 projetos de hidrog\u00eanio verde e destacou os portos brasileiros que tem ganhado destaque na \u00e1rea: os portos de Pec\u00e9m (CE), A\u00e7u (RJ) e Rio Grande (RS). O diretor da Antaq destacou ainda que a Neoenergia estuda projetos tanto na \u00e1rea de hidrog\u00eanio verde como de energia e\u00f3lica. Na opini\u00e3o de Wilson Lima Filho o Brasil n\u00e3o ter\u00e1 um combust\u00edvel predominante mas v\u00e1rias solu\u00e7\u00f5es a serem aplicadas, dependendo de cada rota de navega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O analista de Pesquisa Energ\u00e9tica da EPE, Bruno Stukart, falou sobre as perspectivas da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica no Brasil. Segundo ele, a transi\u00e7\u00e3o no mundo est\u00e1 lenta e lembrou que no Brasil a produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis \u00e9 grande e tem potencial para crescer. E que os biocomobust\u00edveis tem ajudado a descarbonizar o transporte rodovi\u00e1rio brasileiro.<br \/>\nNa opini\u00e3o do analista da EPE, mesmo com o barateamento das baterias, os carros el\u00e9tricos s\u00e3o op\u00e7\u00e3o distante da maioria da popula\u00e7\u00e3o brasileira e considera que a principal matriz energ\u00e9tica brasileira continuar\u00e1 sendo o etanol.<\/p>\n<p>J\u00e1 no segmento mar\u00edtimo, al\u00e9m do GNL, ele n\u00e3o v\u00ea possibilidade para novos combust\u00edveis para bunkering no Brasil na pr\u00f3xima d\u00e9cada. E apesar de reconhecer o potencial de crescimento da energia e\u00f3lica no Brasil, Bruno Stukart, n\u00e3o acredita que ela tenha potencial para se tornar competitiva na pr\u00f3xima d\u00e9cada frente a outras fontes de energia no Brasil.<\/p>\n<p>Na mesa redonda que se seguiu \u00e0s apresenta\u00e7\u00f5es um dos pontos levantados foi como dever\u00e1 se dar a coopera\u00e7\u00e3o entre Brasil e Noruega nos pr\u00f3ximos anos. Para o diretor da ANP, o Brasil tem muito o que aprender com o modelo regulat\u00f3rio da Noruega para a explora\u00e7\u00e3o de novas fronteiras e tamb\u00e9m sobre a quest\u00e3o da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. Entre os maiores desafios, ele considera que ser\u00e1 manter normas regulat\u00f3rias de modo a seguir com a importa\u00e7\u00e3o de diesel. J\u00e1 Stukart citou que tamb\u00e9m \u00e9 preciso foco em incentivar a cabotagem brasileira e reduzir o transporte rodovi\u00e1rio.<\/p>\n<p>Para o diretor da Antaq, com sua experi\u00eancia a Noruega poder\u00e1 ajudar na cria\u00e7\u00e3o da regula\u00e7\u00e3o brasileira no segmento de energia e\u00f3lica. Outra contribui\u00e7\u00e3o relevante poder\u00e1 ser no segmento de embarca\u00e7\u00f5es auton\u00f4mas. &#8220;O Brasil tem muito o que aprender com a Noruega nessa \u00e1rea&#8221;, afirmou o alte. Lima Filho.<\/p>\n<p>Fonte: Portos e Navios<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apresenta\u00e7\u00f5es e debates de alto n\u00edvel marcaram a 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o da tradicional confer\u00eancia\u00a0Brazil@Nor-Shipping.\u00a0O evento aconteceu em paralelo \u00e0 feira, que terminou na \u00faltima sexta-feira, na&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":45932,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-45931","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45931","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45931"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45931\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45933,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45931\/revisions\/45933"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45932"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45931"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45931"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45931"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}