{"id":44699,"date":"2023-03-29T15:56:41","date_gmt":"2023-03-29T18:56:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=44699"},"modified":"2023-03-29T15:56:41","modified_gmt":"2023-03-29T18:56:41","slug":"marinha-de-guerra-do-brasil-tem-navio-mais-antigo-do-mundo-ainda-na-ativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/marinha-de-guerra-do-brasil-tem-navio-mais-antigo-do-mundo-ainda-na-ativa\/","title":{"rendered":"Marinha de Guerra do Brasil tem navio mais antigo do mundo ainda na ativa"},"content":{"rendered":"<p>Para muitos pode ser at\u00e9 in\u00e9dita a informa\u00e7\u00e3o de que na Segunda Grande Guerra morreram mais marinheiros na costa brasileira do que os nossos her\u00f3icos soldados da FEB na It\u00e1lia.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto que entra a estreia do \u00e9pico Monitor Parna\u00edba, encoura\u00e7ado carinhosamente apelidado de\u00a0\u201cJa\u00fa do Pantanal\u201d\u00a0e\u00a0\u201cCaverna Mestra da Armada\u201d,\u00a0apelido de quem ou o que \u00e9 mais antigo numa fun\u00e7\u00e3o na Marinha de Guerra. Armada \u00e9 como \u00e9 designada a Marinha de Guerra do Brasil, diferente da Marinha Mercante.<\/p>\n<p>A embarca\u00e7\u00e3o tem 86 anos e \u00e9 um navio da classe monitor que tem como fun\u00e7\u00e3o apoiar as patrulhas e opera\u00e7\u00f5es navais. Um navio patrulha. Os EUA tem alguns navios mais antigos que o nosso\u00a0\u201cJa\u00fa do Pantanal\u201d, mas nenhum em atividade ainda. O navio mais antigo dos EUA ainda em atividade, o\u00a0<i>USS Blue Ridge<\/i>, foi comissionado em 1970. Todos viraram navios-museus e servem como patrim\u00f4nio, tal como o\u00a0<i>USS Constitution<\/i>.<\/p>\n<p>Os russos t\u00eam um navio bem mais antigo em atividade,\u00a0o navio russo\u00a0<i>Kommuna<\/i>, tendo sido lan\u00e7ado pela primeira vez durante o reinado do\u00a0<i>czar<\/i>\u00a0Nicolau II no ano de 1913 com o nome de\u00a0<i>Volkhov<\/i>.\u00a0Por\u00e9m, \u00e9 um navio de salvamento e n\u00e3o armado.<\/p>\n<p>Apesar de integrar a Marinha russa, o\u00a0<i>Kommuna<\/i>\u00a0\u00e9 um navio civil,\u00a0 especializado na prepara\u00e7\u00e3o de mergulhadores e buscas subaqu\u00e1ticas, diferente do encoura\u00e7ado Parna\u00edba que permanece at\u00e9 hoje como navio patrulha de guerra. Armado at\u00e9 aos dentes.<\/p>\n<div>\n<p>O\u00a0Navio Monitor Parna\u00edba \u2013 U 17, ostenta esse nome em homenagem a esse rio do Piau\u00ed. Foi constru\u00eddo pelo Arsenal de Marinha da Ilha das Cobras, hoje\u00a0AMRJ. Produ\u00e7\u00e3o\u00a0tupiniquim, diferente de muitos que temos na Marinha. Teve sua quilha batida em 11 de junho de 1936, pelo ent\u00e3o Presidente da Rep\u00fablica\u00a0Get\u00falio Vargas, foi lan\u00e7ado ao mar e batizado em 6 de novembro de 1937,\u00a0tendo como madrinha a Primeira-Dama, a Sra. Darcy Sarmanho Vargas.<\/p>\n<p>\u00c9 projetado para opera\u00e7\u00f5es ribeirinhas e atua ainda hoje nas \u00e1guas fluviais de Lad\u00e1rio, Mato Grosso do Sul, desde sua incorpora\u00e7\u00e3o\u00a0\u00e0 Flotilha do Mato Grosso em 4 de mar\u00e7o de 1938. Neste ano j\u00e1 tinha sofrido um inc\u00eandio em sua pra\u00e7a\u00a0de caldeiras.<\/p>\n<p>Incrivelmente,\u00a0operou em centenas de miss\u00f5es com motor a vapor\u00a0at\u00e9 sua modifica\u00e7\u00e3o para motor a diesel em 1999.<\/p>\n<\/div>\n<div><strong>\u00a0O peixe de \u00e1gua doce \u00e9 ferozmente lan\u00e7ado ao mar<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>O Parna\u00edba \u00e9 convocado para combater na Segunda Guerra Mundial e teria que se lan\u00e7ar ao mar, contrariando sua natureza fluvial. Passar\u00e1 por sua primeira prova de fogo, literalmente.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Submarinos alem\u00e3es invadiram a costa brasileira e estavam bombardeando embarca\u00e7\u00f5es brasileiras e atingiram cerca de 33, das quais algumas afundaram matando centenas de marinheiros brasileiros. E o Brasil nem tinha declarado guerra ao eixo inimigo ainda.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Rio Paraguai, 7 de abril de 1943: bem longe do Atl\u00e2ntico Sul, onde torpedeamentos de mercantes brasileiros por submarinos alem\u00e3es levaram o Brasil a declarar guerra \u00e0 Alemanha em agosto de 1942, o monitor Parna\u00edba participava de exerc\u00edcios com a Flotilha de Mato Grosso, no Rio Paraguai.<\/div>\n<div>\n<p>Naquele 7 de abril, os treinamentos de rotina foram interrompidos por uma ordem para que o Monitores\u00a0Parna\u00edba\u00a0e o\u00a0Paraguassu\u00a0seguissem o mais r\u00e1pido poss\u00edvel para o Rio de Janeiro. O objetivo: serem preparados para miss\u00f5es de patrulhamento do porto de Salvador e da Ba\u00eda de Todos os Santos, por solicita\u00e7\u00e3o do almirante Lemos Basto, do Comando Naval do Leste.<\/p>\n<\/div>\n<div>Em 20 de abril, em cumprimento \u00e0 Ordem de Opera\u00e7\u00f5es n\u00ba 01 de 1943 do Comando Naval do Mato Grosso, os dois monitores partiram para o Rio de Janeiro,\u00a0e o velho\u00a0<em>Pernambuco<\/em>\u00a0voltou a ser o solit\u00e1rio monitor de Lad\u00e1rio,<\/div>\n<div>segundo mat\u00e9ria publicada no site Poder Naval de 28 de novembro de 2017, redigida por Fernando\u00a0\u201cNun\u00e3o\u201d De Martini.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>A her\u00f3ica odiss\u00e9ia do encoura\u00e7ado Parna\u00edba no mar<\/strong><\/div>\n<div>\n<p>Desta vez, a viagem n\u00e3o foi f\u00e1cil. J\u00e1 escoltados no mar pelo navio-mineiro\u00a0<em>Carioca<\/em>\u00a0(convertido em corveta anti-submarino), entre Rio Grande e Florian\u00f3polis, os monitores enfrentaram um mar de vagas. O fundo chato do<em>\u00a0Parna\u00edba<\/em>, projetado para operar em rios e n\u00e3o para navegar naquelas condi\u00e7\u00f5es severas de mar, recebeu fortes pancadas, acarretando algumas avarias.<\/p>\n<p>A coberta da tripula\u00e7\u00e3o, sob o conv\u00e9s de proa, precisou ser fechada. Pelo lado positivo, o escoamento de \u00e1gua embarcada foi satisfat\u00f3rio, e n\u00e3o houve mais incidentes at\u00e9 24 de junho, quando os navios chegaram ao Rio de Janeiro ap\u00f3s navegarem 2.800 milhas n\u00e1uticas. Nos tr\u00eas meses seguintes, o Arsenal faria reparos nos monitores e\u00a0os prepararia para a guerra anti-submarino.<\/p>\n<p>As principais modifica\u00e7\u00f5es feitas no\u00a0<em>Parna\u00edba<\/em>\u00a0foram a substitui\u00e7\u00e3o do pesado canh\u00e3o de 152mm por um de 120mm semelhante ao do\u00a0<em>Paraguassu<\/em>, mais adequado a engajar um submarino inimigo na superf\u00edcie e com muni\u00e7\u00e3o mais abundante.<\/p>\n<p>Os dois canh\u00f5es de 47mm junto ao passadi\u00e7o foram mantidos, mas os morteiros de 87mm sobre a casaria de popa deram lugar a duas metralhadoras antia\u00e9reas de 20mm. Outras quatro foram instaladas numa plataforma constru\u00edda no tijup\u00e1 (\u00e1rea sobre o passadi\u00e7o do navio). Por fim, o\u00a0<em>Parna\u00edba<\/em>\u00a0foi equipado, conforme documentado \u00e0 \u00e9poca, com calhas para bombas de profundidade \u00e0 popa, modifica\u00e7\u00f5es pelas quais tamb\u00e9m passou o<em>\u00a0Paraguassu<\/em>.<\/p>\n<p>Num per\u00edodo fundamental de virada na\u00a0luta contra os submarinos alem\u00e3es e italianos no Atl\u00e2ntico e nas costas brasileiras, cada navio era importante. Quase nada se fala de\u00a0submarinos italianos\u00a0na costa brasileira. Navios brasileiros, como o\u00a0Cabedelo, teriam sido\u00a0afundados no Caribe\u00a0por\u00a0submarinos italianos como o\u00a0<em>Da Vinci<\/em>,\u00a0<em>Torelli<\/em>\u00a0ou o\u00a0<em>Capellini<\/em>.<\/p>\n<p>A Marinha do Brasil vinha tamb\u00e9m sendo refor\u00e7ada, em sua capacidade anti-submarino, com a entrega por\u00a0<em>Lend-Lease<\/em>\u00a0de ca\u00e7a-submarinos constru\u00eddos nos Estados Unidos. O\u00a0ca\u00e7a-submarino (\u201cca\u00e7a-ferro\u201d) Gua\u00edba era um deles.<\/p>\n<p>Os monitores Parna\u00edba e o Paraguassu, ap\u00f3s o final de suas modifica\u00e7\u00f5es para a luta anti-submarino, realizaram provas com o novo armamento entre setembro e outubro de 1943, incluindo o lan\u00e7amento de bombas ativas. Em cumprimento ao Aviso n\u00ba 548 (confidencial), os dois monitores suspenderam em 4 de novembro para Salvador, escoltados pelo navio-mineiro\/corveta Canan\u00e9ia, atracando em Salvador no dia 10 do mesmo m\u00eas, ap\u00f3s escala em Vit\u00f3ria. Novamente, enfrentaram mar de grandes vagas, mas o Parna\u00edba se comportou bem.<\/p>\n<p>Come\u00e7aram em seguida as miss\u00f5es dentro e fora da Ba\u00eda de Todos os Santos. Dentro desta, fazia-se a prote\u00e7\u00e3o de navios com participa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m das lanchas do\u00a0<em>Parna\u00edba<\/em>\u00a0nas patrulhas anti-submarino, podendo tanto sinalizar a amea\u00e7a a outros navios quanto atacar com suas pr\u00f3prias bombas de profundidade (2 a 4 por lancha), buscando tamb\u00e9m impedir atos de sabotagem. Fora da ba\u00eda, o\u00a0<em>Parna\u00edba<\/em>\u00a0escoltava navios sa\u00eddos do porto at\u00e9 pontos determinados, onde se reuniam a comboios j\u00e1 em trajeto.<\/p>\n<p>A primeira miss\u00e3o do tipo foi feita em 22 de novembro,\u00a0escoltando cinco navios norte-americanos\u00a0e onavio auxiliar\u00a0<em>Vital de Oliveira<\/em>\u00a0at\u00e9 que estes se incorporassem a um comboio Rio-Recife-Trinidad Tobago. A miss\u00e3o seguinte, no dia 29, foi a\u00a0prote\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00edda do novo encoura\u00e7ado norte-americano<em>\u00a0Iowa<\/em>\u00a0(BB 61), um dos maiores e mais poderosos do mundo. Era como se o \u201cJa\u00fa\u00a0do Pantanal\u201d, o\u00a0grande bagre predador dos rios, agora pequeno na imensid\u00e3o do mar, escoltasse um tubar\u00e3o branco!<\/p>\n<p>O\u00a0USS Iowa\u00a0\u00e9 o primeiro entre os maiores e mais poderosos navios de batalha (<i>battleship class<\/i>) j\u00e1 constru\u00eddos. Esse colosso \u00e9 o \u00fanico na hist\u00f3ria dos EUA que possu\u00eda a capacidade de ter armas que poderiam lan\u00e7ar proj\u00e9teis nucleares. Participou de batalhas her\u00f3icas no Pac\u00edfico, sobreviveu at\u00e9 a furac\u00f5es e inc\u00eandios. Tem uma longa jornada de combate e foi descomissionado em 1990.<\/p>\n<p>Oceano Atl\u00e2ntico, 2 de dezembro de 1943: naquele dia,\u00a0mais cinco navios norte-americanos foram escoltados pelo Parna\u00edba at\u00e9 se incorporarem a mais um comboio Rio-Recife-Trinidad Tobago. Foi nessa miss\u00e3o que o monitor passou pelo seu grande desafio, uma verdadeira\u00a0prova de fogo.\u00a0Uma avaria numa das duas m\u00e1quinas de ventila\u00e7\u00e3o, combinada a um prov\u00e1vel mau fechamento da porta da pra\u00e7a de caldeiras, causou um desequil\u00edbrio na press\u00e3o, gerando um retrocesso de chamas em ambas as caldeiras devido a n\u00e3o haver um suficiente excesso de ar. Essa soma de fatores ocasionou \u00e0s 13h45 um inc\u00eandio de grandes propor\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A pra\u00e7a foi abandonada e, com amea\u00e7a de explos\u00e3o, as embarca\u00e7\u00f5es do navio foram arriadas e sinais de socorro foram emitidos. Por 45 minutos a tripula\u00e7\u00e3o combateu as chamas, de forma exemplar, at\u00e9 que se conseguiu interromper a alimenta\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel usando vapor para parar a bomba de compress\u00e3o do \u00f3leo, o que extinguiu o inc\u00eandio.<\/p>\n<p>As atua\u00e7\u00f5es do imediato,\u00a0capit\u00e3o-tenente Norton Demaria Boiteux e do suboficial Maximiano Jos\u00e9 dos Santos, foram bastante elogiadas. Este, que j\u00e1 se destacava h\u00e1 anos por sua carreira na Flotilha de Mato Grosso, foi o primeiro a adentrar a pra\u00e7a em chamas, e merece uma aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0 sua biografia.<\/p>\n<p>Maximiano Jos\u00e9 dos Santos, nascido em 1893, entrou para a Marinha como marinheiro de 3\u00aa classe\u00a0em 1913, servindo no encoura\u00e7ado S\u00e3o Paulo durante a Primeira Guerra Mundial (!), tendo seguido para os Estados Unidos\u00a0no navio quando este passou por moderniza\u00e7\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o de tiro. Sua primeira passagem por Lad\u00e1rio foi na d\u00e9cada de 1920, servindo no\u00a0aviso Oiapoque\u00a0e no monitor\u00a0Pernambuco \u2013 nome de seu estado natal. Aperfei\u00e7oou-se no Rio de Janeiro, voltando \u00e0 Flotilha no final da d\u00e9cada de 1930 como suboficial condutor de m\u00e1quinas, j\u00e1 no monitor Parna\u00edba.<\/p>\n<p>Por suas a\u00e7\u00f5es na Segunda Guerra Mundial, somou mais uma medalha \u00e0 que recebeu por servir na Primeira. Passou \u00e0 reserva em 1946 como tenente e permaneceu morando em Lad\u00e1rio, mantendo sempre contato com as diversas gera\u00e7\u00f5es de marinheiros que lhe sucederam no Parna\u00edba e na Flotilha, onde era\u00a0considerado \u201cCaverna Mestra\u201d, mesmo n\u00e3o estando mais na ativa.\u00a0Faleceu\u00a0em 2006\u00a0com a avan\u00e7ada idade de 113 anos!!, levando a Marinha a homenagear sua mem\u00f3ria batizando de Tenente Maximiano um navio de assist\u00eancia hospitalar, incorporado em 2009 em Lad\u00e1rio.<\/p>\n<p>De\u00a0volta\u00a0ao inc\u00eandio de 2 de dezembro, debeladas as chamas, a tripula\u00e7\u00e3o conseguiu colocar a propuls\u00e3o do navio na linha \u00e0s 17h30, e este voltou por seus pr\u00f3prios meios a Salvador, onde atracou no dia seguinte \u00e0s 12h55 e passou por reparos. Em maio de 1944, o navio realizou provas para voltar \u00e0 rotina de miss\u00f5es.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos estragos causados pelo inc\u00eandio, o Parna\u00edba tamb\u00e9m sofreu avarias em janeiro e outubro de 1944, decorrentes de duas colis\u00f5es com o Paraguassu em situa\u00e7\u00f5es de forte ressaca e em atraca\u00e7\u00e3o. Numa delas, o ar\u00edete deste chocou-se fortemente com o costado do Parna\u00edba, que resistiu. J\u00e1 nos meses finais da guerra, o Parna\u00edba passou \u00e0 subordina\u00e7\u00e3o do Estado-Maior da Armada e realizou mais escoltas de comboios ao sul,\u00a0chegando ao Uruguai, at\u00e9 voltar ao Mato Grosso\u00a0para ser reincorporado \u00e0 Flotilha em 25 de maio de 1945.<\/p>\n<p>Depois disso e at\u00e9 os dias de hoje, o glorioso encoura\u00e7ado Parna\u00edba segue sua marcha impoluta nas \u00e1guas\u00a0doces do Pantanal como um velho bagre Ja\u00fa, ainda vigoroso em suas miss\u00f5es.<\/p>\n<p>Em 6 de maio de\u00a01999, ap\u00f3s um ano e meio de obras realizadas na Base Fluvial de Lad\u00e1rio, a Flotilha do Mato Grosso recebeu o Parna\u00edba totalmente modernizado. Entre as modifica\u00e7\u00f5es que o navio recebeu, est\u00e3o a mudan\u00e7a no sistema de governo, do sistema de gera\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de energia,\u00a0substitui\u00e7\u00e3o da propuls\u00e3o a vapor por diesel, com a instala\u00e7\u00e3o de dois motores\u00a0<i>Cummins<\/i>\u00a0retirados das Fragatas classe Niter\u00f3i, al\u00e9m da\u00a0instala\u00e7\u00e3o de um conv\u00e9s de v\u00f4o.<\/p>\n<p>Em dezembro foi realizado o primeiro pouso a bordo, feito executado por uma aeronave UH-12 Esquilo do 4\u00ba Esquadr\u00e3o de Helic\u00f3pteros de Emprego Geral.\u00a0Ap\u00f3s as modifica\u00e7\u00f5es, o navio teve sua autonomia aumentada de 3 para 16 dias.<\/p>\n<p>Ou seja, depois de cerca de sessenta anos operando incansavelmente, o antigo encoura\u00e7ado\u00a0Parna\u00edba sofre uma moderniza\u00e7\u00e3o\u00a0digna de um \u201cjovem\u201d guerreiro\u00a0<em>viking<\/em>\u00a0do Pantanal. Deixa a propuls\u00e3o a vapor e ainda recebe um conv\u00e9s de voo para receber helic\u00f3pteros! Ainda se d\u00e1 ao luxo de ser um porta aeronaves.<\/p>\n<p>Com essas adapta\u00e7\u00f5es\u00a0e desde o fim de suas batalhas nas \u00e1guas\u00a0agitadas do Atl\u00e2ntico Sul contra submarinos alem\u00e3es e italianos o \u201cimpar\u00e1vel\u201d Parana\u00edba seguiu cumprindo dezenas, sen\u00e3o centenas de exerc\u00edcios e miss\u00f5es de combate ao tr\u00e1fico\u00a0nos rios entre o Paraguai e Bol\u00edvia,\u00a0em estados como Acre, Rondonia e Amazonas com as for\u00e7as especiais da Marinha, fuzileiros navais, mergulhadores de combate (GRUMEC), Pol\u00edcia Federal, representa\u00e7\u00f5es,\u00a0<i>etc<\/i><\/p>\n<p>Nesse exato momento, enquanto lemos sobre suas incans\u00e1veis fa\u00e7anhas, o velho Ja\u00fa encoura\u00e7ado de guerra, est\u00e1 com certeza participando de alguma nova miss\u00e3o nas silenciosas \u00e1guas do Pantanal em prol da seguran\u00e7a fronteiri\u00e7a de nossa p\u00e1tria. Isso ainda o faz exatamente como fez ao enfrentar os ferozes tubar\u00f5es alem\u00e3es e italianos na Segunda Grande Guerra, protegendo at\u00e9 os lend\u00e1rios\u00a0<i>battleships\u00a0<\/i>coura\u00e7ados da poderosa Marinha norte-americana.<\/p>\n<p>Quando cada navio era importante para se somar ao esfor\u00e7o de escoltar comboios no Atl\u00e2ntico Sul, o \u201cJa\u00fa do Pantanal\u201d\u00a0deixou a \u00e1gua doce e enfrentou os perigos acima e abaixo da superf\u00edcie do mar, patrulhando o oceano por onde a guerra chegou ao nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Com a idade de 85 anos, nada parece det\u00ea-lo em sua marcha resiliente. Segue armado at\u00e9 aos dentes. At\u00e9 quando esse Netuno dos rios nos guardar\u00e1?<\/p>\n<p>Fonte: Site Sociedade Militar<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para muitos pode ser at\u00e9 in\u00e9dita a informa\u00e7\u00e3o de que na Segunda Grande Guerra morreram mais marinheiros na costa brasileira do que os nossos her\u00f3icos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":44700,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-44699","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44699","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44699"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44699\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44701,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44699\/revisions\/44701"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/44700"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44699"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44699"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44699"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}