{"id":44232,"date":"2023-03-02T09:55:09","date_gmt":"2023-03-02T12:55:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=44232"},"modified":"2023-03-02T09:55:09","modified_gmt":"2023-03-02T12:55:09","slug":"os-beneficios-dos-navios-de-carga-a-vela-para-a-descarbonizacao-prevista-no-acordo-de-paris","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/os-beneficios-dos-navios-de-carga-a-vela-para-a-descarbonizacao-prevista-no-acordo-de-paris\/","title":{"rendered":"Os benef\u00edcios dos navios de carga \u00e0 vela para a descarboniza\u00e7\u00e3o prevista no acordo de Paris"},"content":{"rendered":"<p>O ano de 2015 foi marcado pela assinatura do Acordo de Paris sobre o Clima, congratulando-se com a ado\u00e7\u00e3o da resolu\u00e7\u00e3o da Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas n\u00ba A\/RES\/70\/1, intitulada como \u201cTransforming our world: the 2030 Agenda for Sustainable Development\u201d, dentre outros documentos internacionais que reconhecem que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas representam uma amea\u00e7a urgente que requerem a mais ampla coopera\u00e7\u00e3o de todos os pa\u00edses em respostas internacionais eficazes, com vista a acelerar a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es globais de gases de efeito estufa.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel verificar que um dos principais objetivos do Acordo de Paris sobre o Clima \u00e9 que todos os setores, incluindo a ind\u00fastria naval, possam promover a descarboniza\u00e7\u00e3o. Em suma, a descarboniza\u00e7\u00e3o consiste no processo de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de carbono na atmosfera, especialmente de di\u00f3xido de carbono (CO2). Com isso, o Acordo de Paris estipulou uma s\u00e9rie de medidas para alcan\u00e7ar uma economia global com emiss\u00f5es reduzidas para conseguir a neutralidade clim\u00e1tica atrav\u00e9s da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>Nesse contexto, recentemente foi noticiado o retorno dos navios cargueiros \u00e0 vela, tal como um graneleiro japon\u00eas da MOL, armador que est\u00e1 operando um navio assistido pelo vento. Em conjunto, informado na m\u00eddia que a Empresa Americana de alimentos Cargill est\u00e1 trabalhando com o velejador ol\u00edmpico Ben Ainslie para implantar WindWings em suas rotas; a Empresa de navega\u00e7\u00e3o sueca Wallenius pretende que a Oceanbird reduza as emiss\u00f5es em at\u00e9 90%; e, a Start-Up francesa Zephyr &amp; Bor\u00e9e construiu o Canop\u00e9e, que transportar\u00e1 no presente ano de 2023 partes do foguete Ariane 6 da Ag\u00eancia Especial Europeia.<\/p>\n<p>Trata-se de um fundamental avan\u00e7o na descarboniza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria naval. A prop\u00f3sito, no ano de 2018, visando cumprir com o objetivo do Acordo de Paris, a Organiza\u00e7\u00e3o Mar\u00edtima Internacional (IMO) estabeleceu a sua primeira meta de reduzir pela metade as emiss\u00f5es de navios entre 2008 e 2050. Embora haja algumas cr\u00edticas, como a publicada pelo Climate Action Tracker de que reduzir pela metade as emiss\u00f5es n\u00e3o seria suficiente para manter o aquecimento global abaixo de 1,5, foi uma importante decis\u00e3o proferida pela IMO, que ter\u00e1 revis\u00e3o em julho de 2023.<\/p>\n<p>Destaca-se que o PwC Net Zero Economy Index 2021 publicou um relat\u00f3rio de an\u00e1lise de como os pa\u00edses do G20 que atuam para descarbonizar suas economias a partir do rastreamento da taxa de transi\u00e7\u00e3o de baixo carbono e frisou que a taxa anual de descarboniza\u00e7\u00e3o no mundo necess\u00e1ria para chegar ao objetivo do Acordo de Paris de um aquecimento m\u00e9dio anual de 1,5\u00baC deveria ser cinco vezes maior que o ritmo atual.<\/p>\n<p>Em igual sentido, o Maritime Executive destacou que o Projeto Ocean Bird visa reduzir as emiss\u00f5es de um navio em at\u00e9 90%. Segundo a publica\u00e7\u00e3o deles, \u201c(&#8230;) pesquisas confirmaram o potencial da propuls\u00e3o e\u00f3lica. O racioc\u00ednio \u00e9 simples. A navega\u00e7\u00e3o responde por um bilh\u00e3o de toneladas de di\u00f3xido de carbono por ano, quase 3% das emiss\u00f5es globais de gases de efeito estufa. Se a propuls\u00e3o e\u00f3lica economizar combust\u00edveis f\u00f3sseis hoje, o or\u00e7amento cada vez menor de carbono se estende um pouco mais. Isso, por sua vez, ganha mais tempo para desenvolver combust\u00edveis alternativos, que a maioria dos navios precisar\u00e1 at\u00e9 certo ponto. Uma vez que esses combust\u00edveis estejam amplamente dispon\u00edveis, precisaremos de menos deles porque o vento pode fornecer de 10% a 90% da energia que um navio precisa\u201d \u2013 Texto publicado em 19 de fevereiro de 2023 pelo Maritime Executive.<\/p>\n<p>Nesse contexto, n\u00e3o se pode olvidar as obje\u00e7\u00f5es ao transporte de propuls\u00e3o e\u00f3lica. As principais cr\u00edticas se reduzem ao afirmar que os navios e\u00f3licos s\u00e3o coisa do passado, que o vento n\u00e3o \u00e9 confi\u00e1vel e que os navios n\u00e3o chegar\u00e3o a tempo, bem como que as velas n\u00e3o funcionam em todos os tipos de navios. Frisa-se que os novos navios movidos a energia e\u00f3lica usam uma mistura de tecnologia nova e antiga para aproveitar o vento onde ele \u00e9 mais comum: no Mar. Isso reduz a necessidade de combust\u00edveis f\u00f3sseis e de novos combust\u00edveis alternativos que exigir\u00e3o investimentos e espa\u00e7o para novas infraestruturas terrestres, tanto para gerar eletricidade quanto para transformar essa energia em combust\u00edvel.<\/p>\n<p>Muito embora o vento possa parecer inconstante quando se est\u00e1 na praia, o mesmo n\u00e3o ocorre no mar, visto que os ventos al\u00edsios que impulsionaram a globaliza\u00e7\u00e3o permaneceram est\u00e1veis. E a previs\u00e3o do tempo tamb\u00e9m melhorou significativamente desde os \u00faltimos dias de navega\u00e7\u00e3o. E o software de roteamento meteorol\u00f3gico ajuda a encontrar o melhor curso a seguir melhor do que qualquer um no s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, ainda que nem todos os tipos de navios funcionem com velas, rotores ou pipas montadas em seus conveses. Isso pode ser devido ao tipo de navio, pois os maiores porta-cont\u00eaineres n\u00e3o acomodam facilmente velas, por exemplo. Tamb\u00e9m pode ser por causa de onde ou como as embarca\u00e7\u00f5es operam \u2013 as \u00e1guas sem vento da estagna\u00e7\u00e3o e os hor\u00e1rios apertados das balsas representam desafios. Todavia, a corrida entre a Veer Voyage e a Windcoop para construir o primeiro navio porta-cont\u00eaineres movido a vento continua. Ent\u00e3o, talvez esses navios possam usar velas.<\/p>\n<p>Disso ressai que a complexidade adicional de usar propuls\u00e3o e\u00f3lica e software de roteamento clim\u00e1tico \u00e9 uma pequena compensa\u00e7\u00e3o para descarbonizar o transporte mar\u00edtimo. Noutros termos, ainda que a navega\u00e7\u00e3o seja uma ind\u00fastria conservadora, muitos outros navios movidos a vento ser\u00e3o lan\u00e7ados nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>Outrossim, \u00e9 poss\u00edvel concluir que para as empresas de navega\u00e7\u00e3o o maior risco agora n\u00e3o \u00e9 fazer um investimento ousado, \u00e9 n\u00e3o investir em um futuro sustent\u00e1vel, atrav\u00e9s da maior propaga\u00e7\u00e3o de atividades que contribuem com a descarboniza\u00e7\u00e3o mundial, cumprindo, assim, com os objetivos do Acordo de Paris.<\/p>\n<p>Fonte: Portos e Navios<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano de 2015 foi marcado pela assinatura do Acordo de Paris sobre o Clima, congratulando-se com a ado\u00e7\u00e3o da resolu\u00e7\u00e3o da Assembleia Geral das&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":44233,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-44232","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44232","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44232"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44232\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44234,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44232\/revisions\/44234"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/44233"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44232"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44232"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44232"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}