{"id":43641,"date":"2023-02-01T07:18:25","date_gmt":"2023-02-01T10:18:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=43641"},"modified":"2023-02-01T07:18:25","modified_gmt":"2023-02-01T10:18:25","slug":"afundar-porta-avioes-pode-provocar-morte-de-especies-diz-ibama","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/afundar-porta-avioes-pode-provocar-morte-de-especies-diz-ibama\/","title":{"rendered":"Afundar porta-avi\u00f5es pode provocar morte de esp\u00e9cies, diz Ibama"},"content":{"rendered":"<p>O poss\u00edvel afundamento do casco do porta-avi\u00f5es S\u00e3o Paulo, que vaga pela costa brasileira desde agosto do ano passado, pode impactar seres vivos e at\u00e9 ecossistemas inteiros, afirma o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis).<\/p>\n<p>Segundo avalia\u00e7\u00e3o da equipe t\u00e9cnica do \u00f3rg\u00e3o, o plano da Marinha, revelado pela Folha, de descartar o navio de 266 metros de comprimento no fundo do mar deve liberar materiais poluentes contidos na estrutura e pode impactar &#8220;hotspots&#8221; de biodiversidade, que s\u00e3o fundamentais para a vida marinha.<\/p>\n<p>Entre os impactos previstos est\u00e3o dist\u00farbios na capacidade filtrante e dificuldade de crescimento em organismos aqu\u00e1ticos e libera\u00e7\u00e3o de gases CFCs e HCFCs (que degradam a camada de oz\u00f4nio e atuam no aquecimento do planeta). Al\u00e9m disso, o impacto f\u00edsico sobre o fundo do mar provocaria a morte de esp\u00e9cies, a deteriora\u00e7\u00e3o de ecossistemas e a carca\u00e7a poderia atrair esp\u00e9cies invasoras.<\/p>\n<p>O plano da Marinha seria realizar o chamado afundamento controlado por meio de uma s\u00e9rie de explos\u00f5es para abrir rasgos no casco. Isso levaria ao oceano as mais de nove toneladas de amianto presentes na embarca\u00e7\u00e3o. O amianto \u00e9 um produto t\u00f3xico que causa doen\u00e7as como c\u00e2ncer e asbestose, que ataca os pulm\u00f5es.<\/p>\n<p>O Ibama afirma que o navio n\u00e3o carrega uma carga t\u00f3xica. &#8220;Os materiais perigosos fazem parte indissoci\u00e1vel de sua estrutura. Na reciclagem verde, eles seriam retirados e receberiam tratamento ambiental adequado&#8221;, disse o \u00f3rg\u00e3o em nota.<\/p>\n<p>A previs\u00e3o era de que esse descarte ambientalmente correto seria feito por um estaleiro turco, mas o porta-avi\u00f5es acabou sendo proibido de entrar no pa\u00eds ap\u00f3s den\u00fancias de irregularidades ambientais. Com isso, o Ibama tamb\u00e9m rescindiu a autoriza\u00e7\u00e3o de exporta\u00e7\u00e3o e ele voltou \u00e0s \u00e1guas brasileiras, onde a Marinha assumiu a opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com o instituto, a Marinha vem informando que a deteriora\u00e7\u00e3o do casco se agravou nos \u00faltimos meses e que n\u00e3o haveria condi\u00e7\u00f5es de salvamento. Com o risco de naufr\u00e1gio, o navio foi afastado para aproximadamente 300 km de dist\u00e2ncia da costa de Pernambuco, em local com profundidade de 5.000 metros.<\/p>\n<p>Ainda segundo o Ibama, enquanto o \u00f3rg\u00e3o defendia que o porta-avi\u00f5es fosse atracado em um porto brasileiro \u2013para que fosse reparado e reexportado para passar pela reciclagem verde\u2013, a Marinha alegava que a empresa propriet\u00e1ria n\u00e3o teria atendido \u00e0s exig\u00eancias necess\u00e1rias para aportar com seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Em um comunicado \u00e0 imprensa emitido nesta ter\u00e7a (31), a ONG Shipbreaking Platform, que monitora a quest\u00e3o do desmanche consciente de navios no mundo inteiro, disse que o afundamento do navio faria com que a Marinha violasse tr\u00eas tratados internacionais: a Conven\u00e7\u00e3o de Basileia, que trata do transporte de res\u00edduos; a Conven\u00e7\u00e3o de Londres, que previne a polui\u00e7\u00e3o marinha; e a Conven\u00e7\u00e3o de Estocolmo, elaborado para eliminar a produ\u00e7\u00e3o e o uso de algumas subst\u00e2ncias t\u00f3xicas.<\/p>\n<p>&#8220;Com base nas evid\u00eancias dispon\u00edveis, a Marinha do Brasil deve ser condenada por neglig\u00eancia grave&#8221;, afirmou no texto Jim Puckett, diretor da organiza\u00e7\u00e3o Basel Action Network. &#8220;Se continuarem [com o plano de] descartar uma embarca\u00e7\u00e3o altamente t\u00f3xica na vastid\u00e3o do Oceano Atl\u00e2ntico, ir\u00e3o violar os termos de tr\u00eas tratados ambientais internacionais e o far\u00e3o sem bom motivo. Apelamos ao presidente Lula, como comandante-em-chefe [das For\u00e7as Armadas], que interrompa imediatamente o perigoso plano de naufr\u00e1gio.&#8221;<\/p>\n<p>Procurada para esclarecer por que a decis\u00e3o de afundar o navio foi tomada, onde e quando a opera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 realizada, quais profissionais v\u00e3o supervision\u00e1-la e qual a dimens\u00e3o do dano ambiental esperado, a Marinha declarou que s\u00f3 se pronunciaria por meio de notas oficiais.<\/p>\n<p>O Ibama acrescentou que busca informa\u00e7\u00f5es detalhadas sobre o local previsto para o afundamento. &#8220;Para o Ibama, a melhor destina\u00e7\u00e3o ambiental para ex-navios \u00e9 a reciclagem verde em estaleiro credenciado pela Uni\u00e3o Europeia. Pa\u00edses como It\u00e1lia, Noruega, Dinamarca, Reino Unido e Turquia possuem essa infraestrutura&#8221;, disse o instituto.<\/p>\n<p>Nesta ter\u00e7a (31), o MPF (Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal) entrou com uma a\u00e7\u00e3o na Justi\u00e7a para impedir que o porta-avi\u00f5es seja afundado. De acordo com \u00f3rg\u00e3o, a a\u00e7\u00e3o foi motivada por informa\u00e7\u00f5es de que a opera\u00e7\u00e3o estaria programada para esta quarta-feira (1\u00ba). O objetivo do MPF \u00e9 evitar que o afundamento cause &#8220;dano irrepar\u00e1vel ao meio ambiente marinho, \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica da popula\u00e7\u00e3o e consequ\u00eancias sanit\u00e1rias irrevers\u00edveis&#8221;.<\/p>\n<p>Fonte: Folha de S\u00e3o Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O poss\u00edvel afundamento do casco do porta-avi\u00f5es S\u00e3o Paulo, que vaga pela costa brasileira desde agosto do ano passado, pode impactar seres vivos e at\u00e9&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":43642,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-43641","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43641","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43641"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43641\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43643,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43641\/revisions\/43643"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43642"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43641"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43641"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43641"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}