{"id":42584,"date":"2022-11-28T09:48:56","date_gmt":"2022-11-28T12:48:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=42584"},"modified":"2022-11-28T09:48:56","modified_gmt":"2022-11-28T12:48:56","slug":"acidente-na-baia-de-guanabara-lanca-luz-a-problema-ambiental-e-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/acidente-na-baia-de-guanabara-lanca-luz-a-problema-ambiental-e-social\/","title":{"rendered":"Acidente na Ba\u00eda de Guanabara lan\u00e7a luz a problema ambiental e social"},"content":{"rendered":"<p>O\u00a0<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2022-11\/apos-colisao-de-navio-ponte-rio-niteroi-e-totalmente-liberada\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">acidente com o navio graneleiro S\u00e3o Luiz, que bateu na Ponte Rio Niter\u00f3i<\/a>, no in\u00edcio deste m\u00eas, jogou luz para uma quest\u00e3o preocupante: a quantidade de embarca\u00e7\u00f5es abandonadas na regi\u00e3o da Ba\u00eda de Guanabara. O problema tem sido alvo de alertas constantes de defensores do meio ambiente que apelidaram o local de \u201ccemit\u00e9rio\u201d.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1495467&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1495467&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>Cofundador do Movimento Ba\u00eda Viva, S\u00e9rgio Ricardo\u00a0Potiguara<em>\u00a0<\/em>afirma que o problema se arrasta por quase tr\u00eas d\u00e9cadas e que n\u00e3o existe um levantamento atual de quantas unidades est\u00e3o abandonadas. O Plano de Gest\u00e3o Costeira da Ba\u00eda de Guanabara, elaborado em 2002, indicou a exist\u00eancia de at\u00e9 250 navios abandonados e afundados em v\u00e1rios trechos da Ba\u00eda de Guanabara.<\/p>\n<p>Outro problema apontado pelo ecologista \u00e9 n\u00e3o saber o que h\u00e1 dentro dessas embarca\u00e7\u00f5es. Ap\u00f3s o acidente com o graneleiro, que estava h\u00e1 seis anos abandonado, foi divulgada a exist\u00eancia de 50 mil litros de \u00f3leo dentro da embarca\u00e7\u00e3o que, em caso de vazamento, pode causar grande estrago ambiental.<\/p>\n<p>\u201cNingu\u00e9m pode afirmar,\u00a0<span id=\"OBJ_PREFIX_DWT369_com_zimbra_date\" role=\"link\">hoje<\/span>, qual o grau de risco que estas embarca\u00e7\u00f5es representam\u201d, observou.<\/p>\n<p>De acordo com S\u00e9rgio Ricardo, a estimativa \u00e9 que at\u00e9 40 embarca\u00e7\u00f5es que est\u00e3o no \u201ccemit\u00e9rio\u201d, principalmente no canal de S\u00e3o Louren\u00e7o em Niter\u00f3i, sejam de madeira e, por isso, est\u00e3o afundadas com toneladas de lama e sedimentos. Por estarem no local h\u00e1 30 anos, continuam vazando poluentes para o meio ambiente.<\/p>\n<p>O presidente da ONG Guardi\u00f5es do Mar e coordenador do Projeto U\u00e7\u00e1, de preserva\u00e7\u00e3o de caranguejos, Pedro Belga, disse que a perman\u00eancia das embarca\u00e7\u00f5es e navios abandonados na Ba\u00eda de Guanabara, ao longo do tempo, causa impacto nos manguezais da regi\u00e3o, ainda que eles n\u00e3o fiquem nos locais onde as unidades est\u00e3o atracadas.<\/p>\n<p>Segundo o bi\u00f3logo, as embarca\u00e7\u00f5es est\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o do canal dragado da Marinha criado para facilitar a entrada de grandes embarca\u00e7\u00f5es. O canal tamb\u00e9m permite que correntes mais frias com nutrientes que venham de longe, entrem na Ba\u00eda de Guanabara.<\/p>\n<p>\u201cO impacto n\u00e3o \u00e9 nem direto porque os manguezais est\u00e3o no rec\u00f4ncavo, bem no fundo [na ponta] da Ba\u00eda de Guanbara e as embarca\u00e7\u00f5es est\u00e3o no meio. O grande problema \u00e9 que elas est\u00e3o em uma linha de passagem do canal dragado pela Marinha, que permite a renova\u00e7\u00e3o de 50% da \u00e1gua da Ba\u00eda de Guanabara a cada 12 dias. A longo prazo, dia ap\u00f3s dia, de alguma forma vai passar por essas \u00e1guas que v\u00e3o circular com diversos contaminantes at\u00e9 o fundo da Ba\u00eda at\u00e9 proximo a Paquet\u00e1. N\u00e3o estamos falando apenas de ferrugem, mas de outras subst\u00e2ncias, que podem ser carreadas por conta da corrente que entra no canal da Marinha para o fundo da Ba\u00eda\u201d, disse \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<h2>Economia Social<\/h2>\n<p>O bi\u00f3logo observou ainda que essa quantidade enorme de navios tamb\u00e9m contribuiu para a diminui\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de pesca artesanal.<\/p>\n<p>\u201cTem uma s\u00e9rie de ilhas que s\u00e3o privadas, tem uma s\u00e9rie de espa\u00e7os militares e ainda tem um cemit\u00e9rio de navios, ent\u00e3o, a \u00e1rea de pesca na Ba\u00eda de Guanabara fica cada vez mais prejudicada e a\u00ed se fala em impacto na s\u00f3cio economia das centenas e milhares de fam\u00edlias que vivem da pesca artesanal\u201d, completou, acrescentando que o assunto perpassa pela sociobiodiversidade e pela socioeconomia. \u201cN\u00e3o \u00e9 um assunto s\u00f3 t\u00e9cnico. Tem que discutir em diversas frentes\u201d.<\/p>\n<h2>Opera\u00e7\u00e3o Limpa Oca<\/h2>\n<p>Para reduzir o impacto na pesca artesanal, o Projeto U\u00e7\u00e1 desenvolve com catadores de caranguejo a Opera\u00e7\u00e3o Limpa Oca em conv\u00eanio com a Petrobras para garantir uma renda aos trabalhadores durante o per\u00edodo de defeso da esp\u00e9cie. Segundo o bi\u00f3logo, a a\u00e7\u00e3o foi potencializada porque est\u00e1 se juntando a um outro projeto chamado Do Mangue ao Mar, com a Transpetro.<\/p>\n<p>\u201cA Opera\u00e7\u00e3o Limpa Oca do Projeto U\u00e7\u00e1 est\u00e1 acontecendo, agora, na s\u00e9tima fase de defeso. At\u00e9 o ano passado, a gente j\u00e1 tinha retirado 44 toneladas de res\u00edduos s\u00f3lidos de 36 hectares de manguezal. Nesse defeso, a gente deve ultrapassar 50 toneladas e, a partir<span id=\"OBJ_PREFIX_DWT370_com_zimbra_date\" role=\"link\">\u00a0de fevereiro,<\/span>\u00a0com o Projeto Do Mangue ao Mar vamos atacar uma \u00e1rea que fica mais ou menos no meio da Ba\u00eda de Guanabara, entre os rios Estrela, em Mag\u00e9, e Igua\u00e7u, em Caxias, e pretende limpar uma \u00e1rea de 20 hectares com a possibilidade de chegar a 25 toneladas de res\u00edduos retirados\u201d, completou.<\/p>\n<p>O bi\u00f3logo destacou que, historicamente, a Ba\u00eda sofreu muitos assoreamentos por conta de aterros inclusive para constru\u00e7\u00e3o de cidades do entorno e com isso o espelho d&#8217;\u00e1gua foi diminuindo ao longo das d\u00e9cadas. \u201cO pr\u00f3prio Aterro do Flamengo, a Ilha do Fund\u00e3o, o Aeroporto Santos Dumont\u201d, citou alguns dos aterros realizados na regi\u00e3o.<\/p>\n<h2>Instituto do Ambiente<\/h2>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<p>De acordo com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), a compet\u00eancia para fiscalizar o fundeio e tr\u00e1fego de embarca\u00e7\u00f5es na Ba\u00eda de Guanabara \u00e9 da Capitania dos Portos do Rio<span id=\"OBJ_PREFIX_DWT371_com_zimbra_date\" role=\"link\">\u00a0de Janeiro<\/span>, conforme defini\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria Marinha, que indica o \u00f3rg\u00e3o como \u201cOrganiza\u00e7\u00e3o Militar respons\u00e1vel pela seguran\u00e7a do tr\u00e1fego aquavi\u00e1rio e subordinada ao Comando do 1\u00ba Distrito Naval\u201d.<\/p>\n<p>Em nota, o Inea informa que atua quando \u00e9 acionado pela Marinha do Brasil para checar risco de acidente ambiental envolvendo uma embarca\u00e7\u00e3o na Ba\u00eda de Guanabara.<\/p>\n<p>O \u00f3rg\u00e3o ambiental estadual acrescentou que monitora regularmente a Ba\u00eda de Guanabara, por meio do Programa Olho no Mar, com o objetivo de identificar e investigar o lan\u00e7amento de subst\u00e2ncias nocivas no espelho d\u2019\u00e1gua da ba\u00eda.<\/p>\n<h2>Marinha<\/h2>\n<p>Apesar de a Capitania dos Portos do Rio<span id=\"OBJ_PREFIX_DWT374_com_zimbra_date\" role=\"link\">\u00a0de Janeiro ser a respons\u00e1vel por\u00a0<\/span>fiscalizar e ordenar, regularmente, o tr\u00e1fego aquavi\u00e1rio nas \u00e1guas interiores e no litoral do Rio<span id=\"OBJ_PREFIX_DWT375_com_zimbra_date\" role=\"link\">\u00a0de Janeiro<\/span>, a Marinha afirmou que\u00a0cascos abandonados na Ba\u00eda de Guanabara assim como\u00a0embarca\u00e7\u00e3o que esteja ancorada ou atracada em porto ou estaleiro s\u00e3o\u00a0de responsabilidade de seu propriet\u00e1rio, armador ou preposto, independentemente de seu estado de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Marinha afirmou que pode interferir, caso uma embarca\u00e7\u00e3o ofere\u00e7a perigo \u00e0 navega\u00e7\u00e3o ou risco de polui\u00e7\u00e3o h\u00eddrica.<\/p>\n<p>\u201cA CPRJ providencia, com a brevidade adequada, a notifica\u00e7\u00e3o do respons\u00e1vel para a ado\u00e7\u00e3o das medidas cab\u00edveis. Ocorrendo situa\u00e7\u00e3o em que o propriet\u00e1rio ou armador (ou seus prepostos) deixem de atender \u00e0s determina\u00e7\u00f5es da Autoridade Mar\u00edtima, esta poder\u00e1 apreender a embarca\u00e7\u00e3o e iniciar seu processo de perdimento, providenciando um destino seguro para ela\u201d, informou, destacando que a orienta\u00e7\u00e3o segue o previsto no par\u00e1grafo 2\u00ba do art. 17 da Lei de Seguran\u00e7a do Tr\u00e1fego Aquavi\u00e1rio (LESTA).<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O\u00a0acidente com o navio graneleiro S\u00e3o Luiz, que bateu na Ponte Rio Niter\u00f3i, no in\u00edcio deste m\u00eas, jogou luz para uma quest\u00e3o preocupante: a quantidade&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":42585,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-42584","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42584","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42584"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42584\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":42586,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42584\/revisions\/42586"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/42585"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42584"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42584"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42584"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}