{"id":41985,"date":"2022-10-20T11:37:13","date_gmt":"2022-10-20T14:37:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=41985"},"modified":"2022-10-20T12:04:22","modified_gmt":"2022-10-20T15:04:22","slug":"expedicao-leva-pesquisadores-a-area-remota-da-amazonia-azul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/expedicao-leva-pesquisadores-a-area-remota-da-amazonia-azul\/","title":{"rendered":"Expedi\u00e7\u00e3o leva pesquisadores \u00e0 \u00e1rea remota da Amaz\u00f4nia Azul"},"content":{"rendered":"<p>Apesar de n\u00e3o possuir grandes dimens\u00f5es, o conjunto de ilhas rochosas isoladas no meio do oceano Atl\u00e2ntico, conhecido como S\u00e3o Pedro e S\u00e3o Paulo, situado a cerca de mil quil\u00f4metros da costa brasileira, atrai cada vez mais cientistas em busca de conhecer suas riquezas naturais. E o interesse n\u00e3o \u00e9 de agora. O mais famoso visitante nas ilhas foi Charles Darwin em 1832, durante viagem ao redor do mundo que culminou com o desenvolvimento da sua famosa teoria da evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O arquip\u00e9lago tem uma \u00e1rea total emersa de aproximadamente 17 mil m\u00b2, equivalente a mais ou menos dois campos de futebol. Embora pequenos, os rochedos t\u00eam forma\u00e7\u00e3o rara e s\u00e3o cercados de rica biodiversidade, que proporciona condi\u00e7\u00f5es \u00fanicas para a realiza\u00e7\u00e3o de pesquisas em diversos ramos da ci\u00eancia.<\/p>\n<p>No in\u00edcio deste m\u00eas, o Navio de Pesquisa Hidroceanogr\u00e1fico \u201cVital de Oliveira\u201d da Marinha do Brasil (MB) levou 23 pesquisadores selecionados pelo Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00f5es (MCTI) para o levantamento de dados de projetos cient\u00edficos que buscam compreender melhor o que est\u00e1 ocorrendo no entorno das ilhas.<\/p>\n<p>Durante um per\u00edodo de 15 dias, pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) e Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) estiveram a bordo do navio da Marinha, com aten\u00e7\u00e3o voltada para essa remota \u00e1rea da Amaz\u00f4nia Azul.<\/p>\n<p>A diversidade de institui\u00e7\u00f5es, de diferentes regi\u00f5es do Pa\u00eds, comprova a import\u00e2ncia e interesse por essa long\u00ednqua por\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio nacional. Entre as atividades desenvolvidas pelo navio e pelos pesquisadores nessa miss\u00e3o destacam-se: o estudo de poluentes org\u00e2nicos persistentes; o monitoramento da atividade s\u00edsmica e de emiss\u00f5es bioac\u00fasticas; o imageamento do assoalho oce\u00e2nico (t\u00e9cnica que gera imagens mapeando a composi\u00e7\u00e3o molecular de um determinado material); a caracteriza\u00e7\u00e3o de fungos presentes em sedimentos marinhos profundos do oceano Atl\u00e2ntico, com coleta de amostras a mais de 4 mil metros de profundidade; a avalia\u00e7\u00e3o dos fatores ecol\u00f3gicos e da press\u00e3o antr\u00f3picas atuando sobre as aves marinhas; o monitoramento da biodiversidade marinha em ilhas oce\u00e2nicas brasileiras; e o monitoramento da distribui\u00e7\u00e3o e abund\u00e2ncia de cet\u00e1ceos (baleias e golfinhos) entre a costa do Nordeste do Pa\u00eds e o Arquip\u00e9lago S\u00e3o Pedro e S\u00e3o Paulo (ASPSP).<\/p>\n<p><strong>Sele\u00e7\u00e3o dos projetos<\/strong><br \/>\nO Assistente T\u00e9cnico da Coordena\u00e7\u00e3o-Geral de Oceano, Ant\u00e1rtica e Geoci\u00eancias (CGOA) do MCTI Iran Cardoso J\u00fanior explica que, no caso de expedi\u00e7\u00f5es coordenadas pelo minist\u00e9rio, \u00e9 realizada pelo \u00f3rg\u00e3o uma consulta aos pesquisadores que t\u00eam projetos j\u00e1 aprovados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) ou pela Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (CAPES), para viabilizar a demanda de pesquisas embarcadas. O processo \u00e9 feito em conjunto com a Marinha, que analisar\u00e1 a quest\u00e3o log\u00edstica.<\/p>\n<p>\u201cCome\u00e7amos a estudar com o pessoal do Grupamento de Navios Hidroceanogr\u00e1ficos a exequibilidade do projeto, se \u00e9 fact\u00edvel aquelas \u00e1reas pretendidas, se o navio tem equipamentos em condi\u00e7\u00f5es de atender determinadas demandas\u201d, destaca Cardoso.<\/p>\n<p>Com o intuito de dar mais transpar\u00eancia ao processo, em agosto deste ano o MCTI lan\u00e7ou\u00a0<strong>consulta p\u00fablica\u00a0<\/strong>para identificar as demandas da comunidade cient\u00edfica que deseja utilizar os navios de pesquisa. Os interessados t\u00eam 30 dias, a contar da data de publica\u00e7\u00e3o do edital, para apresentar projetos que necessitem do apoio dos navios.<\/p>\n<p>Para o Comandante do \u201cVital de Oliveira\u201d, o Capit\u00e3o de Fragata Daniel Peixoto de Carvalho, \u201ca opera\u00e7\u00e3o de um meio militar com modernos equipamentos de pesquisa \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da comunidade cient\u00edfica produz uma sinergia fundamental para a explora\u00e7\u00e3o das riquezas naturais, sendo um excelente vetor na dire\u00e7\u00e3o da prosperidade e soberania brasileira\u201d.<\/p>\n<p>O professor Arthur Ayres \u00e9 um dos pesquisadores que esteve a bordo do navio \u201cVital de Oliveira\u201d\u00a0 com destino ao arquip\u00e9lago. Ele conduz a pesquisa \u201cCaracteriza\u00e7\u00e3o e Biotecnologia de fungos presentes em sedimentos marinhos profundos no oceano Atl\u00e2ntico ao longo da costa brasileira\u201d, coordenado pela UFMG com parceria da UFF.<\/p>\n<p>Segundo o especialista, as pesquisas nesta \u00e1rea ajudam a entender de forma antecipada o que est\u00e1 acontecendo com a sa\u00fade do oceano e o que est\u00e1 impactando a fauna e a flora marinha. Ele explica que, al\u00e9m disso, \u00e9 poss\u00edvel tamb\u00e9m realizar estudos que podem contribuir para o desenvolvimento da gest\u00e3o dos recursos naturais, para a explora\u00e7\u00e3o biotecnol\u00f3gica (como a produ\u00e7\u00e3o de f\u00e1rmacos), para o estudo geol\u00f3gico e s\u00edsmico (para a pesquisa de recursos minerais) e para a preserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies com risco de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com a coordenadora do projeto \u201cSentinelas da Amaz\u00f4nia Azul\u201d, professora da UFRN Renata de Sousa-Lima, que realiza pesquisas bioac\u00fasticas sobre cet\u00e1ceos na costa brasileira, \u201cas oportunidades de realizar pesquisas na regi\u00e3o s\u00e3o escassas, pois \u00e9 uma localiza\u00e7\u00e3o de dif\u00edcil acesso e, portanto, com poucas informa\u00e7\u00f5es conhecidas. O fato de ser uma \u00e1rea pouco explorada torna a participa\u00e7\u00e3o na expedi\u00e7\u00e3o ainda mais especial\u201d. J\u00e1 a vice-coordenadora do projeto, Manuela Bassoi, que estuda a distribui\u00e7\u00e3o desses animais entre a costa do Rio Grande do Norte e o ASPSP, relata que cada oportunidade que se tem de explorar essa regi\u00e3o \u00e9 \u00fanica. \u201cA parceria com a Marinha tem nos ajudado muito neste sentido\u201d, conclui.<\/p>\n<p>O arquip\u00e9lago est\u00e1 em um ponto cr\u00edtico para a navega\u00e7\u00e3o, pois as ilhas n\u00e3o s\u00e3o de f\u00e1cil detec\u00e7\u00e3o a olho nu, principalmente em condi\u00e7\u00f5es adversas de luz e de tempo, o que j\u00e1 provocou alguns naufr\u00e1gios ao longo da hist\u00f3ria. A origem do nome das ilhas \u00e9 justamente uma refer\u00eancia a um resgate l\u00e1 realizado de marinheiros que haviam ca\u00eddo da embarca\u00e7\u00e3o portuguesa S\u00e3o Pedro e foram socorridos pela caravela lusitana S\u00e3o Paulo em 1511.<\/p>\n<p><strong>Posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica\u00a0<\/strong><br \/>\nO ASPSP \u00e9 o ponto do Brasil mais pr\u00f3ximo da \u00c1frica, a 1.820 quil\u00f4metros de Guin\u00e9 Bissau. As ilhas tamb\u00e9m est\u00e3o localizadas no hemisf\u00e9rio norte, pr\u00f3ximas \u00e0 linha do Equador, uma posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica estrat\u00e9gica entre os hemisf\u00e9rios norte e sul e os continentes africano e sul-americano. Sua import\u00e2ncia tamb\u00e9m se verifica no tocante ao aspecto econ\u00f4mico, pois pertence \u00e0 rota de esp\u00e9cies migrat\u00f3rias de aves e de peixes de alto valor comercial, como o atum, por exemplo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m desses aspectos, a regi\u00e3o tamb\u00e9m tem uma relev\u00e2ncia para o Brasil no cen\u00e1rio geopol\u00edtico, uma vez que, com a ocupa\u00e7\u00e3o permanente do arquip\u00e9lago por meio da instala\u00e7\u00e3o de uma esta\u00e7\u00e3o de pesquisa cient\u00edfica, o pa\u00eds p\u00f4de agregar \u00e0 sua Zona Econ\u00f4mica Exclusiva (ZEE) uma \u00e1rea de aproximadamente 450 mil km\u00b2, equivalente ao tamanho dos estados do Paran\u00e1 e S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Para saber mais sobre o arquip\u00e9lago ou sobre as pesquisas l\u00e1 realizadas acesse o site da Secretaria da Comiss\u00e3o Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM).<\/p>\n<p><strong>Navio de Pesquisa Hidroceanogr\u00e1fico \u201cVital de Oliveira\u201d<\/strong><br \/>\nO\u00a0<strong>\u201c<a href=\"https:\/\/www.marinha.mil.br\/dhn\/?q=pt-br\/gnho\/vital-de-oliveira\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vital de Oliveira<\/a>\u201d\u00a0<\/strong>entrou em opera\u00e7\u00e3o em 2015, fruto de um Acordo de Coopera\u00e7\u00e3o assinado entre a MB, o MCTI, a PETROBRAS, o Servi\u00e7o Geol\u00f3gico do Brasil (SGB\/CPRM) e a VALE, para ampliar a infraestrutura para a pesquisa cient\u00edfica marinha.<\/p>\n<p>O navio tem a miss\u00e3o de realizar levantamentos hidroceanogr\u00e1ficos, coleta de dados ambientais e de apoiar pesquisas cient\u00edficas em \u00e1reas mar\u00edtimas de interesse, al\u00e9m de executar tarefas afetas aos aux\u00edlios \u00e0 navega\u00e7\u00e3o, a fim de contribuir para o cumprimento das atividades relacionadas \u00e0 Diretoria de Hidrografia e Navega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O \u201cVital de Oliveira\u201d \u00e9 considerado um dos mais modernos e completos navios de pesquisa do Hemisf\u00e9rio Sul. Ele tem a capacidade de atuar em diversas \u00e1reas da hidrografia (geof\u00edsica, oceanografia, ac\u00fastica submarina e meteorologia) e, ainda, de apoiar uma enorme gama de projetos cient\u00edficos de institui\u00e7\u00f5es de pesquisa e de universidades que possuem interesse nos recursos vivos e n\u00e3o vivos, \u00e1gua ou leito marinho da Amaz\u00f4nia Azul.<\/p>\n<p>Atualmente, um dos empregos de maior destaque do navio \u00e9 o imageamento do relevo marinho na Eleva\u00e7\u00e3o do Rio Grande, \u00e1rea com a extens\u00e3o estimada em cerca de 1 milh\u00e3o de quil\u00f4metros quadrados e que est\u00e1 sendo pleiteada junto \u00e0 Comiss\u00e3o de Limite da Plataforma Continental da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>Para o Primeiro-Sargento (Hidr\u00f3grafo) Eric de Melo Silva, que j\u00e1 serve no navio h\u00e1 sete anos, \u201c\u00e9 motivo de muito orgulho contribuir para a prote\u00e7\u00e3o da nossa Amaz\u00f4nia Azul, pois participamos ativamente do desenvolvimento de pesquisas cient\u00edficas que nos ajudar\u00e3o a preservar e a utilizar de forma sustent\u00e1vel esse enorme patrim\u00f4nio nacional\u201d.<\/p>\n<p>Fonte: Defesa em Foco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de n\u00e3o possuir grandes dimens\u00f5es, o conjunto de ilhas rochosas isoladas no meio do oceano Atl\u00e2ntico, conhecido como S\u00e3o Pedro e S\u00e3o Paulo, situado&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":41986,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-41985","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41985","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41985"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41985\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":41990,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41985\/revisions\/41990"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41986"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41985"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41985"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41985"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}