{"id":41896,"date":"2022-10-17T09:38:21","date_gmt":"2022-10-17T12:38:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=41896"},"modified":"2022-10-17T09:38:21","modified_gmt":"2022-10-17T12:38:21","slug":"saida-pelo-mar-empresas-voltam-a-usar-barco-a-vela-e-apostam-em-cabotagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/saida-pelo-mar-empresas-voltam-a-usar-barco-a-vela-e-apostam-em-cabotagem\/","title":{"rendered":"Sa\u00edda pelo mar: empresas voltam a usar barco a vela e apostam em cabotagem"},"content":{"rendered":"<p>Em tempos em que a sustentabilidade (econ\u00f4mica e ambiental) entra cada vez mais fundo na pauta corporativa, os veleiros est\u00e3o de volta ao transporte de cargas. O que para muitos parece um retrocesso a s\u00e9culos atr\u00e1s, para outros a forma de garantir um futuro em uma economia mais limpa. Na Am\u00e9rica do Norte e Europa, alguns torrefadores de caf\u00e9, empresas de azeite e vin\u00edcolas voltam \u00e0s pr\u00e1ticas de transporte do passado com transporte com barcos a vela.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso, por exemplo, do Caf\u00e9 William, que est\u00e1 se valendo de um navio de madeira de 1909 para transportar as cargas de caf\u00e9s especiais da Col\u00f4mbia para Nova Jersey (EUA). Segundo reportagem da revista Insider, depois de uma reforma, o navio voltou a fazer entregas e faz parte da estrat\u00e9gia da empresa de ser a primeira torrefadora a vender caf\u00e9 \u201ccarbono neutro\u201d.<\/p>\n<p>O movimento ganhou for\u00e7a com a eleva\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do petr\u00f3leo por conta da invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia pela R\u00fassia e tamb\u00e9m pelo impacto, pela pandemia, na cadeia de suprimentos. Isso permitiu que os veleiros evitassem atrasos em portos, oferecendo um transporte mais barato e eficiente. Por outro lado, os clientes cada vez mais pedem produtos mais sustent\u00e1veis, mesmo que isso custe mais.<\/p>\n<p>Veleiros seriam uma alternativa<br \/>\nPor n\u00e3o usarem combust\u00edveis f\u00f3sseis, os veleiros s\u00e3o certamente uma alternativa, ainda que n\u00e3o apare\u00e7am como uma op\u00e7\u00e3o comercialmente vi\u00e1vel e de escala, ainda. Mesmo assim, dentro da pauta de descarboniza\u00e7\u00e3o do transporte, companhias j\u00e1 consideram o transporte pelo mar e rios como uma alternativa ao modal rodovi\u00e1rio, um dos mais poluentes.<\/p>\n<p>Redu\u00e7\u00e3o do custo de transporte, menos emiss\u00e3o de carbono, mais seguran\u00e7a, novo corredor log\u00edstico. Esses s\u00e3o alguns dos benef\u00edcios que o Programa de Est\u00edmulo ao Transporte por Cabotagem, conhecido como BR do Mar, em vigor desde o in\u00edcio do ano, trouxe para algumas empresas que sempre tiveram o transporte terrestre (majoritariamente o rodovi\u00e1rio) como principal meio de distribui\u00e7\u00e3o de seus produtos.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, o programa, que consta na Lei 14.301, promulgada em mar\u00e7o de 2022, contribui para a sustentabilidade e o avan\u00e7o da agenda ESG (sigla em ingl\u00eas para quest\u00f5es ambientais, sociais e de governan\u00e7a corporativa) \u00e0 medida que encoraja a modalidade de transporte e movimenta\u00e7\u00e3o de cargas entre portos de um mesmo pa\u00eds por rios e mares ao inv\u00e9s do modal rodovi\u00e1rio.<\/p>\n<p>&#8211; Com a cabotagem chegamos a um mercado onde n\u00e3o atu\u00e1vamos &#8211; comemora Alberto Rodrigues, diretor de log\u00edstica da Yara, empresa norueguesa l\u00edder mundial em nutri\u00e7\u00e3o de plantas, que tem no Brasil cinco unidades de produ\u00e7\u00e3o de fertilizantes.<\/p>\n<p>Em agosto, a Yara realizou o primeiro envio de fertilizantes a granel via cabotagem, saindo do porto de Rio Grande (RS) para atracar no porto de Itaqui (MA) onze dias depois, atendendo a agricultores do Matopiba (Maranh\u00e3o, Tocantins, Piau\u00ed e Bahia).<\/p>\n<p>&#8211; Criamos um novo corredor log\u00edstico &#8211; diz o executivo, que destaca os desafios da opera\u00e7\u00e3o para levar 15 toneladas do produto, o que n\u00e3o era poss\u00edvel por outro modal.<\/p>\n<p>&#8211; Foi necess\u00e1rio um planejamento entre todas as \u00e1reas, desde uma equipe comercial para garantir que havia essa demanda at\u00e9 o dimensionamento de custos. As plantas, nos dois terminais, tiveram que ser readequadas para o volume transportado.<\/p>\n<p>Dessa forma, a empresa realizou um transporte mais r\u00e1pido e sustent\u00e1vel. Calcula-se que, se vi\u00e1vel pelo meio terrestre, seriam necess\u00e1rios 405 caminh\u00f5es para levar o que um \u00fanico navio carregou. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, segundo o executivo, fazer um c\u00e1lculo exato de ganho em descarboniza\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que a opera\u00e7\u00e3o \u00e9 in\u00e9dita:<\/p>\n<p>&#8211; Mas \u00e9 mais sustent\u00e1vel, com certeza.<\/p>\n<p>Com o sucesso da empreitada, est\u00e1 prevista uma nova opera\u00e7\u00e3o em 2023.<\/p>\n<p>O gargalo destravado com a Br do Mar permite que empresas possam agora contratar navios, nacionais ou estrangeiros, em uma rela\u00e7\u00e3o mais flex\u00edvel entre o armador e o embarcador. A medida tamb\u00e9m possibilitou a redu\u00e7\u00e3o da taxa AFRMM (Adicional ao Frete para Renova\u00e7\u00e3o da Marinha Marcante) cobrada sobre o valor do frete, passando de 25% para 8%.<\/p>\n<p>-Isso vai garantir a expans\u00e3o da cabotagem e uma diminui\u00e7\u00e3o do custo log\u00edstico &#8211; explica Marcelo Fernandes Bragan\u00e7a, VP Executivo de Opera\u00e7\u00f5es, Log\u00edstica e Sourcing da Vibra Energia, uma das principais distribuidoras de combust\u00edveis do pa\u00eds (antiga BR Distribuidora).<\/p>\n<p>Ele prev\u00ea uma redu\u00e7\u00e3o de at\u00e9 R$ 10\/m3 no valor das cabotagens e de at\u00e9 R$ 35\/m3 no valor das importa\u00e7\u00f5es (valores aproximados), considerando valores atuais de frete e uso de navios tipo MR (Medium Range), pr\u00f3prios para o transporte desse tipo de material.<\/p>\n<p>Em 2019, a Vibra Energia come\u00e7ou a testar a cabotagem de biodiesel entre o Rio Grande do Sul e Pernambuco. Os resultados foram promissores e, no ano passado, sete navios transportaram 45.000m\u00b3.<\/p>\n<p>&#8211; Tivemos uma economia de R$ 17 milh\u00f5es, o que significa R$ 0,36 por litro do biodiesel &#8211; calcula Bragan\u00e7a. Para este ano estima-se um aumento em 20% no volume transportado pelo modal.<\/p>\n<p>O cabotagem, nesse caso, faz todo o sentido porque a distribui\u00e7\u00e3o de usinas de biodiesel pelo pa\u00eds \u00e9 desproporcional ao consumo de cada regi\u00e3o do Brasil. As regi\u00f5es Sul e Centro Oeste abrigam a maioria das usinas, enquanto no Nordeste as poucas usinas n\u00e3o s\u00e3o suficientes para atender o mercado local.<\/p>\n<p>Sa\u00edda pelo mar<br \/>\nEssa sa\u00edda pelo mar s\u00f3 tem ganhos. Evitam-se, por terra, caminh\u00f5es rodando em estradas com infraestrutura prec\u00e1ria, falta de seguran\u00e7a e muita polui\u00e7\u00e3o. No mar\u00edtimo, o volume transportado tem outra dimens\u00e3o, a seguran\u00e7a \u00e9 maior e a descarboniza\u00e7\u00e3o se revela.<\/p>\n<p>Aos n\u00fameros: a Vibra eliminou 900 viagens rodovi\u00e1rias de longa dist\u00e2ncia entre o Centro-Oeste e o Nordeste, substitu\u00eddas por viagens curtas no Sul e Nordeste para levar e buscar o combust\u00edvel nos portos. Elas acarretavam um consumo total de 1.165 metros c\u00fabicos (m\u00b3) de diesel, ocasionando em 2.716 toneladas de CO2 (tCO2), com uma intensidade de 31,17 gramas de CO2 por TKU (tonelada por quil\u00f4metro \u00fatil).<\/p>\n<p>Na cabotagem, embora a dist\u00e2ncia seja maior, o consumo m\u00e9dio do combust\u00edvel caiu para 287 m\u00b3, com a emiss\u00e3o de 897 tCO2 e intensidade de 6,64 gCO\/TKU. Verificou-se, portanto, uma redu\u00e7\u00e3o de 1.818 tCO.<\/p>\n<p>O desafio da Vibra, de acordo com o executivo, \u201cfoi assegurar a integridade do produto em todo esse processo, pois o biodiesel \u00e9 higrosc\u00f3pico (absorve \u00e1gua)\u201d. Para isso, foi preciso encontrar fornecedores para este tipo de transporte e readequar espa\u00e7os e processos para a estocagem.<\/p>\n<p>Tanto para a Yara quanto para a Vibra, a cabotagem vem ao encontro das pr\u00e1ticas menos poluentes, condizente com as metas de empresas e governos para diminuir as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa (GEE) e, assim, desacelerar o aquecimento global. Em paralelo, ajuda empresas a ganhar produtividade e diminuir custos log\u00edsticos.<\/p>\n<p>Entendem que a BR do Mar ainda engatinha e que no futuro os ganhos ser\u00e3o muito maiores. \u201cTemos uma caminhada e isso vai demandar amadurecimento\u201d, resume Rodrigues. Al\u00e9m de que, investindo na cabotagem, essas empresas levam junto outros fornecedores na mesma onda de um mundo menos polu\u00eddo.<\/p>\n<p>Fonte: O Globo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempos em que a sustentabilidade (econ\u00f4mica e ambiental) entra cada vez mais fundo na pauta corporativa, os veleiros est\u00e3o de volta ao transporte de&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":41897,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-41896","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41896","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41896"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41896\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":41898,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41896\/revisions\/41898"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41897"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41896"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41896"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41896"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}