{"id":41378,"date":"2022-09-15T00:47:52","date_gmt":"2022-09-15T03:47:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=41378"},"modified":"2022-09-14T23:49:03","modified_gmt":"2022-09-15T02:49:03","slug":"fretes-caindo-em-pleno-high-season-temos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/fretes-caindo-em-pleno-high-season-temos\/","title":{"rendered":"Fretes caindo em pleno \u201chigh season\u201d? Temos!"},"content":{"rendered":"<p>No pr\u00f3ximo dia 16 completarei 20 anos de atua\u00e7\u00e3o no transporte mar\u00edtimo de cont\u00eaineres e confesso s\u00f3 ter visto fretes em queda em pleno \u201chigh season\u201d durante a crise internacional de 2008\/2009. Claro que as quedas verificadas no Brasil e no mundo nas \u00faltimas semanas n\u00e3o tornaram os fretes uma pechincha ou sequer retornaram aos n\u00edveis pr\u00e9-pandemia, o que n\u00e3o torna essa queda menos emblem\u00e1tica (e preocupante).<\/p>\n<p>O principal indicador internacional de fretes spot, o \u201c SCFI \u2013 Shanghai Container Freight Index\u201d, registrou 2.562 pontos no \u00faltimo dia 9\/09, o que significa uma queda de 10% em rela\u00e7\u00e3o a semana anterior e cerca de 50% abaixo da m\u00e1xima hist\u00f3rica atingida em janeiro de 2022.<\/p>\n<p>Nossos \u00faltimos artigos j\u00e1 vinham antecipando cen\u00e1rios de estagfla\u00e7\u00e3o e recess\u00e3o, sobretudo na Europa e EUA \u2014 com reflexo direto sobre os fretes \u2014, mas nem nas piores proje\u00e7\u00f5es acredit\u00e1vamos que isso pudesse ocorrer antes de novembro. Ou seja, apenas no in\u00edcio do pr\u00f3ximo \u201clow season\u201d esper\u00e1vamos ver um arrefecimento da demanda global que viabilizasse uma \u201climpeza do backlog\u201d internacional de cargas, que diminuiria os congestionamentos, que aumentaria a produtividade nos principais terminais portu\u00e1rios do mundo que, por sua vez, devolveria capacidade \u00e0s cadeias log\u00edsticas internacionais (dado que isso aumentaria a quantidade anual de viagens dos navios\/cont\u00eaineres).<\/p>\n<p>Fato \u00e9 que, embora ainda existam alguns congestionamentos em alguns portos importantes (Savana, Nova Iorque, Hamburgo), praticamente n\u00e3o h\u00e1 mais filas de navios no maior complexo portu\u00e1rio dos EUA \u2013 Los Angeles\/Long Beach, que em janeiro de 2022 chegou a registrar 109 navios ancorados aguardando atraca\u00e7\u00e3o por at\u00e9 3 semanas!<\/p>\n<p>O dado global mais recente quanto a pontualidade dos navios, divulgado pela SeaIntel, tamb\u00e9m demonstra que a melhora aguardada para novembro come\u00e7ou em junho de 2022!<\/p>\n<p>Mesmo que uma melhora nos n\u00edveis de servi\u00e7o e queda dos fretes viessem sendo muito desejada h\u00e1 meses pelos donos de cargas e, at\u00e9 mesmo, prevista pelos armadores, o que preocupa \u00e9 a velocidade e \u00e9poca do ano em que isso est\u00e1 acontecendo, j\u00e1 que aponta para uma \u201cfreada\u201d bastante brusca da demanda global.<\/p>\n<p>Dentre os acontecimentos mais importantes das \u00faltimas semanas que v\u00eam impactando diretamente na demanda, destacam-se:<\/p>\n<p>1. V\u00e1rios bancos centrais em todo o mundo deram sinais de que dever\u00e3o iniciar uma nova rodada de aumentos das taxas de juros para combater a infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>a) O Banco Central Europeu rec\u00e9m elevou a taxa em 75 pontos-base (sem precedentes) e j\u00e1 sinalizou novos aumentos, priorizando a luta contra a infla\u00e7\u00e3o, em detrimento do crescimento da economia na zona do euro, levando o bloco a uma prov\u00e1vel recess\u00e3o no pr\u00f3ximo inverno;<\/p>\n<p>b) O Reino Unido limitar\u00e1 as contas de energia do consumidor por dois anos e, para tanto, canalizar\u00e1 bilh\u00f5es de libras para sustentar as empresas de energia nesse per\u00edodo, segundo sua nova l\u00edder, Liz Truss;<\/p>\n<p>2. A OPEP+ concordou em reduzir sua produ\u00e7\u00e3o em 100.000 bpd para outubro. As preocupa\u00e7\u00f5es com a sa\u00fade da economia global e as expectativas de queda na demanda por combust\u00edvel levaram a quedas acentuadas no pre\u00e7o do petr\u00f3leo. Eventos relacionados \u00e0 Guerra na Ucr\u00e2nia e \u00e0 Covid-19 na China continuam influenciando esse mercado.<\/p>\n<p>a) A prov\u00edncia de Chengdu, na China, estendeu o bloqueio para a maioria de seus mais de 21 milh\u00f5es de habitantes na tentativa de impedir a transmiss\u00e3o da Covid-19, enquanto outros milh\u00f5es em outras partes do pa\u00eds foram instru\u00eddos a evitar viagens durante o pr\u00f3ximo feriado (Golden Week);<\/p>\n<p>b) O presidente russo, Vladimir Putin, amea\u00e7ou interromper as exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo e g\u00e1s para a Uni\u00e3o Europeia, aumentando o risco de racionamento de energia por alguns dos pa\u00edses mais ricos do mundo (com reflexos diretos n\u00e3o apenas sobre a produ\u00e7\u00e3o industrial, mas, sobretudo, para o aquecimento dos lares no pr\u00f3ximo inverno);<\/p>\n<p>c) O JP Morgan estima que a OPEP+ possa precisar cortar a produ\u00e7\u00e3o em 1 milh\u00e3o de bpd para \u201cconter o momento de queda nos pre\u00e7os e realinhar os mercados f\u00edsico e de papel que parecem desconectados\u201d.<\/p>\n<p>Neste mundo cada vez mais conectado, rupturas em um canto do planeta rapidamente geram efeitos em outro canto do mundo. E como o Brasil n\u00e3o \u00e9 uma ilha, com raras exce\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m observamos por aqui uma queda de 20% a 30% nos fretes spot das principais rotas, sobretudo na rota da \u00c1sia, onde temos registrado o retorno \u00e0 nossa costa dos extraloaders outrora 100% dedicados \u00e0 rota China > EUA.<\/p>\n<p>Mesmo que poss\u00edveis greves em Liverpool (o sindicato estabeleceu uma paralisa\u00e7\u00e3o de duas semanas a partir de 19 de setembro) e Los Angeles (guardas portu\u00e1rios aprovaram greve em assembleia) ou um endurecimento dos lockdowns na China possam voltar a gerar backlogs e diminuir o giro dos navios\/cont\u00eaineres, renomados analistas de mercado, bancos e consultorias internacionais apostam numa grande redu\u00e7\u00e3o na rentabilidade dos armadores (ex: HSBC prev\u00ea queda 80% na rentabilidade dos armadores at\u00e9 2024).<\/p>\n<p>Evidente que, num primeiro momento, isso afetar\u00e1 mais os armadores com maior exposi\u00e7\u00e3o \u00e0s tarifas spot, contudo o COO da Yang Ming, Chang Chao-feng, admitiu que \u201ccom a queda dos fretes spot, a empresa est\u00e1 sob press\u00e3o dos embarcadores que exigem renegociar as tarifas dos contratos\u201d.<\/p>\n<p>Contudo, acredita-se que os armadores n\u00e3o assistir\u00e3o passivamente a essa queda dos fretes, devendo come\u00e7ar a lan\u00e7ar m\u00e3o de algumas iniciativas para tentar cont\u00ea-la, tais como: blank sailings, sucateamento de navios antigos e\/ou desacelera\u00e7\u00e3o dos navios para atender ao IMO2023 \u2014 o que absorveria parte da capacidade adicional que come\u00e7ar\u00e1 a deixar os estaleiros em 2023. Num primeiro momento o que j\u00e1 temos notado \u00e9 um aumento expressivo na quantidade de navios que estavam com suas manuten\u00e7\u00f5es obrigat\u00f3rias atrasadas sendo enviados aos estaleiros e retirando do mercado cerca de 160 embarca\u00e7\u00f5es (o equivalente a 607.349 TEUs), o que representa uma redu\u00e7\u00e3o de quase 2,5% na capacidade mundial.<\/p>\n<p>De qualquer maneira, deseja-se que a atual queda da demanda (e dos fretes) n\u00e3o seja um sinal de uma nova recess\u00e3o global (como em 2008\/2009), mas sim apenas \u201cum freio de arruma\u00e7\u00e3o\u201d, diante de uma readequa\u00e7\u00e3o dos estoques \u201cp\u00f3s-pandemia\u201d em raz\u00e3o da retomada de gastos com lazer, turismo, entretenimento etc.<\/p>\n<p>Fonte: Portos e Navios<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No pr\u00f3ximo dia 16 completarei 20 anos de atua\u00e7\u00e3o no transporte mar\u00edtimo de cont\u00eaineres e confesso s\u00f3 ter visto fretes em queda em pleno \u201chigh&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":41379,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-41378","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41378","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41378"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41378\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":41380,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41378\/revisions\/41380"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41379"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41378"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41378"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41378"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}