{"id":41251,"date":"2022-09-08T09:45:24","date_gmt":"2022-09-08T12:45:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=41251"},"modified":"2022-09-08T10:05:57","modified_gmt":"2022-09-08T13:05:57","slug":"os-motores-para-que-os-paises-da-regiao-abordem-o-futuro-das-hidrovias-e-dos-portos-fluviais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/os-motores-para-que-os-paises-da-regiao-abordem-o-futuro-das-hidrovias-e-dos-portos-fluviais\/","title":{"rendered":"OS MOTORES PARA QUE OS PA\u00cdSES DA REGI\u00c3O ABORDEM O FUTURO DAS HIDROVIAS E DOS PORTOS FLUVIAIS"},"content":{"rendered":"<p>Um territ\u00f3rio t\u00e3o vasto e diversificado como a Am\u00e9rica Latina tem sido capaz de encontrar m\u00faltiplas voca\u00e7\u00f5es produtivas em seus pa\u00edses, mesmo assim de potenciar diferentes formas de ligar regionalmente e globalmente os servi\u00e7os e produtos que resultam destas atividades econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>O com\u00e9rcio exterior e a log\u00edstica, sendo a espinha dorsal desta atividade, surgem como duas poderosas linhas de a\u00e7\u00e3o para as na\u00e7\u00f5es do continente, constituindo, al\u00e9m disso, um foco essencial para promover seu desenvolvimento nos pr\u00f3ximos anos, especialmente no contexto da recupera\u00e7\u00e3o p\u00f3s-pand\u00eamica, com empresas multinacionais e uma cadeia de fornecimento global que se voltam para a Am\u00e9rica Latina com muito mais interesse do que h\u00e1 alguns anos.<\/p>\n<p>Mas este interc\u00e2mbio incessante de mercadorias entre e desde os pa\u00edses da regi\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 tem seu ponto essencial de circula\u00e7\u00e3o nos portos mar\u00edtimos e nas principais rotas mar\u00edtimas, mas tamb\u00e9m tem descoberto pontos de diversifica\u00e7\u00e3o que lhes permitem aproveitar ao m\u00e1ximo suas realidades geogr\u00e1ficas e otimizar suas vantagens estrat\u00e9gicas: assim, o tr\u00e2nsito de comex atrav\u00e9s dos rios e terminais fluviais tamb\u00e9m tem sido parte da ess\u00eancia dos portos latino-americanos.<\/p>\n<p>Um assunto que ser\u00e1 analisado em detalhe durante o 30\u00ba Congresso Latino-americano de Portos, que acontecer\u00e1 de 28 a 30 de novembro na cidade brasileira de Santos e que contar\u00e1 com a presen\u00e7a de mais de 600 representantes, acad\u00eamicos, especialistas e l\u00edderes da ind\u00fastria log\u00edstica regional.<\/p>\n<p>A mesa de di\u00e1logo \u201cPortos fluviais e hidrovias\u201d analisar\u00e1 como nos \u00faltimos anos a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e f\u00edsica entre os pa\u00edses tem sido abordada atrav\u00e9s deste modo de transporte, identificando as a\u00e7\u00f5es e desafios que as autoridades da regi\u00e3o t\u00eam trabalhado em conjunto, fornecendo tamb\u00e9m um selo sustent\u00e1vel para a atividade.<\/p>\n<p>Este painel de discuss\u00e3o, coordenado por Juan Carlos Mu\u00f1oz Menna, Diretor da Administra\u00e7\u00e3o Nacional de Navega\u00e7\u00e3o e Portos (ANNP) e Diretor do Centro de Armadores Fluviais e Mar\u00edtimos (CAFYM) do Paraguai, reunir\u00e1 -entre outras autoridades de renome \u2013 a Juan Curbelo, Presidente da Administra\u00e7\u00e3o Nacional de Portos (ANP) do Uruguai; Jos\u00e9 Renato Ribas Fialho, Diretor Interino da ANTAQ do Brasil; Ren\u00e9 Puche, Presidente do Porto de Barranquilla, Col\u00f4mbia e Jos\u00e9 Beni, Controlador da Administra\u00e7\u00e3o Geral de Portos (AGP) da Argentina.<\/p>\n<p>UM \u00cdCONE DE INTERLIGA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina, em particular a Am\u00e9rica do Sul, tem na hidrovia um sistema de interliga\u00e7\u00e3o comprovado, altamente estrat\u00e9gico e que responde aos interesses e necessidades de seus territ\u00f3rios. A regi\u00e3o, com uma superf\u00edcie total de 17,8 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados, tem cerca de 12,4 milh\u00f5es de quil\u00f4metros cobertos por algumas de suas bacias hidrogr\u00e1ficas, sendo as mais importantes a Amaz\u00f4nia, Orinoco, Paraguai-Paran\u00e1 e La Plata: em outras palavras, 70% de suas terras s\u00e3o parte de uma bacia, a maioria delas com rios naveg\u00e1veis.<\/p>\n<p>Casos como a hidrovia do rio Magdalena, que interliga o porto de Barranquilla com v\u00e1rios pontos de produ\u00e7\u00e3o de hidrocarbonetos e carga seca em territ\u00f3rio colombiano, garantindo sua chegada ao resto do mundo, s\u00e3o exemplos interessantes de sistemas nacionais focalizados e atuais, embora sempre com a amea\u00e7a que representam os efeitos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, como a seca.<\/p>\n<p>Outras iniciativas, como a hidrovia amaz\u00f4nica, que a Autoridade Portu\u00e1ria Nacional Peruana aspira a realizar entre os rios Mara\u00f1\u00f3n e Amazonas, ligando em algum ponto o Peru \u00e0 Col\u00f4mbia e ao Brasil, ainda s\u00e3o projetos em n\u00edvel de estudo sem uma data concreta para a sua realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, provavelmente a ic\u00f4nica hidrovia multinacional por excel\u00eancia \u00e9 a Paran\u00e1\/Paraguai, um corredor natural de transporte fluvial que liga -com uma extens\u00e3o de mais de 3.400 quil\u00f4metros- a cidade de Puerto C\u00e1ceres no Mato Grosso do Sul (Brasil) com o porto de Nueva Palmira no Uruguai, abrangendo vastos territ\u00f3rios da Argentina, Bol\u00edvia, Brasil, todo o Paraguai e Uruguai, com mais de 3 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados de \u00e1rea de influ\u00eancia.<\/p>\n<p>Entre 19 e 21 milh\u00f5es de toneladas de mercadorias, a jusante e a montante, transitam anualmente pelos diversos portos fluviais espalhados ao longo das margens da torrente que une cinco na\u00e7\u00f5es, sem contar a atividade do porto de Buenos Aires -que atua como o terminal deste sistema e um pilar no embarque de alguns destes produtos para outras partes do globo- sendo os terminais do Paraguai os mais movimentados, com aproximadamente 80% deste total, a maior parte dos quais s\u00e3o gr\u00e3os, farinha e \u00f3leo.<\/p>\n<p>CRISE IMINENTE<\/p>\n<p>O n\u00famero, entretanto, est\u00e1 diminuindo. A crise clim\u00e1tica, somada principalmente aos engarrafamentos e problemas log\u00edsticos do ano passado, semeia hoje incertezas quanto \u00e0 proje\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio atrav\u00e9s deste importante sistema fluvial, instalado no cora\u00e7\u00e3o do continente, enquanto paralelamente outras alternativas de conex\u00e3o entre pa\u00edses est\u00e3o avan\u00e7ando, como o corredor bioce\u00e2nico que se projeta -ainda em forma de esbo\u00e7o- para unir mais de 5.000 quil\u00f4metros entre Santos (Brasil) e os portos de Ilo (Peru) e Antofagasta (Chile).<\/p>\n<p>\u201cEm julho comemoramos tr\u00eas anos de baixos n\u00edveis de \u00e1gua e falta de chuva em ambas as bacias dos rios Paraguai e Paran\u00e1 com diferentes volumes de carga. A hidrovia Paraguai-Paran\u00e1, que come\u00e7a em Corumb\u00e1, passando pelo Paraguai at\u00e9 o R\u00edo de la Plata e os portos do Uruguai, \u00e9 a bacia mais afetada. Em termos gerais, os tempos dobraram e o uso de embarca\u00e7\u00f5es atingiu \u00e0s vezes apenas o 50% de sua capacidade, portanto o impacto sobre os prestadores de servi\u00e7os e cargas tem sido significativo\u201d, reconhece Juan Carlos Mu\u00f1oz Menna, Diretor da ANNP e moderador do painel tem\u00e1tico do AAPA LATINO.<\/p>\n<p>A seca provocou a redu\u00e7\u00e3o dos tempos de navega\u00e7\u00e3o, o que levou a diversificar as possibilidades de atender ind\u00fastrias ou setores que -em menos tempo- significam maiores fluxos de carga. Projetos associados ao cimento, celulose e ferro, principalmente no Brasil, aparecem a m\u00e9dio prazo -cerca de 2025- com possibilidades de crescimento. Ao mesmo tempo, no n\u00edvel administrativo, o objetivo \u00e9 fortalecer medidas que promovam a recupera\u00e7\u00e3o de uma perspectiva de integra\u00e7\u00e3o regional -e n\u00e3o apenas nacional- na gest\u00e3o da via fluvial.<\/p>\n<p>E enquanto isso? \u201cOs pr\u00f3ximos tr\u00eas anos ser\u00e3o usados para come\u00e7ar a pensar em solu\u00e7\u00f5es mais criativas, que s\u00e3o as que apresentaremos no AAPA LATINO, especialmente para o rio Paraguai, que \u00e9 um rio de plan\u00edcie sem qualquer tipo de interven\u00e7\u00e3o. Um antigo projeto do in\u00edcio dos anos 90 est\u00e1 sendo retomado, que \u00e9 uma barragem de baixa altura na regi\u00e3o de Valle Alegre, que \u00e9 o ponto de refer\u00eancia tripartite entre Bol\u00edvia, Paraguai e Brasil, bem ao norte do rio Paraguai, que poderia ser uma alternativa (\u2026) O que \u00e9 certo e concreto \u00e9 que no setor p\u00fablico e privado existe a convic\u00e7\u00e3o de que, de uma vez por todas, algo mais do que simples dragagem de manuten\u00e7\u00e3o deve ser feito\u201d, argumenta o executivo paraguaio.<\/p>\n<p>PERSPECTIVAS<\/p>\n<p>Ren\u00e9 Puche, Presidente do Porto de Barranquilla e um dos palestrantes da Mesa de Di\u00e1logo \u201cPortos fluviais e hidrovias\u201d, diz -com base em suas experi\u00eancias \u00e0 frente do principal porto fluvial colombiano- que \u00e9 a favor da explora\u00e7\u00e3o dos modos multimodais, que integram solu\u00e7\u00f5es baseadas na navega\u00e7\u00e3o fluvial com outras formas de movimenta\u00e7\u00e3o de cargas e mercadorias, a fim de aproveitar ao m\u00e1ximo as possibilidades oferecidas pela diversidade territorial da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>\u201cAcho que falar de uma via naveg\u00e1vel em n\u00edvel nacional ou mesmo entre v\u00e1rios pa\u00edses \u00e9 em si uma inova\u00e7\u00e3o, considerando que atualmente favorecemos o modo rodovi\u00e1rio para o transporte de carga. Acredito que, se queremos ter uma log\u00edstica eficiente e sustent\u00e1vel no futuro pr\u00f3ximo, devemos mobilizar nossos esfor\u00e7os para o multimodalismo, no qual, de acordo com as condi\u00e7\u00f5es de cada pa\u00eds, podemos integrar diferentes tipos de transporte que permitam uma conectividade \u00e1gil e segura\u201d, afirma, antecipando parte dos temas de sua apresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Puche, que considera que o AAPA LATINO \u201c\u00e9 o cen\u00e1rio ideal para colocar um tema como este sobre a mesa\u201d, apela para \u201cgerar um ambiente colaborativo em rela\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento dos cursos d\u2019\u00e1gua, j\u00e1 que em log\u00edstica parece que os diferentes neg\u00f3cios associados cresceram organicamente, mas n\u00e3o necessariamente buscando integrar-se com outros atores da cadeia\u201d.<\/p>\n<p>Igualmente, Jos\u00e9 Beni, Controlador da Administra\u00e7\u00e3o Geral de Portos (AGP) da Argentina, assegura que n\u00e3o devemos perder de vista as responsabilidades de cada Estado na gest\u00e3o de rotas fluviais compartilhadas, entendendo que h\u00e1 tamb\u00e9m uma vis\u00e3o comum e estrat\u00e9gica entre as na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cA gest\u00e3o da Hidrovia Tronco Argentina, e especialmente a decis\u00e3o de recuperar um papel central para o Estado na tomada de decis\u00f5es, \u00e9 de natureza estrat\u00e9gica para nosso pa\u00eds, entendendo tamb\u00e9m que somos parte de um sistema, uma bacia integrada que forma uma parte central da log\u00edstica de toda nossa regi\u00e3o\u201d, diz ele, concordando que hoje \u00e9 priorit\u00e1rio enfrentar desafios como a seca, a partir de uma gest\u00e3o que maximize \u201co uso das oportunidades\u201d.<\/p>\n<p>Sobre sua participa\u00e7\u00e3o no painel, Beni afirma que \u201co AAPA LATINO \u00e9 um dos eventos portu\u00e1rios mais importantes da Am\u00e9rica Latina, reunindo as principais autoridades e especialistas do setor\u201d e que neste marco esperam \u201ccompartilhar o trabalho realizado pela Administra\u00e7\u00e3o Geral de Portos na administra\u00e7\u00e3o da Hidrovia Tronco, e ter a oportunidade de discutir e coordenar pol\u00edticas em n\u00edvel regional sobre a gest\u00e3o da Hidrovia Paran\u00e1-Paraguai, que s\u00e3o quest\u00f5es  fundamentais para a integra\u00e7\u00e3o, o com\u00e9rcio e o desenvolvimento de nossas economias\u201d.<\/p>\n<p>Fonte: PR PORTS LLC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um territ\u00f3rio t\u00e3o vasto e diversificado como a Am\u00e9rica Latina tem sido capaz de encontrar m\u00faltiplas voca\u00e7\u00f5es produtivas em seus pa\u00edses, mesmo assim de potenciar&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":41267,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-41251","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41251","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41251"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41251\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":41253,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41251\/revisions\/41253"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41267"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41251"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41251"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41251"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}