{"id":41067,"date":"2022-08-26T10:05:20","date_gmt":"2022-08-26T13:05:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=41067"},"modified":"2022-08-26T10:05:20","modified_gmt":"2022-08-26T13:05:20","slug":"farois-luzes-que-guiam-os-navegantes-na-amazonia-azul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/farois-luzes-que-guiam-os-navegantes-na-amazonia-azul\/","title":{"rendered":"Far\u00f3is: luzes que guiam os navegantes na Amaz\u00f4nia Azul"},"content":{"rendered":"<p class=\"rtejustify\">No chamado calcanhar do Brasil est\u00e1 o Farol de Touros (RN). J\u00e1 no extremo sul do Pa\u00eds encontra-se o Farol da Barra do Chu\u00ed (RS). Hoje, existem 206 far\u00f3is distribu\u00eddos ao longo da extensa costa brasileira, sendo 199 administrados pela Marinha do Brasil (MB). Essas constru\u00e7\u00f5es not\u00e1veis est\u00e3o presentes h\u00e1 mil\u00eanios na vida daqueles povos que precisam se aventurar nos mares. Nos registros hist\u00f3ricos, o Farol de Alexandria, constru\u00eddo por Ptolomeu II (323 a 285 a.C.), um dos sucessores de Alexandre \u2013 O Grande, foi considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo. A ilha escolhida para a constru\u00e7\u00e3o do farol chamava-se Pharos (pronuncia-se \u201cfaros\u201d), o que determinou como essas constru\u00e7\u00f5es seriam conhecidas.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Por que eles s\u00e3o t\u00e3o importantes? Uma explica\u00e7\u00e3o l\u00fadica pode ser encontrada na famosa frase \u201cnavegar \u00e9 preciso, viver n\u00e3o \u00e9 preciso\u201d, popularmente atribu\u00edda ao poeta Fernando Pessoa, mas com fonte prov\u00e1vel no general romano Pompeu (s\u00e9c. I a.C.). A primeira parte da frase pode revelar duas caracter\u00edsticas da arte da navega\u00e7\u00e3o: ela \u00e9 necess\u00e1ria e requer precis\u00e3o. Porque o mar \u00e9 fonte de riquezas e biodiversidade e tamb\u00e9m \u00e9 utilizado como forma de transporte, lazer e subsist\u00eancia. Contudo, o mar nem sempre \u00e9 d\u00f3cil, podendo surpreender quem n\u00e3o se prepara para suas intemp\u00e9ries. Da\u00ed a import\u00e2ncia de conhecer as t\u00e9cnicas e instrumentos de navega\u00e7\u00e3o e de orienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Para que uma navega\u00e7\u00e3o seja bem-sucedida, \u00e9 necess\u00e1rio planejamento e a utiliza\u00e7\u00e3o de instrumentos que ajudam a direcionar o percurso. Entre os instrumentos utilizados para orientar aqueles que decidem navegar est\u00e3o as cartas n\u00e1uticas, as boias luminosas e os far\u00f3is. Avistar um farol \u00e9 muito mais que apenas ver uma edifica\u00e7\u00e3o. Pode representar al\u00edvio e esperan\u00e7a, um sinal de que o lar est\u00e1 mais pr\u00f3ximo ou que a navega\u00e7\u00e3o est\u00e1 seguindo conforme planejada.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">As cidades crescem com o tempo e, em diversos casos, os far\u00f3is refletem essa realidade. Um exemplo \u00e9 o novo Farol do Mucuripe, em Fortaleza (CE), que foi inaugurado em 2017. O\u00a0 equipamento tem cerca de 72 metros de altura, aproximadamente tr\u00eas vezes maior que o antigo. \u00c9 o maior farol convencional das Am\u00e9ricas e est\u00e1 entre os 10 maiores do mundo. Ele possibilita melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho para toda a comunidade mar\u00edtima, especialmente para os pequenos barcos e jangadas que n\u00e3o disp\u00f5em de tecnologia de geolocaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\"><strong>Coordena\u00e7\u00e3o dos Aux\u00edlios \u00e0 Navega\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nO Encarregado da Divis\u00e3o de Aux\u00edlios \u00e0 Navega\u00e7\u00e3o do Centro de Aux\u00edlios \u00e0 Navega\u00e7\u00e3o Almirante Moraes Rego (CAMR), Capit\u00e3o-Tenente Leonardo Ikeuti, destaca a relev\u00e2ncia dos far\u00f3is. \u201cAinda que grandes embarca\u00e7\u00f5es fa\u00e7am uso de equipamentos tecnol\u00f3gicos como radares e GPS, em caso de falha destes, os far\u00f3is s\u00e3o fundamentais, especialmente para pequenas embarca\u00e7\u00f5es de pesca e recreio que geralmente n\u00e3o possuem tais equipamentos\u201d, ressalta.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Devido \u00e0 grande extens\u00e3o do litoral brasileiro, o exerc\u00edcio da atividade de sinaliza\u00e7\u00e3o n\u00e1utica \u00e9 segmentado por regi\u00f5es. Por isso, em diferentes localidades, cabe aos Servi\u00e7os de Sinaliza\u00e7\u00e3o N\u00e1utica (SSN) e aos Centros de Hidrografia e Navega\u00e7\u00e3o (CHN), estabelecer, manter e operar os sistemas de sinais de aux\u00edlio \u00e0 navega\u00e7\u00e3o de responsabilidade da Marinha. Eles est\u00e3o presentes nas cidades de Salvador (BA), Natal (RN), Bel\u00e9m (PA), Rio Grande (RS), Lad\u00e1rio (MS) e Manaus (AM) atuando sob a supervis\u00e3o t\u00e9cnica do CAMR, que tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pela \u00e1rea do Rio de Janeiro (RJ). Nas localidades que n\u00e3o disp\u00f5em de SSN ou CHN, a manuten\u00e7\u00e3o e a fiscaliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de sinaliza\u00e7\u00e3o n\u00e1utica ficam a cargo das Capitanias dos Portos e de suas Delegacias e Ag\u00eancias.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\"><strong>O Faroleiro: import\u00e2ncia do fator humano<\/strong><br \/>\nPara garantir que os far\u00f3is continuem cumprindo a miss\u00e3o de salvar vidas, o faroleiro ainda \u00e9 pe\u00e7a-chave, n\u00e3o importa quanta tecnologia e automa\u00e7\u00e3o sejam aplicadas nesses instrumentos. Esse profissional vai al\u00e9m da opera\u00e7\u00e3o desses sinais e dedica-se tamb\u00e9m \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o e ao zelo pelo cont\u00ednuo funcionamento. A dedica\u00e7\u00e3o dos faroleiros garante que milhares de pessoas naveguem de forma segura todos os dias na costa brasileira.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">O Suboficial (Faroleiro) Rafael Elisio Gon\u00e7alves Fernandes serve atualmente no Farol da Barra do Chu\u00ed. Seu interesse por far\u00f3is iniciou ainda na Escola de Aprendizes-Marinheiros, quando sua turma foi escolhida para visitar o Farol de Santa Marta, em Laguna (SC). \u201cSou faroleiro de cora\u00e7\u00e3o e de profiss\u00e3o, por\u00e9m uma noite tive que ficar acordado por causa de um problema na m\u00e1quina de rota\u00e7\u00e3o do farol e fiquei pensando naqueles que me precederam e quanta dificuldade eles passaram para deixar a navega\u00e7\u00e3o mais segura, com frio extremo de -2 \u00b0C. Foi cansativo, por\u00e9m extremamente gratificante, quando o sol come\u00e7ou a surgir no horizonte. Sem d\u00favida, foi o melhor servi\u00e7o que tirei na Marinha\u201d, relatou o Suboficial.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Para ele, o isolamento \u00e9 a principal dificuldade, pois \u201capesar de poder trazer a fam\u00edlia, no caso deste farol, n\u00f3s ficamos longe dos parentes, dos amigos e, na maior parte das vezes, distante de uma infraestrutura necess\u00e1ria para atender necessidades b\u00e1sicas como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e lazer\u201d.<\/p>\n<div>\n<div class=\"rtejustify\">\u00c9 comum que far\u00f3is localizem-se em ilhas afastadas das cidades, em localidades estrat\u00e9gicas para a navega\u00e7\u00e3o. Cada um deles demanda diferentes condi\u00e7\u00f5es de guarnecimento, alguns exigem que os militares permane\u00e7am durante 90 dias em localidades isoladas, outros at\u00e9 mais tempo. Esse distanciamento faz com que o trabalho torne-se mais complexo. De acordo com o Capit\u00e3o-Tenente Ikeuti, \u201cos militares que guarnecem os far\u00f3is devem possuir, al\u00e9m dos conhecimentos t\u00e9cnicos relativos \u00e0 profiss\u00e3o de faroleiro, no\u00e7\u00f5es de el\u00e9trica, hidr\u00e1ulica, motores, opera\u00e7\u00e3o de equipamentos de r\u00e1dio, primeiros socorros, observa\u00e7\u00e3o meteorol\u00f3gica, preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente, \u00f3timas condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e facilidade de viver em isolamento e conviver em pequenos grupos\u201d.<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p class=\"rtejustify\"><strong>Saiba mais sobre esses aux\u00edlios \u00e0 navega\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nA publica\u00e7\u00e3o \u201cLista de Far\u00f3is\u201d, editada pela Diretoria de Hidrografia da Marinha, por meio do Centro de Hidrografia da Marinha, cont\u00e9m a rela\u00e7\u00e3o completa de far\u00f3is e outras formas de sinaliza\u00e7\u00e3o n\u00e1utica presentes em toda a costa brasileira. Al\u00e9m de uma breve descri\u00e7\u00e3o textual contendo posi\u00e7\u00e3o e altura dos sinais luminosos, ela apresenta, ao final, fotografias dos principais far\u00f3is e faroletes brasileiros organizados por regi\u00e3o. Com isso, aqueles que pretendem navegar em um determinado ponto da costa brasileira podem se familiarizar com a posi\u00e7\u00e3o e a apar\u00eancia dos sinais ali presentes.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Acesse aqui a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.marinha.mil.br\/chm\/sites\/www.marinha.mil.br.chm\/files\/u1974\/lf-completa.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lista de Far\u00f3is.<\/a><\/p>\n<p class=\"rtejustify\"><strong>Far\u00f3is tamb\u00e9m s\u00e3o destinos tur\u00edsticos<\/strong><br \/>\nA figura de um farol \u00e9 em alguns casos t\u00e3o marcante que eles s\u00e3o considerados destinos tur\u00edsticos. Um exemplo disso \u00e9 o Forte de Santo Ant\u00f4nio da Barra \u2013 tamb\u00e9m conhecido como Farol da Barra -, em Salvador (BA), que tem cerca de 324 anos, sendo o sinal n\u00e1utico mais antigo do Pa\u00eds. Ele foi eleito, em 2020, como\u00a0Farol do Ano pela Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Autoridades de Aux\u00edlios \u00e0 Navega\u00e7\u00e3o Mar\u00edtima e Far\u00f3is\u00a0(IALA, na sigla em ingl\u00eas). Essa premia\u00e7\u00e3o busca reconhecer aqueles far\u00f3is que possuem destacado valor hist\u00f3rico, cultural e arquitet\u00f4nico. Al\u00e9m disso, o tradicional farol baiano foi escolhido para sediar o Museu N\u00e1utico da Bahia, fato que evidencia seu potencial tur\u00edstico. Em 2019, mais de 130 mil visitantes passaram pelo museu.<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Para se aprofundar sobre os far\u00f3is<\/strong><br \/>\nPor mais que estejam espalhados por toda a costa brasileira, os far\u00f3is n\u00e3o deixam de despertar a curiosidade daqueles que com eles se deparam. Se quiser conhecer, de forma mais aprofundada algumas dessas sinaliza\u00e7\u00f5es, uma sugest\u00e3o \u00e9 a s\u00e9rie \u201cFar\u00f3is do Brasil\u201d, produzida e veiculada pela TV Brasil, em parceria com a Marinha do Brasil.<\/p>\n<div>\n<p class=\"rtejustify\"><a href=\"https:\/\/tvbrasil.ebc.com.br\/faroisdobrasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Acesse todos os epis\u00f3dios da s\u00e9rie \u201cFar\u00f3is do Brasil\u201d.<\/a><\/p>\n<p class=\"rtejustify\">Outra iniciativa que explorou as particularidades dessas constru\u00e7\u00f5es foi a s\u00e9rie \u201cLuzes da Amaz\u00f4nia Azul\u201d. Em forma de expedi\u00e7\u00e3o e aventura, a s\u00e9rie retrata hist\u00f3rias da costa brasileira, trazendo como personagens 16 far\u00f3is mantidos pela MB, e conta tamb\u00e9m com depoimentos do Capit\u00e3o de Mar e Guerra Ney Dantas (in memoriam), que mostram a import\u00e2ncia de cada um dos far\u00f3is. Os epis\u00f3dios foram exibidos pelo canal Travel Box Brazil.<\/p>\n<p class=\"rtejustify\">O Capit\u00e3o de Mar e Guerra Ney Dantas, farologista e importante personagem do document\u00e1rio \u201cLuzes da Amaz\u00f4nia Azul\u201d, escreveu no livro Luzes do Novo Mundo que, a despeito do desenvolvimento tecnol\u00f3gico que presenciamos, os far\u00f3is continuaram a existir como \u201cmonumentos da arquitetura farol\u00f3gica e s\u00edmbolos seculares da perseverante e incans\u00e1vel luta do Homem contra a agressividade do mar em seus momentos de ira. S\u00e3o marcos cravados em s\u00edtios isolados e lugares in\u00f3spitos no litoral do pa\u00eds, com o prop\u00f3sito de ajudar o navegante, principalmente, em seus momentos de desespero\u201d.<\/p>\n<p>Fonte: Defesa em Foco<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No chamado calcanhar do Brasil est\u00e1 o Farol de Touros (RN). J\u00e1 no extremo sul do Pa\u00eds encontra-se o Farol da Barra do Chu\u00ed (RS)&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":41068,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-41067","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41067","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41067"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41067\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":41069,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41067\/revisions\/41069"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41068"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41067"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41067"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41067"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}