{"id":40694,"date":"2022-08-03T10:37:01","date_gmt":"2022-08-03T13:37:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=40694"},"modified":"2022-08-03T10:37:01","modified_gmt":"2022-08-03T13:37:01","slug":"de-caminhoes-e-navios-exportacao-de-frutas-enfrenta-gargalos-de-infraestrutura-no-ceara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/de-caminhoes-e-navios-exportacao-de-frutas-enfrenta-gargalos-de-infraestrutura-no-ceara\/","title":{"rendered":"De caminh\u00f5es e navios: exporta\u00e7\u00e3o de frutas enfrenta gargalos de infraestrutura no Cear\u00e1"},"content":{"rendered":"<p>Um mel\u00e3o plantado em solo cearense passa por um longo processo at\u00e9 ser comprado em um supermercado na Espanha. At\u00e9 o destino, ele passa por estradas esburacadas, fiscaliza\u00e7\u00f5es para adentrar os portos e cruza o oceano em um container climatizado. <\/p>\n<p>As frutas est\u00e3o entre os principais produtos da exporta\u00e7\u00e3o cearense. De acordo com dados da Secretaria do Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Trabalho (Sedet), esse segmento j\u00e1 movimentou US$ 26.475.157 no primeiro semestre de 2022. <\/p>\n<p>O n\u00famero representa uma queda de 13,8% em rela\u00e7\u00e3o a igual per\u00edodo do ano passado, um reflexo de problemas de clima, que reduziram a produtividade, de acordo com o secret\u00e1rio Executivo do Agroneg\u00f3cio da Sedet, Silvio Carlos.  <\/p>\n<p>Ele ressalta que os produtores cearenses t\u00eam sofrido com o aumento dos custos de frete, mas ainda h\u00e1 demanda externa e interesse em exportar, sobretudo de frutas de maior valor agregado.  <\/p>\n<p>Para produtores e especialistas, as cifras de exporta\u00e7\u00e3o poderiam ser ainda maiores com investimentos que melhorassem a infraestrutura log\u00edstica do envio das frutas. <\/p>\n<p>O tempo \u00e9 uma quest\u00e3o central quando se trata do transporte de frutas. Por serem itens perec\u00edveis, qualquer atraso pode ocasionar uma perda total ou parcial da carga, acarretando preju\u00edzos para o produtor. <\/p>\n<p>Com a log\u00edstica internacional atribulada, ainda em recupera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o choque da pandemia, e gargalos dentro do pr\u00f3prio estado, atrasos se tornam menos exce\u00e7\u00e3o que regra, prejudicando as exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Na segunda reportagem da s\u00e9rie &#8220;Rotas do Crescimento&#8221;, o Di\u00e1rio do Nordeste mostra como funciona o transporte de frutas no Cear\u00e1 e os desafios que os produtores encontram para exportar. <\/p>\n<p><strong>PROBLEMAS NA LOG\u00cdSTICA INTERNACIONAL E AUMENTO NOS CUSTOS <\/strong><br \/>\nQuando chegou a pandemia, a log\u00edstica internacional virou de cabe\u00e7a para baixo. A necessidade de fechamento de portos para conter a infec\u00e7\u00e3o pela Covid-19 ocasionou engarrafamento de navios, dificuldade para a obten\u00e7\u00e3o de containers e, de forma geral, atrasos nas partidas e chegadas. <\/p>\n<p>Conforme o \u00e1rbitro e advogado especializado no segmento de com\u00e9rcio internacional, transportes e infraestrutura, Larry John Rabb Carvalho, o transporte para o exterior perdeu uma previsibilidade que era fundamental para viabilizar a movimenta\u00e7\u00e3o de cargas. <\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o, somada \u00e0 alta no pre\u00e7o dos combust\u00edveis, trouxe um aumento consider\u00e1vel nos pre\u00e7os cobrados pelo frete. O frete mais caro prejudica sobretudo as frutas, que, por terem baixo valor agregado, n\u00e3o conseguem repassar o aumento de custos integralmente ao consumidor final.  <\/p>\n<p>O diretor de log\u00edstica da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), Alexandre Duarte, aponta que isso diminuiu o potencial de competitividade dos produtores brasileiros no mercado internacional. <\/p>\n<p>\u201cAntes da pandemia, um container mar\u00edtimo com 25 toneladas de mel\u00e3o era US$ 3 mil para sair de Fortaleza para a Europa. Hoje, esse mesmo container custa US$ 8 mil. Porque est\u00e1 faltando container, navio, gente para trabalhar. O custo triplicou. E \u00e9 um tema de discuss\u00e3o de Brasil, Estados Unidos, Europa\u201d, contextualiza. <\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o de regulariza\u00e7\u00e3o de toda essa situa\u00e7\u00e3o, pelo menos n\u00e3o ainda neste ano. Para Larry, \u00e9 quest\u00e3o de tempo. <\/p>\n<p>\u201cQuando a gente fala de problema log\u00edstico de navios, tem que lidar muito com oferta e demanda, tem uma oferta limitada de navio e uma demanda crescente. Isso criou um colapso no setor portu\u00e1rio de alguns pa\u00edses, porque deixou eles congestionados com essa alta demanda, n\u00e3o dando vaz\u00e3o \u00e0 retirada de containers de forma r\u00e1pida. De outro lado a gente tem o mercado asi\u00e1tico, principalmente China, fechando terminais em uma pol\u00edtica de toler\u00e2ncia zero, o que cria um represamento de navio e carga\u201d, diz. <\/p>\n<p><strong>CORRIDA CONTRA O TEMPO  <\/strong><br \/>\nCada minuto conta no transporte de frutas. O atraso de um caminh\u00e3o no porto, por exemplo, pode levar \u00e0 perda de um navio que s\u00f3 chegar\u00e1 novamente na semana seguinte.  <\/p>\n<p>Da mesma forma, um porto fechado ou engarrafado pode acrescentar dias no trajeto at\u00e9 o consumidor final. Nesse meio tempo, toda a carga pode apodrecer. <\/p>\n<p>\u201cO grande desafio que o mercado tem \u00e9 justamente esse, por isso que \u00e9 uma log\u00edstica t\u00e3o complicada, que demanda aten\u00e7\u00e3o 24 horas. Qualquer omiss\u00e3o de embarque, qualquer container que n\u00e3o embarque, pode gerar o preju\u00edzo de a carga perecer. \u00c9 uma log\u00edstica extremamente complicada\u201d, destaca Larry. <\/p>\n<p>Para aumentar a vida \u00fatil da fruta, ela \u00e9 colhida ainda verde. Os containers precisam de refrigera\u00e7\u00e3o durante todo o transporte da carga, seja no caminh\u00e3o ou no navio. <\/p>\n<p>Larry considera que \u00e9 necess\u00e1rio que haja um funcionamento 24h de \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o e anu\u00eancia para azeitar as engrenagens de toda a log\u00edstica portu\u00e1ria, evitando atrasos na opera\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>\u201cAcredito que uma das coisas que poderia melhorar seria tanto a moderniza\u00e7\u00e3o quanto a melhoria em n\u00famero de homens em \u00f3rg\u00e3os anuentes e funcionamento em 24h com o efetivo necess\u00e1rio. Se voc\u00ea n\u00e3o tem \u00f3rg\u00e3os anuentes funcionando em pleno vapor que permita dar vaz\u00e3o, voc\u00ea termina engargalando\u201d, ressalta. <\/p>\n<p><strong>AVI\u00c3O OU NAVIO  <\/strong><br \/>\nO tempo \u00e9 importante, mas como as frutas s\u00e3o produtos de baixo valor agregado, os custos falam mais alto na hora de definir qual o melhor modal para o transporte. Por mais que uma viagem de avi\u00e3o seja bem mais r\u00e1pida que por navio, os custos tamb\u00e9m s\u00e3o proporcionalmente maiores. <\/p>\n<p>De acordo com Alexandre Duarte, enquanto um container mar\u00edtimo demora por volta de 9 dias para sair de Fortaleza at\u00e9 a Espanha, um avi\u00e3o chega ao destino final em 6h30. A rapidez pesa no bolso do produtor. <\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o que inviabiliza o transporte de frutas por modal a\u00e9reo \u00e9 a capacidade limitada dos avi\u00f5es. Conforme o diretor de log\u00edstica da Abrafrutas, enquanto um avi\u00e3o transporta no m\u00e1ximo 10 mil quilos, o navio n\u00e3o tem limite de peso. <\/p>\n<p>Para al\u00e9m disso, a log\u00edstica de voos \u00e9 mais concorrida, dada a menor disponibilidade de voos de carga saindo de Fortaleza para Europa. Por conta disso, o modal \u00e9 priorizado para frutas sens\u00edveis demais para o transporte mar\u00edtimo e ou que tenham maior valor agregado. <\/p>\n<p>\u201cO mam\u00e3o \u00e9 muito sens\u00edvel, se demora 10 dias tem muita chance de chegar com um ponto de matura\u00e7\u00e3o elevado e n\u00e3o consiga vender. \u00c9 muito mais caro, por\u00e9m voc\u00ea faz chegar\u201d, exemplifica. <\/p>\n<p>Larry John acrescenta que alguns pa\u00edses est\u00e3o dispostos a pagar mais caro para receberem as frutas mais frescas, mas isso acontece mais raramente. <\/p>\n<p>\u201cExistem algumas coisas, mas \u00e9 muito pontual, s\u00e3o vendas para o mercado do Oriente M\u00e9dio, empresas ou pessoas que querem frutas bem espec\u00edficas e querem o mais fresca poss\u00edvel, ent\u00e3o est\u00e3o expostas a pagar o pre\u00e7o. O mercado do Oriente M\u00e9dio est\u00e1 muito disposto a pagar isso\u201d, coloca. <\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e0 toa o Cear\u00e1 vem investindo na produ\u00e7\u00e3o de frutas com maior valor agregado, como \u00e9 o caso da pitaya e do cacau. <\/p>\n<p>Fonte: Di\u00e1rio de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um mel\u00e3o plantado em solo cearense passa por um longo processo at\u00e9 ser comprado em um supermercado na Espanha. 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