{"id":40439,"date":"2022-07-21T08:33:47","date_gmt":"2022-07-21T11:33:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=40439"},"modified":"2022-07-21T08:34:41","modified_gmt":"2022-07-21T11:34:41","slug":"40439","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/40439\/","title":{"rendered":"O futuro da m\u00e3o de obra portu\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>Assim como ocorreu na Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, o setor portu\u00e1rio vem buscando solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas que impactam na forma como o trabalho portu\u00e1rio \u00e9 desenvolvido, trazendo para as opera\u00e7\u00f5es portu\u00e1rias um ambiente de trabalho mais seguro, com aumento de escala e produtividade.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o da log\u00edstica portu\u00e1ria pode ser percebida quando olhamos para o s\u00e9culo passado em que o transporte de sacaria era realizado unicamente de forma bra\u00e7al, por trabalhadores portu\u00e1rios que transportavam sacos nas costas. Atualmente, essa opera\u00e7\u00e3o \u00e9 realizada predominantemente atrav\u00e9s de guindastes que i\u00e7am as lingadas, ou por shiploaders que despejam as sacarias soltas nos navios. Mas a figura do trabalhador portu\u00e1rio permanece presente na opera\u00e7\u00e3o desses equipamentos, e dia a dia s\u00e3o eles que vivenciam as mudan\u00e7as no cotidiano portu\u00e1rio.<\/p>\n<p>Neste cen\u00e1rio em constante evolu\u00e7\u00e3o, a intelig\u00eancia artificial e a automa\u00e7\u00e3o podem ser sentidas na beira do cais, em portos como o de Roterd\u00e3, em que port\u00eaineres e transt\u00eaineres s\u00e3o movimentados por operadores de forma remota, com apenas um clique.<\/p>\n<p>E qual o impacto da transforma\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e da automa\u00e7\u00e3o para o trabalhador portu\u00e1rio?<\/p>\n<p>Esses trabalhadores que contribuem significativamente com o desenvolvimento da atividade portu\u00e1ria, ter\u00e3o que saber ler o presente, de modo a enxergar o ritmo da mudan\u00e7a e os seus direcionamentos em um cen\u00e1rio futuro. Para permanecerem no cais ter\u00e3o que adotar um novo mindset, que significa desapegar de cren\u00e7as ultrapassadas e limitantes, para abra\u00e7ar um ambiente de trabalho orientado pela tecnologia.<\/p>\n<p>Com o avan\u00e7o destas tecnologias, muitas fun\u00e7\u00f5es ser\u00e3o suprimidas, mas outras surgir\u00e3o e ganhar\u00e3o destaque. Nesse contexto, o papel dos sindicatos laborais \u00e9 construir uma cultura voltada n\u00e3o somente para habilidades t\u00e9cnicas, como tamb\u00e9m comportamentais, se beneficiando os trabalhadores de um diferencial competitivo pelo know-how que possuem.<\/p>\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra portu\u00e1ria requer uma renova\u00e7\u00e3o no quadro de trabalhadores, mantendo aqueles dispostos a se adequarem a esse novo modelo de trabalho, e trazendo para o contingente trabalhadores com habilidades e compet\u00eancias que v\u00e3o desde o conhecimento em inform\u00e1tica, programas de software, \u00e0 adaptabilidade das novas caracter\u00edsticas de trabalho.<\/p>\n<p>E como falar em adequa\u00e7\u00e3o do quadro de trabalhadores portu\u00e1rios sem mencionar o retrocesso imposto pela Lei 12.815\/2013, que afastou a aposentadoria como causa de extin\u00e7\u00e3o da inscri\u00e7\u00e3o do trabalhador portu\u00e1rio no Ogmo, limitando o cancelamento do registro atrav\u00e9s de duas hip\u00f3teses: (i) morte; (ii) processo administrativo. A aparente perpetuidade da inscri\u00e7\u00e3o do trabalhador aposentado junto ao Ogmo acarreta dificuldade na oxigena\u00e7\u00e3o do quantitativo de m\u00e3o de obra portu\u00e1ria, na medida em que n\u00e3o abre espa\u00e7o para o ingresso de trabalhadores preparados tecnologicamente.<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 tarefa f\u00e1cil conscientizar essa classe de trabalhadores, especialmente em virtude do conforto gerado pela exclusividade no mercado. H\u00e1 d\u00e9cadas acompanhamos acirradas discuss\u00f5es jur\u00eddicas sobre exclusividade ou prioridade na contrata\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra portu\u00e1ria \u2014 e aqui n\u00e3o adentraremos neste tema \u2014, mas talvez seja necess\u00e1rio enfrentar a raiz do problema com olhos voltados para o futuro, pois o modelo de contrata\u00e7\u00e3o n\u00e3o far\u00e1 sentido em um mercado que tem ficado cada vez mais rigoroso e exigente com a evolu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>O desafio \u00e9 grande! Para sobreviverem em um futuro de m\u00e1quinas cada vez mais inteligentes, os trabalhadores ter\u00e3o que considerar a transforma\u00e7\u00e3o digital e toda adequa\u00e7\u00e3o cultural que ela carrega.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 mais op\u00e7\u00e3o, \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o. Os comportamentos do passado n\u00e3o levar\u00e3o os trabalhadores portu\u00e1rios para o futuro. Como diz Alvin Toffler, \u201cO analfabeto do s\u00e9culo XXI n\u00e3o ser\u00e1 aquele que n\u00e3o sabe ler nem escrever, ser\u00e1 quem n\u00e3o sabe apreender, desaprender e reaprender\u201d.<\/p>\n<p>Fonte: Portos e Navios<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assim como ocorreu na Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, o setor portu\u00e1rio vem buscando solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas que impactam na forma como o trabalho portu\u00e1rio \u00e9 desenvolvido, trazendo para&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":40440,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-40439","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40439","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40439"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40439\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40442,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40439\/revisions\/40442"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40440"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40439"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40439"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40439"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}