{"id":39853,"date":"2022-06-15T09:28:24","date_gmt":"2022-06-15T12:28:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=39853"},"modified":"2022-06-15T09:28:24","modified_gmt":"2022-06-15T12:28:24","slug":"com-lockdowns-na-china-movimentacao-portuaria-cai-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/com-lockdowns-na-china-movimentacao-portuaria-cai-no-brasil\/","title":{"rendered":"Com lockdowns na China, movimenta\u00e7\u00e3o portu\u00e1ria cai no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>A movimenta\u00e7\u00e3o portu\u00e1ria de fretes cargueiros no Brasil caiu 3% entre janeiro e abril deste ano, em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo em 2021. O resultado foi fortemente impactado pelas medidas de lockdown adotadas na China desde o in\u00edcio de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>Os dados fazem parte do levantamento mais recente da Ag\u00eancia Nacional de Transportes Aquavi\u00e1rios (Antaq), do governo federal.<\/p>\n<p>Segundo os dados oficiais, a importa\u00e7\u00e3o de produtos via frete mar\u00edtimo registrou queda de 7,92%, enquanto a exporta\u00e7\u00e3o caiu quase 3% no pa\u00eds. Tamb\u00e9m no Brasil, a cabotagem, que representa a navega\u00e7\u00e3o na costa, registrou queda. Em rela\u00e7\u00e3o a 2021, esse servi\u00e7o de transporte apresentou retra\u00e7\u00e3o de 2,5%.<\/p>\n<p>Apesar da queda da movimenta\u00e7\u00e3o dos portos brasileiros, o volume de carga geral transportada subiu 26% no mesmo per\u00edodo. Foram mais de 23 milh\u00f5es de toneladas carregadas deste modo entre janeiro e abril deste ano. A carga geral \u00e9 uma modalidade mar\u00edtima que difere de containers.<\/p>\n<p>O transporte desse segmento normalmente \u00e9 feito por sacas, caixas, fardos, tambores e engradados, e n\u00e3o sentiu o efeito do lockdown na China. Pelo contr\u00e1rio, a modalidade foi beneficiada pela paralisa\u00e7\u00e3o nos portos chineses e pelo aumento do pre\u00e7o dos containers, que tiveram alta de custo em fun\u00e7\u00e3o do lockdown.<\/p>\n<p>Um dos problemas atuais enfrentados no Brasil, causado pelo surto do v\u00edrus na China, \u00e9 a escalada no custo do frete de navios cargueiros no pa\u00eds, sejam aqueles que pretendem atracar em portos brasileiros, quanto os que t\u00eam os portos asi\u00e1ticos como destino final.<\/p>\n<p>\u00c0 CNN, o diretor presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Terminais Portu\u00e1rios (ABTP), Jesualdo Silva, confirmou que a paralisa\u00e7\u00e3o de navios cargueiros na China gerou uma escassez de oferta global e, consequentemente, uma alta no pre\u00e7o dos fretes.<\/p>\n<p>\u201cEssa eleva\u00e7\u00e3o no pre\u00e7o aconteceu. Navios que vinham da \u00c1sia para c\u00e1 e vice-versa n\u00e3o sabiam se iriam poder descarregar e seguir o percurso. N\u00e3o saia e nem entrava container, praticamente, na China. E sem d\u00favidas que uma escassez gera um aumento [no custo]. Muitos produtos s\u00e3o fabricados no pa\u00eds asi\u00e1tico e esse fluxo n\u00e3o estava acontecendo, por causa da Covid-19\u2033, salientou Jesualdo Silva.<\/p>\n<p>No entanto, mesmo com as restri\u00e7\u00f5es impostas pelo lockdown para conter o avan\u00e7o da Covid-19 na China, os portos do pa\u00eds asi\u00e1tico tiveram alta de 1,7% nos volumes de cont\u00eaineres movimentados no per\u00edodo de janeiro a abril deste ano, segundo o Centro Nacional de Navega\u00e7\u00e3o Transatl\u00e2ntica (Centronave).<\/p>\n<p>At\u00e9 o dia 24 de maio, a movimenta\u00e7\u00e3o de carga nos principais portos chineses aumentou 4,2% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do m\u00eas anterior. O Centronave destaca, no entanto, que essa alta foi menor do que o esperado.<\/p>\n<p>Em Xangai, o sistema de lockdown foi encerrado no primeiro dia de junho, ap\u00f3s dois meses. O porto seguiu operando com capacidade reduzida e algumas opera\u00e7\u00f5es foram redirecionadas ou postergadas.<\/p>\n<p>Mesmo com a previs\u00e3o de retorno das movimenta\u00e7\u00f5es de cont\u00eaineres para as pr\u00f3ximas semanas, o Centronave ainda acredita que \u00e9 prematuro prever quando ocorrer\u00e1 a normaliza\u00e7\u00e3o de 100% da cadeia log\u00edstica na China e, portanto, das cadeias globais de produ\u00e7\u00e3o e suprimento nos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n<p>\u201cEmbora a economia chinesa tenha sofrido com o lockdown, n\u00e3o houve fechamento total em algumas \u00e1reas produtivas do pa\u00eds. O resultado positivo podia ser maior, mas precisamos levar em considera\u00e7\u00e3o que parte das f\u00e1bricas do pa\u00eds ficam fora da \u00e1rea urbana, onde as medidas foram mais r\u00edgidas. Os portos principais da China fecharam sim, mas outros alternativos continuaram funcionando\u201d, explicou Coordenador do MBA em Gest\u00e3o Financeira da FGV, Ricardo Teixeira.<\/p>\n<p>Nota do Centro Nacional de Navega\u00e7\u00e3o Transatl\u00e2ntica<br \/>\nO Centro Nacional de Navega\u00e7\u00e3o Transatl\u00e2ntica \u2013 informa, no que diz respeito aos lockdowns que tem ocorrido na China desde mar\u00e7o desse ano, que o maior impacto log\u00edstico observado at\u00e9 o momento teve origem nos bloqueios ao funcionamento e \u00e0 fluidez da log\u00edstica terrestre interna do pa\u00eds, notadamente no modal rodovi\u00e1rio.<\/p>\n<p>Apesar dessas restri\u00e7\u00f5es, contudo, houve um aumento de 1,7% nos volumes de cont\u00eaineres movimentados nos portos chineses no per\u00edodo de janeiro a abril de 2022 em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, alcan\u00e7ando 91 milh\u00f5es de TEUs (unidade equivalente a 20 p\u00e9s), dos quais 23,6 milh\u00f5es somente em abril. J\u00e1 em maio (at\u00e9 o dia 24), a movimenta\u00e7\u00e3o de carga nos principais portos chineses aumentou 4,2% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do m\u00eas anterior.<\/p>\n<p>Desde mar\u00e7o deste ano, como conhecido, as autoridades chinesas adotaram uma s\u00e9rie de rigorosas medidas para controlar a nova onda de cont\u00e1gio de Covid-19, incluindo lockdowns em diversas cidades, entre as quais as portu\u00e1rias. Mesmo assim, o porto de Xangai seguiu operando embora com capacidade reduzida, e algumas opera\u00e7\u00f5es foram redirecionados para outros portos como Ningbo-Zhousan, ou postergadas.<\/p>\n<p>Em Xangai as autoridades locais anunciaram recentemente um relaxamento das medidas de seguran\u00e7a. Centros comerciais reabriram com 50% de sua capacidade, algumas linhas de metr\u00f4 come\u00e7aram a operar e residentes de \u00e1reas classificadas como de baixo risco puderam sair de suas resid\u00eancias.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es de trabalho no \u201cmodelo de ciclo fechado\u201d, em que os trabalhadores dormem no local de trabalho para evitar o risco de contamina\u00e7\u00e3o externa, permaneceram as mesmas. Com a reabertura do porto, o desafio local para os pr\u00f3ximos dias e semanas ser\u00e1 a normaliza\u00e7\u00e3o das movimenta\u00e7\u00f5es de cont\u00eaineres, pois at\u00e9 mesmo um rein\u00edcio moderado dos volumes movimentados poder\u00e1 levar a congestionamentos pontuais.<\/p>\n<p>Embora os terminais de cont\u00eaineres de Xangai, que permaneceu isolada por mais de dois meses, tenham permanecido operacionais, o bloqueio do transporte terrestre levou a um ac\u00famulo de mercadorias em f\u00e1bricas e centros de distribui\u00e7\u00e3o da cidade da ordem de 260.000 TEUs.<\/p>\n<p>O funcionamento pleno do porto depender\u00e1 da supera\u00e7\u00e3o dos desafios que o modal rodovi\u00e1rio ainda enfrenta, pois as restri\u00e7\u00f5es dos lockdowns e a falta de motoristas e ve\u00edculos continuam dificultando a entrega de mercadorias de e para o porto. Mesmo com a reabertura, as autoridades chinesas seguem recomendando o uso do porto de Ningbo-Zhousan.<\/p>\n<p>Tianjin \u00e9, agora, a mais recente grande cidade portu\u00e1ria chinesa a entrar em lockdown. Nela est\u00e1 localizado o porto de Tianjin \u2013 o 9\u00ba de maior movimenta\u00e7\u00e3o do mundo e o 6\u00ba da China, operando 18,3 milh\u00f5es de TEUs por ano.<\/p>\n<p>\u00c9 conhecido como a porta de entrada para Pequim e \u00e9 tamb\u00e9m um ponto cr\u00edtico da conex\u00e3o mar\u00edtimo-ferrovi\u00e1ria com a Europa. Espera-se que as opera\u00e7\u00f5es sendo gradativamente normalizadas em outros portos diminuam os poss\u00edveis impactos dos bloqueios em Tianjin.<\/p>\n<p>Ainda \u00e9 prematuro prever quando ocorrer\u00e1 a normaliza\u00e7\u00e3o de 100% da cadeia log\u00edstica na China e, portanto, das cadeias globais de produ\u00e7\u00e3o e suprimento nos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n<p>Fonte: CNN<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A movimenta\u00e7\u00e3o portu\u00e1ria de fretes cargueiros no Brasil caiu 3% entre janeiro e abril deste ano, em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo em 2021. 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