{"id":39822,"date":"2022-06-14T10:05:39","date_gmt":"2022-06-14T13:05:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=39822"},"modified":"2022-06-14T10:05:39","modified_gmt":"2022-06-14T13:05:39","slug":"fretes-para-onde-irao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/fretes-para-onde-irao\/","title":{"rendered":"Fretes: para onde ir\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p>Nesses dois \u00faltimos anos alguns dos temas mais recorrentes no setor de transporte mar\u00edtimo t\u00eam sido: falta de cont\u00eaineres, falta de espa\u00e7o nos navios, portos congestionados, navios descumprindo suas programa\u00e7\u00f5es, fretes altos e lucros recordes dos armadores.<\/p>\n<p>Muitos usu\u00e1rios de transporte mar\u00edtimo, com seus resultados financeiros afetados pela disparada dos custos log\u00edsticos (frete, armazenagem, demurrage\/detention, etc), naturalmente passaram a clamar por interven\u00e7\u00f5es das autoridades, levantando d\u00favidas sobre quanto desse quadro ca\u00f3tico pode ser atribu\u00eddo aos armadores e at\u00e9 mesmo acusando-os de estarem manipulando o mercado para estender sua bonan\u00e7a.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o ficou t\u00e3o tensa nos \u00faltimos meses que levou o Congresso norte-americano a propor uma revis\u00e3o de sua legisla\u00e7\u00e3o mar\u00edtima e, ainda, fez o presidente Biden instituir uma For\u00e7a-Tarefa para tentar resolver as interrup\u00e7\u00f5es nas cadeias de suprimentos, levando o FMC (Federal Maritime Commission) a dar in\u00edcio a um estudo chamado \u201cfact finding 29\u201d, para avaliar os problemas com o transporte mar\u00edtimo e uma poss\u00edvel responsabiliza\u00e7\u00e3o dos armadores pelo caos log\u00edstico.<\/p>\n<p>Na \u00faltima semana de maio, o FMC liberou o resultado de sua investiga\u00e7\u00e3o, ao contr\u00e1rio do que Joe Biden vem recorrentemente dizendo: \u201cAs pol\u00edticas de pre\u00e7os dos armadores s\u00e3o resultado das for\u00e7as de oferta e demanda e a causa dos altos fretes \u00e9 a alta demanda dos consumidores, Covid 19 e os consequentes congestionamentos\u201d. A Comiss\u00e1ria respons\u00e1vel pelo estudo ainda apontou que: \u201cEmbora a quantidade de armadores servindo o mercado americano tenha decrescido de 20 em 2015 para 11 em 2022, o mercado n\u00e3o \u00e9 concentrado (ou minimamente concentrado) e a competi\u00e7\u00e3o entre os players \u00e9 vigorosa\u201d. No entanto, a comiss\u00e1ria recomendou a necessidade de medidas regulat\u00f3rias mais detalhadas quanto ao \u201cdemurrage\/detention\u201d.<\/p>\n<p>Corroborando o entendimento do FMC est\u00e1 o HHI (Herfendahl-Hirshman Index), indicador utilizado para medir a concentra\u00e7\u00e3o de mercado, que considera um mercado altamente competitivo quando o \u00edndice oscila entre 100 e 1.500, enquanto entre 1.500 e 2.500 sinaliza uma concentra\u00e7\u00e3o de mercado moderada e, acima de 2.500, um mercado altamente concentrado.<\/p>\n<p>Ao aplicar o HHI sobre os 10 maiores armadores do mundo (em termos de capacidade), encontra-se um \u00edndice de 1.408 pontos, sugerindo uma \u201cind\u00fastria n\u00e3o concentrada\u201d, apesar da forte consolida\u00e7\u00e3o observada nos \u00faltimos anos. Aplicando-se o mesmo \u00edndice sobre os tr\u00eas grandes cons\u00f3rcios que atuam nos tr\u00e1fegos leste x oeste: 2M (Maersk e MSC), Ocean Alliance (COSCO, CMA CGM, Evergreen) e The Alliance (ONE, Hapag Lloyd, HMM, Yang Ming), tamb\u00e9m n\u00e3o se verifica concentra\u00e7\u00e3o de mercado na rota do Extremo Oriente para os Estados Unidos: \u00edndice HHI \u00e9 1005 pontos (mkt share Maersk: 17%, COSCO: 16,3% e CMA CGM: 15,7%).<\/p>\n<p>J\u00e1 o tr\u00e1fego da \u00c1sia para a Europa se mostra \u201clevemente concentrado\u201d, com o \u00edndice HHI chegando a 1.510 pontos (mkt share MSC: 21,6% , Maersk: 19,4% e COSCO: 17,6%).<\/p>\n<p>Mas se n\u00e3o h\u00e1 concentra\u00e7\u00e3o de mercado e a competi\u00e7\u00e3o \u00e9 vigorosa, por que os fretes dispararam e est\u00e3o demorando a ceder, mesmo com o prolongado lockdown no maior porto do mundo? Porque nem a redu\u00e7\u00e3o por dois meses da produ\u00e7\u00e3o\/embarque em Xangai n\u00e3o foi suficiente para eliminar os gargalos nos principais portos dos EUA e, principalmente, da Europa. Atualmente, os congestionamentos consomem 10% da exaurida oferta de capacidade mundial (versus 12,5% em fev.22), de acordo com a SeaIntel. Al\u00e9m disso, \u00e9 fato que os armadores est\u00e3o lidando de forma mais \u00e1gil com esses \u201cchoques de demanda\u201d. Ou seja, faltou carga, cancelam ou atrasam as viagens (exatamente como no in\u00edcio da pandemia) e, com isso, os fretes demoram mais a cair (na rota China > Brasil a SOLVE identificou 6 viagens canceladas\/adiadas durante o lockdown em Xangai).<\/p>\n<p>Mas qual \u00e9 a expectativa para o frete? Depende!<\/p>\n<p>Uma pesquisa recente realizada pela Container Xchange revelou que 51% dos agentes de carga, traders e embarcadores esperam um caos maior no pr\u00f3xima \u201chigh season\u201d (de julho a outubro), quando comparado com o mesmo per\u00edodo de 2021.<\/p>\n<p>Por outro lado, alguns especialistas, dentre eles Lars Jensen, acreditam que ser\u00e1 necess\u00e1rio observar o comportamento do mercado nas pr\u00f3ximas semanas, para entender sua real tend\u00eancia.<\/p>\n<p>Proje\u00e7\u00f5es do FMI sugerem que a alta dos fretes pode aumentar a infla\u00e7\u00e3o global em 1,5% em 2022, por\u00e9m j\u00e1 h\u00e1 sinais de um retorno da demanda a n\u00edveis pr\u00e9-Covid. O volume total movimentado pelos TOP 8 armadores atingiu 103,6 Mteu no acumulado de 2022, apenas ligeiramente acima dos 102,9 Mteu registados no mesmo per\u00edodo de 2019 (\u00faltimo ano sem os efeitos da pandemia). Vale ainda considerar nessa equa\u00e7\u00e3o a queda de 1,5% no PIB dos EUA no \u00faltimo trimestre (que pode ser apenas reflexo da redu\u00e7\u00e3o dos est\u00edmulos econ\u00f4micos).<\/p>\n<p>Ou seja, h\u00e1 v\u00e1rios cen\u00e1rios poss\u00edveis: A abertura de Shangai redundar\u00e1 numa enxurrada de navios rumo aos EUA e Europa, ou n\u00e3o? Esse volume de carga represada se juntar\u00e1 \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de estoque de natal, Black Friday, \u201cthanks giving\u201d (o chamado \u201chigh season\u201d) ou o apetite do consumidor por bens de consumo estaria arrefecendo devido a infla\u00e7\u00e3o, alta de juros e retomada dos gastos com viagens, entretenimento, lazer? Os congestionamentos voltar\u00e3o a crescer?<\/p>\n<p>O certo \u00e9 que, se nos pr\u00f3ximos dois\/tr\u00eas anos a demanda mantiver seu crescimento m\u00e9dio hist\u00f3rico p\u00f3s-crise de 2.008 (5% a.a), nem um orderbook (encomendas de novos navios) j\u00e1 pr\u00f3ximo de 30% da capacidade atual deve for\u00e7ar os fretes muito pra baixo j\u00e1 que:<\/p>\n<p>\u2022 Os congestionamentos continuar\u00e3o consumindo parte da capacidade global;<br \/>\n\u2022 Os principais custos dos armadores tamb\u00e9m subiram muito (afretamento, combust\u00edvel, equipamentos, etc.);<br \/>\n\u2022 A pandemia fez os armadores \u201cesticarem\u201d o tempo de vida de muitos navios antigos e ineficientes, que ser\u00e3o sucateados t\u00e3o logo a demanda arrefe\u00e7a, sobretudo em raz\u00e3o da IMO2023;<br \/>\n\u2022 Ser\u00e1 necess\u00e1rio recompor a capacidade de navios ociosos do mundo (historicamente oscilando em torno de 8%), para que esses voltem a ser usados como extraloaders (no high season) ou em substitui\u00e7\u00e3o de navios em manuten\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>Se, por outro lado, o mundo estiver realmente entrando num per\u00edodo de estagfla\u00e7\u00e3o, a demanda global pode arrefecer, os congestionamentos podem diminuir e os fretes poder\u00e3o perder um pouco de f\u00f4lego, apesar da mencionada necessidade de recomposi\u00e7\u00e3o da frota de navios ociosos e dos navios a serem sucateados.<\/p>\n<p>Em outras palavras, nos pr\u00f3ximos dois\/tr\u00eas anos n\u00e3o seria prudente pensar em fretes retornando aos n\u00edveis pr\u00e9-pandemia sem associar a isso uma recess\u00e3o global (o que n\u00e3o \u00e9 bom para ningu\u00e9m) e\/ou uma nova disparada ainda maior nas encomendas de novos navios (pouco prov\u00e1vel ap\u00f3s a \u00faltima d\u00e9cada de overcapacity e preju\u00edzos dos armadores), lembrando que os armadores j\u00e1 demonstraram como usar os Blank Sailings para n\u00e3o voltar ao \u201cvermelho\u201d.<\/p>\n<p>Com o cen\u00e1rio ainda bastante incerto (a China pode, por exemplo, decretar outros lockdown e\/ou a Guerra na Ucr\u00e2nia pode tomar novos contornos\/dimens\u00f5es) para ambas as partes, certamente o momento \u00e9 de \u201cbaixar as armas\u201d e (re)construir pontes entre donos de navios e donos\/agentes da carga, por meio de contratos equilibrados e \u201cgatilhos\u201d justos para ambas as partes.<\/p>\n<p>Fonte: Portos e Navios<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesses dois \u00faltimos anos alguns dos temas mais recorrentes no setor de transporte mar\u00edtimo t\u00eam sido: falta de cont\u00eaineres, falta de espa\u00e7o nos navios, portos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":39823,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-39822","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39822","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39822"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39822\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39824,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39822\/revisions\/39824"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39823"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39822"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39822"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39822"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}