{"id":39819,"date":"2022-06-14T10:02:59","date_gmt":"2022-06-14T13:02:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=39819"},"modified":"2022-06-14T10:02:59","modified_gmt":"2022-06-14T13:02:59","slug":"artigo-setor-logistico-nao-vive-o-fim-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/artigo-setor-logistico-nao-vive-o-fim-do-mundo\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Setor log\u00edstico n\u00e3o vive o fim do mundo"},"content":{"rendered":"<p>O pior no cen\u00e1rio de supply chain j\u00e1 passou. Embora alguns prestadores de servi\u00e7os internacionais tentem espalhar o p\u00e2nico entre importadores e exportadores, n\u00e3o vivemos o fim do mundo na \u00e1rea de com\u00e9rcio exterior, como se costuma alardear. Acredito que agora seja o momento ideal para as empresas reverem e planejarem seus processos log\u00edsticos, tendo em vista os novos acontecimentos do mercado.<\/p>\n<p>Atento \u00e0s movimenta\u00e7\u00f5es de Comex no mundo inteiro, tenho a percep\u00e7\u00e3o de que algumas abordagens trazem uma vis\u00e3o distorcida do que realmente est\u00e1 acontecendo. Mesmo com o lockdown recente na cidade de Shanghai, a China conseguiu escoar a carga da regi\u00e3o com certa efici\u00eancia por meio do Porto de Ningbo-Zhoushan.<\/p>\n<p>Quando me perguntam se h\u00e1 gargalos, a minha resposta \u00e9 sim, por\u00e9m menores se comparados ao pessimismo e ao caos que muitos t\u00eam vislumbrado. Acredito que, em tr\u00eas semanas, o fluxo deve retornar \u00e0 situa\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima da normalidade. Mas por que t\u00e3o rapidamente? Porque a din\u00e2mica da economia tamb\u00e9m est\u00e1 mudando. Como exemplo, podemos citar o mercado americano, cujo volume de importa\u00e7\u00f5es nas \u00faltimas semanas reduziu 36%, se comparado ao mesmo per\u00edodo do ano passado. Os fretes tamb\u00e9m se encontram em queda livre na rota transpac\u00edfico, mesmo em alta temporada (Peak Season), de acordo com a consultoria Drewry, que aponta uma redu\u00e7\u00e3o de 41% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2021.<\/p>\n<p>Outro ponto que precisa ser avaliado para discutir o cen\u00e1rio log\u00edstico atual: os invent\u00e1rios dos importadores est\u00e3o com os n\u00edveis mais altos do ano, resultado da maior infla\u00e7\u00e3o americana dos \u00faltimos tempos. Sabemos que os Estados Unidos representam um mercado determinante para os grandes armadores, que est\u00e3o otimistas e com grande apetite para gerar mais capacidade para o transporte de carga conteinerizada. Tanto que muitos investiram em novos navios, com previs\u00e3o de entrega a partir de 2023.<\/p>\n<p>E como fica o Brasil neste cen\u00e1rio? Pela primeira vez, estou mais otimista com o mercado local do que externo. No \u00faltimo trimestre, muitos importadores seguraram as compras porque tinham estocado v\u00e1rios produtos, mas chegou a hora de voltarem a investir. Para o consumidor, a boa not\u00edcia \u00e9 que ele notar\u00e1 uma melhoria nos pre\u00e7os em fun\u00e7\u00e3o dos valores do d\u00f3lar e do frete.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o, o Governo Federal reduziu a al\u00edquota do AFRMM (marinha mercante), calculado sobre o valor do frete internacional, de 25% para 8%. Somada a esta medida, houve tamb\u00e9m a exclus\u00e3o da taxa de capatazia (THC) da base do c\u00e1lculo do Imposto de Importa\u00e7\u00e3o. Ambas refletiram na redu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os cobrados pelos armadores. Isso significa que teremos um per\u00edodo aquecido para o Comex, por\u00e9m dentro de uma relativa normalidade, com fretes em n\u00edveis mais aceit\u00e1veis, se compararmos com a alta registrada desde o 2\u00ba semestre de 2020.<\/p>\n<p>J\u00e1 na exporta\u00e7\u00e3o, \u00e9 prov\u00e1vel que haja um pouco mais de dificuldade em termos de equipamentos e espa\u00e7o com o aumento da demanda, mas as perspectivas, ainda assim, s\u00e3o positivas. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) estima que o Brasil poder\u00e1 ter um ganho adicional de US$ 7,8 bilh\u00f5es ao ano nas exporta\u00e7\u00f5es com a reconfigura\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio internacional e com a tend\u00eancia de ado\u00e7\u00e3o do modelo \u201cnearshore\u201d.<\/p>\n<p>Com uma cadeia de fornecedores mais pr\u00f3xima do comprador, que \u00e9 a base do conceito \u201cnearshore\u201d, \u00e9 poss\u00edvel reduzir a depend\u00eancia de um \u00fanico pa\u00eds, especialmente em situa\u00e7\u00f5es de incerteza, como ocorreu com o lockdown chin\u00eas. Afinal, a pol\u00edtica de Covid Zero continua, por\u00e9m mais enfraquecida com a press\u00e3o da comunidade internacional para que a China n\u00e3o gere mais problemas para o supply chain, sob risco de retalia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Assim como o BID, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC) tamb\u00e9m acredita que o Pa\u00eds tem tudo para deixar de ser um nanico e recuperar parte do protagonismo na economia internacional se solucionar as amarras que impedem o aumento da competitividade nacional.<\/p>\n<p>Com o conflito atual na Europa, a maior depend\u00eancia de produtos b\u00e1sicos como combust\u00edveis, min\u00e9rios e alimentos podem dar ao Brasil um papel importante para tentar resolver desafios mundiais, ampliando suas exporta\u00e7\u00f5es, especialmente para os Estados Unidos, Am\u00e9rica Latina e Caribe. Na reorganiza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio internacional, o Brasil tem grande chance de assumir um papel de destaque se combinar alguns fatores: redu\u00e7\u00e3o dos gargalos log\u00edsticos com investimento em infraestrutura \u2013 j\u00e1 melhorou, mas ainda h\u00e1 a muito por fazer; investimento em transforma\u00e7\u00e3o digital e educa\u00e7\u00e3o para formar m\u00e3o de obra especializada, que possa competir em p\u00e9 de igualdade com outros mercados e oferecer um atendimento ao cliente que reflita a maturidade do supply chain brasileiro.<\/p>\n<p>Fonte: Portos e Navios<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pior no cen\u00e1rio de supply chain j\u00e1 passou. 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