{"id":39810,"date":"2022-06-14T09:51:34","date_gmt":"2022-06-14T12:51:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=39810"},"modified":"2022-06-14T09:51:34","modified_gmt":"2022-06-14T12:51:34","slug":"novos-aumentos-do-petroleo-a-vista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/novos-aumentos-do-petroleo-a-vista\/","title":{"rendered":"Novos aumentos do petr\u00f3leo \u00e0 vista"},"content":{"rendered":"<p>O presidente-executivo do JP Morgan, Jamie Dimon, acredita que os pre\u00e7os do petr\u00f3leo poder\u00e3o aumentar para US$ 175 o barril ainda este ano. Jeremy Weir, o presidente da trader de commodities Trafigura, diz que o petr\u00f3leo poder\u00e1 ficar \u201cenigm\u00e1tico\u201d.<\/p>\n<p>A consultoria Energy Aspects, que tem clientes que v\u00e3o de fundos de hedge a companhias estatais de energia, diz que estamos enfrentando \u201ctalvez a maior fase de alta dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo em todos os tempos\u201d. O Goldman Sachs acredita que os pre\u00e7os do petr\u00f3leo estar\u00e3o \u201cem m\u00e9dia\u201d em US$ 140 o barril no terceiro trimestre deste ano.<\/p>\n<p>\u00c9 tentador classificar esse surto em massa de expectativa de alta como uma conversa de bancos e traders posicionados para um aumento dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo no curto prazo &#8211; que j\u00e1 chegaram a US$ 120 o barril.<\/p>\n<p>As grandes companhias de petr\u00f3leo ocidentais continuam relutantes em investir. Mesmo que elas ignorassem a press\u00e3o para se tornarem \u201cverdes\u201d, grandes empreendimentos fora da bacia de xisto dos Estados Unidos levam anos para entrar em opera\u00e7\u00e3o<br \/>\nAqueles com boa mem\u00f3ria lembram-se do aumento do petr\u00f3leo para US$ 147 o barril \u00e0s v\u00e9speras da crise financeira, quando o Goldman Sachs estava entre os principais incentivadores de um rali que rapidamente se inverteu quando a economia despencou. O petr\u00f3leo custava US$ 40 o barril no Natal de 2008 e ainda assim as bonifica\u00e7\u00f5es recebidas pelos operadores de energia de Wall Street no ano entraram para o folclore do mercado.<\/p>\n<p>Mas embora sempre haja uma saud\u00e1vel pitada de ceticismo quanto \u00e0s previs\u00f5es de pre\u00e7os, voc\u00ea s\u00f3 precisa arranhar a superf\u00edcie do mercado de petr\u00f3leo para ver que essas previs\u00f5es de alta est\u00e3o, desta vez, bem fundamentadas.<\/p>\n<p>A crise energ\u00e9tica, que come\u00e7ou com a R\u00fassia reduzindo o fornecimento de g\u00e1s natural para a Europa antes disso se espalhar para o complexo das commodities depois da invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia, est\u00e1 longe de terminar. \u00c9 prov\u00e1vel que ela piore antes de melhorar, com graves ramifica\u00e7\u00f5es para a economia mundial, j\u00e1 abalada pela infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o-chave \u00e9 simples: mal h\u00e1 petr\u00f3leo suficiente para circular. E com a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo da R\u00fassia atingida por san\u00e7\u00f5es e se deparando com um caminho cada vez mais dif\u00edcil para o mercado, h\u00e1 temores leg\u00edtimos de que a oferta possa cair muito mais.<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Europeia (UE) acaba de proibir carregamentos mar\u00edtimos de petr\u00f3leo russo, for\u00e7ando a R\u00fassia a enviar seu petr\u00f3leo por dist\u00e2ncias cada vez maiores para compradores dispostos a fazer vista grossa para suas a\u00e7\u00f5es na Ucr\u00e2nia. \u00cdndia e China compraram cargas com grandes descontos depois que muitos compradores da Europa se auto-sancionaram. Mas \u00e0 medida que os volumes de petr\u00f3leo russo deslocado aumentam, h\u00e1 d\u00favidas sobre a capacidade e disposi\u00e7\u00e3o das refinarias da \u00c1sia de continuar absorvendo-os.<\/p>\n<p>O grande desafio \u00e9 a iminente proibi\u00e7\u00e3o do seguro na Uni\u00e3o Europeia e Reino Unido para navios que carreguem petr\u00f3leo russo. Isso efetivamente tiraria a R\u00fassia dos principais mercados de navios-tanque, deixando o pa\u00eds com op\u00e7\u00f5es muito reduzidas para o envio de seu petr\u00f3leo. Os navios petroleiros n\u00e3o s\u00f3 precisam fazer seguro de cargas caras, mas tamb\u00e9m contra riscos como vazamentos ao estilo do Exxon-Valdez, com custos de limpeza de muitos bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Rory Johnston, um estrategista de commodities, afirma que a maior parte dos grandes portos simplesmente n\u00e3o aceitar\u00e1 navios-tanque sem prote\u00e7\u00e3o e seguro de indeniza\u00e7\u00e3o &#8211; um mercado que o Reino Unido e a UE dominam &#8211; e faz uma estimativa conservadora de que a queda na produ\u00e7\u00e3o russa dobrar\u00e1 para cerca de 20% em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis anteriores \u00e0 invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia, ou 2 milh\u00f5es de barris\/dia, at\u00e9 o fim do ano.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o russa poder\u00e1 cair muito mais, com a Ag\u00eancia Internacional de Energia (AIE) prevendo uma queda de 3 milh\u00f5es de barris\/dia &#8211; o equivalente a quase toda a produ\u00e7\u00e3o do Kuwait.<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil substituir esse d\u00e9ficit em potencial. Os governos ocidentais j\u00e1 recorreram a reservas estrat\u00e9gicas, liberando cerca de 1 milh\u00e3o de barris\/dia desde a invas\u00e3o. Mas isso apenas moderou o aumento dos pre\u00e7os, e n\u00e3o o reverteu, al\u00e9m de n\u00e3o poder continuar indefinidamente.<\/p>\n<p>Os \u00fanicos pa\u00edses com capacidade de produ\u00e7\u00e3o sobressalente significativa s\u00e3o a Ar\u00e1bia Saudita e os Emirados \u00c1rabes Unidos, mas a capacidade de produ\u00e7\u00e3o dos dois n\u00e3o \u00e9 ilimitada. A produ\u00e7\u00e3o da Ar\u00e1bia Saudita aproxima-se de 11 milh\u00f5es de barris\/dia, depois que ela concordou em aumentar ligeiramente a produ\u00e7\u00e3o. Mas adicionar mais 1 milh\u00e3o de barris\/dia empurraria sua produ\u00e7\u00e3o para um territ\u00f3rio desconhecido, sobrecarregando seus campos de petr\u00f3leo se eles precisarem manter a produ\u00e7\u00e3o l\u00e1 por mais do que uns poucos meses.<\/p>\n<p>Outros membros da Opep est\u00e3o lutando para aumentar a produ\u00e7\u00e3o at\u00e9 mesmo para os n\u00edveis pr\u00e9-pandemia, depois de anos de m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o e investimentos insuficientes. Um poss\u00edvel acordo nuclear dos EUA com o Ir\u00e3, que poderia liberar mais barris, \u00e9 incerto. A disparada dos pre\u00e7os dos alimentos poder\u00e1 causar dist\u00farbios em muitos pa\u00edses produtores de petr\u00f3leo, amea\u00e7ando ainda mais o abastecimento.<\/p>\n<p>As grandes companhias de petr\u00f3leo ocidentais continuam relutantes em investir. Mesmo que elas ignorassem a press\u00e3o para se tornarem \u201cverdes\u201d, grandes empreendimentos fora da bacia de xisto dos EUA levam anos para entrar em opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se a oferta est\u00e1 profundamente perturbada, o equil\u00edbrio do mercado passa a ficar a cargo da demanda. Mas os governos fizeram cortes limitados nos impostos sobre combust\u00edveis para apoiar o consumo, enquanto que a popula\u00e7\u00e3o, frustrada por dois anos de rupturas provocadas pela covid-19, mostra-se disposta a pagar mais pela gasolina nas bombas.<\/p>\n<p>A China est\u00e1 reabrindo sua economia. As pessoas voltaram a andar de avi\u00e3o. A demanda est\u00e1 indo na dire\u00e7\u00e3o errada. Todos esses fatores apontam para o aumento dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo at\u00e9 um n\u00edvel que reduza o consumo, provavelmente desencadeando uma desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica grande o suficiente para reduzir a demanda. Em outras palavras, uma recess\u00e3o para muitas economias.<\/p>\n<p>As autoridades poder\u00e3o encorajar a conserva\u00e7\u00e3o, desde a redu\u00e7\u00e3o dos limites de velocidade at\u00e9 o restabelecimento de impostos. Mas as evid\u00eancias at\u00e9 agora sugerem que elas est\u00e3o mais felizes trope\u00e7ando em desastres do que incomodando os motoristas. Elas precisam esperar que quando o petr\u00f3leo ficar barato novamente, os eleitores ainda ter\u00e3o um emprego para onde se dirigir.<\/p>\n<p>Fonte: Valor<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presidente-executivo do JP Morgan, Jamie Dimon, acredita que os pre\u00e7os do petr\u00f3leo poder\u00e3o aumentar para US$ 175 o barril ainda este ano. 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