{"id":39589,"date":"2022-06-06T10:51:14","date_gmt":"2022-06-06T13:51:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=39589"},"modified":"2022-06-06T10:51:14","modified_gmt":"2022-06-06T13:51:14","slug":"amazonia-azul-as-riquezas-naturais-sob-as-aguas-do-atlantico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/amazonia-azul-as-riquezas-naturais-sob-as-aguas-do-atlantico\/","title":{"rendered":"Amaz\u00f4nia Azul \u2013 As riquezas naturais sob as \u00e1guas do Atl\u00e2ntico"},"content":{"rendered":"<p>A grandiosidade da nossa floresta tropical emprestou seu nome \u00e0s nossas \u00e1guas oce\u00e2nicas, t\u00e3o ricas, t\u00e3o desconhecidas e t\u00e3o vulner\u00e1veis quanto as matas amaz\u00f4nicas.\u00a0O nome Amaz\u00f4nia Azul foi escolhido pelo comandante da Marinha, Roberto de Guimar\u00e3es Carvalho, que fez um paralelo entre as riquezas existentes no nosso mar com as presentes na Amaz\u00f4nia.\u00a0S\u00e3o 3 milh\u00f5es e meio de km\u00b2 que abrigam esp\u00e9cies s\u00f3 existentes aqui, como corais, esponjas e peixes.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia da dimens\u00e3o desse verdadeiro tesouro, apenas o arquip\u00e9lago de Abrolhos concentra a maior biodiversidade marinha do Atl\u00e2ntico Sul, com cerca de 1.300 esp\u00e9cies registradas, entre elas o famoso coral-c\u00e9rebro, s\u00f3 encontrado no litoral sul da Bahia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da rica biodiversidade, a chamada Amaz\u00f4nia Azul tem uma import\u00e2ncia econ\u00f4mica estrat\u00e9gica para o pa\u00eds.\u00a0Nossas belas praias atraem grande parte dos brasileiros e estrangeiros que, a cada ano, movimentam bilh\u00f5es de reais na crescente ind\u00fastria do turismo.<\/p>\n<p>Outro setor dependente das nossas \u00e1guas \u00e9 o com\u00e9rcio exterior. Noventa e cinco porcento das transa\u00e7\u00f5es nacionais com outros pa\u00edses ocorrem por via mar\u00edtima.\u00a0O comandante da Marinha Fl\u00e1vio Giacomazi destaca, ainda, outras grandes fontes de riqueza presentes na costa brasileira.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s temos a\u00ed uma s\u00e9rie de recursos naturais importantes para o pa\u00eds, haja vista inclusive toda a nossa explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo que \u00e9 feita pela pr\u00f3pria Petrobras, onde o Brasil est\u00e1 se tornando aos poucos autossuficiente em petr\u00f3leo. Grande parte do petr\u00f3leo brasileiro \u00e9 extra\u00eddo desse espa\u00e7o geogr\u00e1fico que chamamos de Amaz\u00f4nia Azul, tanto \u00e9 que temos muito petr\u00f3leo agora nessas descobertas das camadas pr\u00e9-sal. Parte dessa camada pr\u00e9-sal, desse \u00f3leo que existe, est\u00e1 dentro da Amaz\u00f4nia Azul\u201d<\/p>\n<p>Mas assim como a floresta amaz\u00f4nica, o nosso mar \u00e9 marcado por surpresas. Uma delas, descoberta por pesquisadores que participaram de um projeto de mapeamento dos recursos vivos da costa brasileira, chamado Revizee, quebrou a ideia corrente de que as nossas \u00e1guas seriam uma fonte quase que inesgot\u00e1vel de alimentos, como explica o analista ambiental do Ibama, Jos\u00e9 Dias.<\/p>\n<p>\u201cO panorama geral confirmado com o Revizee \u00e9 de que nossos mares s\u00e3o mares de \u00e1guas quentes e de baixa produtividade, com exce\u00e7\u00e3o do extremo sul, em fun\u00e7\u00e3o da corrente das Malvinas, e do norte em fun\u00e7\u00e3o da des\u00e1gua do rio Amazonas. Portanto, nossas potencialidades s\u00e3o limitadas, n\u00e3o dando portanto para comparar com outros pa\u00edses, como \u00e9 comum falar do Peru, do Chile, l\u00e1 s\u00e3o outras realidades ambientais que favorecem uma maior produtividade\u201d<\/p>\n<p>Mesmo sem a presen\u00e7a de grandes cardumes, o litoral brasileiro sustenta uma ind\u00fastria forte. Em 2005, foram extra\u00eddas do mar 500 mil toneladas de peixes, crust\u00e1ceos e moluscos, gerando uma receita estimada em R$ 1 bilh\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas assim como no resto do planeta, os mares brasileiros sofrem os efeitos da sobrepesca, nome usado quando a atividade n\u00e3o d\u00e1 tempo para as esp\u00e9cies se reproduzirem e continuarem povoando as \u00e1guas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de buscar o uso sustent\u00e1vel dos recursos, um grande desafio \u00e9 conhecer o que nossas \u00e1guas abrigam, como observa o bi\u00f3logo e ocean\u00f3grafo Frederico Brandini, do Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paran\u00e1.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s podemos n\u00e3o ter uma biomassa pesqueira muito elevada, porque infelizmente a Terra gira no sentido que gira. Se girasse do lado contr\u00e1rio, n\u00f3s \u00e9 que ser\u00edamos ricos em peixe e a \u00c1frica teria mais diversidade, mais habitats de corais como n\u00f3s temos. As fontes de nutrientes que v\u00eam do fundo do mar n\u00e3o conseguem subir. N\u00f3s temos pouca biomassa, em contrapartida temos uma diversidade de esp\u00e9cies enormes que t\u00eam um valor biotecnol\u00f3gico talvez muito maior do que uma tonelada de sardinha. A prospec\u00e7\u00e3o biotecnol\u00f3gica marinha \u00e9 uma das que mais cresce atualmente, h\u00e1 uma s\u00e9rie de f\u00e1rmacos que s\u00e3o extra\u00eddos do mar e n\u00f3s temos potencial de desenvolver esse tipo de pesquisa e de explorar esse tipo de recurso que nem sequer se menciona\u201d.<\/p>\n<p>Estudioso de esp\u00e9cies marinhas h\u00e1 15 anos, o qu\u00edmico Roberto Berlinck, da Universidade de S\u00e3o Paulo, refor\u00e7a o que diz Frederico Brandini, contando que as pesquisas para o desenvolvimento de f\u00e1rmacos a partir de organismos do mar, por exemplo, ainda engatinham.<\/p>\n<p>\u201cEstudos desse tipo, apesar de terem sido iniciados aqui no Brasil na d\u00e9cada de 70, ficaram restrito a um n\u00famero muito pequeno de pesquisadores mesmo at\u00e9 hoje. Isso faz com que mesmo at\u00e9 hoje a biodiversidade marinha ainda seja pouco conhecida para se explorar os recursos do ambiente marinho de maneira racional visando a aplica\u00e7\u00e3o biotecnol\u00f3gica, como, por exemplo, na descoberta e desenvolvimento de f\u00e1rmacos\u201d.<\/p>\n<p>A chamada Amaz\u00f4nia Azul tem cerca de 3 milh\u00f5es e meio de km\u00b2. Essa \u00e1rea pode ficar ainda maior, caso as Na\u00e7\u00f5es Unidas aceitem o pedido brasileiro para estender nossa plataforma continental em 900 mil km\u00b2.<\/p>\n<p>O poss\u00edvel aumento da fronteira mar\u00edtima vai ampliar ainda mais nossas fontes de riqueza, mas tornar\u00e1 ainda maior o desafio de se conhecer e preservar esse mundo submerso.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia C\u00e2mara<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A grandiosidade da nossa floresta tropical emprestou seu nome \u00e0s nossas \u00e1guas oce\u00e2nicas, t\u00e3o ricas, t\u00e3o desconhecidas e t\u00e3o vulner\u00e1veis quanto as matas amaz\u00f4nicas.\u00a0O nome&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":39590,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-39589","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39589","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39589"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39589\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39591,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39589\/revisions\/39591"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39590"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39589"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39589"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39589"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}