{"id":39473,"date":"2022-06-02T12:10:40","date_gmt":"2022-06-02T15:10:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=39473"},"modified":"2022-06-02T12:10:40","modified_gmt":"2022-06-02T15:10:40","slug":"artigo-problemas-com-porto-de-xangai-nao-terminarao-tao-cedo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/artigo-problemas-com-porto-de-xangai-nao-terminarao-tao-cedo\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Problemas com porto de Xangai n\u00e3o terminar\u00e3o t\u00e3o cedo"},"content":{"rendered":"<p>Xangai \u00e9 a maior cidade da China, com 25 milh\u00f5es de habitantes, e seu porto responde por 17% do tr\u00e1fego de cont\u00eaineres e por 27% das exporta\u00e7\u00f5es do pa\u00eds, o que lhe confere um papel estrat\u00e9gico no com\u00e9rcio mundial. Por\u00e9m, esse gigante foi parcialmente imobilizado pela nova onda de covid-19. que provocou o confinamento total ou parcial de dezenas de localidades chinesas. Mesmo com a boa not\u00edcia sobre o fim do lockdown, anunciado esta semana, os efeitos desta paralisa\u00e7\u00e3o podem ser sentidos durante meses e at\u00e9 chegarem a 2023. As restri\u00e7\u00f5es impostas pelas autoridades chinesas, entre outros entraves, impediram que os caminh\u00f5es tivessem acesso ao porto, o que gerou um ac\u00famulo de cont\u00eaineres e redu\u00e7\u00e3o de pelo menos 30% na produtividade.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, n\u00e3o havia trabalhadores portu\u00e1rios para controlar as entradas e sa\u00eddas de navios e inspecionar o embarque e desembarque de mercadorias, o que gerou um congestionamento de embarca\u00e7\u00f5es \u00e0 espera de sua vez de atracar no porto. A situa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de pressionar as tarifas, afetou particularmente o transporte de cargas perec\u00edveis e refrigeradas que necessitam de cuidados especiais para que se mantenham \u00edntegras. Algumas companhias da cadeia de frio se viram obrigadas a desviar mercadorias para outros portos, com custos e dificuldades adicionais.<\/p>\n<p>A press\u00e3o sobre as companhias mar\u00edtimas tem sido enorme, na medida em que n\u00e3o t\u00eam conseguido manter os hor\u00e1rios de atraca\u00e7\u00f5es e partidas, congestionando ainda mais os portos. Tamb\u00e9m h\u00e1 uma expectativa em rela\u00e7\u00e3o ao resultado do que chamamos de \u201cblank sailing\u201d \u2013 quando um porto n\u00e3o pode receber determinada embarca\u00e7\u00e3o dentro de sua rota prevista \u2013 e de quanto isso levar\u00e1 a um aumento ainda mais acentuado dos custos, principalmente nas taxas spot.<\/p>\n<p>Grandes empresas como a Volkswagen e a Tesla foram obrigadas a interromper suas atividades em Xangai, por causa da quarentena. Uma das consequ\u00eancias de todos esses entraves foi a desacelera\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es, que ca\u00edram ao patamar registrado no primeiro semestre de 2020, quando se iniciou a pandemia de covid-19.<\/p>\n<p>Somada a esse \u201cproblema chin\u00eas\u201d, a continua\u00e7\u00e3o muito al\u00e9m do previsto do conflito no Leste Europeu, iniciado em 24 de fevereiro com a invas\u00e3o da R\u00fassia \u00e0 Ucr\u00e2nia, eleva o n\u00edvel de preocupa\u00e7\u00e3o de todas as empresas de com\u00e9rcio internacional. Ainda sem uma solu\u00e7\u00e3o \u00e0 vista, a guerra europeia se transformou em mais um fator de desequil\u00edbrio nas rela\u00e7\u00f5es entre os pa\u00edses, sem considerar as d\u00favidas em rela\u00e7\u00e3o ao posicionamento da China nesse confronto.<\/p>\n<p>Para acirrar ainda mais esse ambiente b\u00e9lico, Finl\u00e2ndia e Su\u00e9cia manifestaram o desejo de ingressar na Otan, o que leva Vladimir Putin, perigosamente, a apostar ainda mais alto nas amea\u00e7as \u00e0 alian\u00e7a ocidental. Esse clima b\u00e9lico, surpreendente em pleno s\u00e9culo 21, refor\u00e7ou a necessidade de uma profunda reflex\u00e3o a respeito dessa \u201cnova ordem\u201d mundial, no que se refere \u00e0s quest\u00f5es que envolvem transporte e log\u00edstica da cadeia de frio, essenciais para todas as pessoas do planeta, estejam onde estiverem.<\/p>\n<p>Como ser\u00e1 a retomada<\/p>\n<p>Mesmo com a volta \u00e0s opera\u00e7\u00f5es no porto de Xangai, o impacto persiste. Os portos ocidentais j\u00e1 se preparam para o crescimento da demanda e preveem grandes congestionamentos. Especialistas afirmam que ocorrer\u00e1 aumento de carga e, consequentemente, escassez da capacidade e press\u00e3o de alta nas tarifas. Os importadores, por sua vez, est\u00e3o aumentando os estoques de seguran\u00e7a para evitar o que vimos no ano passado, com armaz\u00e9ns congestionados em todos os lugares.<\/p>\n<p>Cada vez mais, vejo empresas tomando decis\u00f5es de \u201creshoring\u201d, ou seja, de voltar a produzir localmente devido a todas essas incertezas pol\u00edticas geradas pela pandemia, pela guerra de Putin e pela falta de confian\u00e7a na China. Na Am\u00e9rica Latina, a quase totalidade das na\u00e7\u00f5es mant\u00e9m liga\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas com a Europa Ocidental e os Estados Unidos, fortalecidas, principalmente, depois da Segunda Guerra Mundial. Com raras exce\u00e7\u00f5es, os pa\u00edses latino-americanos seguem essa linha de apoio.<\/p>\n<p>Ao que tudo indica, o cen\u00e1rio mundial para o setor de log\u00edstica continuar\u00e1 a atravessar um per\u00edodo conturbado, seja por quest\u00f5es geopol\u00edticas, seja por quest\u00f5es ligadas \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica. E o impacto no ritmo de entregas de produtos e pre\u00e7os ser\u00e1 inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Fonte: Portos e Navios<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Xangai \u00e9 a maior cidade da China, com 25 milh\u00f5es de habitantes, e seu porto responde por 17% do tr\u00e1fego de cont\u00eaineres e por 27%&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":39474,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-39473","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39473","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39473"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39473\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39475,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39473\/revisions\/39475"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39474"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39473"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39473"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39473"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}