{"id":39298,"date":"2022-05-20T09:02:42","date_gmt":"2022-05-20T12:02:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=39298"},"modified":"2022-05-20T09:02:42","modified_gmt":"2022-05-20T12:02:42","slug":"pandemia-e-guerra-na-ucrania-adiam-o-fim-da-era-do-petroleo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/pandemia-e-guerra-na-ucrania-adiam-o-fim-da-era-do-petroleo\/","title":{"rendered":"Pandemia e guerra na Ucr\u00e2nia adiam o fim da \u2018era do petr\u00f3leo\u2019"},"content":{"rendered":"<p>A retomada da economia ap\u00f3s dois anos de pandemia de covid-19 e a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia pela R\u00fassia trouxeram o petr\u00f3leo de volta para o centro das preocupa\u00e7\u00f5es mundiais. Desta vez, n\u00e3o pelo mal que faz ao clima do planeta (o que fez petroleiras reduzirem sua produ\u00e7\u00e3o e investirem na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica), mas por sua escassez. A falta do produto elevou de forma severa os pre\u00e7os no mercado e mostrou que a era do petr\u00f3leo pode durar muito mais do que previam os ambientalistas, que decretaram o seu fim nos pr\u00f3ximos 30 anos.<\/p>\n<p>Com a alta dos pre\u00e7os no mercado internacional, a commodity se tornou novamente atraente. A prova disso \u00e9 a volta muito intensa dos leil\u00f5es de petr\u00f3leo em v\u00e1rios pa\u00edses, como revela estudo da Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE). A estimativa \u00e9 de que sejam realizados 15 leil\u00f5es de \u00e1reas de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s ao longo deste ano, sendo cinco pendentes de 2021 e 10 novas licita\u00e7\u00f5es. No ano passado, foram efetivados apenas seis, sendo dois no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cProjeta-se crescimento da aprova\u00e7\u00e3o final de projetos greenfield (novos) neste ano e em 2023, e o interesse renovado em \u00e1reas de explora\u00e7\u00e3o com a recupera\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo incentivando a realiza\u00e7\u00e3o de novas rodadas de licita\u00e7\u00e3o no mundo\u201d, diz o estudo.<\/p>\n<p>Segundo a Rystad Energy, maior consultoria de energia da Noruega, haver\u00e1 neste ano um aumento de 7% no investimento global em explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, ultrapassando os US$ 300 bilh\u00f5es. No Brasil, o Minist\u00e9rio de Minas e Energia estima que a produ\u00e7\u00e3o aumente em 300 mil barris por dia no fim de 2022.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do presidente da Enauta, D\u00e9cio Oddone, ex-diretor-geral da Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis (ANP), havia um cen\u00e1rio muito ruim para a ind\u00fastria do petr\u00f3leo nos \u00faltimos anos por causa da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, com as petroleiras mudando o portf\u00f3lio, principalmente as europeias, e reduzindo investimentos em explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cHouve um choque de realidade. A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica estava sendo tratada de uma maneira muito idealista, parecia que seria feita de maneira mais r\u00e1pida, reduzindo a demanda de petr\u00f3leo e g\u00e1s, o que n\u00e3o aconteceu. O que vemos nos \u00faltimos meses \u00e9 que n\u00e3o vai ser assim. Estamos vendo um refluxo de interesse por petr\u00f3leo e g\u00e1s\u201d, disse.<\/p>\n<p>Segundo o levantamento da EPE, em raz\u00e3o de atrasos provocados pela segunda onda da covid-19, muitos leil\u00f5es previstos para 2021 ter\u00e3o sua conclus\u00e3o em 2022, casos de Angola, Noruega, Egito e Mal\u00e1sia. Em alguns, at\u00e9 mesmo leil\u00f5es programados para 2020 v\u00e3o acontecer este ano, como no L\u00edbano.<\/p>\n<p>Em 2021, o Canad\u00e1 realizou duas rodadas de licita\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tiveram interessados e programa uma pr\u00f3xima para 2023. J\u00e1 a \u00cdndia, pa\u00eds que importa 85% do petr\u00f3leo que refina, segue realizando leil\u00f5es regulares com um cronograma bem definido, visando aumentar sua produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica e reduzir sua depend\u00eancia.<\/p>\n<p>Entre os leil\u00f5es previstos para 2022, destacam-se as rodadas de concess\u00e3o na Indon\u00e9sia, na Mal\u00e1sia, em Angola e nos Estados Unidos, regi\u00f5es de comprovado potencial offshore (mar\u00edtimo), que atraem interesse de muitas petroleiras. Embora n\u00e3o haja previs\u00e3o de leil\u00f5es neste ano, Noruega e Guiana s\u00e3o regi\u00f5es que receber\u00e3o fortes investimentos no setor de explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Caso brasileiro<br \/>\nNo Brasil, os tradicionais leil\u00f5es, que eram realizados desde 1999, foram substitu\u00eddos pela Oferta Permanente, um banco de dados onde os investidores escolhem as \u00e1reas que querem explorar e concorrem por elas. Em abril, o terceiro ciclo da Oferta Permanente foi considerado um sucesso, com a participa\u00e7\u00e3o de gigantes como Shell e TotalEnergies, petroleiras que v\u00eam diversificando o portf\u00f3lio para a energia limpa, e de cerca de uma dezena de empresas menores com grande apetite para crescer. O leil\u00e3o vendeu 59 blocos para explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o, ante 17 da licita\u00e7\u00e3o anterior.<\/p>\n<p>O aquecimento do mercado levou o presidente da ANP, Rodolfo Saboia, a anunciar mais uma rodada da Oferta Permanente no segundo semestre, desta vez com 11 blocos da cobi\u00e7ada regi\u00e3o do pr\u00e9-sal, sob o regime de partilha, sistema em que o governo brasileiro se torna s\u00f3cio dos investidores.<\/p>\n<p>Em entrevista exclusiva ao Estad\u00e3o\/Broadcast, o novo presidente da Petrobras, Jos\u00e9 Mauro Coelho, tamb\u00e9m avaliou que o petr\u00f3leo n\u00e3o est\u00e1 com os seus dias contados. \u201cContinuo acreditando que ainda por muito tempo vamos continuar precisando do petr\u00f3leo na matriz energ\u00e9tica mundial. At\u00e9 porque petr\u00f3leo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 combust\u00edvel, petr\u00f3leo tem uma utiliza\u00e7\u00e3o vast\u00edssima em toda a economia mundial. Ficou muito claro no conflito entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia que a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica deve ser feita com seguran\u00e7a energ\u00e9tica\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Seguran\u00e7a energ\u00e9tica<br \/>\nJ\u00e1 para o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie) Adriano Pires, \u00e9 natural ver o retorno dos leil\u00f5es de petr\u00f3leo em um momento de pre\u00e7os altos e demanda apertada, principalmente ap\u00f3s a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia pela R\u00fassia, que alertou o mundo para o risco de desabastecimento de combust\u00edveis. O diesel, especificamente, teve sua oferta global fortemente reduzida pela disputa dos mercados.<\/p>\n<p>De acordo com Pires, a percep\u00e7\u00e3o de que o petr\u00f3leo traz seguran\u00e7a energ\u00e9tica deve fazer com que a \u201cdemoniza\u00e7\u00e3o\u201d do combust\u00edvel f\u00f3ssil seja desacelerada. \u201cN\u00e3o que a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica v\u00e1 parar, vai continuar, mas acho que olhando um pouco al\u00e9m da simples troca de combust\u00edvel f\u00f3ssil pelo renov\u00e1vel, olhando quest\u00f5es como a efici\u00eancia energ\u00e9tica, que \u00e9 a melhor forma de reduzir a demanda sem comprometer o crescimento econ\u00f4mico\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Para a ex-diretora-geral da ANP Magda Chambriard, a volta dos leil\u00f5es de petr\u00f3leo \u00e9 um movimento que acompanha a demanda atual pela commodity e n\u00e3o vai desaparecer, como alguns agentes da ind\u00fastria parecem acreditar. \u201cTodas as previs\u00f5es t\u00eam algo em comum: todas elas est\u00e3o erradas. A demanda por petr\u00f3leo continua subindo, em um ritmo mais lento, e deve subir at\u00e9 2050. Pelo menos 83% da energia consumida no mundo vem de combust\u00edveis f\u00f3sseis, seja o petr\u00f3leo, o g\u00e1s ou o carv\u00e3o\u201d, disse, concluindo que, desta maneira, os leil\u00f5es de petr\u00f3leo pelo mundo ainda ter\u00e3o vida longa.<\/p>\n<p>Especula\u00e7\u00e3o<br \/>\nAcompanhando a demanda mundial, mas ainda longe de conseguir suprir parte do que as na\u00e7\u00f5es precisam hoje, a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo dos EUA aumentou 2%, para 11,8 milh\u00f5es de barris por dia, desde dezembro, e permanece bem abaixo do recorde de 13,1 milh\u00f5es de barris por dia estabelecido em mar\u00e7o de 2020, pouco antes de a pandemia paralisar a economia global.<\/p>\n<p>O governo prev\u00ea que a produ\u00e7\u00e3o americana da commodity ter\u00e1 uma m\u00e9dia de 12 milh\u00f5es de barris por dia neste ano e aumentar\u00e1 cerca de outro milh\u00e3o em 2023. Esse aumento ficaria bem abaixo dos quase 4 milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo que a Europa importa da R\u00fassia todos os dias.<\/p>\n<p>A maior raz\u00e3o pela qual a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo n\u00e3o aumenta \u00e9 que as empresas de energia dos EUA e seus investidores de Wall Street n\u00e3o t\u00eam tanta certeza de que os pre\u00e7os do petr\u00f3leo permanecer\u00e3o altos o suficiente para obter lucro com a perfura\u00e7\u00e3o de novos po\u00e7os.<\/p>\n<p>Executivos de 141 empresas petrol\u00edferas pesquisadas pelo Federal Reserve Bank de Dallas em meados de mar\u00e7o ofereceram v\u00e1rias raz\u00f5es para que n\u00e3o estivessem produzindo mais petr\u00f3leo. Eles disseram que estavam com falta de trabalhadores e areia, que \u00e9 usada para escavar campos de xisto para extrair petr\u00f3leo da rocha. No entanto, a raz\u00e3o mais relevante \u2013 dita por 60% dos entrevistados \u2013 foi a de que os investidores n\u00e3o querem que as empresas produzam muito mais petr\u00f3leo, temendo que isso desvalorize o produto no mercado internacional.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea tinha essa ind\u00fastria que batia no peito se apresentando como a reencarna\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito inovador americano, mas, agora que eles poderiam estar entrando em a\u00e7\u00e3o para contribuir para trazer o petr\u00f3leo t\u00e3o necess\u00e1rio para o mundo, eles est\u00e3o sendo estranhamente cautelosos\u201d, disse Jim Krane, especialista em energia da Rice University.<\/p>\n<p>Movimento mundial<br \/>\nAs companhias petrol\u00edferas dos EUA n\u00e3o est\u00e3o sozinhas. Ar\u00e1bia Saudita, Emirados \u00c1rabes Unidos e outros membros da Organiza\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Exportadores de Petr\u00f3leo tamb\u00e9m se recusaram a bombear muito mais petr\u00f3leo desde que a guerra da R\u00fassia na Ucr\u00e2nia come\u00e7ou no final de fevereiro.<\/p>\n<p>Essa relut\u00e2ncia profunda contrasta com o comportamento t\u00edpico da ind\u00fastria petrol\u00edfera quando os pre\u00e7os subiram. Nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, as empresas petrol\u00edferas quase sempre responderam aos pre\u00e7os mais altos produzindo mais. Um frenesi acompanhou o aumento dos pre\u00e7os no in\u00edcio dos anos 2000 e novamente na recupera\u00e7\u00e3o que se seguiu \u00e0 crise financeira de 2008. Mas todo boom de pre\u00e7os foi seguido por um grande crash \u2013 tr\u00eas apenas nos \u00faltimos 14 anos. Com tal cen\u00e1rio, \u00e9 prov\u00e1vel que os pre\u00e7os continuem altos e os governos tenham de lutar contra uma infla\u00e7\u00e3o persistente.<br \/>\nFonte: Estad\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A retomada da economia ap\u00f3s dois anos de pandemia de covid-19 e a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia pela R\u00fassia trouxeram o petr\u00f3leo de volta para o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":39299,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-39298","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39298","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39298"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39298\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39300,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39298\/revisions\/39300"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39299"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39298"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39298"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39298"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}