{"id":39144,"date":"2022-05-11T10:07:44","date_gmt":"2022-05-11T13:07:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=39144"},"modified":"2022-05-11T10:07:44","modified_gmt":"2022-05-11T13:07:44","slug":"sem-refinarias-suficientes-para-descartar-importacao-brasil-pode-ter-falta-de-combustivel-se-travar-precos-entenda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/sem-refinarias-suficientes-para-descartar-importacao-brasil-pode-ter-falta-de-combustivel-se-travar-precos-entenda\/","title":{"rendered":"Sem refinarias suficientes para descartar importa\u00e7\u00e3o, Brasil pode ter falta de combust\u00edvel se travar pre\u00e7os. Entenda"},"content":{"rendered":"<p>O novo reajuste do \u00f3leo diesel, de 8,87%, anunciado pela Petrobras para entrar em vigor hoje nas refinarias, n\u00e3o foi concedido apenas para que houvesse uma paridade do pre\u00e7o com a cota\u00e7\u00e3o internacional do petr\u00f3leo. A corre\u00e7\u00e3o n\u00e3o zerou a defasagem, mas \u00e9 necess\u00e1ria para que n\u00e3o falte combust\u00edvel nos postos do pa\u00eds. E isso ocorre por uma defici\u00eancia do Brasil na \u00e1rea de refino de derivados de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 exportador de petr\u00f3leo, mas, ao mesmo tempo, importa derivados, especialmente o \u00f3leo diesel. Cerca de 20% dos derivados consumidos no pa\u00eds v\u00eam de foral. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 resultado de um conjunto de refinarias que n\u00e3o s\u00e3o suficientes para dar conta da demanda nacional, al\u00e9m da integra\u00e7\u00e3o global das cadeias do setor.<\/p>\n<p>Para abastecer todos os postos do pa\u00eds, \u00e9 preciso importar diesel e gasolina. Dessa forma, se a Petrobras se afasta muito do pre\u00e7o desses derivados no exterior, os importadores n\u00e3o podem competir com a estatal e tendem a reduzir as compras l\u00e1 fora.<\/p>\n<p>Isso pode levar o pa\u00eds ao desabastecimento, at\u00e9 porque a produ\u00e7\u00e3o nacional, mais barata, fica atraente para a exporta\u00e7\u00e3o. O pa\u00eds tamb\u00e9m precisa importar \u00f3leo leve produzido no Oriente M\u00e9dio especialmente para a produ\u00e7\u00e3o de lubrificantes.<\/p>\n<p>Planos de refinarias naufragaram<br \/>\nApesar dessa insufici\u00eancia na \u00e1rea de refino, especialistas n\u00e3o veem espa\u00e7o para novos grandes investimentos neste mercado no pa\u00eds, como a constru\u00e7\u00e3o de novas refinarias. Esse cen\u00e1rio refor\u00e7a o modelo de pre\u00e7os adotado pela Petrobras, que segue a cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar e do barril de petr\u00f3leo no mercado externo.<\/p>\n<p>M\u00e1rcio F\u00e9lix, ex-secret\u00e1rio de Petr\u00f3leo do Minist\u00e9rio de Minas e Energia e atualmente CEO da EnP Energy, lembra o hist\u00f3rico do refino no pa\u00eds, que data da d\u00e9cada de 1970, quando as \u00faltimas grandes plantas entraram em opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A partir de 2006, vieram projetos de novas refinarias \u2014 especialmente o Comperj (no Rio de Janeiro), e Abreu e Lima (em Pernambuco) \u2014 e as refinarias premium (no Maranh\u00e3o e no Cear\u00e1). Os investimentos n\u00e3o aconteceram e viraram alvos da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato, que apontou esquemas de desvios bilion\u00e1rios em obras da empresa.<\/p>\n<p>A Petrobras projetava chegar \u00e0 marca de 3,4 milh\u00f5es de barris refinados por dia em 2015, o que colocaria o Brasil entre os cinco pa\u00edses com maior produ\u00e7\u00e3o de derivados de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Essa marca nunca foi atingida e n\u00e3o consta dos planos atuais. Em 2021, as refinarias da Petrobras processaram 1,9 milh\u00f5es de barris por dia, volume pr\u00f3ximo do registrado em 2008.<\/p>\n<p>\u2014 A ideia era que o Brasil ia ter tanto derivado que iria exportar para o Hemisf\u00e9rio Norte. As refinarias n\u00e3o sa\u00edram e essa importa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a acontecer. Essas coisas est\u00e3o associadas \u2014 diz F\u00e9lix. \u2014 Se n\u00e3o tem um pre\u00e7o adequado aqui, n\u00e3o se importa combust\u00edvel. O privado n\u00e3o vai importar e a Petrobras, tamb\u00e9m tem mais como fazer isso sofrendo preju\u00edzos. Foi criada uma blindagem e ficou uma equa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil de mexer.<br \/>\nO ex-secret\u00e1rio acrescenta:<\/p>\n<p>\u2014 O dom\u00ednio que a Petrobras tem e a possibilidade de interfer\u00eancia faz com que ningu\u00e9m invista em refinaria no Brasil.<\/p>\n<p>Unidades n\u00e3o alcan\u00e7am 100% da capacidade<br \/>\nVal\u00e9ria Lima, diretora-executiva de Downstream (mercado de derivados) do Instituto Brasileiro de Petr\u00f3leo e G\u00e1s (IBP), afirma que as refinarias do pa\u00eds hoje operam com cerca de 88% da sua capacidade.<\/p>\n<p>\u00c9 um valor, inclusive, superior aos pares internacionais. \u00c9 preciso importar diesel, por exemplo, diante da predomin\u00e2ncia do modal rodovi\u00e1rio no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u2014 A gente almejar a atender 100% da demanda nacional para derivados n\u00e3o \u00e9 fact\u00edvel. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds aberto, com muita rela\u00e7\u00e3o comercial. Essa coisa de achar que vai ser um pa\u00eds fechado, sem importar nada, n\u00e3o conversa com essa economia aberta que a gente tem \u2014 afirma Val\u00e9ria.<\/p>\n<p>A executiva do IBP continua:<\/p>\n<p>\u2014 Mesmo se a gente fosse uma economia auto suficiente, n\u00e3o vai ter ningu\u00e9m querendo investir aqui se n\u00e3o tiver a mesma margem que ele tem no exterior. N\u00e3o se pode perder o norte dos pre\u00e7os internacionais. A gente nunca vai importar zero.<\/p>\n<p>Val\u00e9ria tamb\u00e9m n\u00e3o v\u00ea espa\u00e7o para constru\u00e7\u00e3o de novas refinarias do zero. Esse tipo de empreendimento demora para ser amortizado e come\u00e7ar a dar retorno e n\u00e3o h\u00e1 mais tempo para isso, segunda ela, por conta da urg\u00eancia da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>Das oito unidades, a Petrobras conseguiu vender apenas tr\u00eas. A maior delas foi a Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia, para o fundo \u00e1rabe Mubadala por US$ 1,65 bilh\u00e3o. A unidade, rebatizada de Mataripe, responde, sozinha, por 14% de toda a capacidade de refino do Brasil.<\/p>\n<p>Para M\u00e1rcio Couto, coordenador de pesquisa da FGV Energia, esse processo foi prejudicado pela pandemia de Covid-19, mas ser\u00e1 retomado.<\/p>\n<p>\u2014 De uma maneira geral, o que se espera \u00e9 que esses novos agentes aumentem a produ\u00e7\u00e3o em termos de derivado, atendendo melhor os mercados que precisam de algum tipo de complementa\u00e7\u00e3o de demanda \u2014 disse.<\/p>\n<p>Couto tamb\u00e9m recha\u00e7a o controle de pre\u00e7os e lembra que a arrecada\u00e7\u00e3o de Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios disparou com as receitas de petr\u00f3leo. Como o GLOBO mostrou, depois de bater recorde em 2021, a arrecada\u00e7\u00e3o de Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios com a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo deve terminar o ano com um novo salto de 58,9%, para R$ 118,7 bilh\u00f5es, segundo proje\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo (ANP).<\/p>\n<p>\u2014 A discuss\u00e3o agora deveria ser como usar esse dinheiro que Uni\u00e3o, estado e munic\u00edpios t\u00eam por conta da alta do petr\u00f3leo. Como usar esse dinheiro para pol\u00edtica p\u00fablica adequada, para aumentar o bem-estar da popula\u00e7\u00e3o. Se houver um investimento bem gasto, tem ganhos enormes para a sociedade, muito maiores que o congelamento de pre\u00e7os \u2014 disse.<\/p>\n<p>Fonte: O Globo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O novo reajuste do \u00f3leo diesel, de 8,87%, anunciado pela Petrobras para entrar em vigor hoje nas refinarias, n\u00e3o foi concedido apenas para que houvesse&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":39145,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-39144","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39144","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39144"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39144\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39146,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39144\/revisions\/39146"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39145"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39144"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39144"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39144"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}