{"id":38331,"date":"2022-03-17T09:33:05","date_gmt":"2022-03-17T12:33:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=38331"},"modified":"2022-03-17T09:33:05","modified_gmt":"2022-03-17T12:33:05","slug":"inflacao-br-do-mar-pode-combater-alta-nos-precos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/inflacao-br-do-mar-pode-combater-alta-nos-precos\/","title":{"rendered":"Infla\u00e7\u00e3o: BR do Mar pode combater alta nos pre\u00e7os"},"content":{"rendered":"<p>J\u00e1 virou rotina na vida do consumidor brasileiro chegar ao supermercado e se deparar com grandes oscila\u00e7\u00f5es de pre\u00e7os das mercadorias. Uma semana \u00e9 porque choveu muito em determinada regi\u00e3o e as estradas ficaram intransit\u00e1veis; outra por conta do reajuste dos combust\u00edveis. Houve at\u00e9 uma greve nacional de caminhoneiros que paralisou o pa\u00eds durante 10 dias em 2018 afetando os pre\u00e7os dos g\u00eaneros aliment\u00edcios. Tudo \u00e9 motivo para encarecer os produtos nas prateleiras.<\/p>\n<p>E isso acontece porque a economia nacional \u00e9 altamente dependente do sistema rodovi\u00e1rio para o escoamento dos seus mais variados tipos de cargas. Estima-se que o setor responde por 65% de tudo que \u00e9 transportado no pa\u00eds, segundo a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Transportes (CNT). Esse cen\u00e1rio deixa o pa\u00eds mais vulner\u00e1vel \u00e0 alta dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis e \u00e0s p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es da malha vi\u00e1ria, que provocam acidentes, atrasam o deslocamento e aumentam em 27% os gastos com manuten\u00e7\u00e3o de caminh\u00f5es.<\/p>\n<p>Recentemente, foram sancionadas a lei 14.273\/21 (Marco Legal das Ferrovias), que permite a iniciativa privada explorar e construir ferrovias sem precisar enfrentar as terr\u00edveis burocracias; e a lei 14.301\/22 (BR do Mar), que flexibiliza as regras para o transporte de cargas por embarca\u00e7\u00f5es estrangeiras na nossa costa. Essas duas iniciativas prometem fazer uma grande transforma\u00e7\u00e3o no transporte de cargas no pa\u00eds, permitindo maior equil\u00edbrio entre os diferentes modais. E o tamanho desse impacto pode ser medido pelos custos log\u00edsticos que representam 12% do Produto Interno Bruto (PIB).<\/p>\n<p>Em outro artigo, no ano passado, escrevi sobre o Marco Legal das Ferrovias (https:\/\/bityli.com\/UjugY) e hoje quero abordar o tema da BR do Mar, que vai abrir uma nova rota mar\u00edtima para escoamento de cargas. No Brasil, a cabotagem \u00ad \u2013  transporte de cargas entre os portos brasileiros \u2013 responde por apenas 11% da carga total em territ\u00f3rio nacional. Isso num pa\u00eds com mais de 8 mil km de litoral. Antes restrita \u00e0 opera\u00e7\u00e3o por empresas brasileiras com navios pr\u00f3prios, a cabotagem abre agora para navios estrangeiros. A proje\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia ser melhor: o volume de cargas brasileiras transportadas por vias mar\u00edtimas pode chegar a 30%.<\/p>\n<p>A nova lei de cabotagem promete trazer muitos benef\u00edcios, como a redu\u00e7\u00e3o do custo do transporte, produtos mais baratos, menor custo Brasil, mais competitividade, aumento da produtividade e menor impacto ambiental. E os n\u00fameros d\u00e3o a dimens\u00e3o da import\u00e2ncia do transporte mar\u00edtimo. Segundo o BNDES, o custo m\u00e9dio de transporte de carga por tonelada \u00e9  4,5 vezes mais barato via cabotagem do que pelas rodovias, levando-se em considera\u00e7\u00e3o uma dist\u00e2ncia de mil quil\u00f4metros. No caso do meio ambiente, o ganho \u00e9 com a redu\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o de g\u00e1s carb\u00f4nico, que chega a ser cinco vezes menor via cabotagem.<\/p>\n<p>No estado do Rio de Janeiro, as vantagens podem ser ainda maiores com a gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda. A costa fluminense tem 636 km de extens\u00e3o (8,6% do total brasileiro) e conta com 27% de seus munic\u00edpios voltados para o mar, com uma popula\u00e7\u00e3o de aproximadamente 11 milh\u00f5es de pessoas (67% da popula\u00e7\u00e3o do Rio). Aqui temos dois portos \u2013 Rio e Itagua\u00ed \u2013 entre os 10 maiores portos p\u00fablicos em movimenta\u00e7\u00e3o de cargas no pa\u00eds (2021). E tem tudo para aumentar ainda mais esse volume. Ou seja, temos um grande potencial para o desenvolvimento da economia do mar, que pode gerar muitos neg\u00f3cios e oportunidades. <\/p>\n<p>O setor de \u00f3leo e g\u00e1s ser\u00e1 um dos mais beneficiados com a nova lei. Um estudo da Firjan (Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado do Rio de Janeiro) aponta que at\u00e9 2030 devem entrar em opera\u00e7\u00e3o 57 unidades de explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s. E, com o aumento da produ\u00e7\u00e3o offshore, ser\u00e1 necess\u00e1ria a constru\u00e7\u00e3o de mais embarca\u00e7\u00f5es de apoio, que poder\u00e3o ser encomendadas aos nossos estaleiros. Afinal, o estado do Rio concentra 55% dos estaleiros brasileiros.<\/p>\n<p>Chegou a hora de o Brasil corrigir um erro hist\u00f3rico e seguir na mesma dire\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses desenvolvidos, que privilegiam o transporte mar\u00edtimo com 80% das cargas movimentadas mundialmente por esse modal. \u00c9 inadmiss\u00edvel que as rodovias, num pa\u00eds de tamanho continental com mais de 8,5 milh\u00f5es de km\u00b2, sejam o principal meio de transporte para levar sua safra e diversos outros produtos \u00e0s mais distantes regi\u00f5es do pa\u00eds. Sem d\u00favida, com a BR do Mar (e tamb\u00e9m com o Marco Legal das Ferrovias) teremos num futuro n\u00e3o muito distante um mercado mais pujante e eficiente, capaz de oferecer aos brasileiros pre\u00e7os mais justos e produtos mais baratos.<\/p>\n<p>Fonte: Di\u00e1rio do Rio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 virou rotina na vida do consumidor brasileiro chegar ao supermercado e se deparar com grandes oscila\u00e7\u00f5es de pre\u00e7os das mercadorias. 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