{"id":38024,"date":"2022-02-23T08:30:43","date_gmt":"2022-02-23T11:30:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=38024"},"modified":"2022-02-23T02:19:29","modified_gmt":"2022-02-23T05:19:29","slug":"proantar-quatro-decadas-da-presenca-brasileira-no-continente-gelado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/proantar-quatro-decadas-da-presenca-brasileira-no-continente-gelado\/","title":{"rendered":"PROANTAR: Quatro d\u00e9cadas da presen\u00e7a brasileira no continente gelado"},"content":{"rendered":"<p>No ano em que se comemora o 40\u00ba anivers\u00e1rio do Programa Ant\u00e1rtico Brasileiro (PROANTAR), a Marinha do Brasil (MB) retomou os projetos de pesquisa na Ant\u00e1rtica, ap\u00f3s um ano de interrup\u00e7\u00e3o devido \u00e0 pandemia da Covid-19. O Programa \u00e9 uma importante iniciativa voltada para o desenvolvimento de estudos cient\u00edficos nacionais realizados no continente gelado e foi criado no ano de 1982, em conformidade com os compromissos internacionais assumidos na ades\u00e3o ao Tratado Ant\u00e1rtico, um acordo de coopera\u00e7\u00e3o entre pa\u00edses interessados na regi\u00e3o. <\/p>\n<p>De acordo com o Secret\u00e1rio da Comiss\u00e3o Interministerial para os Recursos do Mar, Contra-Almirante Marco Ant\u00f4nio Linhares Soares, a Ant\u00e1rtica \u00e9 um laborat\u00f3rio \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da pesquisa em colabora\u00e7\u00e3o com os demais pa\u00edses que aderiram a essa miss\u00e3o. \u201cAssinamos o Tratado para fazer muita pesquisa de qualidade e isso j\u00e1 vem sendo feito ao longo desses 40 anos com a participa\u00e7\u00e3o de in\u00fameras institui\u00e7\u00f5es de pesquisas e universidades\u201d.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a no continente branco \u00e9 estrat\u00e9gica por motivos geopol\u00edticos, cient\u00edficos e ambientais. Cerca de 20 pesquisas est\u00e3o sendo realizadas atualmente nas \u00e1reas de ci\u00eancias da vida, ci\u00eancias atmosf\u00e9ricas, ci\u00eancias do mar e ci\u00eancias da terra. <\/p>\n<p>Um exemplo de avan\u00e7o nas pesquisas foi a evolu\u00e7\u00e3o da carta n\u00e1utica utilizada no pr\u00f3prio trajeto at\u00e9 a Ant\u00e1rtica, dando mais seguran\u00e7a aos navios, suas tripula\u00e7\u00f5es e aos cientistas que embarcam nos navios. \u201cN\u00f3s tivemos um ganho muito grande com a previs\u00e3o num\u00e9rica que utilizamos na travessia do Drake, que \u00e9 um estreito de mar muito dif\u00edcil para a navega\u00e7\u00e3o. Poucas \u00e1reas da regi\u00e3o eram cartografadas, mas foram feitas in\u00fameras cartas n\u00e1uticas utilizando os equipamentos em ambientes diferentes e com isso houve um ganho muito grande\u201d, disse o Contra-Almirante Linhares.<\/p>\n<p>O primeiro coordenador cient\u00edfico da Opera\u00e7\u00e3o Ant\u00e1rtica (OPERANTAR), Paulo Eduardo Aguiar Saraiva C\u00e2mara, que \u00e9 bi\u00f3logo e professor do Departamento de Bot\u00e2nica da Universidade de Bras\u00edlia, afirma que o Brasil tem um comprometimento s\u00e9rio e definitivo com a regi\u00e3o da Ant\u00e1rtica. \u201cO continente gelado soma 14 milh\u00f5es de km2 e as maiores reservas de \u00e1gua doce do mundo. Cerca de 70% est\u00e3o na Ant\u00e1rtica e n\u00e3o na Amaz\u00f4nia, como muitos podem pensar. As maiores reservas de petr\u00f3leo, de ouro, de diamante tamb\u00e9m est\u00e3o l\u00e1. O Brasil fala de igual pra igual com as grandes na\u00e7\u00f5es do mundo, podemos opinar sobre o uso dessas riquezas, temos o direito a voz e voto. E por que temos isso? Porque fazemos pesquisa. N\u00e3o adianta o Brasil ir para Ant\u00e1rtica sem fazer pesquisa e n\u00e3o adianta a gente querer fazer pesquisa sem o apoio log\u00edstico da Marinha\u201d, afirmou o professor Paulo.<\/p>\n<p>Para realizar as opera\u00e7\u00f5es ant\u00e1rticas, a Marinha coordena um planejamento minucioso, sendo respons\u00e1vel pelo transporte, alimenta\u00e7\u00e3o, alojamentos, vestimentas especiais e manuten\u00e7\u00e3o de equipes na base cient\u00edfica. A OPERANTAR XL teve in\u00edcio no dia 6 de outubro de 2021, com o suspender do Navio de Apoio Oceanogr\u00e1fico (NApOc) \u201cAry Rongel\u201d e, posteriormente, com o Navio Polar (NPo) \u201cAlmirante Maximiano\u201d, que iniciou a sua comiss\u00e3o em 14 de novembro de 2021. O t\u00e9rmino da opera\u00e7\u00e3o est\u00e1 previsto para 13 de abril de 2022, com o retorno dos navios para o Rio de Janeiro.<\/p>\n<p><strong>Amplia\u00e7\u00e3o de pesquisas<\/strong><br \/>\nUma novidade na \u00e1rea de pesquisas para este ano \u00e9 a destina\u00e7\u00e3o de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (FNDCT) para o PROANTAR e para a base de pesquisa Criosfera 2, que s\u00e3o prioridades do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00f5es (MCTI). O an\u00fancio foi feito na abertura do \u201cIII Simp\u00f3sio do Programa Ci\u00eancia Ant\u00e1rtica MCTI: 40 anos de pesquisa cient\u00edfica do PROANTAR\u201d, realizado neste m\u00eas.<\/p>\n<p>Durante o evento, o Ministro do MCTI, Marcos Pontes, declarou que os 40 anos do PROANTAR s\u00e3o um marco a ser comemorado pelo Brasil e pelo planeta. \u201cTemos de ampliar cada vez mais a pesquisa no continente Ant\u00e1rtico\u201d. Segundo ele, a prioridade do MCTI \u00e9 aumentar a pesquisa e a capacidade dos laborat\u00f3rios na Ant\u00e1rtica, com o Criosfera 2, al\u00e9m de ampliar o n\u00famero de bolsas de pesquisa dispon\u00edveis. A libera\u00e7\u00e3o de recursos para a ci\u00eancia pelo FNDCT deve garantir apoio financeiro para a continuidade dos projetos de pesquisa do PROANTAR para os pr\u00f3ximos tr\u00eas anos. <\/p>\n<p>Al\u00e9m do MCTI e da Marinha do Brasil, o programa conta, tamb\u00e9m, com outros membros na Comiss\u00e3o Interministerial para os Recursos do Mar, entre eles os Minist\u00e9rios das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores; do Meio Ambiente; da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica; Defesa; Economia; Infraestrutura; Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento; Educa\u00e7\u00e3o; Cidadania; Sa\u00fade; Minas e Energia; Turismo; Desenvolvimento Regional e Casa Civil. Al\u00e9m desses \u00f3rg\u00e3os, s\u00e3o parceiros do PROANTAR a For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira, a Petrobras, a Universidade Federal do Rio Grande, a empresa OI e a Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz.<\/p>\n<p><strong>Novo Navio de Apoio Ant\u00e1rtico e Aeronaves UH-17<\/strong><br \/>\nEm outubro de 2021, o Estaleiro Jurong Aracruz\/SEMBCORP foi anunciado como a melhor oferta para construir o novo Navio de Apoio Ant\u00e1rtico (NApAnt). A constru\u00e7\u00e3o do navio, que ser\u00e1 conduzida pela Empresa Gerencial de Projetos Navais (EMGEPRON), proporcionar\u00e1 incentivo ao desenvolvimento tecnol\u00f3gico e \u00e0 ind\u00fastria naval brasileira.<\/p>\n<p>tualmente, o \u201cAry Rongel\u201d e o \u201cAlmirante Maximiano\u201d contribuem para a pesquisa, transportando pessoal e equipamentos, produzindo cartas n\u00e1uticas e coletando amostras cient\u00edficas. O NApAnt potencializar\u00e1 a pesquisa cient\u00edfica e fortalecer\u00e1 a presen\u00e7a estrat\u00e9gica do Brasil no continente gelado.<\/p>\n<p>Para somar esfor\u00e7os junto aos navios, o 1\u00ba Esquadr\u00e3o de Helic\u00f3pteros de Emprego Geral realizou o primeiro voo na Ant\u00e1rtica, em novembro de 2021, com as rec\u00e9m-adquiridas aeronaves UH-17. Os \u201c\u00c1guias\u201d 7090 e 7091, org\u00e2nicos do NPo \u201cAlmirante Maximiano\u201d, foram lan\u00e7ados para permitir a ambienta\u00e7\u00e3o dos tripulantes nos voos em regi\u00f5es de clima frio, realizar reconhecimento dos pontos de interesse nas proximidades da Esta\u00e7\u00e3o Ant\u00e1rtica Comandante Ferraz, e qualifica\u00e7\u00e3o e requalifica\u00e7\u00e3o de pouso a bordo com o NApOc \u201cAry Rongel\u201d. <\/p>\n<p>As duas aeronaves s\u00e3o as primeiras de um total de tr\u00eas UH-17, adquiridas junto \u00e0 Airbus Helicopters, com o objetivo de cooperar e ampliar a capacidade das opera\u00e7\u00f5es a\u00e9reas no PROANTAR.<\/p>\n<p><strong>Esta\u00e7\u00e3o Ant\u00e1rtica Comandante Ferraz <\/strong><br \/>\nA estrutura da Esta\u00e7\u00e3o Ant\u00e1rtica Comandante Ferraz (EACF) foi reinaugurada em 15 de janeiro de 2020 e possui um complexo de mais de 4,5 mil m\u00b2. Aproximadamente 4 mil integrantes de equipes cient\u00edficas j\u00e1 passaram pelo PROANTAR. <\/p>\n<p>A estrutura do Brasil est\u00e1 localizada na Pen\u00ednsula Keller, na Ilha Rei George, no arquip\u00e9lago das Shetland do Sul. Com um projeto arquitet\u00f4nico moderno e 17 laborat\u00f3rios, a EACF est\u00e1 dividida em seis setores e tem um funcionamento sustent\u00e1vel, com o reaproveitamento de \u00e1gua e utiliza\u00e7\u00e3o de energias renov\u00e1veis. Atualmente, a esta\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 considerada umas das mais seguras e modernas da regi\u00e3o e, mesmo com a pandemia da Covid-19, a EACF nunca parou. O grupo-base formado por militares da Marinha mant\u00e9m a Esta\u00e7\u00e3o funcionado todo o tempo. <\/p>\n<p>Um bom exemplo de experi\u00eancia \u00e9 a do Capit\u00e3o de Corveta (Md) Jarbas de Souza Salmont J\u00fanior, que j\u00e1 participou tr\u00eas vezes da OPERANTAR e realiza atendimentos na \u00e1rea de sa\u00fade. \u201cA parceria da Marinha com os pesquisadores \u00e9 extremamente proveitosa e amig\u00e1vel. Todos os tripulantes da Esta\u00e7\u00e3o Ant\u00e1rtica e das esta\u00e7\u00f5es vizinhas t\u00eam acesso ao atendimento m\u00e9dico na nossa esta\u00e7\u00e3o. O atendimento \u00e9 sob livre demanda e n\u00f3s temos uma enfermaria bem equipada e preparada para estabilizarmos um paciente grave at\u00e9 sua remo\u00e7\u00e3o\u201d, exemplificou.<\/p>\n<p> Fonte: Ag\u00eancia Marinha de Not\u00edcias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No ano em que se comemora o 40\u00ba anivers\u00e1rio do Programa Ant\u00e1rtico Brasileiro (PROANTAR), a Marinha do Brasil (MB) retomou os projetos de pesquisa na&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":38025,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-38024","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38024","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38024"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38024\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":38026,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38024\/revisions\/38026"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/38025"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38024"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38024"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38024"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}