{"id":38022,"date":"2022-02-23T08:30:57","date_gmt":"2022-02-23T11:30:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=38022"},"modified":"2022-02-23T02:14:36","modified_gmt":"2022-02-23T05:14:36","slug":"gigante-da-logistica-suspende-operacao-no-brasil-e-gera-alerta-no-agro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/gigante-da-logistica-suspende-operacao-no-brasil-e-gera-alerta-no-agro\/","title":{"rendered":"Gigante da log\u00edstica suspende opera\u00e7\u00e3o no Brasil e gera alerta no agro"},"content":{"rendered":"<p>A MSC, l\u00edder no mercado de frete mar\u00edtimo internacional, anunciou a suspens\u00e3o por tempo indeterminado de suas opera\u00e7\u00f5es de estufagem de cont\u00eaineres e transporte terrestre no Brasil. A decis\u00e3o foi tomada em meio a um cen\u00e1rio de custos de frete em patamares recordes e dificuldades para obter escalas de embarque e cont\u00eaineres para exporta\u00e7\u00e3o. Desde o in\u00edcio deste ano, os exportadores brasileiros est\u00e3o preocupados com o problema, que j\u00e1 vinha prejudicando o embarque e desembarque de bens e mercadorias nos portos brasileiros.<\/p>\n<p>Em comunicado enviado a clientes, ao qual Globo Rural teve acesso, datado de 14 de janeiro, a empresa informa que a decis\u00e3o tem efeito imediato. E relaciona a medida a quest\u00f5es relacionadas \u00e0 seguran\u00e7a nas opera\u00e7\u00f5es portu\u00e1rias.<\/p>\n<p>&#8220;A a\u00e7\u00e3o de criminosos que interceptam o transporte de cont\u00eaineres para promover o com\u00e9rcio il\u00edcito de drogas, vitimando, entre tantos, a n\u00f3s, nossos clientes, e aos nossos parceiros, tem se mostrado uma grande amea\u00e7a \u00e0s nossas atividades&#8221;, diz a empresa, no comunicado enviado a clientes.<\/p>\n<p>A medida da empresa se estende a outros pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul. A Globo Rural entrou em contato com a MSC para entender as raz\u00f5es que levaram a companhia a tomar a decis\u00e3o de suspender as opera\u00e7\u00f5es em terra, mas a empresa n\u00e3o se pronunciou.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o, no entanto, trouxe preocupa\u00e7\u00e3o e mais incerteza entre representantes do setor log\u00edstico e de com\u00e9rcio exterior. \u201cNingu\u00e9m estava preparado para essa medida e n\u00e3o sabemos se houve entendimentos pr\u00e9vios com rela\u00e7\u00e3o aos \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a, que \u00e9 a quem cabe essa parte\u201d, afirma o diretor da Associa\u00e7\u00e3o de Com\u00e9rcio Exterior do Brasil, Alu\u00edsio Sobreira.  <\/p>\n<p>Segundo ele, trata-se de uma situa\u00e7\u00e3o \u201cat\u00edpica e inesperada, da qual n\u00e3o se tem todas as informa\u00e7\u00f5es\u201d. \u201c\u00c9 uma decis\u00e3o que a gente entende que pode a vir impactar os custos do transporte, dado que \u00e9 de conhecimento p\u00fablico e geral que o transporte de cont\u00eainer \u00e9 realizado por poucos players, normalmente grandes transportadoras\u201d, avalia Sobreira.<\/p>\n<p>O diretor de Com\u00e9rcio Exterior da C\u00e2mara de Com\u00e9rcio, Ind\u00fastria e Servi\u00e7os do Brasil (Cisbra), Arno Gleisner, tamb\u00e9m prev\u00ea impactos na cadeia log\u00edstica nacional nos pr\u00f3ximos meses ap\u00f3s a suspens\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es da MSC.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s entendemos a posi\u00e7\u00e3o da empresa como uma preocupa\u00e7\u00e3o e press\u00e3o para que deixe de acontecer a utiliza\u00e7\u00e3o dos cont\u00eaineres para o embarque de drogas, mas gostar\u00edamos e preferir\u00edamos que isso tivesse sido feito de uma forma diferente, porque ela realmente complica a exporta\u00e7\u00e3o e vai fazer com que empresas brasileiras tenham menos op\u00e7\u00f5es de embarques de suas mercadorias\u201d, destaca Gleisner.<\/p>\n<p>Segundo ele, o agro tende a ser o setor mais afetado em fun\u00e7\u00e3o da diversidade de produtos exportados por cont\u00eaineres \u2013 entre eles carnes, frutas, caf\u00e9, a\u00e7\u00facar e madeira.<\/p>\n<p><strong>Sem conversa<\/strong><br \/>\nCliente da MSC, a Caf\u00e9 Labareda tinha cerca de 15 conteineres programados pra serem embarcados quando a empresa anunciou a suspens\u00e3o das suas opera\u00e7\u00f5es em terra. Al\u00e9m da correria para encontrar novos fornecedores no servi\u00e7o de entrega at\u00e9 o porto e estufagem, o diretor comercial da Caf\u00e9 Labareda, Gabriel Lancha Alves Oliveira, conta que os transtornos gerados pela decis\u00e3o da MSC peduram at\u00e9 hoje. &#8220;Dos conteineres que j\u00e1 tinham sido enviados pra Santos, n\u00f3s n\u00e3o estamos conseguindo receber as documenta\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o esse acesso e essa comunica\u00e7\u00e3o que antes era f\u00e1cil e \u00e1gil travou&#8221;, afirma o executivo.<\/p>\n<p>A dificuldade na comunica\u00e7\u00e3o preocupa a Caf\u00e9 Labareda, que tem enfrentado dificuldades para receber, entre outros documentos, o &#8220;Bill of Land&#8221; (ou &#8220;BL&#8221;), que comprova que o produto exportado foi entregue no porto. Na exporta\u00e7\u00e3o do tipo FOB (Free on Board), a mais comum no setor, o documento \u00e9 necess\u00e1rio para comprovar a execu\u00e7\u00e3o do contrato e solicitar o pagamento pela carga exportada. &#8220;Se eu vou fazer o c\u00e2mbio com o banco, o banco pede esse docmento para travar o pre\u00e7o. \u00c9 um documento que comprova o recebimento&#8221;, explica Oliveira.<\/p>\n<p>Nos servi\u00e7os de frete mar\u00edtimos j\u00e1 contratados, e que ainda est\u00e3o sendo prestados pela MSC, o diretor comercial da Caf\u00e9 Labareda diz que tamb\u00e9m enfrenta problemas. &#8220;Eu n\u00e3o consigo agendar alguns navios j\u00e1 pr\u00e9-datados com eles, e ningu\u00e9m responde. Quando responde, \u00e0s vezes, n\u00e3o d\u00e1 o pre\u00e7o. Quando d\u00e1 pre\u00e7o, eu vou fechar, n\u00e3o respondem confirmando agendamento. \u00c9 um problema grave&#8221;, reclama o exportador, ao ressaltar que a empresa j\u00e1 est\u00e1 buscando novos fornecedores para substituir a MSC em suas opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Era um servi\u00e7o que eles prestavam que n\u00e3o era o core business deles, o foco deles \u00e9 ter o transatl\u00e2ntico, colocar o navio e fretar at\u00e9 o destino. E hoje eles est\u00e3o ganhando muito dinheiro com isso e focaram s\u00f3 nisso&#8221;, avalia Oliveira.<\/p>\n<p><strong>Contamina\u00e7\u00e3o \u00e9 problema antigo<\/strong><br \/>\nO agroneg\u00f3cio est\u00e1 entre os principais setores atingidos por contamina\u00e7\u00f5es de carga, segundo profissionais que atuam na \u00e1rea de com\u00e9rcio exterior e no controle de fronteiras. \u201cTemos com\u00e9rcio com 215 pa\u00edses do mundo, e mais de 50% da nossa carga \u00e9 de origem agropecu\u00e1ria. Ent\u00e3o, naturalmente, vai ser uma carga muito contaminada. N\u00e3o que outras cargas n\u00e3o sejam, mas a carga de predile\u00e7\u00e3o em termos de proporcionalidade \u00e9 a agropecu\u00e1ria\u201d, conta um deles. \u201cHouve um incremento disso, \u00e9 percept\u00edvel\u201d, afirma.<\/p>\n<p>egundo o diretor-executivo da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Terminais Retroportu\u00e1rios e das Transportadoras de Cont\u00eaineres (ABTTC), Wagner Souza, a contamina\u00e7\u00e3o de cont\u00eaineres com drogas \u00e9 um problema antigo do setor e que j\u00e1 vinha sendo enfrentado. \u201cTemos percebido que eles [traficantes] v\u00eam aperfei\u00e7oado os m\u00e9todos de contaminar cont\u00eainer e enviar drogas ao destino final. Ent\u00e3o, estamos sempre correndo atr\u00e1s para entender que novidades est\u00e3o sendo implementadas para aperfei\u00e7oar o controle e ser mais efetivo\u201d, destaca o executivo.<\/p>\n<p>A\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Federal (PF) com apreens\u00f5es de drogas em cont\u00eaineres t\u00eam sido recorrentes. Em uma delas, realizada no Paran\u00e1, no dia 28 de janeiro, foram cumpridos oito mandados de pris\u00e3o tempor\u00e1ria e nove mandados de busca e apreens\u00e3o em Paranagu\u00e1, Matinhos (munic\u00edpio no litoral do Estado) e Piraquara, na regi\u00e3o metropolitana de Curitiba.<\/p>\n<p>&#8220;Os investigados s\u00e3o respons\u00e1veis por fornecer informa\u00e7\u00f5es privilegiadas sobre posi\u00e7\u00f5es, rotas e cargas dos cont\u00eaineres para subsidiar organiza\u00e7\u00f5es criminosas em a\u00e7\u00f5es no Porto de Paranagu\u00e1, al\u00e9m de movimentarem os cont\u00eaineres de forma a possibilitar a inser\u00e7\u00e3o dos carregamentos de coca\u00edna dentro do p\u00e1tio do terminal portu\u00e1rio&#8221;, informou, em nota, a superintend\u00eancia da (PF) no Paran\u00e1.<\/p>\n<p>Quem contamina os cont\u00eaineres n\u00e3o considera, necessariamente, o conte\u00fado, mas o destino. Segundo um agente federal que atua no controle de fronteiras, entre as rotas mais cobi\u00e7adas pelos traficantes est\u00e3o as que v\u00e3o para os portos europeus de Antu\u00e9rpia, na B\u00e9lgica, Algeciras, na Espanha, e Roterd\u00e3, na Holanda.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um problema que sempre existiu e agora est\u00e1 sendo mais exposto e mais divulgado. O que eu j\u00e1 ouvi de funcion\u00e1rio dessa e outras empresas \u00e9 que isso est\u00e1 manchando o nome deles, prejudicando clientes que n\u00e3o t\u00eam nada a ver com a situa\u00e7\u00e3o\u201d, observa o agente.<\/p>\n<p>\u201cHoje, h\u00e1 um fen\u00f4meno que contribui de maneira indireta: a falta de cont\u00eaineres no mundo. E a Am\u00e9rica do Sul participa muito pouco do mercado global de movimenta\u00e7\u00e3o de cont\u00eaineres. A empresa tem como redirecionar o cont\u00eainer dela para qualquer outro canto do mundo e continuar tendo lucratividade com baixo risco. Por isso, n\u00e3o \u00e9 uma coisa pontual, tem uma estrutura maior por tr\u00e1s dessa decis\u00e3o\u201d, avalia o profissional.<\/p>\n<p><strong>&#8216;Recado&#8217; para exportadores brasileiros<\/strong><br \/>\nNa avalia\u00e7\u00e3o do diretor-executivo da ABTTC, a decis\u00e3o da MSC pode ser um recado para os exportadores brasileiros ficarem mais atentos ao contratar servi\u00e7os log\u00edsticos. \u201cEu penso que a decis\u00e3o foi tomada para trazer ao debate, principalmente dos exportadores, que eles precisam participar mais do processo log\u00edstico e escolher melhor seus prestadores de servi\u00e7o. N\u00f3s acompanhamos e vemos muitos exportadores que contratam empresas que sequer t\u00eam autoriza\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o aduaneiro para fazer o processo de exporta\u00e7\u00e3o e isso \u00e9 um risco tremendo\u201d, pontua Souza.<\/p>\n<p>Gleisner, da Cisbra, reconhece que h\u00e1 \u201celos fracos\u201d na fiscaliza\u00e7\u00e3o e controle das cargas exportadas pelo Brasil. \u201cEsses elos fracos n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 na Pol\u00edcia. As pr\u00f3prias empresas t\u00eam que examinar isso com seu pessoal especializado em log\u00edstica e com seus parceiros e fazer o trabalho de fiscaliza\u00e7\u00e3o para saber onde est\u00e3o os pontos fracos e ajudar para que eles deixem de ser locais em que h\u00e1 introdu\u00e7\u00e3o de drogas \u2013 seja no dep\u00f3sito, seja no transporte de caminh\u00e3o\u201d, ressalta o executivo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das consequ\u00eancias legais de ter uma carga contaminada com drogas, as empresas v\u00edtimas desse tipo de crime ainda enfrentam os custos milion\u00e1rios relacionados a tarifas e taxas cobradas pelo operador portu\u00e1rio durante o per\u00edodo em que a carga fica parada aguardando a per\u00edcia policial. \u201c\u00c9 preciso entender que quando uma carga dessas \u00e9 contaminada, muitas vezes o dono perde a carga, o seguro n\u00e3o quer arcar com as despesas e quem n\u00e3o tem nada a ver com aquilo ali e que \u00e9 prejudicado\u201d, afirma um agente de fiscaliza\u00e7\u00e3o, ao classificar como \u201cultrapassado\u201d o modelo adotado no Brasil.<\/p>\n<p>Procurados, a Pol\u00edcia Federal e a Receita Federal n\u00e3o retornaram os pedidos de entrevista enviados pela reportagem. O Centro Nacional de Navega\u00e7\u00e3o Transatl\u00e2ntica (Centronave), entidade que representa as empresas de navega\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m foi procurado, mas n\u00e3o se manifestou. <\/p>\n<p>Fonte: Globo Rural<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A MSC, l\u00edder no mercado de frete mar\u00edtimo internacional, anunciou a suspens\u00e3o por tempo indeterminado de suas opera\u00e7\u00f5es de estufagem de cont\u00eaineres e transporte terrestre&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":37520,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-38022","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38022","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38022"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38022\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":38023,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38022\/revisions\/38023"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37520"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38022"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38022"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38022"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}