{"id":36379,"date":"2021-11-03T10:06:25","date_gmt":"2021-11-03T13:06:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=36379"},"modified":"2021-11-03T10:06:25","modified_gmt":"2021-11-03T13:06:25","slug":"transicao-energetica-substituicao-do-petroleo-e-o-desafio-para-reducao-das-emissoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/transicao-energetica-substituicao-do-petroleo-e-o-desafio-para-reducao-das-emissoes\/","title":{"rendered":"Transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica: substitui\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo \u00e9 o desafio para redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Num mundo em transforma\u00e7\u00e3o, em que a sustentabilidade ganha cada vez mais relev\u00e2ncia, o futuro do petr\u00f3leo tem sido colocado em xeque. No caminho da descarboniza\u00e7\u00e3o e das medidas para limitar o aquecimento global, conforme previsto no Acordo de Paris, o produto \u2013 s\u00edmbolo da segunda revolu\u00e7\u00e3o industrial \u2013 ter\u00e1 de abrir espa\u00e7o a outras fontes de energia, menos poluentes e, em alguns casos, mais baratas. Ainda n\u00e3o h\u00e1 consenso sobre quando seria o pico de demanda do \u00f3leo, mas varia de 2030 a 2040. A partir dessa data, haveria o decl\u00ednio do uso. Mas essa redu\u00e7\u00e3o depende de uma s\u00e9rie de fatores, como a intensidade de empresas e governos na ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de diminui\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es. De acordo com relat\u00f3rio da Ag\u00eancia Internacional de Energia (IEA, na sigla em ingl\u00eas), para zerar as emiss\u00f5es de carbono em 2050, a demanda de petr\u00f3leo teria de cair 75%, para 24 milh\u00f5es de barris por dia. As previs\u00f5es da multinacional BP apontam para queda de 68% e, da Shell, de 20%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Petr\u00f3leo e G\u00e1s Natural (IBP).<\/p>\n<p><strong>Carbono zero<br \/>\n<\/strong>\u00c9 um cen\u00e1rio mais auspicioso, que mostra o caminho para zerar as emiss\u00f5es l\u00edquidas de carbono at\u00e9 2050 e limitar o aumento da temperatura global a 1,5\u00baC.<\/p>\n<p><strong>Cen\u00e1rio de pol\u00edticas declaradas<br \/>\n<\/strong>\u00c9 um cen\u00e1rio mais conservador e n\u00e3o considera que os pa\u00edses v\u00e3o atingir todas as metas anunciadas. Avalia at\u00e9 onde o sistema energ\u00e9tico pode chegar sem grandes interven\u00e7\u00f5es dos formuladores de pol\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>Opep<br \/>\n<\/strong>Cen\u00e1rio tra\u00e7ado pela Organiza\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Exportadores de Petr\u00f3leo (Opep), que prev\u00ea alta na demanda, pelo menos, at\u00e9 2045.<\/p>\n<p>As proje\u00e7\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Exportadores de Petr\u00f3leo (Opep), no entanto, apontam para aumento da demanda at\u00e9 2045. A explica\u00e7\u00e3o \u00e9 que o mundo precisar\u00e1 de petr\u00f3leo para fazer a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. E isso vai demandar investimentos. \u201cN\u00e3o h\u00e1 transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica sem a ind\u00fastria f\u00f3ssil, que tem densidade maior. Ela vai garantir a seguran\u00e7a energ\u00e9tica durante esse per\u00edodo, vai financiar a mudan\u00e7a\u201d, afirma a diretora executiva Corporativa do Instituto Brasileiro de Petr\u00f3leo e G\u00e1s (IBP), Cristina Pinho. Mesmo assim, ela entende que a demanda de petr\u00f3leo cair\u00e1 no futuro n\u00e3o s\u00f3 pela mudan\u00e7a de comportamento da sociedade, mas tamb\u00e9m pelas novas tecnologias que ser\u00e3o criadas. A executiva acredita que o pre\u00e7o do \u00f3leo estar\u00e1 mais estreito a partir de 2035, o que tornaria menos vi\u00e1vel a explora\u00e7\u00e3o de reservas mais dif\u00edceis e complexas. \u201cNo Pr\u00e9-Sal, at\u00e9 US$ 35 (o barril) ainda valeria a pena a explora\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>No Brasil, o fato de o pa\u00eds ter uma matriz mais limpa, por causa das hidrel\u00e9tricas, pode significar uma vida mais longa para a ind\u00fastria de petr\u00f3leo. Alguns segmentos v\u00e3o continuar precisando de \u00f3leo em suas produ\u00e7\u00f5es. Nesse cen\u00e1rio, o Pa\u00eds seria fornecedor de empresas ou de outras na\u00e7\u00f5es que n\u00e3o poderiam mais elevar suas emiss\u00f5es por causa das metas estabelecidas. Atualmente, segundo o IBP, 85% da matriz el\u00e9trica brasileira \u00e9 renov\u00e1vel, enquanto a m\u00e9dia mundial \u00e9 de 23%. Na matriz energ\u00e9tica &#8211; que inclui tamb\u00e9m o petr\u00f3leo -, a energia limpa representa 48% e no mundo, 14%. Segundo a s\u00f3cia fundadora da Catavento Consultoria, Clarissa Lins, nosso desafio est\u00e1 mais relacionado ao desmatamento do que revirar de ponta cabe\u00e7a a matriz el\u00e9trica. \u201cTemos a terceira matriz mais renov\u00e1vel do mundo, atr\u00e1s apenas de Isl\u00e2ndia e Noruega.\u201d<\/p>\n<p><strong>2020<br \/>\n<\/strong>In\u00edcio da trajet\u00f3ria para alcan\u00e7ar a meta de zerar as emiss\u00f5es de CO2 at\u00e9 2050 e limitar o aumento da temperatura em 1,5\u00ba C.<\/p>\n<p><strong>2030<br \/>\n<\/strong>Se as medidas forem adotadas, haver\u00e1 o acesso universal \u00e0 energia, todas as constru\u00e7\u00f5es ser\u00e3o carbono zero, 60% das vendas globais ser\u00e3o de carros el\u00e9tricos e haver\u00e1 um acr\u00e9scimo de 1.020 GW de energia solar e e\u00f3lica.<\/p>\n<p><strong>2050<br \/>\n<\/strong>Mais de 85% das constru\u00e7\u00f5es ser\u00e3o carbono zero, mais de 90% da produ\u00e7\u00e3o das ind\u00fastrias pesadas ser\u00e1 de baixa emiss\u00e3o e cerca de 70% da gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica ser\u00e1 solar e e\u00f3lica. Metade dos combust\u00edveis usados na avia\u00e7\u00e3o ser\u00e1 de baixa emiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do s\u00f3cio diretor de ind\u00fastria da consultoria Roland Berger, Marcus Ayres, uma dificuldade no caminho da redu\u00e7\u00e3o da demanda de petr\u00f3leo est\u00e1 associada aos grandes bols\u00f5es espalhados pelo mundo e que devem passar por desenvolvimento nos pr\u00f3ximos anos. \u201cNesse caso, \u00e9 complicado sair de um ponto X para outro mais avan\u00e7ado. A \u00cdndia vai aumentar sua frota de ve\u00edculos, mas ser\u00e1 a combust\u00e3o?\u201d, questiona o executivo. Para ele, o futuro do petr\u00f3leo passa tamb\u00e9m pela transforma\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de ind\u00fastrias que dependem do insumo \u2013 ou seus derivados \u2013 como mat\u00e9ria-prima, como \u00e9 o caso do setor qu\u00edmico, de cimentos, avia\u00e7\u00e3o e transporte mar\u00edtimo. Tudo isso influencia no mercado. \u201cA demanda por petr\u00f3leo vai existir por muitas d\u00e9cadas. O que temos de fazer \u00e9 encontrar alternativas para conviver com ela, uma vez que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o uma realidade\u201d, diz a presidente da Equinor no Brasil, Veronica Coelho.<\/p>\n<p>Uma sa\u00edda \u00e9 investir em solu\u00e7\u00f5es capazes de fazer a captura, o sequestro e o armazenamento das emiss\u00f5es de carbono \u2013 ou promover o reflorestamento. Ao mesmo tempo, \u00e9 preciso desenvolver novas tecnologias que suportem a demanda mundial por energia. \u201cDurante muito tempo as exig\u00eancias eram de faz de conta. Agora, muitos pa\u00edses tendem a for\u00e7ar as empresas a adotar planos concretos de redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es\u201d, afirma Helder Queiroz, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Na Uni\u00e3o Europeia, por exemplo, o plano \u00e9 que, a partir de 2035, todos os carros vendidos nos pa\u00edses do bloco tenham propuls\u00e3o el\u00e9trica, incentivando a extin\u00e7\u00e3o do motor a combust\u00e3o. Para abastecer essa frota, que pode chegar a 56 milh\u00f5es de carros vendidos em 2030, a aposta do mundo est\u00e1 na expans\u00e3o das fontes renov\u00e1veis como a energia e\u00f3lica e a solar. Ser\u00e3o necess\u00e1rios investimentos da ordem de US$ 4 trilh\u00f5es para atender \u00e0 demanda mundial.<\/p>\n<p>Durante muito tempo as exig\u00eancias eram de faz de conta. Agora, muitos pa\u00edses tendem a for\u00e7ar as empresas a adotar planos concretos de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es&#8221;. Segundo Monique Gon\u00e7alves, gerente s\u00eanior de Rela\u00e7\u00f5es Corporativas e Assuntos Regulat\u00f3rios da Shell Brasil, a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo da empresa atingiu o pico em 2019 e, a partir de agora, pode ter um decl\u00ednio de at\u00e9 2% ao ano. No mundo, a companhia ter\u00e1 nove pa\u00edses-chave na produ\u00e7\u00e3o do \u00f3leo. O Brasil \u00e9 um deles \u2013 no in\u00edcio do m\u00eas, o grupo ganhou a licita\u00e7\u00e3o de cinco blocos no Pa\u00eds.<\/p>\n<p>A BP tamb\u00e9m seguiu a mesma linha e decidiu reduzir a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo em 40%, ficando apenas com as reservas mais produtivas. \u201cEm 2020, definimos a nova estrat\u00e9gia que \u00e9 zero emiss\u00e3o de carbono em 2050. Isso inclui as emiss\u00f5es da nossa produ\u00e7\u00e3o, da mat\u00e9ria-prima que usamos e dos produtos que vendemos\u201d, diz o presidente da BP Brasil, Mario Lindenhayn.<\/p>\n<p>Na Petrobras, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente. A expectativa da empresa \u00e9 que at\u00e9 2040 haver\u00e1 aumento da demanda pelos combust\u00edveis f\u00f3sseis. Depois, haver\u00e1 um plat\u00f4 at\u00e9 2060 e queda em seguida. Isso porque as economias mais maduras v\u00e3o reduzir, mas os emergentes v\u00e3o continuar com demanda em alta, diz o diretor de Relacionamento Institucional e Sustentabilidade, Roberto Ardenghy. \u201cNosso princ\u00edpio \u00e9 que a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica vir\u00e1 de forma gradual\u201d, afirma o executivo, destacando que o volume de ativos relacionados ao petr\u00f3leo \u00e9 da ordem de US$ 23 trilh\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Petroleiras viram empresas de energia e apostam em e\u00f3licas e solar<br \/>\n<\/strong>Diante da press\u00e3o de governos, da sociedade e dos acionistas para reduzir as emiss\u00f5es de carbono, multinacionais antes reconhecidas como grandes petroleiras agora querem ser classificadas como empresas de energia. Para mudar o status, est\u00e3o investindo pesado em fontes renov\u00e1veis como contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 descarboniza\u00e7\u00e3o da economia. A lista inclui BP, Shell e Equinor, que apostam na expans\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o e\u00f3lica e solar e no desenvolvimento do hidrog\u00eanio para diversificar o portf\u00f3lio nos pr\u00f3ximos anos. \u201cAs empresas precisam sinalizar para seus acionistas que v\u00e3o continuar crescendo (mesmo num cen\u00e1rio de redu\u00e7\u00e3o de demanda do petr\u00f3leo)\u201d, diz o professor do Instituto de Economia da UFRJ, Helder Queiroz. Nesse aspecto, diz ele, o Estado precisa ter a capacidade de guiar o setor privado, dando sinais de que haver\u00e1 uma transforma\u00e7\u00e3o para uma economia de baixo carbono.<\/p>\n<p>Para alcan\u00e7ar a meta de zerar as emiss\u00f5es at\u00e9 2050, as energias renov\u00e1veis teriam de ocupar quase 90% da gera\u00e7\u00e3o global de eletricidade. A Shell, uma das empresas que t\u00eam promovido a diversifica\u00e7\u00e3o do portf\u00f3lio, apresentou aos acionistas seu plano de reduzir em 20% as emiss\u00f5es at\u00e9 2030, 45% at\u00e9 2035 e ter a neutralidade at\u00e9 2050. Al\u00e9m de descarbonizar os projetos existentes, a empresa vai investir US$ 3 bilh\u00f5es em energia renov\u00e1vel (15% do valor total de investimentos da empresa), como e\u00f3lica offshore (no mar), solar e biocombust\u00edvel (etanol de segunda gera\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>No Brasil, s\u00e3o cinco parques solares em Minas Gerais, al\u00e9m de projetos em an\u00e1lise de e\u00f3licas onshore (terra) e offshore. \u201cTamb\u00e9m estamos avaliando aquisi\u00e7\u00f5es de projetos (dessas fontes de energia) em desenvolvimento para acelerar a capacidade e o conhecimento no assunto. N\u00e3o temos tempo a perder\u201d, diz Monique Gon\u00e7alves, gerente s\u00eanior de Rela\u00e7\u00f5es Corporativas e Assuntos Regulat\u00f3rios da Shell Brasil. Segundo ela, o objetivo \u00e9 mudar o portf\u00f3lio e os rumos da empresa nesse novo cen\u00e1rio. Monique diz que plano da Shell \u00e9 alcan\u00e7ar a neutralidade de carbono at\u00e9 2050. A estrat\u00e9gia da BP vai na mesma dire\u00e7\u00e3o. A companhia j\u00e1 anunciou que vai mudar os focos dos investimentos e multiplicar por dez os recursos aplicados em energia renov\u00e1vel nos pr\u00f3ximos dez anos. Ser\u00e3o US$ 5 bilh\u00f5es investidos no mundo. A capacidade instalada dessas fontes vai saltar de 2,5 gigawatt (GW), em 2019, para 50 GW. Al\u00e9m disso, h\u00e1 o compromisso de aumentar em cinco vezes a produ\u00e7\u00e3o de bioenergia em dez anos, diz o presidente da multinacional, Mario Lindenhayn. Outro interesse do grupo \u00e9 o desenvolvimento do hidrog\u00eanio, que est\u00e1 sendo estudado em 7 hubs da companhia, na Europa e Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p>Segundo o executivo, o Brasil tem grande relev\u00e2ncia no plano estrat\u00e9gico da BP. A empresa tem uma joint venture com a Bunge para ampliar a produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis. O objetivo, segundo Lindenhayn, \u00e9 elevar em 30% a produ\u00e7\u00e3o de cana para alcan\u00e7ar a capacidade m\u00e1xima atual de 32 milh\u00f5es de toneladas . S\u00f3 neste ano, ser\u00e3o investidos R$ 1,5 bilh\u00e3o em plantio e tratos culturais para aumentar a efici\u00eancia. Em solar, o pipeline de projetos da empresa \u00e9 de 2 GW. No momento, a BP est\u00e1 construindo um parque solar no Cear\u00e1 de 200 MW, que deve ser conclu\u00eddo em 2023. \u201cEssa \u00e9 uma mudan\u00e7a sem volta. Por isso, estamos entrando em \u00e1reas em que n\u00e3o est\u00e1vamos presentes.\u201d<\/p>\n<p>A energia solar tamb\u00e9m \u00e9 a aposta da Equinor no Brasil. O primeiro projeto da empresa foi constru\u00eddo em parceria com a Scatec, em Quixer\u00e9, no Cear\u00e1, e tem capacidade para gerar 162 MW. No mundo, no entanto, a principal atividade da Equinor \u00e9 a e\u00f3lica offshore. No mar, diz a presidente da empresa, Veronica Coelho, \u00e9 poss\u00edvel usar turbinas com capacidade maior em rela\u00e7\u00e3o aos parques onshore (em terra). \u201cO objetivo \u00e9 transferir o conhecimento adquirido nas plataformas de petr\u00f3leo para o setor. Em termos de engenharia, os projetos s\u00e3o similares\u201d, diz Veronica. A empresa acaba de vencer uma licita\u00e7\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o de um parque offshore de mais de 3 GW de energia nos Estados Unidos &#8211; quando conclu\u00eddo, dever\u00e1 ser um dos maiores do mundo. Segundo ela, no Brasil, a regulamenta\u00e7\u00e3o desse tipo de projeto offshore ainda precisa ser amadurecido para receber investimentos pesados. \u201c\u00c9 preciso esclarecer como seria a homologa\u00e7\u00e3o do parque e qual ag\u00eancia vai regular, por exemplo.\u201d Ainda assim, Veronica diz que a empresa tem projetos em estudo no Norte do Rio de Janeiro e Sul do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da s\u00f3cia-fundadora da Catavento Consultoria, Clarissa Lins, a redu\u00e7\u00e3o da demanda de petr\u00f3leo s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel com o investimento massivo em novas tecnologias e energia renov\u00e1vel. Segundo o relat\u00f3rio Net Zero Carbon, da Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Energia, o volume total de investimentos em energia deve alcan\u00e7ar US$ 5 trilh\u00f5es por ano em 2030. Se esse cen\u00e1rio se concretizar, em 2050, quase 90% da gera\u00e7\u00e3o de eletricidade vir\u00e1 de fontes renov\u00e1veis, como a energia e\u00f3lica e solar, que juntas v\u00e3o responder por quase 70% da gera\u00e7\u00e3o total. \u201cA descarboniza\u00e7\u00e3o da economia s\u00f3 vai ocorrer com a mudan\u00e7a na oferta e na forma como a sociedade, a ind\u00fastria e os meios de transporte usam a energia.\u201d<\/p>\n<p>Para Diego Garc\u00eda, s\u00f3cio da consultoria Bain &amp; Company em Buenos Aires, as empresas ter\u00e3o um risco maior se n\u00e3o investir na mudan\u00e7a de portf\u00f3lio. \u201cSem criar uma carteira de op\u00e7\u00f5es que possam depois acelerar e crescer, as companhias podem ficar completamente fora do neg\u00f3cio. Hoje, salvo pequenas empresas e petroleiras mais locais, n\u00e3o vejo as grandes empresas &#8211; nem nacionais nem privadas &#8211; fazendo s\u00f3 o jogo do petr\u00f3leo.\u201d O importante neste momento, diz ele, n\u00e3o \u00e9 fazer grandes investimentos, mas experimentar novas tecnologias.<\/p>\n<p><strong>Petrobras aposta na descarboniza\u00e7\u00e3o de projetos existentes<br \/>\n<\/strong>Ao contr\u00e1rio das demais empresas de petr\u00f3leo, a Petrobras ainda n\u00e3o tem um plano tra\u00e7ado para investir em energias renov\u00e1veis, como e\u00f3lica e solar. A estatal aposta em projetos de descarboniza\u00e7\u00e3o de seus processos para reduzir as emiss\u00f5es. O diretor de Relacionamento Institucional e Sustentabilidade da empresa, Roberto Ardenghy, diz que a companhia trabalha com o cen\u00e1rio de que a demanda de combust\u00edveis f\u00f3sseis vai continuar subindo at\u00e9 2040 e s\u00f3 depois de 2060 \u00e9 que haveria um decl\u00ednio. Ele diz que os po\u00e7os de petr\u00f3leo da empresa j\u00e1 t\u00eam baixa emiss\u00e3o. Na m\u00e9dia, s\u00e3o 17 quilos de CO2 por barril de petr\u00f3leo. A m\u00e9dia mundial, diz o executivo, \u00e9 de 30 quilos e, em alguns lugares da \u00c1frica, de 70. Para diminuir ainda mais as emiss\u00f5es de suas reservas, uma sa\u00edda \u00e9 reinjetar o CO2. Al\u00e9m da quest\u00e3o ambiental, o processo tamb\u00e9m aumenta a press\u00e3o no reservat\u00f3rio e melhora a produtividade. Ardenghy diz que todos os projetos da estatal t\u00eam uma pegada de descarboniza\u00e7\u00e3o e t\u00eam de ser vi\u00e1veis economicamente, entre US$ 35 e US$ 50.<\/p>\n<p>\u201cNo futuro, quando meu cliente vier comprar de mim, ele n\u00e3o vai querer saber s\u00f3 o pre\u00e7o do produto, mas tamb\u00e9m quanto de carbono foi emitido\u201d, diz Ardenghy. Segundo ele, a Petrobras est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o diferente de outras companhias porque sua produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem muitos contaminantes. \u201cAinda tenho oportunidades de neg\u00f3cios e de descarboniza\u00e7\u00e3o. Se tivesse em outra situa\u00e7\u00e3o, investiria em outras fontes.\u201d No futuro, quando meu cliente vier comprar de mim, ele n\u00e3o vai querer saber s\u00f3 o pre\u00e7o do produto, mas tamb\u00e9m quanto de carbono foi emitido<\/p>\n<p><strong>Roberto Ardenghy, diretor da Petrobras<br \/>\n<\/strong>Outra frente que a empresa aposta \u00e9 na produ\u00e7\u00e3o do diesel verde. Atualmente a companhia tem unidades de tratamento de hidrog\u00eanio com capacidade ociosa. Essas plantas ser\u00e3o usadas para processar o \u00f3leo vegetal. A empresa deve investir US$ 1 bilh\u00e3o entre 2021 e 2025 para reduzir as emiss\u00f5es. Cerca de um ter\u00e7o de tudo que foi emitido ser\u00e1 reduzido at\u00e9 2025 e at\u00e9 2030 ser\u00e1 encerrado o processo de queima nas plataformas. De qualquer forma, Ardenghy diz que est\u00e1 atento a outras formas de energia, mas para o futuro. A lista inclui o hidrog\u00eanio, e\u00f3lica offshore e gasolina natural de hidrog\u00eanio.<\/p>\n<p>Fonte: Estad\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num mundo em transforma\u00e7\u00e3o, em que a sustentabilidade ganha cada vez mais relev\u00e2ncia, o futuro do petr\u00f3leo tem sido colocado em xeque. 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