{"id":35706,"date":"2021-09-10T10:45:29","date_gmt":"2021-09-10T13:45:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=35706"},"modified":"2021-09-10T10:45:29","modified_gmt":"2021-09-10T13:45:29","slug":"crise-no-mar-entenda-a-escassez-de-conteineres-que-afeta-produtores-do-mundo-todo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/crise-no-mar-entenda-a-escassez-de-conteineres-que-afeta-produtores-do-mundo-todo\/","title":{"rendered":"Crise no mar: entenda a escassez de cont\u00eaineres que afeta produtores do mundo todo"},"content":{"rendered":"<p>O retorno das atividades comerciais ap\u00f3s meses de paralisa\u00e7\u00e3o devido \u00e0 pandemia da Covid-19 veio mais forte do que o translado de mercadorias por cont\u00eaineres e navios estava preparado para suprir, elevando o pre\u00e7o dos fretes e aumentando os prazos para a exporta\u00e7\u00e3o e importa\u00e7\u00e3o de produtos.<\/p>\n<p>Por causa disso, na semana passada, a Frente Parlamentar da Agropecu\u00e1ria (FPA) enviou um of\u00edcio ao ministro da Infraestrutura, Tarc\u00edsio Gomes de Freitas, pedindo a\u00e7\u00f5es de curto prazo para resolver esses problemas. A carta foi assinada tamb\u00e9m por entidades do setor.<\/p>\n<p>Produtor paga mais caro por frete tamb\u00e9m por causa da paralisa\u00e7\u00e3o na Hidrovia Tiet\u00ea-Paran\u00e1<\/p>\n<p>A falta de cont\u00eaineres \u00e9 motivada, principalmente, pela alta demanda nos grandes portos exportadores, como \u00c1sia, Estados Unidos e a Europa, que atraem os armadores por serem mais rent\u00e1veis comparado a outros pa\u00edses, como o Brasil, explica Wagner Rodrigo Cruz de Souza, diretor executivo da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Terminais Retroportu\u00e1rios e das Empresas Transportadoras de Cont\u00eaineres (ABTTC).<\/p>\n<p>Souza diz que, no auge da pandemia, estas na\u00e7\u00f5es n\u00e3o estavam exportando com a intensidade atual e, portanto, o Brasil n\u00e3o tinha problemas. Agora, a concorr\u00eancia acirrada acabou levando mais cont\u00eaineres e navios para essas outras rotas.<\/p>\n<p><strong>Rimac<br \/>\n<\/strong>Al\u00e9m disso, devido \u00e0 queda nas compras e vendas, o setor de cont\u00eaineres deu um freio na produ\u00e7\u00e3o desse material durante a pandemia. Com o reaquecimento da economia mundial, este fornecimento n\u00e3o consegue ser feito rapidamente, diz Thiago Pera, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p>Esses empecilhos se somam a problemas antigos. Segundo representantes do setor, existe ainda a falta de estrutura nos portos para atender \u00e0 demanda. Como exemplo, \u00e9 dado o caso das plataformas que n\u00e3o s\u00e3o adaptadas para cont\u00eaineres que medem 40 p\u00e9s, apenas para o tamanho menor, que \u00e9 o de 20 p\u00e9s.<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 otimiza\u00e7\u00e3o no uso do espa\u00e7o, com o tr\u00e2nsito de embarca\u00e7\u00f5es que n\u00e3o est\u00e3o operando em seu potencial m\u00e1ximo, devido \u00e0s in\u00fameras solicita\u00e7\u00f5es de contrata\u00e7\u00e3o dos fornecedores.<\/p>\n<p>Em julho, uma pesquisa feita pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI), apontou que entre 128 empresas e associa\u00e7\u00f5es industriais, mais de 70% relataram sofrer com a falta de cont\u00eaineres ou navios e mais da metade passou por cancelamento ou suspens\u00e3o de viagens programadas.<\/p>\n<p>No agroneg\u00f3cio, os setores mais afetados foram a carne e o algod\u00e3o. Ainda assim, a \u00e1rea continua batendo recordes em exporta\u00e7\u00e3o, apesar da sensa\u00e7\u00e3o dos produtores de que estes dados poderiam ser maiores sem os obst\u00e1culos na cadeia de envios.<\/p>\n<p><strong>Mais tempo no porto<br \/>\n<\/strong>A escassez de cont\u00eaineres tamb\u00e9m \u00e9 motivada, em menor grau, pelas medidas sanit\u00e1rias contra a Covid-19, que podem gerar a reten\u00e7\u00e3o das embarca\u00e7\u00f5es por at\u00e9 15 dias quando um caso \u00e9 identificado entre a tripula\u00e7\u00e3o. Essa conten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ocorre quando h\u00e1 acidentes\/imprevistos no geral, como do Canal de Suez.<\/p>\n<p>Navio Ever Given atravessa o Canal de Suez novamente, 150 dias ap\u00f3s encalhar no caminho<\/p>\n<p>&#8220;Tudo isso vai tirando a capacidade de transporte e por isso est\u00e1 faltando espa\u00e7o nos cont\u00eaineres e nas embarca\u00e7\u00f5es&#8221;, diz Souza.<\/p>\n<p>Duas consequ\u00eancias seguem estes problemas: o frete fica caro e grandes filas de navios se formam nos portos mais movimentados, que atra\u00edram a contrata\u00e7\u00e3o dos cont\u00eaineres. Confira abaixo:<\/p>\n<p>Apenas no porto de Santos, em S\u00e3o Paulo, linhas que eram atendidas com frequ\u00eancia semanal passaram a ter de esperar cerca de 10, 11 ou 12 dias, gerando um volume maior de cargas destinadas \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o retidas no porto, diz Wagner Souza da ABTTC.<\/p>\n<p>Ainda assim, n\u00e3o h\u00e1 preocupa\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qualidade dos produtos embarcados, como as carnes, pois mesmo nos portos, ficam em ambientes refrigerados e t\u00eam prazos de qualidade longos, explica Ricardo Santin, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Prote\u00edna Animal (ABPA)<\/p>\n<p>Produtores maiores, para obter mais previsibilidade dos seus embarques, optam por contratos de m\u00e9dio e longo prazo destes transportes. Por\u00e9m, o pequeno produtor ou aquele que est\u00e1 adentrando neste mercado agora acaba sendo prejudicado por n\u00e3o ter esse tipo de rela\u00e7\u00e3o com as empresas, conta o presidente da ABPA.<\/p>\n<p>Em busca do tempo perdido<\/p>\n<p>A alta da demanda teve in\u00edcio quando os governos no mundo todo criaram programas de transfer\u00eancia de renda, como o aux\u00edlio emergencial aqui no Brasil, para reaquecer o mercado e ajudar as pessoas que se encontravam desempregadas, explica o professor do grupo de pesquisa e extens\u00e3o em log\u00edstica da Esalq-USP, Thiago Pera.<\/p>\n<p>No primeiro semestre de 2021, na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo de 2020, houve um aumento de 17% na movimenta\u00e7\u00e3o de cont\u00eaineres no Brasil, segundo o professor.<\/p>\n<p>Em contrapartida, houve uma queda de 5% na propor\u00e7\u00e3o de cont\u00eaineres cheios chegando aos portos do pa\u00eds, o que leva a um segundo problema: com a maior demanda, os navios, quando em portos importadores, retornam sem estarem completos para tentarem atender aos prazos acordados com os clientes.<\/p>\n<p>&#8220;Um produto que usa cont\u00eainer, ele precisa de cont\u00eainer vazio, ent\u00e3o tem log\u00edstica para trazer ele vazio. O que tem observado, t\u00eam navios que n\u00e3o esperam todo o tempo para fazer esse carregamento de cont\u00eainer vazio, preferem j\u00e1 sair para melhorar a sua produtividade em decorr\u00eancia dos atrasos e congestionamentos que t\u00eam acontecido nos portos&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Isso gera o que a ABTTC chama de \u201cbookings fantasmas\u201d, embarca\u00e7\u00f5es viajando sem atenderem sua capacidade total.<\/p>\n<p>\u201cEsse desequil\u00edbrio est\u00e1 tamb\u00e9m muito associado aos pre\u00e7os de fretes mar\u00edtimos muito atrativos para os navios, os quais optam muitas vezes por girar mais o navio do que ficar parado esperando cont\u00eaineres vazios para carregamento\u201d, explica Pera.<\/p>\n<p>Por isso tamb\u00e9m, alguns portos que ou importam ou exportam mais t\u00eam um tr\u00e2nsito maior do que os que n\u00e3o possuem tanta demanda. O foco em rotas entre a \u00c1sia, Estados Unidos e a Europa causa uma queda na oferta dos demais locais, como o Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;A reabertura dessas economias elevou a patamares monumentais o com\u00e9rcio e a demanda por bens que a China e outros pa\u00edses da \u00c1sia produzem, gerando um desequil\u00edbrio global na oferta e demanda de navios e cont\u00eaineres. Ou seja, h\u00e1 maior demanda e a infraestrutura n\u00e3o \u00e9 reativa de imediato, assim os portos se deparam com sua capacidade estrangulada&#8221;, resume Marcos Matos, diretor geral do Conselho dos Exportadores de Caf\u00e9 do Brasil (Cecaf\u00e9)&#8221;<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 o problema de navios ficarem retidos devido a casos de coronav\u00edrus a bordo ou eventos excepcionais, gerando um ac\u00famulo de produtos. Um exemplo \u00e9 o bloqueio do canal de Suez, que alterou drasticamente o fluxo de entrada e sa\u00edda de containers nos pa\u00edses e tamb\u00e9m o tempo de tr\u00e2nsito dessas cargas.<\/p>\n<p>\u201cUm cont\u00eainer que usualmente fazia 4 ciclos completos no transpac\u00edfico (\u00c1sia\/Costa Leste dos EUA) hoje s\u00f3 consegue completar cerca de 2,5 ciclos, dada a reten\u00e7\u00e3o desses equipamentos ao longo de toda a cadeia\u201d, explica Claudio Loureiro de Souza, Diretor Executivo do Centro Nacional de Navega\u00e7\u00e3o Transatl\u00e2ntica (Centronave).<\/p>\n<p><strong>Pagando mais caro<br \/>\n<\/strong>O exportador est\u00e1 tendo que desembolsar mais para pagar os fretes dos concorridos cont\u00eaineres e navios.<\/p>\n<p>Apenas no setor de pescados, por exemplo, os pre\u00e7os dos fretes subiram mais de 50%, \u201cal\u00e9m de v\u00e1rias taxas que est\u00e3o sendo cobradas, o que aumenta muito o custo do produto\u201d, diz Eduardo Lobo, Presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Ind\u00fastrias de Pescados (Abipesca).<\/p>\n<p>Isso tamb\u00e9m pode afetar as mercadorias que necessitam de insumos que s\u00e3o importados, subindo o valor passado aos consumidores. Al\u00e9m disso, o item pode ficar mais caro por causa do d\u00f3lar ter de ser convertido para real, que est\u00e1 depreciado na compara\u00e7\u00e3o com a outra moeda, conta o professor Pera.<\/p>\n<p>Mas, o frete por si s\u00f3 n\u00e3o deve ter impacto nos alimentos do mercado interno, explica Ricardo Santin, presidente da ABPA, pois s\u00e3o setores completamente separados. Entretanto, a perda de oportunidades devido aos prazos mais complicados j\u00e1 \u00e9 outra hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Santin diz que o valor da exporta\u00e7\u00e3o ajuda a compor o equil\u00edbrio de custo de produ\u00e7\u00e3o. \u201cO nicho de capturar uma oportunidade em d\u00f3lar, reflete indiretamente no pre\u00e7o do mercado interno, eu tenho que aumentar o pre\u00e7o do mercado interno para complementar\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Vai melhorar?<br \/>\n<\/strong>De acordo com a ABTTC, h\u00e1 entre os armadores consultados uma grande preocupa\u00e7\u00e3o quanto ao &#8220;Golden Week&#8221;, tradicional feriado chin\u00eas de 7 a 8 dias, iniciando em 1\u00ba de outubro, quando todas as atividades s\u00e3o interrompidas.<\/p>\n<p>Segundo Souza, isso deve gerar uma nova press\u00e3o na cadeia log\u00edstica global, que deve ser sentida pelos exportadores e importadores em 30 a 45 dias ap\u00f3s a semana festiva.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Exportadores de Algod\u00e3o (Anea) tamb\u00e9m est\u00e1 especialmente preocupada com o segundo semestre deste ano, que \u00e9 quando o setor exporta mais.<\/p>\n<p>\u00c9 o mesmo caso do Sindicato Interestadual da Ind\u00fastria do Tabaco (SindiTabaco). Segundo a entidade, em levantamento feito junto \u00e0s associadas &#8211; durante os meses de junho e julho &#8211; cerca de 2.740 cont\u00eaineres n\u00e3o sa\u00edram dos portos nas datas previstas, o equivalente a 54 mil toneladas de tabaco, com valor estimado de US$ 170 milh\u00f5es\/FOB).<\/p>\n<p>De acordo com a ABTTC, apenas em janeiro de 2022 a situa\u00e7\u00e3o deve ser aliviada, com recupera\u00e7\u00e3o total apenas no segundo semestre.<\/p>\n<p>A Centronave aponta que algumas medidas est\u00e3o sendo tomadas para mitigar este cen\u00e1rio, como o adiamento de desativa\u00e7\u00e3o de embarca\u00e7\u00f5es mais antigas e reparos em containers danificados.<\/p>\n<p>Fonte: G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O retorno das atividades comerciais ap\u00f3s meses de paralisa\u00e7\u00e3o devido \u00e0 pandemia da Covid-19 veio mais forte do que o translado de mercadorias por cont\u00eaineres&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":3853,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-35706","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35706","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35706"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35706\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35707,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35706\/revisions\/35707"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3853"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35706"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35706"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35706"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}