{"id":35679,"date":"2021-09-08T09:57:17","date_gmt":"2021-09-08T12:57:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=35679"},"modified":"2021-09-08T09:57:17","modified_gmt":"2021-09-08T12:57:17","slug":"riscos-a-exportacoes-brasileiras-aumentam-por-pressao-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/riscos-a-exportacoes-brasileiras-aumentam-por-pressao-ambiental\/","title":{"rendered":"Riscos a exporta\u00e7\u00f5es brasileiras aumentam por press\u00e3o ambiental"},"content":{"rendered":"<p>O Minist\u00e9rio da Economia concluiu que a press\u00e3o ambiental exercida por parceiros comerciais deve afetar as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras nos pr\u00f3ximos anos. Os primeiros impactos devem ser vistos no setor de ferro e a\u00e7o. As conclus\u00f5es fazem parte das primeiras an\u00e1lises da equipe econ\u00f4mica sobre medidas anunciadas pela Uni\u00e3o Europeia h\u00e1 pouco mais de um m\u00eas para reduzir emiss\u00f5es de carbono tamb\u00e9m fora das fronteiras do bloco.<\/p>\n<p>O mecanismo criado pelos l\u00edderes europeus institui uma taxa extra para a importa\u00e7\u00e3o de bens que geram de forma intensiva gases do efeito estufa. Os produtos de ferro e a\u00e7o est\u00e3o entre eles. A medida entraria em vigor em 2023, e as cobran\u00e7as come\u00e7ariam ap\u00f3s dois anos.<\/p>\n<p><strong>Rimac<br \/>\n<\/strong>A Uni\u00e3o Europeia \u00e9 respons\u00e1vel por mais de 90% das compras de laminados brasileiros de ferro e a\u00e7o vendidos para fora, e os primeiros n\u00fameros analisados pelo governo indicam que quase US$ 2 bilh\u00f5es da exporta\u00e7\u00e3o pode ser afetada, sendo o Brasil o oitavo pa\u00eds mais prejudicado pela medida dos europeus.<\/p>\n<p>Apesar de verem um efeito localizado inicialmente, os t\u00e9cnicos entendem que as medidas da Uni\u00e3o Europeia podem ser ampliadas, j\u00e1 que o bloco europeu tende a incluir mais produtos na lista de restri\u00e7\u00f5es. Isso poderia atingir mais fortemente as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras, na vis\u00e3o da equipe.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Economia, potencializa os riscos o fato de o Brasil n\u00e3o impor a empresas instaladas em territ\u00f3rio nacional metas para redu\u00e7\u00e3o de carbono nos moldes europeus ao mesmo tempo em que elas tendem a se popularizar nos pr\u00f3ximos anos pelo mundo.<\/p>\n<p>Isso porque as tarifas europeias v\u00e3o incidir com menos intensidade sobre bens oriundos de pa\u00edses que precifiquem o carbono. Na vis\u00e3o dos t\u00e9cnicos, isso vai servir de incentivo para o aperfei\u00e7oamento de pr\u00e1ticas ambientais em outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Os empres\u00e1rios do setor sider\u00fargico t\u00eam acompanhado as discuss\u00f5es com a CNI (Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria) e consideram que a medida poder\u00e1 ter impactos nas exporta\u00e7\u00f5es para a Uni\u00e3o Europeia, que j\u00e1 estabeleceu restri\u00e7\u00f5es para o a\u00e7o por meio de salvaguardas e medidas antidumping. O setor deve ser um dos principais afetados por ser, ap\u00f3s os geradores de energia, o maior emissor industrial de di\u00f3xido de carbono no mundo. O segmento \u00e9 respons\u00e1vel por 7,9% do total de emiss\u00f5es diretas geradas por combust\u00edveis f\u00f3sseis, de acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Mundial do A\u00e7o \u2014 mais do que pa\u00edses inteiros como a \u00cdndia.<\/p>\n<p>Tamanho do volume de emiss\u00e3o est\u00e1 relacionado com os m\u00e9todos empregados na ind\u00fastria. Grandes fornos aquecidos com temperaturas superiores a mil graus Celsius s\u00e3o usados para obter os produtos, o que gera g\u00e1s carb\u00f4nico de forma significativa.<\/p>\n<p>O Instituto A\u00e7o Brasil afirma que tem feito discuss\u00f5es e atuado para mitigar as emiss\u00f5es. &#8220;O setor tem dialogado permanentemente com o governo para que sejam implementadas medidas que possibilitem a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa nos processos industriais&#8221;, afirma nota da entidade. Entre as medidas solicitadas ao governo est\u00e1 o barateamento do g\u00e1s natural \u2014algo que a entidade afirma ter impacto menor do que o uso de outros combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o instituto diz que as empresas t\u00eam buscado reaproveitar mais os gases gerados no processo produtivo, elevar a reciclagem de produtos e ainda usar carv\u00e3o vegetal feito a partir de florestas plantadas.<\/p>\n<p>T\u00e9cnicos do governo, o que inclui minist\u00e9rios como o da Economia e do Itamaraty, t\u00eam discutido as medidas da Uni\u00e3o Europeia e a possibilidade de criarem novas medidas como uma resposta \u00e0 crescente press\u00e3o ambiental contra o Brasil. A maior assertividade no discurso de l\u00edderes globais sobre a agenda ambiental brasileira \u00e9 observada diante da falta de pol\u00edticas pr\u00f3-meio ambiente do governo Jair Bolsonaro (sem partido) somada aos recordes de queimadas e desmatamentos na gest\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil \u00e9 o pa\u00eds que mais preserva o seu meio ambiente. A gente sofre ataques o tempo todo de pa\u00edses europeus. L\u00e1 eles n\u00e3o sabem o que \u00e9 mata ciliar porque n\u00e3o t\u00eam. Aqui tem&#8221;, afirmou Bolsonaro recentemente.<\/p>\n<p>Embora o Brasil seja considerado o pa\u00eds com a maior biodiversidade do mundo, isso n\u00e3o se reflete no compromisso do governo com o ambiente. O Brasil liderou em 2020 o ranking mundial de desmatamento. Os discursos de Bolsonaro s\u00e3o feitos enquanto t\u00e9cnicos estudam uma maneira de unificar as a\u00e7\u00f5es do governo em torno do meio ambiente. Isso inclui o pr\u00f3prio minist\u00e9rio respons\u00e1vel pela \u00e1rea, que passou h\u00e1 pouco mais de dois meses por uma troca de comando com a demiss\u00e3o de Ricardo Salles (que defendeu, quando estava no cargo, &#8220;passar a boiada&#8221; em mudan\u00e7as de regras enquanto a m\u00eddia se preocupava com a Covid-19).<\/p>\n<p>Procurado, o Minist\u00e9rio de Meio Ambiente n\u00e3o comentou. O Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores afirmou em nota que o governo brasileiro tem acompanhado com aten\u00e7\u00e3o os desdobramentos referentes \u00e0 medida da Uni\u00e3o Europeia, chamada de Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM, na sigla em ingl\u00eas), e ainda vai verificar se ela \u00e9 compat\u00edvel com as regras multilaterais de com\u00e9rcio \u2014o que, na an\u00e1lise da Economia, tende a ser o caso.<\/p>\n<p>&#8220;O Itamaraty est\u00e1 informado de que o an\u00fancio da medida tem despertado preocupa\u00e7\u00e3o junto ao setor privado de que empresas brasileiras poderiam passar a ser alvo de novas barreiras comerciais discriminat\u00f3rias&#8221;, disse em nota. &#8220;O governo continuar\u00e1 a analisar o assunto&#8221;, afirma a pasta.<\/p>\n<p>Fonte: Folha SP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Minist\u00e9rio da Economia concluiu que a press\u00e3o ambiental exercida por parceiros comerciais deve afetar as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras nos pr\u00f3ximos anos. Os primeiros impactos devem&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":17794,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-35679","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35679","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35679"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35679\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35680,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35679\/revisions\/35680"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17794"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35679"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35679"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35679"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}