{"id":35472,"date":"2021-08-20T18:25:36","date_gmt":"2021-08-20T21:25:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=35472"},"modified":"2021-08-23T15:18:27","modified_gmt":"2021-08-23T18:18:27","slug":"dolar-a-r-540-por-que-cotacao-da-moeda-americana-tem-confundido-economistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/dolar-a-r-540-por-que-cotacao-da-moeda-americana-tem-confundido-economistas\/","title":{"rendered":"D\u00f3lar a R$ 5,40: por que cota\u00e7\u00e3o da moeda americana tem confundido economistas"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"font-weight: 400;\">Em mar\u00e7o de 2020, quando o d\u00f3lar passava de R$ 4,60, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que, &#8220;se fizesse muita besteira&#8221;, a cota\u00e7\u00e3o da moeda americana poderia passar de R$ 5. Dias depois, em 16 de mar\u00e7o, diante do avan\u00e7o do coronav\u00edrus e de turbul\u00eancias internas no Brasil, esse limite foi ultrapassado pela primeira vez e praticamente n\u00e3o cedeu desde ent\u00e3o. Na quinta-feira (19\/8), fechou cotado acima da R$ 5,40 pela primeira vez desde o fim de maio.<\/h4>\n<p>O exerc\u00edcio de tentar prever o comportamento do d\u00f3lar tem dividido os economistas: a parte otimista acredita que a cota\u00e7\u00e3o pode fechar o ano abaixo de R$ 5; os pessimistas apostam que o d\u00f3lar encerra dezembro ainda mais caro do que est\u00e1 hoje.\u00a0Essa diverg\u00eancia fica bem vis\u00edvel na pesquisa Focus do Banco Central. As proje\u00e7\u00f5es enviadas por cerca de 100 consultorias e institui\u00e7\u00f5es financeiras est\u00e3o dispersas em um intervalo longo, mais ou menos de R$ 4,60 a R$ 5,30.<\/p>\n<p>Atualmente, pouco menos da metade aposta em um d\u00f3lar em torno de R$ 5,06 no fim do ano \u2014 o patamar que concentra o maior volume de estimativas. Dois meses atr\u00e1s, em junho, o consenso era maior: quase 70% das proje\u00e7\u00f5es giravam por volta de R$ 5,15.<\/p>\n<p><strong>Para cima ou para baixo?<\/strong><br \/>\nA b\u00fassola usada pelos economistas para tentar prever a dire\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio por vezes parece descalibrada. Entre maio e junho, pelo menos dois sinais indicavam que o real poderia finalmente ganhar for\u00e7a, depois de meses ocupando as primeiras posi\u00e7\u00f5es do ranking das moedas mais desvalorizadas do mundo.<\/p>\n<p>A taxa b\u00e1sica de juros entrava em um ciclo de alta. De forma geral, eleva\u00e7\u00e3o da Selic pelo Banco Central favorece a aprecia\u00e7\u00e3o do real. A ideia \u00e9 que os juros mais elevados aumentam a rentabilidade de t\u00edtulos do governo e de renda fixa e, assim, atraem mais capital estrangeiro. Em paralelo, os pre\u00e7os de commodities subiam. Min\u00e9rio de ferro, soja, celulose, milho, entre outros produtos que comp\u00f5em a pauta de exporta\u00e7\u00e3o do Brasil ficaram mais valorizados. As vendas desses produtos no exterior traz mais d\u00f3lares ao pa\u00eds, empurrando a cota\u00e7\u00e3o da moeda americana para baixo.<\/p>\n<p>&#8220;Quando a taxa de c\u00e2mbio l\u00e1 em abril chegou a R$ 5,80, com bastante press\u00e3o no mercado, a gente ouviu que &#8216;n\u00e3o, n\u00e3o tem como voltar&#8217;. E agora, mais recentemente, em julho, voc\u00ea ouviu o oposto, muita gente falando que o c\u00e2mbio vai pra baixo de R$ 5,00, R$ 4,50, R$ 4,70&#8221;, relembra a economista-chefe do banco J.P. Morgan no Brasil, Cassiana Fernandez. O d\u00f3lar a menos de R$ 5, contudo, n\u00e3o durou muito tempo.<\/p>\n<p><strong>Empurr\u00e3o das commodities<\/strong><br \/>\nA proje\u00e7\u00e3o do J.P. Morgan desde o fim do ano passado apontava para uma cota\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima de R$ 5,40 no fim de 2021.\u00a0Dois fundamentos pesaram nessa avalia\u00e7\u00e3o: os termos de troca (a rela\u00e7\u00e3o entre os pre\u00e7os das exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es, onde entram as cota\u00e7\u00f5es das\u00a0<em style=\"font-weight: inherit;\">commodities<\/em>) e o diferencial de crescimento entre a economia brasileira e o restante do mundo. No primeiro caso, a equipe avaliou que o aumento dos pre\u00e7os de mat\u00e9rias-primas observado a partir de mar\u00e7o n\u00e3o se sustentaria por tanto tempo quanto alguns especialistas acreditavam.<\/p>\n<p>&#8220;Eu diria que as\u00a0<em style=\"font-weight: inherit;\">commodities<\/em>\u00a0j\u00e1 atingiram o pico, muitas delas j\u00e1 come\u00e7am a mostrar uma queda&#8221;, afirma Fernandez.\u00a0&#8220;Se a gente olhar o min\u00e9rio de ferro, que \u00e9 uma das mais importantes na nossa pauta de exporta\u00e7\u00e3o, ele chegou a US$ 200 dois meses atr\u00e1s, agora j\u00e1 est\u00e1 de novo a US$ 100 \u2014 que \u00e9 um valor muito bom, sim, mas menos do que era l\u00e1 atr\u00e1s.&#8221;\u00a0Em rela\u00e7\u00e3o ao crescimento, a economista destaca que, apesar de os indicadores econ\u00f4micos do Brasil terem surpreendido positivamente no primeiro semestre \u2014 o que tamb\u00e9m ajudou a alimentar as estimativas mais otimistas \u2014, outros pa\u00edses t\u00eam apresentado desempenho melhor, como os Estados Unidos.<\/p>\n<p>A proje\u00e7\u00e3o do FMI (Fundo Monet\u00e1rio Internacional) \u00e9 de alta de 7% no PIB (Produto Interno Bruto) do pa\u00eds, enquanto para o Brasil \u00e9 de 5,3%. O d\u00f3lar, ali\u00e1s, vem em uma tend\u00eancia de fortalecimento n\u00e3o apenas por conta da expectativa de crescimento, lembra a economista s\u00eanior da LCA Consultores Thais Zara. O Federal Reserve, Banco Central americano, tem sinalizado que vai come\u00e7ar a retirar no fim do ano os est\u00edmulos monet\u00e1rios, reduzindo seu programa de compra de t\u00edtulos. \u00c0 medida que deixa de injetar d\u00f3lares no mercado, o &#8220;<em style=\"font-weight: inherit;\">tapering<\/em>&#8220;, no jarg\u00e3o do mercado, ajuda a empurrar a cota\u00e7\u00e3o da moeda para cima.<\/p>\n<p>A esse movimento se junta ainda a expectativa de aumento dos juros no pa\u00eds, que costuma desviar o fluxo de investimentos de mercados considerados mais arriscados, como o Brasil, para os EUA.\u00a0Todos esses fatores jogam a favor do d\u00f3lar e, por consequ\u00eancia, contra o real.\u00a0Zara mant\u00e9m a estimativa de d\u00f3lar a R$ 5,10 no fim do ano, mas com vi\u00e9s de alta. &#8220;O risco fiscal vai dizer pra que lado a balan\u00e7a vai pender&#8221;, ressalta a economista, referindo-se \u00e0 situa\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas.\u00a0Desde o in\u00edcio da gest\u00e3o Bolsonaro, o mercado em geral reage mal \u00e0s sucessivas queda de bra\u00e7o protagonizadas pela equipe de Paulo Guedes, que defende um controle maior de despesas, e setores do governo que querem expandir os gastos.<\/p>\n<p>A nova onda de alta do d\u00f3lar nos \u00faltimos dias reflete mais um epis\u00f3dio da novela: as not\u00edcias sobre a\u00a0PEC dos precat\u00f3rios enviada pelo governo ao Congresso (que posterga o pagamento de d\u00edvidas da Uni\u00e3o)\u00a0e as discuss\u00f5es sobre a cria\u00e7\u00e3o de despesas fora do teto de gastos.\u00a0&#8220;A quest\u00e3o fiscal \u00e9 o elo fraco do Brasil&#8221;, diz Martin Castellano, chefe para a Am\u00e9rica Latina do Institute of International Finance (IIF), associa\u00e7\u00e3o que re\u00fane mais de 400 bancos no mundo.<\/p>\n<p>Para o economista, a fragilidade fiscal do Brasil e o &#8220;ru\u00eddo pol\u00edtico&#8221; est\u00e3o entre os principais fatores que explicam porque o d\u00f3lar n\u00e3o cede. Tomando a desvaloriza\u00e7\u00e3o acumulada desde 2013, o real hoje s\u00f3 perde para a lira turca: \u00e9 a segunda moeda que mais perdeu valor, levando em considera\u00e7\u00e3o a taxa de c\u00e2mbio de equil\u00edbrio.<\/p>\n<p>O c\u00e1lculo desse par\u00e2metro varia entre os economistas, mas, de forma geral, ele indica a taxa de c\u00e2mbio que manteria o equil\u00edbrio da conta de transa\u00e7\u00f5es correntes (que engloba a balan\u00e7a comercial, de servi\u00e7os e as transfer\u00eancias unilaterais). Conforme os c\u00e1lculos do IIF, a taxa de c\u00e2mbio de equil\u00edbrio estaria por volta de R$ 4,50.\u00a0O J.P. Morgan estima algo mais perto de R$ 5 e a LCA Consultores, um intervalo entre R$ 4,70 e R$ 4,80.<\/p>\n<p>Diante das incertezas dom\u00e9sticas, o real, que j\u00e1 \u00e9 uma moeda que costuma oscilar mais do que as de mercados mais maduros, fica ainda mais vol\u00e1til. O resultado \u00e9 o sobe e desce dos \u00faltimos meses.\u00a0Nesse sentido, as incertezas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de 2022 tamb\u00e9m j\u00e1 come\u00e7am a entrar na conta.\u00a0\u00a0&#8220;Voc\u00ea tem um governo acuado, que est\u00e1 buscando confronto com outras esferas do poder. Tudo isso gera instabilidade pol\u00edtica, o que tende a afugentar os investidores&#8221;, pontua Rafael Le\u00e3o, economista-chefe da consultoria Parallaxis.\u00a0O impacto do real desvalorizado, ele lembra, vai muito al\u00e9m de quem precisa de d\u00f3lares para viajar ou comprar bens importados.<\/p>\n<p>O real desvalorizado encarece insumos importados e promove um aumento generalizado de pre\u00e7os, pressionando a infla\u00e7\u00e3o e reduzindo o poder de compra dos sal\u00e1rios. Nos 12 meses at\u00e9 julho, o IGP-M, \u00edndice de infla\u00e7\u00e3o que leva em considera\u00e7\u00e3o os pre\u00e7os pagos por consumidores e produtores, acumula alta impressionante de 33,83%.\u00a0O \u00edndice oficial, o IPCA, que capta apenas a infla\u00e7\u00e3o ao consumidor, chegou a 8,99% na mesma compara\u00e7\u00e3o, maior alta desde maio de 2016.<\/p>\n<p>Fonte: BBC News<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em mar\u00e7o de 2020, quando o d\u00f3lar passava de R$ 4,60, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que, &#8220;se fizesse muita besteira&#8221;, a cota\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":18161,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-35472","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35472","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35472"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35472\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35487,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35472\/revisions\/35487"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18161"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35472"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35472"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35472"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}