{"id":35311,"date":"2021-05-26T11:46:20","date_gmt":"2021-05-26T14:46:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=35311"},"modified":"2021-05-26T11:46:20","modified_gmt":"2021-05-26T14:46:20","slug":"exploracao-de-oleo-e-gas-ganha-senso-de-urgencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/exploracao-de-oleo-e-gas-ganha-senso-de-urgencia\/","title":{"rendered":"Explora\u00e7\u00e3o de \u00f3leo e g\u00e1s ganha senso de urg\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Pre\u00e7o em alta ajuda na retomada das campanhas explorat\u00f3rias em meio a cen\u00e1rio de prepara\u00e7\u00e3o das empresas para transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A interrup\u00e7\u00e3o imediata da perfura\u00e7\u00e3o de novos po\u00e7os de petr\u00f3leo, sugerida pela Ag\u00eancia Internacional de Energia (AIE) como forma de assegurar os cortes de emiss\u00f5es previstos no Acordo de Paris, refor\u00e7a o senso de urg\u00eancia na ind\u00fastria de \u00f3leo e g\u00e1s sobre a necessidade de busca de novas descobertas, antes que a demanda comece a recuar. Embora a morat\u00f3ria tenha sido recebida mais como um gesto simb\u00f3lico de press\u00e3o sobre governos e petroleiras e menos como um risco real ao setor, a percep\u00e7\u00e3o no mercado \u00e9 de que a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica se tornou um caminho sem volta e que a janela de oportunidade para explora\u00e7\u00e3o se fechar\u00e1 em algum momento.<\/p>\n<p>A expectativa, no entanto, \u00e9 que as atividades no Brasil ganhem impulso nos pr\u00f3ximos anos, diante da recupera\u00e7\u00e3o gradual dos pre\u00e7os do barril. A Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo (ANP) projeta investimentos de R$ 6,5 bilh\u00f5es em explora\u00e7\u00e3o de \u00f3leo e g\u00e1s no Brasil em 2021.<\/p>\n<p>S\u00e3o estimados 19 po\u00e7os offshore (em mar) para este ano, n\u00famero ainda baixo mas quase quatro vezes superior \u00e0s cinco perfura\u00e7\u00f5es de 2020, quando as campanhas foram prejudicadas pelo choque de pre\u00e7os da commodity e pelas restri\u00e7\u00f5es nas atividades a bordo ante a pandemia de covid-19.<\/p>\n<p>Entre as operadoras com projetos previstos para este ano est\u00e3o Petrobras, Shell e ExxonMobil. Depois de um investimento maci\u00e7o das grandes petroleiras nos leil\u00f5es dos \u00faltimos anos, \u00e9 hora de come\u00e7ar a perfurar as \u00e1reas adquiridas.<\/p>\n<p>ANP estima ao menos R$ 6,5 bilh\u00f5es de investimentos em explora\u00e7\u00e3o de \u00f3leo e g\u00e1s no Brasil neste ano.<\/p>\n<p>Para o coordenador t\u00e9cnico do Instituto de Estudos Estrat\u00e9gicos de Petr\u00f3leo (Ineep), William Nozaki, h\u00e1 sinais de que haver\u00e1 uma acelera\u00e7\u00e3o nas atividades explorat\u00f3rias no Brasil, como reflexo do sucesso dos grandes leil\u00f5es ocorridos desde 2017. Segundo o pesquisador, o sucesso das petroleiras no processo de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica est\u00e1 atrelado, justamente, \u00e0 capacidade das companhias de renovarem suas reservas.<\/p>\n<p><em>\u201cEsse novo aumento do pre\u00e7o do petr\u00f3leo torna improv\u00e1vel que essa recomenda\u00e7\u00e3o da AIE, de suspens\u00e3o da perfura\u00e7\u00e3o de novos po\u00e7os, seja seguida\u201d, diz. \u201c\u00c9 inexequ\u00edvel imaginar a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica sem o papel da ind\u00fastria petrol\u00edfera. \u00c9 o petr\u00f3leo que est\u00e1 financiando a maior parte dessa transi\u00e7\u00e3o\u201d, acrescenta.<\/em><\/p>\n<p>Nesse sentido, a consultoria Rystad Energy destaca que as reservas provadas de \u00f3leo e g\u00e1s das chamadas \u201cBig Oil\u201d (grupo formado pela ExxonMobil, BP, Shell, Chevron, Total e Eni) t\u00eam ca\u00eddo a um ritmo alarmante e que as companhias n\u00e3o t\u00eam conseguido repor os volumes produzidos com novas descobertas. Os n\u00edveis de reservas dessas empresas ca\u00edram 15% em 2020. No Brasil, segundo a ANP, o recuo foi de 6,7% no ano passado.<\/p>\n<p><em>\u201cSe as reservas n\u00e3o forem altas o suficiente para sustentar os n\u00edveis de produ\u00e7\u00e3o, as empresas ter\u00e3o dificuldade em financiar projetos caros de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, resultando numa desacelera\u00e7\u00e3o de seus planos de energia limpa\u201d, opina o vice-presidente de pesquisa de explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o da Rystad, Parul Chopra, em relat\u00f3rio.<\/em><\/p>\n<p>A consultoria cita que os volumes descobertos pela ind\u00fastria global no primeiro trimestre, de 1,2 bilh\u00e3o de barris de \u00f3leo equivalente, foram os menores em sete anos. Essa dificuldade de repor reservas se d\u00e1 num contexto em que o or\u00e7amento das petroleiras foi enxugado ap\u00f3s o choque de pre\u00e7os de 2020. Segundo a Rystad, os investimentos projetados para explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o para o bi\u00eanio 2020-2021 ca\u00edram 27% desde a eclos\u00e3o da pandemia.<\/p>\n<p>A consultoria prev\u00ea que, embora devam come\u00e7ar a aumentar lentamente a partir de 2022, os gastos das petroleiras n\u00e3o atingir\u00e3o os n\u00edveis pr\u00e9-pandemia, de US$ 530 bilh\u00f5es, pelo menos at\u00e9 2025 &#8211; horizonte limite da proje\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com menor capital dispon\u00edvel e expectativa de redu\u00e7\u00e3o da demanda por petr\u00f3leo nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, atrair investimentos para explora\u00e7\u00e3o ser\u00e1 uma miss\u00e3o cada vez mais dura para os pa\u00edses. O pr\u00e9-sal brasileiro, no entanto, est\u00e1 bem posicionado nessa disputa global.<\/p>\n<p>O presidente da Chevron Brasil, Mariano Vela, disse que o \u201ctamanho das oportunidades do Brasil \u00e9 algo muito atrativo\u201d e que os ativos do pr\u00e9-sal est\u00e3o no \u201ctopo dos rankings mundiais\u201d em potencial de descobertas de recursos. \u201cA transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica existe, mas para a Chevron \u00e9 importante reconhecer que o \u00f3leo e g\u00e1s continuar\u00e3o sendo muito importantes por v\u00e1rias d\u00e9cadas. \u00c9 importante reconhecer que, no Brasil, a oportunidade existe e que janela ainda est\u00e1 aberta\u201d, afirmou, em evento on-line.<\/p>\n<p>O presidente da Shell Brasil, Andre Araujo, tamb\u00e9m se diz otimista quanto \u00e0 atratividade da ind\u00fastria petrol\u00edfera brasileira. O executivo, por\u00e9m, defende que as grandes petroleiras buscar\u00e3o locais onde as regras s\u00e3o \u201cest\u00e1veis e claras\u201d e que \u00e9 importante que o pa\u00eds garanta condi\u00e7\u00f5es de competitividade.<\/p>\n<p><em>\u201cA medida em que chegarmos a um pico de petr\u00f3leo e a demanda come\u00e7ar a reduzir, n\u00e3o significa que o petr\u00f3leo vai ser eliminado. Algu\u00e9m vai sair desse mercado primeiro e algu\u00e9m vai ficar por \u00faltimo. N\u00e3o temos bola de cristal para saber que lugar vai deixar de ser competitivo em primeiro lugar, mas o Brasil tem condi\u00e7\u00f5es de ser um dos \u00faltimos\u201d, comenta.<\/em><\/p>\n<p>O pesquisador do Instituto de Energia da PUC-Rio, Edmar Almeida, afirma que o pr\u00e9-sal brasileiro \u00e9 menos intenso em carbono e que, por isso, pode ser atraente para as grandes petroleiras na transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>\u201cPor ter uma produtividade muito alta, os campos do pr\u00e9-sal gastam menos energia para produzir um barril e t\u00eam um indicador de emiss\u00f5es baixo. Acredito que a quest\u00e3o das emiss\u00f5es vai ser considerada de forma importante na hora da decis\u00e3o de investimentos para reposi\u00e7\u00e3o de reservas.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Mesmo diante de seu alto potencial, o pr\u00e9-sal, contudo, n\u00e3o \u00e9 garantia de bilhete premiado. Vale lembrar que a Petrobras decidiu, ap\u00f3s uma campanha malsucedida, devolver a \u00e1rea de Peroba, no pr\u00e9-sal da Bacia de Santos, adquirida em 2017. Este \u00e9, oficialmente, o primeiro fracasso explorat\u00f3rio entre os blocos leiloados pelo regime de partilha desde a retomada das rodadas do pr\u00e9-sal nos \u00faltimos anos, mas pode n\u00e3o ser o \u00fanico caso. A Shell tamb\u00e9m n\u00e3o teve sucesso na primeira campanha em Saturno, arrematado em 2018.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Almeida, as grandes petroleiras globais tendem a ser mais seletivas nos pr\u00f3ximos leil\u00f5es no Brasil. Para ele, trata-se de um processo natural, independentemente do processo de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica em curso, porque as multinacionais j\u00e1 est\u00e3o com carteira cheia de ativos no pa\u00eds, sobretudo no pr\u00e9-sal. Segundo o economista, mesmo que as grandes petroleiras sejam mais moderadas, a tend\u00eancia \u00e9 que novas empresas surjam no mercado.<\/p>\n<p><em>\u201cA transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica muda as estrat\u00e9gias das empresas e isso pode gerar uma mudan\u00e7a no perfil das companhias que v\u00e3o se engajar mais na explora\u00e7\u00e3o daqui para frente. A tend\u00eancia \u00e9 que o papel das empresas independentes ganhe relev\u00e2ncia maior\u201d, disse.<\/em><\/p>\n<p>Fonte: Valor<\/p>\n<p>Foto: divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pre\u00e7o em alta ajuda na retomada das campanhas explorat\u00f3rias em meio a cen\u00e1rio de prepara\u00e7\u00e3o das empresas para transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica A interrup\u00e7\u00e3o imediata da perfura\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":19555,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[56,347,249,58,729,76,785],"class_list":["post-35311","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-anp","tag-chevron","tag-exploracao","tag-petrobras","tag-petroleo-e-gas","tag-producao","tag-shell"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35311","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35311"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35311\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35313,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35311\/revisions\/35313"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19555"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35311"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35311"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35311"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}