{"id":35221,"date":"2021-05-20T10:11:07","date_gmt":"2021-05-20T13:11:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=35221"},"modified":"2021-05-20T10:11:07","modified_gmt":"2021-05-20T13:11:07","slug":"stf-inicia-julgamento-sobre-demissao-em-massa-sem-negociacao-previa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/stf-inicia-julgamento-sobre-demissao-em-massa-sem-negociacao-previa\/","title":{"rendered":"STF inicia julgamento sobre demiss\u00e3o em massa sem negocia\u00e7\u00e3o pr\u00e9via"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Julgamento foi suspenso e ser\u00e1 retomado amanh\u00e3<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O Supremo Tribunal Federal (STF) come\u00e7ou a julgar hoje (19) se a negocia\u00e7\u00e3o pr\u00e9via entre empresas e sindicatos \u00e9 obrigat\u00f3ria nos casos de demiss\u00f5es em massa. Os ministros julgam o recurso da Embraer contestando decis\u00e3o da Justi\u00e7a do Trabalho a favor das negocia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, a vota\u00e7\u00e3o est\u00e1 em tr\u00eas votos favor\u00e1veis a um contra para que a dispensa em massa de trabalhadores n\u00e3o necessite de negocia\u00e7\u00e3o coletiva. Ap\u00f3s os primeiros votos, a sess\u00e3o foi suspensa e ser\u00e1 retomada amanh\u00e3 (20).<\/p>\n<p>Os ministros julgam o recurso da Embraer contra a decis\u00e3o do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que confirmou a obrigatoriedade da negocia\u00e7\u00e3o coletiva nesses casos. Em 2009, cerca de 4 mil trabalhadores foram demitidos pela empresa.<\/p>\n<p>Na reforma trabalhista de 2017, foi inserido na Consolida\u00e7\u00e3o das Leis Trabalhistas (CLT) o artigo 477-A, cuja reda\u00e7\u00e3o definiu que \u201cas dispensas imotivadas individuais, pl\u00farimas ou coletivas equiparam-se para todos os fins, n\u00e3o havendo necessidade de autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via de entidade sindical ou de celebra\u00e7\u00e3o de conven\u00e7\u00e3o coletiva ou acordo coletivo de trabalho para sua efetiva\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>Votos <\/strong><\/p>\n<p>O relator do processo, ministro Marco Aur\u00e9lio, votou contra a possibilidade de negocia\u00e7\u00e3o coletiva. Para o ministro, n\u00e3o h\u00e1 proibi\u00e7\u00e3o ou condi\u00e7\u00e3o para a dispensa coletiva, pois o ato de demiss\u00e3o \u00e9 unilateral do empregador e n\u00e3o exige concord\u00e2ncia do trabalhador e dos sindicatos.<\/p>\n<p><em>\u201cA iniciativa da rescis\u00e3o, disciplinada no artigo 477 da Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho, \u00e9 ato unilateral, n\u00e3o exigindo concord\u00e2ncia da parte contr\u00e1ria, muito menos do sindicato que congregue a categoria profissional. Cumpre ao empregador proceder \u00e0 anota\u00e7\u00e3o na Carteira de Trabalho e Previd\u00eancia Social, comunicar aos \u00f3rg\u00e3os competentes e realizar, no prazo e na forma estabelecidos no dispositivo, o pagamento das verbas devidas\u201d, argumentou. <\/em><\/p>\n<p>O voto foi seguido pelos ministros Nunes Marques e Alexandre de Moraes.<\/p>\n<p>Em seguida, o ministro Edson Fachin abriu diverg\u00eancia e entendeu que a negocia\u00e7\u00e3o coletiva \u00e9 um direito do trabalhador e pode ser interpretado constitucionalmente pelos princ\u00edpios constitucionais dos direitos sociais fundamentais, da dignidade humana, al\u00e9m de normas internacionais assinadas pelo Brasil.<\/p>\n<p><em>\u201cTenho para mim a impossibilidade de que a vontade do legislador constituinte seja relegada para admitir o rompimento em massa do v\u00ednculo de emprego sem a devida aten\u00e7\u00e3o \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o coletiva\u201d, disse. <\/em><\/p>\n<p><strong>Sustenta\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Durante o julgamento, o advogado Carlos Vin\u00edcius Amorim, representante da Embraer, disse que a empresa foi obrigada a realizar as demiss\u00f5es em fun\u00e7\u00e3o da crise financeira de 2008. Segundo Amorim, a Justi\u00e7a do Trabalho extrapolou suas atribui\u00e7\u00f5es ao criar regra sobre a negocia\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<p><em>\u201cPara n\u00e3o remanescer nenhuma d\u00favida a respeito da mat\u00e9ria \u00e9 que o Poder Legislativo aprovou, o Executivo sancionou a Lei 13.467\/2017, inserindo o artigo 477-A \u00e0 CLT, que cuidou de afastar literal e textualmente e necessidade de pr\u00e9via negocia\u00e7\u00e3o coletiva e equiparando as dispensas individual, pl\u00farima e coletiva para todos os fins\u201d, comentou. <\/em><\/p>\n<p>O advogado Aristeu C\u00e9sar, representante do Sindicato dos Trabalhadores nas Ind\u00fastrias de Aeronaves de S\u00e3o Paulo (Sindiaeroespacial), considerou a mudan\u00e7a da lei trabalhista inconstitucional e disse que as 4,2 mil demiss\u00f5es foram feitas para cobrir preju\u00edzos milion\u00e1rios da empresa, e n\u00e3o devido \u00e0 crise econ\u00f4mica.<\/p>\n<p><em>\u201cTem uma inconstitucionalidade formal porque n\u00e3o foi aprovada por lei complementar. \u00c9 dizer inclusive da m\u00e1 reda\u00e7\u00e3o, porque se fala que n\u00e3o depende de autoriza\u00e7\u00e3o dos sindicatos a demiss\u00e3o coletiva. O sindicato nunca vai autorizar demiss\u00e3o alguma, o que se pede \u00e9 a negocia\u00e7\u00e3o e o di\u00e1logo social entre a empresa e sindicato\u201d, disse.<\/em><\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<p>Foto: Pedro Fran\u00e7a\/Ag\u00eancia Senado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Julgamento foi suspenso e ser\u00e1 retomado amanh\u00e3 O Supremo Tribunal Federal (STF) come\u00e7ou a julgar hoje (19) se a negocia\u00e7\u00e3o pr\u00e9via entre empresas e sindicatos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":35222,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[1502,107,217,2599,371,374,1014,4727,3875],"class_list":["post-35221","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-demissao","tag-empresa","tag-funcionarios","tag-julgamento","tag-negociacao","tag-sindicato","tag-stf","tag-sustentacao","tag-voto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35221","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35221"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35221\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35223,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35221\/revisions\/35223"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35222"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35221"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35221"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35221"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}