{"id":33336,"date":"2021-01-12T08:48:05","date_gmt":"2021-01-12T11:48:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=33336"},"modified":"2021-01-12T10:57:59","modified_gmt":"2021-01-12T13:57:59","slug":"media-movel-de-mortes-por-covid-19-mais-do-que-dobra-no-estado-do-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/media-movel-de-mortes-por-covid-19-mais-do-que-dobra-no-estado-do-rio\/","title":{"rendered":"M\u00e9dia m\u00f3vel de mortes por covid-19 mais do que dobra no estado do Rio"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Dados s\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz)<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O estado do Rio de Janeiro chegou no domingo (10) \u00e0 maior m\u00e9dia m\u00f3vel de mortes por covid-19 desde 24 de junho, com mais de 160 v\u00edtimas por dia em um per\u00edodo de sete dias, segundo o painel MonitoraCovid-19, atualizado pela Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz). O patamar representa um aumento de mais de 150% em 14 dias e preocupa especialistas ouvidos pela Ag\u00eancia Brasil, que temem um novo pico da pandemia.<\/p>\n<p>A alta da m\u00e9dia de \u00f3bitos confirmados entre 27 de dezembro e 10 de janeiro ocorreu em n\u00edvel nacional e reflete o desrespeito \u00e0s medidas de preven\u00e7\u00e3o \u00e0 covid-19 em uma s\u00e9rie de eventos, segundo o pesquisador Diego Xavier, integrante do Instituto de Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica em Sa\u00fade (ICICT) da Fiocruz. O crescimento m\u00e9dio dessa taxa no Brasil, no entanto, foi de cerca de 84%, enquanto no Rio de Janeiro chegou a 154%. Outros estados como Cear\u00e1 (264%) e Amazonas (239%) tiveram aumentos ainda mais expressivos em termos percentuais.<\/p>\n<p><em>&#8220;Esse aumento indica que a gente falhou. A gente teve alguns eventos bastante capilarizados que fizeram com que a doen\u00e7a se espalhasse de forma bastante acelerada, como a elei\u00e7\u00e3o, as compras de final de ano, Natal, Ano Novo, as f\u00e9rias. As pessoas se movimentaram muito nesse fim de ano, e, \u00e0 medida que se movimentaram, o v\u00edrus se espalhou&#8221;, afirma o pesquisador, que lembra que o cen\u00e1rio havia sido previsto por uma nota t\u00e9cnica publicada pela Fiocruz no m\u00eas passado. &#8220;Se a gente for pensar no Natal, \u00e9 uma festa muito capilarizada. Todo mundo comemora o Natal em fam\u00edlia. E a maioria das fam\u00edlias t\u00eam pessoas do grupo de risco, como os idosos&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>A m\u00e9dia m\u00f3vel de mortes \u00e9 calculada por meio da soma dos \u00f3bitos confirmados nos \u00faltimos sete dias, dividida por sete. O indicador \u00e9 considerado importante para reduzir as oscila\u00e7\u00f5es di\u00e1rias de notifica\u00e7\u00f5es e se aproximar de uma tend\u00eancia da pandemia. Al\u00e9m disso, mortes s\u00e3o consideradas pelos especialistas menos sujeitas \u00e0 subnotifica\u00e7\u00e3o do que as infec\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que s\u00e3o mais investigadas. As contamina\u00e7\u00f5es, por sua vez, muitas vezes n\u00e3o s\u00e3o testadas ou se d\u00e3o de forma assintom\u00e1tica.<\/p>\n<p><strong>Restri\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Xavier recomenda que novas medidas restritivas sejam adotadas para conter a subida da curva de \u00f3bitos no estado, mas alerta que a fiscaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para que elas tenham efeito. &#8220;A gente entende que a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 cansada, mas a gente pede que se fa\u00e7a essa reflex\u00e3o. Se a gente est\u00e1 cansado dentro de casa, imagine o profissional de sa\u00fade que est\u00e1 em uma UTI [Unidade de Terapia Intensiva]&#8221;, pede ele, que defende medidas compartilhadas entre munic\u00edpios que fa\u00e7am parte da mesma regi\u00e3o de sa\u00fade, como o Rio e a Baixada Fluminense.<\/p>\n<p><em>&#8220;O v\u00edrus n\u00e3o respeita limites administrativos nem respeita decretos. Os decretos s\u00e3o para as pessoas. E as pessoas s\u00f3 v\u00e3o respeitar decretos se eles forem fiscalizados. A gente precisa, sim, de medidas mais restritivas e impopulares para conseguir diminuir o cont\u00e1gio.&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Apesar do aprendizado dos profissionais de sa\u00fade na assist\u00eancia aos pacientes com covid-19 em quase um ano de pandemia, o pesquisador acredita que a capacidade de resposta a um novo pico tamb\u00e9m teria algumas desvantagens em compara\u00e7\u00e3o com abril e maio do ano passado. &#8220;Agora tem um agravante, porque a gente tinha uma mobiliza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, tinha recursos extras de UTI e equipamentos nos hospitais de campanha e equipes de sa\u00fade mais motivadas.&#8221;<\/p>\n<p>Assim como Diego Xavier, a pesquisadora Chrystina Barros, do Centro de Estudos em Gest\u00e3o de Servi\u00e7os de Sa\u00fade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), alerta que os dados ainda n\u00e3o refletem todo o resultado das aglomera\u00e7\u00f5es registradas no fim ano. &#8220;Nosso ver\u00e3o convida as pessoas \u00e0 rua, e as pessoas come\u00e7am a subestimar o poder do v\u00edrus, achando que, por estarem ao sol, em ambiente aberto, n\u00e3o v\u00e3o pegar a doen\u00e7a. Na verdade, o que se tem \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o de fatores. O ambiente realmente vai ser mais seguro quanto mais ventilado for, mas, se o comportamento das pessoas n\u00e3o for adequado, joga-se tudo por \u00e1gua abaixo. E \u00e9 o que tem acontecido no Rio&#8221;, afirma ela. &#8220;O Rio de Janeiro chegou em um tal ponto que pode ser, sim, que a gente passe por um tempo pior do que abril e maio.&#8221;<\/p>\n<p>Para evitar o agravamento da pandemia, Chrystina Barros refor\u00e7a a recomenda\u00e7\u00e3o de mais medidas restritivas feita no in\u00edcio de dezembro pelo Grupo de Trabalho Multidisciplinar para o Enfrentamento da Covid-19, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), como a amplia\u00e7\u00e3o do n\u00famero de leitos e da testagem, a suspens\u00e3o de eventos e a limita\u00e7\u00e3o do hor\u00e1rio de funcionamento dos estabelecimentos, com fiscaliza\u00e7\u00e3o rigorosa. &#8220;Em dezembro, lan\u00e7amos uma nota indicando medidas mais restritivas. Quanto mais o tempo passa, mais restritivas elas precisam&#8221;, afirma a pesquisadora. &#8220;A gente tem um problema s\u00e9rio que \u00e9 o transporte p\u00fablico, sem d\u00favida nenhuma. Mas n\u00e3o \u00e9 porque o \u00f4nibus est\u00e1 lotado que a gente tem que ter toler\u00e2ncia com os bares lotados&#8221;.<\/p>\n<p>A eleva\u00e7\u00e3o da m\u00e9dia m\u00f3vel de mortes, na avalia\u00e7\u00e3o dela, \u00e9 o indicador mais grave entre outros dados, como a taxa de de transmiss\u00e3o, calculada pelo GT da UFRJ. O \u00edndice chegou a 1,27 para o estado do Rio de Janeiro com base em dados do final de dezembro, o que significa que cada 100 casos contagiavam mais 127.<\/p>\n<p><em>&#8220;\u00c9 fato que o Rio de Janeiro vem consistentemente aumentando o n\u00famero de \u00f3bitos, mas eles s\u00e3o apenas a ponta e o indicador mais grave&#8221;.\u00a0\u00a0 <\/em><\/p>\n<p>Procurada pela Ag\u00eancia Brasil, a Prefeitura do Rio de Janeiro afirmou que pretende abrir 343 leitos e j\u00e1 disponibilizou 150 deles no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla e no Hospital Municipal Souza Aguiar. O poder municipal acrescentou que pretende aumentar a testagem, com ao menos 450 mil pessoas testadas inicialmente, em um processo que contar\u00e1 com o aplicativo Rio Covid-19 para a autonotifica\u00e7\u00e3o e o agendamento do teste, caso seja indicado.<\/p>\n<p>Na semana passada, o prefeito, Eduardo Paes, anunciou que pretende adotar restri\u00e7\u00f5es de forma localizada, de acordo com o risco de cont\u00e1gio de cada regi\u00e3o administrativa da cidade. No boletim divulgado na semana passada, 18 regi\u00f5es tinham situa\u00e7\u00e3o de risco considerada alta, 15, moderada, e nenhuma foi considerada de risco muito alto.<\/p>\n<p>J\u00e1 o governo do estado n\u00e3o respondeu at\u00e9 o fechamento dessa reportagem. Segundo dados informados ontem pela Secretaria de Estado de Sa\u00fade, desde o dia 4 de dezembro foram realizados 24.419 testes de RT-PCR nas quatro unidades abertas pelo estado para agendamento por meio de um aplicativo para celular: o Hospital Estadual Alberto Torres e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Coluband\u00ea, em S\u00e3o Gon\u00e7alo; o Hospital Regional do M\u00e9dio Para\u00edba Dra. Zilda Arns, em Volta Redonda; e a UPA Campo Grande II, na zona oeste da capital.<\/p>\n<p>A secretaria estadual tamb\u00e9m anunciou na semana passada a inten\u00e7\u00e3o de iniciar nesta semana a regula\u00e7\u00e3o \u00fanica dos leitos de covid-19 no Sistema \u00danico de Sa\u00fade. Outra previs\u00e3o \u00e9 a abertura do Hospital Modular de Nova Igua\u00e7u, que deve ocorrer ainda neste m\u00eas, com 150 leitos.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados s\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) O estado do Rio de Janeiro chegou no domingo (10) \u00e0 maior m\u00e9dia m\u00f3vel de mortes por covid-19&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":30452,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[319,2752,2751,2888,1460,2969,1005,1375,59],"class_list":["post-33336","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-carioca","tag-coronavirus","tag-covid-19","tag-hospital","tag-infectados","tag-lotacao","tag-mortes","tag-populacao","tag-rio-de-janeiro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33336","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33336"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33336\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33337,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33336\/revisions\/33337"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30452"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33336"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33336"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33336"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}