{"id":32085,"date":"2020-10-15T12:11:34","date_gmt":"2020-10-15T15:11:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=32085"},"modified":"2020-10-15T12:11:34","modified_gmt":"2020-10-15T15:11:34","slug":"estudo-comprova-que-novo-coronavirus-afeta-o-cerebro-e-detalha-seus-efeitos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/estudo-comprova-que-novo-coronavirus-afeta-o-cerebro-e-detalha-seus-efeitos\/","title":{"rendered":"Estudo comprova que novo coronav\u00edrus afeta o c\u00e9rebro e detalha seus efeitos"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Pacientes curados do Covid-19 apresentam sintomas neurol\u00f3gicos ou neuropsiqui\u00e1tricos<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Estudo brasileiro divulgado nesta ter\u00e7a-feira (13) na plataforma medRxiv comprova que o v\u00edrus Sars-CoV-2 \u00e9 capaz de infectar c\u00e9lulas do tecido cerebral, tendo como principal alvo os astr\u00f3citos.<\/p>\n<p>Os resultados revelam ainda que mesmo os indiv\u00edduos que tiveram a forma leve da COVID-19 podem apresentar altera\u00e7\u00f5es significativas na estrutura do c\u00f3rtex-regi\u00e3o do c\u00e9rebro mais rica em neur\u00f4nios e respons\u00e1vel por fun\u00e7\u00f5es complexas como mem\u00f3ria, aten\u00e7\u00e3o, consci\u00eancia e linguagem.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o foi conduzida por diversos grupos da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e da USP (Universidade de S\u00e3o Paulo) &#8211; todos financiados pela Fapesp. Tamb\u00e9m colaboraram pesquisadores do LNBio (Laborat\u00f3rio Nacional de Bioci\u00eancias), do Instituto D&#8217;Or de Pesquisa e Ensino e da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).<\/p>\n<p><em>&#8220;Dois trabalhos anteriores haviam detectado a presen\u00e7a do novo coronav\u00edrus no c\u00e9rebro, mas n\u00e3o se sabia ao certo se ele estava no sangue, nas c\u00e9lulas endoteliais [que recobrem os vasos sangu\u00edneos] ou dentro das c\u00e9lulas nervosas. N\u00f3s mostramos pela primeira vez que ele de fato infecta e se replica nos astr\u00f3citos e que isso pode diminuir a viabilidade dos neur\u00f4nios&#8221;, conta \u00e0 Ag\u00eancia Fapesp Daniel Martins-de-Souza, professor do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, pesquisador do IDOR e um dos coordenadores da investiga\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>Os astr\u00f3citos s\u00e3o as c\u00e9lulas mais abundantes do sistema nervoso central e desempenham fun\u00e7\u00f5es variadas: oferecem sustenta\u00e7\u00e3o e nutrientes para os neur\u00f4nios; regulam a concentra\u00e7\u00e3o de neurotransmissores e de outras subst\u00e2ncias com potencial de interferir no funcionamento neuronal, como o pot\u00e1ssio; integram a barreira hematoencef\u00e1lica, ajudando a proteger o c\u00e9rebro contra pat\u00f3genos e toxinas; e ajudam a manter a homeostase cerebral.<\/p>\n<p>A infec\u00e7\u00e3o desse tipo celular foi confirmada por meio de experimentos feitos com tecido cerebral de 26 pacientes que morreram de COVID-19. As amostras foram coletadas durante procedimentos de aut\u00f3psia minimamente invasiva conduzidos pelo patologista Alexandre Fabro, professor da Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto (FMRP-USP). As an\u00e1lises foram coordenadas por Thiago Cunha, professor da FMRP-USP e integrante do Centro de Pesquisa em Doen\u00e7as Inflamat\u00f3rias (CRID).<\/p>\n<p>Os pesquisadores adotaram uma t\u00e9cnica conhecida como imuno-histoqu\u00edmica, que consiste em usar anticorpos para marcar ant\u00edgenos virais ou componentes do tecido analisado, como explica Martins-de-Souza.<\/p>\n<p><em>&#8220;Por exemplo, podemos colocar na amostra um anticorpo que ao se ligar no astr\u00f3cito faz a c\u00e9lula adquirir a colora\u00e7\u00e3o vermelha; outro que ao se ligar na prote\u00edna de esp\u00edcula do Sars-CoV-2 marca a mol\u00e9cula de verde; e, por \u00faltimo, um anticorpo para marcar de roxo o RNA viral de fita dupla, que s\u00f3 aparece durante o processo de replica\u00e7\u00e3o do microrganismo. Quando todas as imagens feitas durante o experimento foram colocadas em sobreposi\u00e7\u00e3o, notamos que as tr\u00eas cores aparecem simultaneamente apenas dentro dos astr\u00f3citos.&#8221;<\/em><\/p>\n<p>De acordo com Cunha, a presen\u00e7a do v\u00edrus foi confirmada nas 26 amostras estudadas. Em cinco delas tamb\u00e9m foram encontradas altera\u00e7\u00f5es que sugeriam um poss\u00edvel preju\u00edzo ao sistema nervoso central. &#8220;Observamos nesses cinco casos sinais de necrose e de inflama\u00e7\u00e3o, como edema [incha\u00e7o causado por ac\u00famulo de l\u00edquido], les\u00f5es neuronais e infiltrados de c\u00e9lulas inflamat\u00f3rias. Mas s\u00f3 tivemos acesso a uma pequena parte do c\u00e9rebro dos pacientes, ent\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel que sinais semelhantes tamb\u00e9m estivessem presentes nos outros 21 casos estudados, mas em regi\u00f5es diferentes do tecido&#8221;, diz Cunha.<\/p>\n<p><strong>Sintomas persistentes <\/strong><\/p>\n<p>Em outro bra\u00e7o da pesquisa, conduzido na Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas (FCM) da Unicamp, exames de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica foram feitos em 81 volunt\u00e1rios que contra\u00edram a forma leve da COVID-19 e se recuperaram. Em m\u00e9dia, as avalia\u00e7\u00f5es presenciais ocorreram 60 dias ap\u00f3s a data do teste diagn\u00f3stico e um ter\u00e7o dos participantes ainda apresentava sintomas neurol\u00f3gicos ou neuropsiqui\u00e1tricos. As principais queixas foram dor de cabe\u00e7a (40%), fadiga (40%), altera\u00e7\u00e3o de mem\u00f3ria (30%), ansiedade (28%), perda de olfato (28%), depress\u00e3o (20%), sonol\u00eancia diurna (25%), perda de paladar (16%) e de libido (14%).<\/p>\n<p>Foram inclu\u00eddas na pesquisa somente pessoas que tiveram o diagn\u00f3stico de covid-19 confirmado por RT-PCR e que n\u00e3o precisaram ser hospitalizadas. As avalia\u00e7\u00f5es foram feitas ap\u00f3s o t\u00e9rmino da fase aguda e os resultados foram comparados com dados de 145 indiv\u00edduos saud\u00e1veis e n\u00e3o infectados.<\/p>\n<p>Pela an\u00e1lise dos exames de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica foi poss\u00edvel perceber que algumas regi\u00f5es do c\u00f3rtex dos volunt\u00e1rios tinham espessura menor do que a m\u00e9dia observada nos controles, enquanto outras apresentavam aumento de tamanho &#8211; o que, segundo os autores, poderia indicar algum grau de edema.<\/p>\n<p>Nos testes neuropsicol\u00f3gicos &#8211; feitos para avaliar as fun\u00e7\u00f5es cognitivas- os volunt\u00e1rios do estudo tamb\u00e9m se sa\u00edram pior do que a m\u00e9dia dos indiv\u00edduos brasileiros em algumas tarefas. Os resultados foram ajustados de acordo com a idade, o sexo e a escolaridade de cada participante. Tamb\u00e9m foi considerado o grau de fadiga relatado pelo participante aos pesquisadores.<\/p>\n<p>O artigo SARS-CoV-2 <em>infects brain astrocytes of COVID-19 patients and impairs neuronal viability<\/em> pode ser lido em:<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.medrxiv.org\/content\/10.1101\/2020.10.09.20207464v1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.medrxiv.org\/content\/10.1101\/2020.10.09.20207464v1<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Fonte: UOL\/ Ag\u00eancia Fapesp<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pacientes curados do Covid-19 apresentam sintomas neurol\u00f3gicos ou neuropsiqui\u00e1tricos Estudo brasileiro divulgado nesta ter\u00e7a-feira (13) na plataforma medRxiv comprova que o v\u00edrus Sars-CoV-2 \u00e9 capaz&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":28633,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[61,2752,2751,3957,1042,3959,1756,3300,2709,3958,1273],"class_list":["post-32085","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-brasil","tag-coronavirus","tag-covid-19","tag-curados","tag-estudo","tag-fapesp","tag-morte","tag-pacientes","tag-ufrj","tag-unicamp","tag-usp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32085","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32085"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32085\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32086,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32085\/revisions\/32086"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28633"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32085"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32085"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32085"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}