{"id":27466,"date":"2018-07-17T11:20:00","date_gmt":"2018-07-17T14:20:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=27466"},"modified":"2018-07-17T11:20:00","modified_gmt":"2018-07-17T14:20:00","slug":"impasse-na-privatizacao-do-aeroporto-de-macae-ameaca-retomada-de-investimentos-no-setor-de-petroleo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/impasse-na-privatizacao-do-aeroporto-de-macae-ameaca-retomada-de-investimentos-no-setor-de-petroleo\/","title":{"rendered":"Impasse na privatiza\u00e7\u00e3o do aeroporto de Maca\u00e9 amea\u00e7a retomada de investimentos no setor de petr\u00f3leo"},"content":{"rendered":"<p>Com infraestrutura prec\u00e1ria, o aeroporto de Maca\u00e9, no Norte Fluminense, tornou-se uma pedra no sapato de empresas da cadeia produtiva de petr\u00f3leo. Sem voo comercial regular desde setembro de 2015 \u2014 devido \u00e0s condi\u00e7\u00f5es da pista de pouso \u2014, muitas companhias se viram obrigadas a trocar o avi\u00e3o pelo \u00f4nibus para transportar executivos, perdendo produtividade e oportunidades de neg\u00f3cios num momento de retomada para o setor. Com a Infraero sem recursos, as empresas veem na privatiza\u00e7\u00e3o o caminho para que as obras para retomar voos sejam feitas no terminal. Mas uma briga pol\u00edtica entre Rio e Esp\u00edrito Santo p\u00f5e em risco a licita\u00e7\u00e3o, prevista para este ano, justamente num momento de recupera\u00e7\u00e3o dos investimentos.<\/p>\n<p>O governo capixaba questiona o modelo do leil\u00e3o \u2014 que prev\u00ea a concess\u00e3o em bloco dos aeroportos de Maca\u00e9 e Vit\u00f3ria \u2014 e amea\u00e7a ir \u00e0 Justi\u00e7a. Alega que o valor da outorga seria maior se o terminal fosse leiloado individualmente, j\u00e1 que, rec\u00e9m-reformado, n\u00e3o precisa de obras imediatas. A concess\u00e3o conjunta, portanto, traria danos aos cofres p\u00fablicos. J\u00e1 o governo fluminense v\u00ea na \u201cvenda casada\u201d a chance de deslanchar o deficit\u00e1rio aeroporto de Maca\u00e9 e preparar a cidade para a nova fase da ind\u00fastria petrol\u00edfera.<\/p>\n<p>Maca\u00e9 \u00e9 considerada a capital nacional do petr\u00f3leo, base para gigantes do setor, como Petrobras, e fornecedores que atendem \u00e0s demandas de produtos e servi\u00e7os das plataformas da Bacia de Campos. Ber\u00e7o da explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo em \u00e1guas profundas no pa\u00eds, a produ\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera na Bacia de Campos \u2014 que abrange o litoral do Rio e do Esp\u00edrito Santo \u2014 vem caindo, com a maturidade dos campos. Em 2017, por\u00e9m, novas \u00e1reas foram ofertadas na 14\u00aa Rodada da Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo (ANP), trazendo otimismo aos empres\u00e1rios. O investimento m\u00ednimo pelos pr\u00f3ximos sete anos nos seis blocos arrematados \u00e9 de R$ 570 milh\u00f5es. E mais \u00e1reas devem ser ofertadas. A bacia era exclu\u00edda das rodadas havia uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>EMPRESAS PERDEM PRODUTIVIDADE<\/p>\n<p>A retomada dos investimentos dever\u00e1 vir acompanhada de contrata\u00e7\u00f5es. Com mais gente trabalhando, maior a press\u00e3o sobre os meios de transporte para deslocar t\u00e9cnicos e executivos. No auge da ind\u00fastria do petr\u00f3leo, em 2013, havia 836 mil empregos diretos e indiretos no pa\u00eds ligados ao segmento, segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Empresas de Servi\u00e7os de Petr\u00f3leo (Abespetro). Com recess\u00e3o, queda na cota\u00e7\u00e3o da commodity e crise da Petrobras \u2014 cujos dirigentes se tornaram alvo de investiga\u00e7\u00e3o da Lava-Jato \u2014 esse n\u00famero caiu a 397 mil em 2016, mas deve alcan\u00e7ar 734 mil em 2022. A estimativa da Abespetro \u00e9 que 80% da m\u00e3o de obra estejam distribu\u00eddas por Maca\u00e9 e cidades vizinhas.<\/p>\n<p>\u2014 Com o fim dos voos regulares para Maca\u00e9, as empresas perderam mobilidade e produtividade. E h\u00e1 o problema da seguran\u00e7a. Muitas n\u00e3o permitem que seus empregados peguem a estrada ap\u00f3s 18h \u2014 disse Gilson Coelho, secret\u00e1rio-executivo da Abespetro. \u2014 Com a expectativa de recupera\u00e7\u00e3o do setor, fazer adequa\u00e7\u00f5es na pista e construir uma nova \u00e9 fundamental para voltarmos a ter voos regulares e podermos receber, inclusive, cargueiros.<\/p>\n<p>A \u00fanica empresa que fazia voos regulares para Maca\u00e9 era a Azul. Em 2013, ela chegou a operar quatro voos di\u00e1rios, ligando a cidade a Rio, Campos, Vit\u00f3ria e Campinas. Naquele ano, 442.983 pessoas embarcaram e desembarcaram no aeroporto. Mas, para tornar seus voos mais rent\u00e1veis, a companhia mudou a frota. Desfez-se dos avi\u00f5es menores e adotou aeronaves para cerca de 70 passageiros, cujo peso \u00e9 incompat\u00edvel com a pista do aeroporto de Maca\u00e9. Os voos para o munic\u00edpio fluminense foram suspensos em setembro de 2015. Desde ent\u00e3o, apenas helic\u00f3pteros e t\u00e1xi a\u00e9reo pousam por l\u00e1. No ano passado, o movimento foi de 179.888 passageiros. A Azul j\u00e1 disse ter interesse em retomar os voos, se forem feitos ajustes na pista.<\/p>\n<p>O empres\u00e1rio Aroldo Alves Siqueira J\u00fanior, dono da fabricante de equipamentos para plataformas Tech Ocean, sediada em Maca\u00e9, era um passageiro ass\u00edduo. A viagem levava apenas 40 minutos at\u00e9 a capital capixaba e, de l\u00e1 ele seguia de carro at\u00e9 Aracruz, onde fica a segunda unidade da empresa. Desde que os voos foram suspensos, ele faz o trajeto de carro a cada dez dias e leva at\u00e9 nove horas. Mais oito executivos da empresa precisam se deslocar entre as duas f\u00e1bricas de tempos em tempos. O trajeto \u00e9 feito em \u00f4nibus fretado, que n\u00e3o sai por menos de R$ 2.500.<\/p>\n<p>\u2014 O problema n\u00e3o \u00e9 o custo, \u00e9 o desgaste f\u00edsico e psicol\u00f3gico. E o impacto na produtividade. Perde-se um dia de trabalho \u2014 lamenta Siqueira J\u00fanior.<\/p>\n<p>O governo federal pretende leiloar o aeroporto de Maca\u00e9 e o de Vit\u00f3ria juntos. A licita\u00e7\u00e3o em blocos faz parte de uma estrat\u00e9gia que busca agrupar terminais por voca\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios e mesclar superavit\u00e1rios e deficit\u00e1rios. Assim, quem der o melhor lance leva um aeroporto que d\u00e1 lucro e outro que d\u00e1 preju\u00edzo. Foram definidos tr\u00eas blocos: no Nordeste, s\u00e3o seis terminais relacionados ao turismo; no Centro-Oeste, cinco ligados ao agroneg\u00f3cio, e, no Sudeste, dois associados \u00e0 ind\u00fastria do petr\u00f3leo. Inicialmente, os aeroportos de Santos Dumont e Jacarepagu\u00e1 fariam parte deste grupo, mas percebeu-se que o baque nas finan\u00e7as da Infraero seria grande demais e decidiu-se deix\u00e1-los de fora. O prazo da consulta p\u00fablica para a concess\u00e3o dos tr\u00eas blocos terminou sexta-feira. O objetivo \u00e9 licit\u00e1-los este ano.<\/p>\n<p>O governo fluminense v\u00ea na licita\u00e7\u00e3o conjunta um caminho para dinamizar o aeroporto de Maca\u00e9. A estimativa oficial de recursos que devem ser aplicados no terminal ao longo de 30 anos de concess\u00e3o \u00e9 de R$ 324 milh\u00f5es, sendo algumas demandas imediatas, como a constru\u00e7\u00e3o de uma nova pista. Isso poderia viabilizar pouso e decolagem at\u00e9 de cargueiros. Hoje, o transporte de carga \u00e9 feito pelo aeroporto do Rio ou de Cabo Frio e segue por rodovias at\u00e9 a cidade. Segundo a Infraero, enquanto a licita\u00e7\u00e3o n\u00e3o sai, est\u00e3o sendo feitos ajustes na pista atual, numa tentativa de retomar voos regulares de passageiros.<\/p>\n<p>\u2014 O aeroporto de Vit\u00f3ria recebeu muitos investimentos nos \u00faltimos anos e chegou a ter obras paradas por suspeitas de sobrepre\u00e7o \u2014 disse Delmo Pinho, subsecret\u00e1rio de Transportes do Estado do Rio.<\/p>\n<p>As obras no aeroporto de Vit\u00f3ria foram paralisadas em julho de 2008 ap\u00f3s o Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) apontar suspeitas de superfaturamento. A Infraero tentou repactuar o valor com o cons\u00f3rcio respons\u00e1vel pelo projeto, mas n\u00e3o obteve sucesso. As obras s\u00f3 foram retomadas em 2015, sob novo contrato, e foram inauguradas em mar\u00e7o. A capacidade foi ampliada de 3,3 milh\u00f5es para 8,4 milh\u00f5es de passageiros por ano. Suficiente para atender a demanda por 15 anos, segundo a Infraero. Ainda assim, estima-se que sejam necess\u00e1rios R$ 320 milh\u00f5es ao longo de 30 anos de concess\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas o modelo de licita\u00e7\u00e3o desagradou ao governo do Esp\u00edrito Santo, que v\u00ea no deficit\u00e1rio aeroporto de Maca\u00e9 um inibidor de interessados no de Vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>\u2014 Se licitados em bloco, esses aeroportos v\u00e3o atrair empresas com expertise em constru\u00e7\u00e3o, n\u00e3o em gest\u00e3o aeroportu\u00e1ria, que \u00e9 o que precisamos em Vit\u00f3ria. Vamos a todas as inst\u00e2ncias para barrar esse modelo, inclusive \u00e0 Justi\u00e7a, se necess\u00e1rio \u2014 disse Alexandre Nogueira Alves, procurador do estado do Esp\u00edrito Santo, que j\u00e1 se prepara para encaminhar ao TCU uma representa\u00e7\u00e3o questionando o modelo.<\/p>\n<p>OPORTUNIDADE PERDIDA<\/p>\n<p>H\u00e1 duas semanas, o governador Luiz Fernando Pez\u00e3o esteve com o presidente Michel Temer, em Bras\u00edlia, para cobrar uma posi\u00e7\u00e3o do governo a favor do leil\u00e3o conjunto. O governador Paulo Hartung lan\u00e7ou m\u00e3o de uma \u00faltima cartada: prop\u00f4s a concess\u00e3o em bloco dos aeroportos de Maca\u00e9, Santos Dumont, Vit\u00f3ria e Linhares (ES). Mas a proposta n\u00e3o foi bem recebida em Bras\u00edlia. Para isso, seria preciso recome\u00e7ar todo o processo, dos estudos de viabilidade \u00e0s audi\u00eancias p\u00fablicas.<\/p>\n<p>PUBLICIDADE<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o cabe ao governo ajudar um estado e prejudicar outro. A filosofia por tr\u00e1s desse modelo \u00e9 que a Infraero trabalha num sistema de caixa \u00fanico, com subs\u00eddios cruzados. Ela n\u00e3o pode vender apenas o que d\u00e1 lucro e ficar com o que d\u00e1 preju\u00edzo. A licita\u00e7\u00e3o em bloco \u00e9 uma praxe em v\u00e1rios pa\u00edses, como Espanha, Portugal e M\u00e9xico \u2014 diz Dario Lopes, secret\u00e1rio nacional de Avia\u00e7\u00e3o Civil.<\/p>\n<p>Enquanto os \u00e2nimos permanecem exaltados e a licita\u00e7\u00e3o, ainda sem data, os empres\u00e1rios em Maca\u00e9 enfrentam dificuldade para fazer neg\u00f3cios. Antonio Severino dos Santos \u00e9 dono de uma importadora e presta servi\u00e7os ao setor petrol\u00edfero. No ano passado, na 9\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Brazil Offshore \u2014 feira que re\u00fane fornecedores da ind\u00fastria do petr\u00f3leo em Maca\u00e9 \u2014, Santos n\u00e3o conseguiu trazer seu parceiro internacional por falta de voos diretos a partir do Rio.<\/p>\n<p>\u2014 Perdi oportunidade de neg\u00f3cios. Esperamos que, na edi\u00e7\u00e3o do ano que vem, a cidade j\u00e1 esteja conectada.<\/p>\n<p>Fonte: O Globo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com infraestrutura prec\u00e1ria, o aeroporto de Maca\u00e9, no Norte Fluminense, tornou-se uma pedra no sapato de empresas da cadeia produtiva de petr\u00f3leo. 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