{"id":27451,"date":"2018-07-16T10:13:59","date_gmt":"2018-07-16T13:13:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=27451"},"modified":"2018-07-16T10:13:59","modified_gmt":"2018-07-16T13:13:59","slug":"vale-se-ve-no-meio-de-briga-entre-estados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/vale-se-ve-no-meio-de-briga-entre-estados\/","title":{"rendered":"Vale se v\u00ea no meio de briga entre Estados"},"content":{"rendered":"<p>A mineradora Vale est\u00e1 se mobilizando para evitar que uma discuss\u00e3o antiga do agroneg\u00f3cio \u2013 a melhor sa\u00edda para os gr\u00e3os exportados a partir do Centro-Oeste \u2013 atrase um dos projetos de maior interesse para a companhia: a renova\u00e7\u00e3o antecipada da concess\u00e3o de suas estradas de ferro. Especialistas que acompanham a discuss\u00e3o dizem que a escolha da contrapartida, pelo governo federal, contraria compromissos antigos da mineradora com Esp\u00edrito Santo e Par\u00e1 e politiza a quest\u00e3o antes da hora ao definir os Estados que ser\u00e3o beneficiados pelos investimentos.<\/p>\n<p>\u00a0Ao negociar a renova\u00e7\u00e3o antecipada, a Vale aceitou construir a Ferrovia de Integra\u00e7\u00e3o do Centro-Oeste (Fico), entre Campinorte (GO) e \u00c1gua Boa (MT), ao custo de R$ 4 bilh\u00f5es e entreg\u00e1-la ao governo, que licitar\u00e1 o operador. No entanto, especialistas dizem que essa n\u00e3o \u00e9 a melhor op\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Para n\u00e3o travar o processo e a empresa n\u00e3o correr risco de ter de negociar com o pr\u00f3ximo governo, eles defendem o pagamento em dinheiro da nova outorga. \u201cIsso pode virar um inferno se n\u00e3o agirem logo. Conhe\u00e7o bem essa hist\u00f3ria, pois j\u00e1 fui personagem nela\u201d, diz o ex-diretor da Vale Jos\u00e9 Carlos Martins, para quem as demandas de Par\u00e1 e Esp\u00edrito Santo precisam ser analisadas.<\/p>\n<p>A empresa n\u00e3o comenta o assunto, mas a avalia\u00e7\u00e3o interna \u00e9 de que a contrapartida exigida \u00e9 v\u00e1lida para minimizar o risco de deixar a discuss\u00e3o para o ano que vem. A VLI, empresa de log\u00edstica da qual a Vale det\u00e9m 30%, deve investir mais R$ 1 bilh\u00e3o para construir um trecho da estrada de ferro que ligaria os portos do Esp\u00edrito Santo e do Rio de Janeiro. O esfor\u00e7o \u00e9 para contornar a oposi\u00e7\u00e3o dos governadores do Esp\u00edrito Santo e do Par\u00e1, que deram contornos de briga federativa ao acordo que era costurado.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cTinha tudo para ser perfeito, nem o TCU (Tribunal de Contas da Uni\u00e3o) ia questionar. Agora, o maior risco \u00e9 travar um pacote de investimentos de R$ 25 bilh\u00f5es\u201d, diz o coordenador do N\u00facleo de Log\u00edstica da Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral, Paulo Resende. Ele se refere \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o conduzida pela Vale e por outras tr\u00eas operadoras ferrovi\u00e1rias: VLI, Rumo e MRS.<\/p>\n<p>Pol\u00eamica. Segundo Resende, a necessidade de interligar, por ferrovias, a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os do Centro-Oeste aos portos \u00e9 \u00f3bvia. A politiza\u00e7\u00e3o ocorreu na escolha das sa\u00eddas da ferrovia por Itaqui (MA) e Santos (SP). Como o projeto ainda ter\u00e1 de passar por audi\u00eancias p\u00fablicas, as cr\u00edticas dos governos do Esp\u00edrito Santo e do Par\u00e1 podem interromper o processo.<\/p>\n<p>O Par\u00e1 defende a prioriza\u00e7\u00e3o de um arco ferrovi\u00e1rio na regi\u00e3o Norte, que integre ferrovias, hidrovias e portos e viabilize a sa\u00edda dos gr\u00e3os por v\u00e1rios portos da regi\u00e3o. J\u00e1 o Esp\u00edrito Santo quer a aloca\u00e7\u00e3o dos recursos das novas outorgas na constru\u00e7\u00e3o da ferrovia Esp\u00edrito Santo\u2013Rio. O projeto integraria os portos dos dois Estados e beneficiaria o polo de minera\u00e7\u00e3o e siderurgia, que hoje \u00e9 obrigado a utilizar passar por S\u00e3o Paulo e Minas com suas cargas, o que aumenta os custos log\u00edsticos.<\/p>\n<p>\u201cTeria sido melhor n\u00e3o definir agora onde ser\u00e3o aplicados os recursos e avan\u00e7ar com a renova\u00e7\u00e3o antecipada, negociada desde 2013. Transformaram em briga federativa uma discuss\u00e3o que exige briga de curto prazo\u201d, diz o especialista.<\/p>\n<p>Martins tamb\u00e9m acha que seria melhor pagar a contrapartida em dinheiro e deixar que o governo investisse onde quisesse. \u201cA quest\u00e3o \u00e9 que, pagando com ferrovia no Mato Grosso, que n\u00e3o tem nada da Vale, a empresa criou uma d\u00edvida com outros Estados onde tem opera\u00e7\u00f5es\u201d, diz.<\/p>\n<p>De acordo com o economista Armando Castelar, da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV), o atual momento pol\u00edtico do Pa\u00eds justifica a tentativa de transferir a responsabilidade de constru\u00e7\u00e3o para um agente privado. Ele frisa que precisa estar \u201ctudo amarrado\u201d e chama aten\u00e7\u00e3o para as vantagens da mudan\u00e7a contratual, al\u00e9m dos investimentos. \u201cEstamos diante da oportunidade de fazer uma mudan\u00e7a importante, que vem sendo discutida desde 2013\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Ele lembra que a mudan\u00e7a contratual inclui a possibilidade de devolu\u00e7\u00e3o de trechos, maior abertura a novos usu\u00e1rios e descontos caso os investimentos n\u00e3o sejam realizados.\u00a0<\/p>\n<p>Para ele, os governadores de Par\u00e1 e Esp\u00edrito Santo est\u00e3o usando os argumentos errados. \u201cOs governadores est\u00e3o preocupados com seus Estados, e o governo federal, com o Brasil. Eles est\u00e3o querendo ser compensados por uma coisa boa, que \u00e9 j\u00e1 ter ferrovias. Justi\u00e7a federativa \u00e9 investir em quem n\u00e3o tem ferrovia ainda\u201d, completa.\u00a0<\/p>\n<p>Em nota, a Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Transportadores Ferrovi\u00e1rios (ANTF) informou que a defini\u00e7\u00e3o dos investimentos compete ao governo federal e est\u00e1 amparada no Plano Nacional de Log\u00edstica (PNL).<\/p>\n<p>Fonte: Estad\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mineradora Vale est\u00e1 se mobilizando para evitar que uma discuss\u00e3o antiga do agroneg\u00f3cio \u2013 a melhor sa\u00edda para os gr\u00e3os exportados a partir do&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":18013,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-27451","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27451","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27451"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27451\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27452,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27451\/revisions\/27452"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18013"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27451"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27451"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27451"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}