{"id":27425,"date":"2018-07-12T00:00:08","date_gmt":"2018-07-12T03:00:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=27425"},"modified":"2018-07-12T09:19:25","modified_gmt":"2018-07-12T12:19:25","slug":"classe-tamandare-mais-detalhes-da-proposta-da-damen-saab-e-wilson-sons","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/classe-tamandare-mais-detalhes-da-proposta-da-damen-saab-e-wilson-sons\/","title":{"rendered":"Classe Tamandar\u00e9: mais detalhes da proposta da Damen, Saab e Wilson Sons"},"content":{"rendered":"<p>Na feira RIDEX, que ocorreu entre 27 e 29 de junho no Rio de Janeiro, o \u2018Cons\u00f3rcio Damen Saab Tamandar\u00e9\u2019, do qual participam as duas empresas europeias e o estaleiro brasileiro Wilson Sons, apresentou informa\u00e7\u00f5es sobre sua proposta baseada no navio Sigma 10514 para o programa das novas corvetas para a Marinha do Brasil, e o Poder Naval tamb\u00e9m apurou algumas caracter\u00edsticas t\u00e9cnicas adicionais dos navios<\/p>\n<p>Esta mat\u00e9ria trata da proposta da Damen \/ Saab \/ Wilson Sons para o programa de obten\u00e7\u00e3o das corvetas classe \u201cTamandar\u00e9\u201d (CCT) da Marinha do Brasil\u00a0 (MB). Mas, antes de falar da proposta, vale a pena rapidamente relembrar alguns acontecimentos anteriores do programa para colocar a proposta no devido contexto: em 19 de dezembro do ano passado (2017), a MB lan\u00e7ou o Pedido de Propostas (RFP \u2013 request for proposal) para estaleiros estrangeiros interessados em construir as CCT em parceria com estaleiros do Brasil, com transfer\u00eancia de tecnologia para a constru\u00e7\u00e3o dos quatro navios solicitados. Na ocasi\u00e3o (clique aqui para acessar mat\u00e9ria da \u00e9poca), foi informado aos presentes que as propostas poderiam ser respondidas para a constru\u00e7\u00e3o tanto do projeto de propriedade intelectual da Marinha (desenvolvido pelo Centro de Projetos de Navios da MB e detalhado pela Vard, a partir da corveta Barroso, em servi\u00e7o, e recebeu diversos e importantes aprimoramentos e modifica\u00e7\u00f5es) tanto com um projeto de propriedade intelectual do proponente \u2013 NAPIP \u2013 desde que superasse as caracter\u00edsticas do projeto da Marinha.<\/p>\n<p>Em 18 de junho deste ano, nove propostas foram entregues em resposta ao RFP, entre elas a do cons\u00f3rcio formado pelo estaleiro holand\u00eas Damen Schelde Naval Shipbuilding (DSNS), pela divis\u00e3o Saab Naval Solutions do grupo de defesa sueco Saab, e pelo Wilson Sons Estaleiros, do Brasil. O cons\u00f3rcio concorre ao programa CCT com uma proposta de NAPIP, uma vers\u00e3o modificada da plataforma Sigma 10514.<\/p>\n<p>Nesta mat\u00e9ria, trazemos alguns detalhes da proposta do cons\u00f3rcio e de aspectos t\u00e9cnicos do navio, conforme pudemos apurar na recente edi\u00e7\u00e3o da feira Ridex, realizada entre 27 e 29 de junho no Rio de Janeiro, evento ao qual o Poder Naval esteve presente e o cons\u00f3rcio exp\u00f4s num estande pr\u00f3prio da parceria Damen \u2013 Saab \u2013 Wilson Sons. No estande, destacava-se uma maquete do navio proposto (que pode ser visto nas fotos acima e abaixo, e outras desta mat\u00e9ria) e concep\u00e7\u00f5es art\u00edsticas nas paredes, pain\u00e9is eletr\u00f4nicos e materiais impressos.\u00a0<\/p>\n<p>Plataforma Sigma 10514 \u2013 Vers\u00f5es do navio foram contratadas pelas marinhas da Indon\u00e9sia, Marrocos e do M\u00e9xico, sendo basicamente, segundo o cons\u00f3rcio, um projeto comprovado sobre o qual foram introduzidas as modifica\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para atender ao RFP. O nome Sigma corresponde a uma fam\u00edlia de embarca\u00e7\u00f5es da Damen abrangendo desde navios-patrulha e de ataque r\u00e1pido at\u00e9 fragatas, em que o formato do casco, constru\u00eddo segundo um plano estrutural padr\u00e3o, \u00e9 ampliado em comprimento e em boca (largura) para as diversas op\u00e7\u00f5es. Esse formato, segundo a Damen, \u00e9 resultado da experi\u00eancia com sete gera\u00e7\u00f5es de fragatas constru\u00eddas no passado, sendo por esse motivo amplamente testado. Ainda que o destaque da empresa holandesa na ocasi\u00e3o fosse nos navios militares, foi ressaltado que a Damen j\u00e1 construir mais de 6 mil embarca\u00e7\u00f5es no total, atendendo a mais de 20 marinhas, acumulando cerca de 140 anos de experi\u00eancia.<\/p>\n<p>A numera\u00e7\u00e3o dos navios da fam\u00edlia Sigma faz refer\u00eancia ao comprimento e boca do navio. Assim, a corveta Sigma 7513, por exemplo, refere-se a um navio com 75 metros de comprimento e 13 metros de boca (valores aproximados). Vale dizer que a empresa classifica produtos da fam\u00edlia como corvetas at\u00e9 a Sigma 9113 (91m de comprimento x 13m de boca) e o modelo seguinte da fam\u00edlia, a Sigma 9813, j\u00e1 \u00e9 apresentada como fragata. Mas essa classifica\u00e7\u00e3o varia de fabricante para fabricante, de cliente para cliente.<\/p>\n<p>No caso do navio oferecido para a concorr\u00eancia brasileira, a oferta est\u00e1 baseada no projeto Sigma 10514, ou seja, um navio de 105 metros de comprimento e 14 metros de boca e que o fabricante classifica como fragata. Como mencionado, j\u00e1 teve contratos assinados e constru\u00e7\u00e3o de navios iniciada no M\u00e9xico, Marrocos e Indon\u00e9sia (para esta, a primeira entrega foi em fevereiro de 2017). Por\u00e9m, apesar da numera\u00e7\u00e3o ter sido mantida como 10514, na ficha t\u00e9cnica da vers\u00e3o para o Brasil o comprimento indicado n\u00e3o \u00e9 de 105 metros, e sim de 107,5 metros, e percebe-se pelas ilustra\u00e7\u00f5es e pela pr\u00f3pria maquete, em compara\u00e7\u00e3o por exemplo \u00e0 vers\u00e3o\u00a0 recentemente entregue para a Indon\u00e9sia, que esse acr\u00e9scimo de comprimento aparentemente foi feito no espelho de popa (que ganhou maior inclina\u00e7\u00e3o), ampliando-se a \u00e1rea do convoo.<\/p>\n<p>Ainda segundo a Damen, o projeto da fam\u00edlia Sigma \u00e9 modular, com emprego de solu\u00e7\u00f5es padr\u00e3o e uso de equipamentos dispon\u00edveis comercialmente, os chamados itens \u201cde prateleira\u201d (off-the-shelf)\u00a0 sempre que poss\u00edvel, que podem ser aprimorados para atender a padr\u00f5es militares quando necess\u00e1rio. Outra caracter\u00edstica destacada pela empresa holandesa \u00e9 que o efeito da repeti\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es na fam\u00edlia Sigma, tanto no casco quanto nos sistemas, reduz a complexidade da constru\u00e7\u00e3o e o risco dos projetos.<\/p>\n<p>Modularidade e aprendizado \u2013 Para atender ao RFP da Marinha do Brasil quanto \u00e0s exig\u00eancias de conte\u00fado local, transfer\u00eancia de tecnologia, constru\u00e7\u00e3o em estaleiro brasileiro e capacidade futura de manuten\u00e7\u00e3o, o cons\u00f3rcio aproveitou o conceito de constru\u00e7\u00e3o modular da plataforma Sigma. Conforme Alencar Leal, oficial da reserva da Marinha (deixou o servi\u00e7o h\u00e1 10 anos) e que hoje \u00e9 analista de projetos da Saab Brasil, caso seja vencedora da concorr\u00eancia da Marinha, a proposta prev\u00ea que a maior parte do trabalho de constru\u00e7\u00e3o dos m\u00f3dulos dos quatro navios seja feita no estaleiro brasileiro integrante do cons\u00f3rcio, o Wilson Sons. Apenas alguns m\u00f3dulos do primeiro navio dever\u00e3o ser constru\u00eddos na Holanda, no caso os que cont\u00e9m os componentes de automa\u00e7\u00e3o e de eletr\u00f4nica, com aprendizado de engenheiros e t\u00e9cnicos brasileiros no processo para treinarem como \u201crechear\u201d esses m\u00f3dulos com os sistemas de alta complexidade oferecidos. Demais m\u00f3dulos deste primeiro navio j\u00e1 seriam constru\u00eddos no Brasil pelo estaleiro Wilson Sons.<\/p>\n<p>Concep\u00e7\u00e3o art\u00edstica do cons\u00f3rcio Damen \u2013 Saab \u2013 Wilson Sons mostra os diversos m\u00f3dulos que comp\u00f5em a Sigma 10514 oferecida para o Brasil. Percebe-se op\u00e7\u00f5es de maior calibre para o canh\u00e3o principal de 57mm da proposta, assim como lan\u00e7adores de m\u00edsseis antinavio tanto do padr\u00e3o Exocet \/ Mansup (em configura\u00e7\u00e3o 4+4) adotados pela Marinha do Brasil quanto do padr\u00e3o RBS15 sueco (em configura\u00e7\u00e3o 2+2)<\/p>\n<p>A partir da segunda unidade, todos os m\u00f3dulos, incluindo os que recebem os componentes de automa\u00e7\u00e3o e de eletr\u00f4nica, seriam constru\u00eddos no Brasil, atendendo \u00e0s exig\u00eancias de conte\u00fado local e de cronograma exigidos pelo RFP da Marinha. Ainda segundo Leal, n\u00e3o s\u00f3 o treinamento dos engenheiros e t\u00e9cnicos brasileiros na Holanda para acompanharem a constru\u00e7\u00e3o dos primeiros m\u00f3dulos e integra\u00e7\u00e3o dos sistemas eletr\u00f4nicos, mas tamb\u00e9m o treinamento de tripula\u00e7\u00f5es para operar os navios s\u00e3o atendidos pela proposta do cons\u00f3rcio (vale lembrar que as exig\u00eancias de solu\u00e7\u00f5es de treinamento para os tripulantes est\u00e3o no RFP da Marinha).<\/p>\n<p>Wilson Sons e redu\u00e7\u00e3o de riscos \u2013 Conforme Alencar Leal, a proposta do cons\u00f3rcio visa reduzir ao m\u00ednimo os riscos da Marinha do Brasil com as novas corvetas, oferecendo um navio que \u00e9 uma plataforma comprovada, a ser constru\u00edda por um estaleiro nacional, o Wilson Sons, que j\u00e1 tem uma rela\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios de mais de 20 anos com a holandesa Damen. Ou seja, j\u00e1 est\u00e3o acostumados a realizar programas,\u00a0 construir navios e compartilhar informa\u00e7\u00f5es de projetos \u201cfalando a mesma l\u00edngua\u201d, n\u00e3o precisam come\u00e7ar a aprender a trabalhar juntos agora. Da mesma forma, Damen e Saab j\u00e1 realizam outros programas juntos na Europa h\u00e1 bastante tempo, segundo Leal.<\/p>\n<p>Sobre o Wilson Sons, o estaleiro tem mais de 80 anos de hist\u00f3ria e est\u00e1 localizado na cidade de Guaruj\u00e1 (litoral do estado de S\u00e3o Paulo), junto ao canal de entrada do porto de Santos, e sua experi\u00eancia na constru\u00e7\u00e3o, manuten\u00e7\u00e3o e reparo de navios \u00e9 em sua maior parte em embarca\u00e7\u00f5es para apoio a plataformas em alto-mar e apoio portu\u00e1rio. O estaleiro j\u00e1 construiu mais de 130 navios, 90 deles em conjunto com a Damen.<\/p>\n<p>Concep\u00e7\u00e3o art\u00edstica da vers\u00e3o Sigma 10514 oferecida para o programa CCT da Marinha do Brasil, sobrevoada por dois ca\u00e7as Saab Gripen e tendo o panorama do Rio de Janeiro ao fundo<\/p>\n<p>Sistemas, sensores e armentos da Saab \u2013 consider\u00e1vel quantidade de sistemas e armamentos da proposta t\u00eam fornecimento pelo grupo Saab (que acumula mais de 75 anos de experi\u00eancia no mercado de defesa), como o sistema de gerenciamento de combate 9LV, customiz\u00e1vel para v\u00e1rios tipos de navios militares. A arquitetura do 9LV \u00e9 aberta, visando facilitar a integra\u00e7\u00e3o de m\u00f3dulos de terceiros, e segundo o cons\u00f3rcio j\u00e1 \u00e9 empregado por diversas marinhas. Embora n\u00e3o pudesse entrar em detalhes adicionais, mesmo porque os processos de sele\u00e7\u00e3o e negocia\u00e7\u00f5es mais profundas com a Marinha quanto a equipamentos, sensores e sistemas espec\u00edficos depender\u00e3o da oferta avan\u00e7ar para a \u201cshort list\u201d da concorr\u00eancia, Alencar Leal afirmou que a proposta do sistema 9LV \u00e9 continuar a evolu\u00e7\u00e3o do sistema de combate nacional.<\/p>\n<p>No material de divulga\u00e7\u00e3o apresentado, constam entre os principais itens da Saab n\u00e3o s\u00f3 o sistema 9LV, mas tamb\u00e9m radares de vigil\u00e2ncia 3D Sea Giraffe AMB e 1X (no interior de um radome c\u00f4nico que forma a continuidade do mastro principal), sistema \/ radar de dire\u00e7\u00e3o de tiro CEROS 200, al\u00e7a optr\u00f4nica \/ eletro-\u00f3ptica de dire\u00e7\u00e3o de tiro EOS 500, sistemas de guerra eletr\u00f4nica (R-ESM e C-ESM SME 250 e CRS Naval), sistema TactiCall integrado de comunica\u00e7\u00f5es, lan\u00e7adores de m\u00edsseis mar-mar RBS15 (quatro m\u00edsseis, em configura\u00e7\u00e3o 2+2), al\u00e9m de esta\u00e7\u00f5es remotas de armas Trackfire. Apesar de n\u00e3o denominados explicitamente, os canh\u00f5es principal (57mm) e secund\u00e1rio (40mm) mostrados nas concep\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e na maquete s\u00e3o produtos de origem tamb\u00e9m sueca (Bofors, sendo atualmente produtos oferecidos pelo grupo brit\u00e2nico BAE Systems), ainda que outras op\u00e7\u00f5es de maior calibre fossem vistas para o canh\u00e3o principal na ilustra\u00e7\u00e3o da divis\u00e3o em m\u00f3dulos, e que s\u00e3o produtos de outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>N\u00e3o foram apresentados explicitamente os fornecedores de sistemas como sonar, lan\u00e7adores triplos de torpedos antissubmarinos (posicionados atr\u00e1s de portas nos bordos da superestrutura), de despistadores de m\u00edsseis, assim como de m\u00edsseis antia\u00e9reos (em c\u00e9lulas de lan\u00e7amento vertical posicionadas atr\u00e1s do canh\u00e3o principal). Vale ressaltar, por\u00e9m, que al\u00e9m do estaleiro Wilson Sons o cons\u00f3rcio apresentou algumas das empresas brasileiras parceiras na proposta, no caso a Consub (solu\u00e7\u00f5es em tecnologia e integra\u00e7\u00e3o de sistemas navais), respons\u00e1vel pela integra\u00e7\u00e3o dos equipamentos, e a Akaer (mercados aeroespacial e de defesa), que fornecer\u00e1 \u201coutros sistemas de combate\u201d. A Consub, vale frisar, \u00e9 fornecedora dos sistemas de gerenciamento de combate Siconta para a MB. Foi refor\u00e7ada pelo cons\u00f3rcio a flexibilidade da proposta para atender aos requisitos que a Marinha estipular, ap\u00f3s eventual avan\u00e7o da proposta do cons\u00f3rcio na concorr\u00eancia, para instala\u00e7\u00e3o de equipamentos espec\u00edficos de fornecedores de sua escolha.<\/p>\n<p>Apurando mais detalhes \u2013 Al\u00e9m das quest\u00f5es de car\u00e1ter geral envolvendo a proposta do cons\u00f3rcio, este colaborador do Poder Naval buscou conhecer alguns detalhes mais espec\u00edficos do navio oferecido para a concorr\u00eancia. Para isso, conversei com um dos engenheiros navais da Damen, Roberto Santoro, at\u00e9 onde foi poss\u00edvel antes que um executivo da empresa \u201cgentilmente\u201d me convidasse a n\u00e3o fazer mais perguntas no estande.<\/p>\n<p>Plataforma de armas \u00e0 vante do passadi\u00e7o \u2013 A primeira das quest\u00f5es referiu-se \u00e0 mudan\u00e7a de posicionamento do canh\u00e3o secund\u00e1rio, que em outros navios Sigma 10514 \u00e9 instalado em plataforma entre o passadi\u00e7o e o canh\u00e3o principal, e que se destaca na linha diagonal da superestrutura. Na maquete e ilustra\u00e7\u00f5es da vers\u00e3o para a concorr\u00eancia da classe \u201cTamandar\u00e9\u201d, o canh\u00e3o secund\u00e1rio, cujo formato \u00e9 claramente de uma torreta BAE Bofors 40mm Mk4 de opera\u00e7\u00e3o remota (com back-up de opera\u00e7\u00e3o local), est\u00e1 posicionado sobre o hangar, tal qual a torreta Mk3 da corveta Barroso da Marinha do Brasil. A mudan\u00e7a atende a requisitos da pr\u00f3pria Marinha. Perguntei se a proposta inclui alguma op\u00e7\u00e3o para ocupar essa plataforma \u00e0 vante do passadi\u00e7o com algum armamento, e se, no caso de poderem ser disponibilizadas para tanto algumas \u00e1reas dos compartimentos de conveses inferiores, se o projeto permitiria a instala\u00e7\u00e3o abaixo dessa plataforma de lan\u00e7adores verticais de maior comprimento que os j\u00e1 previstos no conv\u00e9s principal (aproveitando-se a maior altura em rela\u00e7\u00e3o a este para prover maior profundidade).<\/p>\n<p>A resposta foi que essa plataforma \u00e9 vista, na vers\u00e3o oferecida para a MB, como espa\u00e7o para eventual instala\u00e7\u00e3o sobre ela de sistemas de armas desej\u00e1veis no futuro, em moderniza\u00e7\u00f5es e atualiza\u00e7\u00f5es. Ou seja, um espa\u00e7o reservado para capacidade de crescimento. Por\u00e9m, n\u00e3o seria aconselh\u00e1vel, em navio desse porte, que lan\u00e7adores verticais ficassem mais pr\u00f3ximos ao passadi\u00e7o do que j\u00e1 est\u00e3o na proposta original \u2013 a n\u00e3o ser que se fizesse um redesenho da superestrutura nessa posi\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o seria um grande problema em face do conceito de modularidade da fam\u00edlia Sigma. Assim, o objetivo \u00e9 que essa plataforma fique vaga para eventuais necessidades futuras da Marinha.<\/p>\n<p>Propuls\u00e3o CODOE \u2013 Satisfeita essa curiosidade, passei a fazer v\u00e1rias perguntas sobre a configura\u00e7\u00e3o do sistema de propuls\u00e3o CODOE (Combined Diesel Or Electric \u2013 Combina\u00e7\u00e3o Diesel ou El\u00e9trico) em dois eixos e dois h\u00e9lices do navio proposto. Para essa conversa, eu e o engenheiro nos valemos da boa vis\u00e3o que a maquete oferecia das tr\u00eas chamin\u00e9s, uma central e de pequeno tamanho, pr\u00f3xima ao fundo do hangar, e outras duas maiores posicionadas lado a lado a meia-nau, a qual servia de guia para a distribui\u00e7\u00e3o dos motores principais e auxiliares abaixo. Em resumo, as respostas indicaram a seguinte configura\u00e7\u00e3o do sistema, de popa para proa, em compartimentos separados para garantir maior sobreviv\u00eancia em combate:<\/p>\n<p>Na altura da pequena chamin\u00e9 centralizada, estar\u00e3o localizados dois motores diesel auxiliares acoplados a dois geradores, cada um com pot\u00eancia na faixa de 1MW (os valores s\u00e3o aproximados, e Santoro n\u00e3o poderia entrar em mais detalhes).<\/p>\n<p>Entre a chamin\u00e9 centralizada e as duas maiores, ficar\u00e1 o compartimento em que estar\u00e3o dois motores el\u00e9tricos, que dividir\u00e3o o espa\u00e7o com a caixa de engrenagens dos dois motores diesel principais (acoplados a esta caixa). Esses dois motores, de dimens\u00f5es bem maiores que os auxiliares e com pot\u00eancia na faixa de 10MW cada, ficar\u00e3o em compartimento exatamente abaixo das duas chamin\u00e9s maiores.<\/p>\n<p>Por fim, no \u00faltimo compartimento do sistema de propuls\u00e3o, no sentido para a proa, estar\u00e3o mais dois motores auxiliares de 1MW (com exaust\u00e3o por tubula\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0s duas chamin\u00e9s maiores).<\/p>\n<p>Esse sistema, al\u00e9m da maior compartimenta\u00e7\u00e3o, permite flexibilidade na propuls\u00e3o. Para cruzeiro econ\u00f4mico, em velocidades pr\u00f3ximas a 14 n\u00f3s que permitem um alcance de 5.000 milhas n\u00e1uticas, os dois motores diesel maiores ficam desligados, e a propuls\u00e3o \u00e9 feita pelos dois motores el\u00e9tricos acoplados aos dois eixos, alimentados pela eletricidade gerada pelos quatro motores auxiliares (que tamb\u00e9m respondem pela gera\u00e7\u00e3o de energia para os demais sistemas do navio). A propuls\u00e3o por motores el\u00e9tricos alimentados por geradores diesel, desde que estes estejam instalados de forma a evitar propaga\u00e7\u00e3o de ru\u00eddo e vibra\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m pode proporcionar deslocamento silencioso em velocidades mais baixas, o que \u00e9 especialmente desejado na guerra antissubmarino.<\/p>\n<p>J\u00e1 para a velocidade de pico, ao redor de 26 n\u00f3s, n\u00e3o entram em linha os motores el\u00e9tricos \u2013 por isso a segunda letra \u201cO\u201d, de \u201cor\u201d (ou) da sigla CODOE \u2013 e sim os dois grandes motores diesel de 10MW de pot\u00eancia cada.<\/p>\n<p>Perguntei se esse arranjo com dois motores diesel principais era o convencional, em que ambos se conectam \u00e0 caixa de engrenagens de forma que tanto um quanto o outro possam fazer girar ambos os eixos, e a resposta foi positiva, o que me levou a questionar qual a velocidade numa eventual utiliza\u00e7\u00e3o de apenas um dos motores, para uma situa\u00e7\u00e3o em que fosse necess\u00e1ria velocidade de cruzeiro mais alta (numa faixa n\u00e3o t\u00e3o econ\u00f4mica quanto a de 14 n\u00f3s com os motores el\u00e9tricos alimentados pelos diesel auxiliares, mas com consumo inferior ao que seria o caso com dois motores principais acionados). Santoro informou que seria superior a 20 n\u00f3s, embora ressaltasse que n\u00e3o poderia entrar em mais detalhes ou fornecer n\u00fameros mais precisos.<\/p>\n<p>Vista geral do estande do cons\u00f3rcio Saab \/ Damen \/ Wilson Sons<\/p>\n<p>Outras quest\u00f5es referiram-se \u00e0 capacidade do hangar e convoo, assim como a exist\u00eancia de corredor interno longitudinal como no projeto de propriedade intelectual da Marinha, com respostas positivas quanto \u00e0 exist\u00eancia do corredor e da capacidade de operar e hangarar helic\u00f3ptero do porte do Sea Hawk, constando ambos os requisitos do RFP. Pouco depois dessa fase da conversa, por\u00e9m, foi preciso encerrar minha insistente bateria de perguntas, como j\u00e1 mencionado. Assim, eventuais detalhes adicionais sobre o projeto ficar\u00e3o para outra oportunidade. Seguem por ora as caracter\u00edsticas b\u00e1sicas divulgadas da vers\u00e3o Sigma 10514 para o programa da classe \u201cTamandar\u00e9\u201d:<\/p>\n<p>Comprimento: 107,5m<\/p>\n<p>Boca: 14,02m<\/p>\n<p>Calado: 3,9m<\/p>\n<p>Deslocamento: 2.600t<\/p>\n<p>Velocidade m\u00e1xima: 26 n\u00f3s<\/p>\n<p>Tipo de propuls\u00e3o: CODOE<\/p>\n<p>Tripula\u00e7\u00e3o: 136<\/p>\n<p>Autonomia: 28 dias<\/p>\n<p>Alcance: 5.000 milhas n\u00e1uticas a 14 n\u00f3s<\/p>\n<p>Para finalizar, vale informar que durante o evento o estande da parceria Damen \/ Saab \/ Wilson Sons recebeu as visitas do ministro da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, do ministro da Seguran\u00e7a P\u00fablica, Raul Jungmann, e do comandante da Marinha, almirante de esquadra Eduardo Bacellar Leal Ferreira. A Saab tamb\u00e9m esteve presente \u00e0 Ridex com estande pr\u00f3prio dedicado a apresentar solu\u00e7\u00f5es que n\u00e3o fazem parte do programa da classe \u201cTamandar\u00e9\u201d, como \u00e9 o caso de seus navios de contramedidas de minagem. O Poder Naval fotografou o comandante da Marinha quando em visita ao estande da Saab (foto abaixo).<\/p>\n<p>Fonte: Poder Naval<span>\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na feira RIDEX, que ocorreu entre 27 e 29 de junho no Rio de Janeiro, o \u2018Cons\u00f3rcio Damen Saab Tamandar\u00e9\u2019, do qual participam as duas&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":5683,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-27425","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27425","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27425"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27425\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27426,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27425\/revisions\/27426"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5683"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27425"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27425"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27425"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}