{"id":27262,"date":"2018-06-29T00:00:38","date_gmt":"2018-06-29T03:00:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=27262"},"modified":"2018-06-28T12:44:06","modified_gmt":"2018-06-28T15:44:06","slug":"grandes-petroleiras-enfrentam-questao-de-vida-ou-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/grandes-petroleiras-enfrentam-questao-de-vida-ou-morte\/","title":{"rendered":"Grandes petroleiras enfrentam quest\u00e3o de \u201cvida ou morte\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Pressionado no m\u00eas passado por um investidor desiludido para responder com a \u201cm\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o\u201d se a Royal Dutch Shell estava mais preocupada com \u201ca sustentabilidade da companhia ou com a sustentabilidade do planeta\u201d, o executivo-chefe da petrol\u00edfera, Ben van Beurden, reconheceu que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas v\u00e3o ser \u201co desafio decisivo\u201d diante da ind\u00fastria de petr\u00f3leo nos anos por vir.<\/p>\n<p>Em seguida, descreveu os benef\u00edcios proporcionados pelas fontes de energia como \u201cmuitas vezes uma quest\u00e3o de vida ou morte \u201d para milh\u00f5es de pessoas pelo mundo. O executivo podia muito bem estar falando de seu pr\u00f3prio setor, que, segundo alguns, acaba de sair de uma retra\u00e7\u00e3o brutal para agora se deparar com um desafio ainda mais grave: a ind\u00fastria petrol\u00edfera precisa decidir se deve continuar a investir em petr\u00f3leo em uma era na qual as preocupa\u00e7\u00f5es com o clima podem levar a demanda a atingir seu pico talvez j\u00e1 na d\u00e9cada de 2020.<\/p>\n<p>\u00c9 uma d\u00favida que domina a ind\u00fastria de energia e vai determinar o futuro da Shell, a BP e outras grandes petrol\u00edferas. No passado recente, pressionada por investidores e precisando cortar custos depois de a cota\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo ter ca\u00eddo pela metade, a ind\u00fastria petrol\u00edfera em grande medida desistiu de novos investimentos nos megaprojetos que eram seu forte em outros tempos, como a explora\u00e7\u00e3o no \u00c1rtico ou nas areias betuminosas do Canad\u00e1.<\/p>\n<p>Na segunda metade desta d\u00e9cada, os investimentos totais em bens de capital dos grandes grupos de petr\u00f3leo e g\u00e1s dever\u00e3o ter ca\u00eddo quase 50% para US$ 443,5 bilh\u00f5es, em compara\u00e7\u00e3o aos US$ 875,1 bilh\u00f5es gastos entre 2010 e 2015, segundo a consultoria norueguesa Rystad Energy. O decl\u00ednio, embora tenha sido influenciado em parte pela diminui\u00e7\u00e3o dos custos para desenvolver campos petrol\u00edferos, tamb\u00e9m coincidiu com a propens\u00e3o dos grandes grupos de passar a investir mais capital em projetos de curto prazo, que d\u00e3o retorno mais r\u00e1pido, como os de fontes renov\u00e1veis de energia. Essas movimenta\u00e7\u00f5es chegam alicer\u00e7adas na cren\u00e7a de que os ve\u00edculos el\u00e9tricos representam amea\u00e7a para o reinado do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Dentro dessa linha de pensamento, Van Beurden disse em maio a investidores que a Shell n\u00e3o \u00e9 mais um grupo de petr\u00f3leo e g\u00e1s, mas sim uma \u201ccompanhia em transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica\u201d \u2014 um reconhecimento de sua transforma\u00e7\u00e3o rumo aos sistemas de energia de baixa emiss\u00e3o de g\u00e1s carb\u00f4nico.<\/p>\n<p>Tal declara\u00e7\u00e3o teria sido inimagin\u00e1vel h\u00e1 apenas alguns anos. A preocupa\u00e7\u00e3o cada vez maior com o clima e a persist\u00eancia do empenho em reduzir custos, contudo, deixam muitos no setor receosos de que a ind\u00fastria possa estar cometendo um erro de c\u00e1lculo. Eles temem que a ind\u00fastria esteja dando as costas a muitos grandes projetos de petr\u00f3leo e g\u00e1s antes que as alternativas \u2014 as fontes renov\u00e1veis, os carros el\u00e9tricos, os ganhos de efici\u00eancia e os esfor\u00e7os para conservar os combust\u00edveis f\u00f3sseis \u2014 sejam capazes de dar conta do consumo. O resultado poderia ser oferta em falta e cota\u00e7\u00f5es em alta, criando um problema para a economia mundial no futuro<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 sensato ser indiferente quanto \u00e0 falta de investimentos\u201d, diz Stewart Glickman, analista de renda vari\u00e1vel do setor de energia da firma de an\u00e1lises de investimento CFRA. \u201cA queda nos \u00faltimos quatro anos vai acabar tendo um impacto nos pre\u00e7os de petr\u00f3leo.\u201d<\/p>\n<p>Ele acrescenta que embora o investimento no petr\u00f3leo de xisto americano tenha aumentado, as empresas v\u00eam buscando projetos com ciclo de vida mais curta e a qualidade das reservas vem decaindo, de forma que apenas esses gastos podem n\u00e3o ser suficientes para preencher a lacuna. \u201cPresumir tranquilamente que como [a ind\u00fastria de xisto americana] at\u00e9 agora foi capaz de gerar uma produ\u00e7\u00e3o suficiente vamos conseguir continuar assim \u00e9 uma expectativa arriscada\u201d, diz.<\/p>\n<p>As estimativas de quando a demanda por petr\u00f3leo vai chegar ao pico, para em seguida come\u00e7ar a cair, variam imensamente. Alguns especialistas dizem que isso poderia acontecer j\u00e1 a partir de 2023, outros veem um pico apenas em 2070. Essa falta de consenso traz o risco, dizem os cr\u00edticos, de que os grupos petrol\u00edferos estejam sendo pressionados \u2014 contra seus instintos \u2014 a engavetar investimentos complexos de longo prazo justamente quando pela primeira vez na hist\u00f3ria a demanda por petr\u00f3leo se aproxima dos 100 milh\u00f5es de barris por dia, impulsionada pela expans\u00e3o das economias emergentes da \u00c1sia e \u00c1frica.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 tanta incerteza\u201d, diz Andrew Gould, ex-executivo-chefe e ex-presidente do conselho de administra\u00e7\u00e3o da empresa de servi\u00e7os petrol\u00edferos Schlumberger. \u201cAgora est\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil convencer os conselhos de administra\u00e7\u00e3o a assinar projetos que tenham vida de 20 a 25 anos.\u201d<\/p>\n<p>A defla\u00e7\u00e3o de custos permitiu a aprova\u00e7\u00e3o de alguns projetos, como o Mad Dog 2, um campo da BP em \u00e1guas profundas nos Estados Unidos. Outros, no entanto, foram encolhidos ou paralisados. Esses projetos teriam proporcionado uma base de produ\u00e7\u00e3o para aliviar qualquer escassez de oferta ou demanda adicional no mercado futuro. Se essa produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o se concretizar, alguns temem rea\u00e7\u00f5es adversas em pa\u00edses consumidores \u00e0 medida que os pre\u00e7os forem escalando.<\/p>\n<p>Integrantes do governo da \u00cdndia, que vai encabe\u00e7ar o crescimento da demanda nos pr\u00f3ximos anos, j\u00e1 se mostram preocupados com pre\u00e7o, que superou os US$ 80 por barril neste ano, enquanto governos da regi\u00e3o do euro v\u00e3o ficar sob press\u00e3o se os pre\u00e7os na bomba de gasolina avan\u00e7arem mais.<\/p>\n<p>Por outro lado, para as grandes empresas de energia e os pa\u00edses ricos em recursos naturais que dependem de seus vastos campos petrol\u00edferos para cobrir os gastos p\u00fablicos, o medo de que a demanda atinja o pico \u00e9 grande. O que deixa muitos desconcertados \u00e9 que isso vem sendo discutido em momento no qual a demanda m\u00e9dia, na verdade, vem crescendo em 1,7 milh\u00e3o de barris por dia desde 2014 \u2014 o dobro do ritmo do in\u00edcio da d\u00e9cada, quando a cota\u00e7\u00e3o m\u00e9dia do petr\u00f3leo chegou a US$ 100 por barril.<\/p>\n<p>Tony Hayward, ex-executivo-chefe da BP e hoje presidente do conselho de administra\u00e7\u00e3o do grupo de minera\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o de commodities Glencore, coloca em d\u00favida toda a estrat\u00e9gia das grandes petrol\u00edferas, sinalizando que a preocupa\u00e7\u00e3o em aplacar os acionistas vem suplantando a vontade de buscar seus melhores interesses.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o acho que as megapetrol\u00edferas realmente acreditem na hist\u00f3ria de pico da demanda de longo prazo\u201d, disse Hayward ao \u201cFinancial Times\u201d h\u00e1 duas semanas. \u201cObservando a trajet\u00f3ria, mais provavelmente o que teremos no in\u00edcio dos anos 20 \u00e9 uma escassez de oferta.\u201d<\/p>\n<p>Essa mudan\u00e7a vem sendo guiada pelos investidores. Alguns dos principais fundos de pens\u00e3o e firmas de gest\u00e3o de recursos est\u00e3o cada vez mais receosos com o poss\u00edvel impacto financeiro do aquecimento mundial e das pol\u00edticas para limit\u00e1-lo.<\/p>\n<p>A Legal &amp; General Investment Management (L&amp;G), um das maiores acionistas da BP e da Shell por meio dos fundos de pens\u00e3o que administra no Reino Unido, encabe\u00e7a a fila dos que pedem \u00e0s petrol\u00edferas para se preocupar menos com os riscos das varia\u00e7\u00f5es de curto prazo na cota\u00e7\u00e3o e mais em como gerenciar um setor em decl\u00ednio.<\/p>\n<p>O argumento, segundo Nick Stansbury, que chefia a estrat\u00e9gia da L&amp;G nos mercados de energia e commodities, \u00e9 que embora seja imposs\u00edvel prever quando a demanda por petr\u00f3leo vai chegar ao pico, eles agora est\u00e3o convencidos de que o momento de fato est\u00e1 chegando. Os ve\u00edculos el\u00e9tricos, a ofensiva contra os pl\u00e1sticos e a ascens\u00e3o dos combust\u00edveis alternativos amea\u00e7am restringir a demanda por petr\u00f3leo, argumenta a L&amp;G.<\/p>\n<p>Os grupos petrol\u00edferos, portanto, deveriam evitar projetos que levem dez anos ou mais para se tornar lucrativos, prazo que costumava ser o padr\u00e3o da ind\u00fastria, diz Stansbury. Agora, o foco desses grupos deveria estar na maximiza\u00e7\u00e3o dos retornos do acionista, incluindo em algum momento devolver capital, e n\u00e3o em tentar se transformar em empresas de fontes renov\u00e1veis, um setor no qual carecem de experi\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o somos da linha de pensamento que diz que o pico do petr\u00f3leo \u00e9 em 2021 ou que n\u00e3o h\u00e1 necessidade nenhuma de investir em qualquer novo projeto petrol\u00edfero\u201d, diz Stansbury. \u201cMas o que queremos que eles se comprometam a fazer [&#8230;] \u00e9 se tornar motores de fluxo de caixa que financiem a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica.\u201d<\/p>\n<p>Ele diz que essa estrat\u00e9gia representa amea\u00e7as para o mundo como um todo, pela poss\u00edvel volatilidade das cota\u00e7\u00f5es do petr\u00f3leo, mas argumenta que o foco dos fundos investindo dinheiro de outras pessoas em empresas de energia precisa continuar existindo com quaisquer riscos de longo prazo.<\/p>\n<p>Isso faz parte de um debate mais amplo. Os investidores, com frequ\u00eancia, consideravam que os programas de investimento das grandes petrol\u00edferas desperdi\u00e7avam muito dinheiro quando o petr\u00f3leo estava acima de US$ 100 por barril, o que rendia retornos inadequados. A onda de queda das cota\u00e7\u00f5es em 2014 obrigou-as a rever a forma como viam os investimentos.<\/p>\n<p>O diretor de finan\u00e7as da BP, Brian Gilvary, insiste que n\u00e3o \u00e9 apenas o medo dos investidores com o pico da demanda que fez a empresa se afastar dos projetos de petr\u00f3leo e g\u00e1s de longo prazo. Depois da desvaloriza\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo em 2014 \u2014 desencadeada em parte pela ascens\u00e3o do xisto nos EUA e pelo subsequente excesso de oferta \u2014 ele argumenta que \u00e9 sensato para empresas como a BP se preocuparem mais com projetos mais r\u00e1pidos e baratos.<\/p>\n<p>\u201cEstamos nos tornando mais eficientes na forma como alocamos o capital\u201d, diz Gilvary. Ele acrescenta que a BP e outros grupos de energia buscam o caminho do meio: elevar a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo valendo-se de avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos para extrair mais barris de campos j\u00e1 em opera\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, investir menos, priorizando os chamados projetos de ciclo curto, como os de xisto nos EUA.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o estamos vendo nenhuma indica\u00e7\u00e3o de que [uma escassez de oferta] esteja chegando, mas entendemos o receio\u201d, disse o executivo da BP. \u201cContinuamos expandindo nossos neg\u00f3cios [&#8230;] e ainda vemos atividade suficiente.\u201d<\/p>\n<p>Chris Midgley, ex-economista-chefe da Shell e que hoje \u00e9 chefe da \u00e1rea de anal\u00edtica da S&amp;P Global Platts, acredita que a abordagem da BP tem l\u00f3gica, mas alerta para o que considera o maior risco, a possibilidade de daqui a cinco a sete anos o foco em investir principalmente em campos existentes resulte em uma produ\u00e7\u00e3o b\u00e1sica insuficiente. Mesmo se isso levar a pre\u00e7os mais altos, as petrol\u00edferas poderiam continuar paradas.<\/p>\n<p>\u201cSe realmente tivermos pre\u00e7os mais altos, ao contr\u00e1rio do ocorrido em outros ciclos, [as petrol\u00edferas internacionais] poderiam optar por ficar efetivamente sentadas, dizendo que v\u00e3o usar a enxurrada de dinheiro para acelerar sua transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica em vez de fazer mais investimentos [em petr\u00f3leo]\u201d, diz. Qualquer per\u00edodo prolongado de pre\u00e7os mais altos que venha a surgir, inevitavelmente, levaria a um freio no consumo. \u201cIsso seria [&#8230;] recessivo para toda a economia\u201d, diz.<\/p>\n<p>Por enquanto, a estrat\u00e9gia parece estar funcionando. Segundo a consultoria do setor de petr\u00f3leo Wood Mackenzie, a produ\u00e7\u00e3o das grandes petrol\u00edferas dever\u00e1 aumentar, em m\u00e9dia, cerca de 3,5% por ano entre 2017 e 2020.<\/p>\n<p>Depois de uma queda mundial de mais de 40% nas perfura\u00e7\u00f5es convencionais em terra entre 2014 e 2016, houve um aumento de 17%, segundo a norueguesa Rystad Energy. Nos campos de petr\u00f3leo de xisto nos EUA, as perfura\u00e7\u00f5es ca\u00edram 55% no mesmo per\u00edodo, mas aumentaram 65% desde 2016, o que serve de ilustra\u00e7\u00e3o para a popularidade dos projetos de ciclo curto. A ExxonMobil, que vem sendo mais lenta para lidar com os riscos clim\u00e1ticos do que as rivais, calcula que ainda v\u00e3o ser necess\u00e1rios trilh\u00f5es de d\u00f3lares em investimentos em nova produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s e petr\u00f3leo, mesmo em mundo no qual o aumento da temperatura m\u00e9dio fique limitado a 2\u00b0 C.<\/p>\n<p>Paralelamente, a recupera\u00e7\u00e3o das cota\u00e7\u00f5es do barril foi guiada em grande medida por fatores fora do controle das petrol\u00edferas. Al\u00e9m da forte demanda, a Organiza\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Exportadores de Petr\u00f3leo (Opep) e a R\u00fassia reduziram propositalmente a produ\u00e7\u00e3o em 2017. Desde ent\u00e3o, a produ\u00e7\u00e3o na Venezuela tamb\u00e9m caiu em raz\u00e3o da crise pol\u00edtica e econ\u00f4mica que assola o pa\u00eds.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o do presidente dos EUA, Donald Trump, de retirar-se do acordo nuclear com o Ir\u00e3 e de voltar a impor san\u00e7\u00f5es \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es de fontes de energia do pa\u00eds foi o empurr\u00e3o final que levou o barril para mais de US$ 80. Desde ent\u00e3o, os pre\u00e7os cederam para cerca de US$ 74, depois de a Ar\u00e1bia Saudita e a R\u00fassia terem discutido a libera\u00e7\u00e3o de mais barris no mercado. No fim de semana os ministros de Petr\u00f3leo das na\u00e7\u00f5es da Opep discutiram o assunto.<\/p>\n<p>Alguns dos maiores comercializadores de petr\u00f3leo, contudo, continuam sem se deixar convencer de que \u00e9 poss\u00edvel manter o mercado bem abastecido com investimentos de curto prazo.<\/p>\n<p>O gestor de fundos hedge Pierre Andurand, que administra mais de US$ 1 bilh\u00e3o em dinheiro de investidores e faz apostas na varia\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo, diz que o barril poderia chegar a US$ 150 em dois anos, em parte pela preocupa\u00e7\u00e3o com o pico da demanda e pelo consumo em alta. Outros executivos e analistas do setor projetam pre\u00e7os menores, mas tamb\u00e9m acreditam em que as cota\u00e7\u00f5es v\u00e3o voltar a ficar a cima da marca de US$ 100.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 press\u00e3o dos investidores para que essas empresas n\u00e3o invistam muito em petr\u00f3leo, mas ao mesmo tempo n\u00e3o vemos os carros el\u00e9tricos tendo um grande impacto no crescimento da demanda por pelo menos mais dez anos\u201d, diz. \u201cN\u00e3o est\u00e1 \u00f3bvio para mim de que lugar esse crescimento na oferta vai vir.\u201d<\/p>\n<p>Alguns tacham isso de alarmismo. Dizem que a ind\u00fastria passou de uma era de sensa\u00e7\u00e3o de escassez para uma de abund\u00e2ncia, com o que boa parte dos investimentos de longo prazo em grandes projetos seria desnecess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Por enquanto Van Beurden aposta que a Shell fez os c\u00e1lculos certos. Um pre\u00e7o do petr\u00f3leo um pouco maior n\u00e3o seria o pior dos mundos para sua empresa enquanto busca lidar com a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. Afinal, nenhum executivo-chefe quer se ver encalhado com campos petrol\u00edferos multibilion\u00e1rios nas costas quando o mundo n\u00e3o os quiser ou precisar mais. (Tradu\u00e7\u00e3o de Sabino Ahumada)<\/p>\n<p>Fonte: Valor<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pressionado no m\u00eas passado por um investidor desiludido para responder com a \u201cm\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o\u201d se a Royal Dutch Shell estava mais preocupada com \u201ca&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":17575,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-27262","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27262","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27262"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27262\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27263,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27262\/revisions\/27263"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17575"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27262"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27262"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27262"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}