{"id":26903,"date":"2018-05-17T00:01:33","date_gmt":"2018-05-17T03:01:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=26903"},"modified":"2018-05-16T08:03:03","modified_gmt":"2018-05-16T11:03:03","slug":"unidade-de-gas-marca-retomada-do-comperj-e-permitira-aumento-da-producao-do-pre-sal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/unidade-de-gas-marca-retomada-do-comperj-e-permitira-aumento-da-producao-do-pre-sal\/","title":{"rendered":"Unidade de g\u00e1s marca retomada do Comperj e permitir\u00e1 aumento da produ\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal"},"content":{"rendered":"<p>A constru\u00e7\u00e3o da Unidade de Processamento de G\u00e1s Natural (UPGN), prevista para come\u00e7ar ainda neste semestre, \u00e9 apenas uma pequena parte do imenso projeto inicialmente desenhado para o Complexo Petroqu\u00edmico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj). A unidade de g\u00e1s \u00e9 essencial para o aumento da produ\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal na bacia de Santos. Parada desde 2015, a obra do Comperj ainda gera custos para a Petrobras.<\/p>\n<p>O complexo na cidade de Itabora\u00ed, na Regi\u00e3o Metropolitana do Rio, teria ainda duas refinarias e um polo petroqu\u00edmico. As obras da primeira refinaria foram paralisadas e, para serem retomadas, a Petrobras ainda aguarda um parceiro disposto a investir. A segunda refinaria sequer saiu do papel. E o polo petroqu\u00edmico foi extinto do projeto.<\/p>\n<p>A UPGN \u00e9 a primeira grande obra em downstram (\u00e1rea de refino, transporte e distribui\u00e7\u00e3o) da Petrobras desde a paralisa\u00e7\u00e3o completa da constru\u00e7\u00e3o do Comperj. A suspens\u00e3o dos trabalhos causou desemprego, crise econ\u00f4mica e alta da viol\u00eancia em Itabora\u00ed, que tem cerca de 230 mil habitantes.<\/p>\n<p><strong>G\u00e1s do pr\u00e9-sal<\/strong><\/p>\n<p>A unidade de g\u00e1s de Itabora\u00ed ser\u00e1 a maior do pa\u00eds, com capacidade de processamento de at\u00e9 21 milh\u00f5es de m\u00b3 de g\u00e1s por dia. Ela integra o projeto Rota 3, destinado ao escoamento da produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural de campos do pr\u00e9-sal da Bacia de Santos.<\/p>\n<p>Com a unidade de Itabora\u00ed, a Petrobras vai quase dobrar sua capacidade de processamento de g\u00e1s do pr\u00e9-sal, de 23 milh\u00f5es para 44 milh\u00f5es de m\u00b3 por dia. A previs\u00e3o de in\u00edcio das opera\u00e7\u00f5es \u00e9 o segundo semestre de 2020.<\/p>\n<p>O refino de g\u00e1s \u00e9 necess\u00e1rio para aumentar a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo. O \u00f3leo extra\u00eddo da camada abaixo do sal \u00e9 associado a g\u00e1s, que precisa ser separado do \u00f3leo. Tecnicamente, h\u00e1 tr\u00eas possibilidades de escoar esse g\u00e1s e liberar o petr\u00f3leo:<\/p>\n<p>queima na plataforma;<\/p>\n<p>injet\u00e1-lo novamente nas rochas de onde foi extra\u00eddo;<\/p>\n<p><strong>Transportar o g\u00e1s at\u00e9 o continente para refino.<\/strong><\/p>\n<p>A primeira op\u00e7\u00e3o \u00e9 ambientalmente invi\u00e1vel, j\u00e1 que polui. A segunda, al\u00e9m de tamb\u00e9m provocar riscos ambientais, pode vir a comprometer a produ\u00e7\u00e3o do campo. A terceira \u00e9 a mais segura e, ainda por cima, lucrativa.<\/p>\n<p>Refinado, o g\u00e1s \u00e9 transformado em produtos derivados que podem ser vendidos pela Petrobras. Hoje o Brasil \u00e9 importador de g\u00e1s, um combust\u00edvel considerado mais barato e limpo e usado por ind\u00fastrias e na produ\u00e7\u00e3o de energia termel\u00e9trica.<\/p>\n<p>&#8220;A gente n\u00e3o pode produzir o \u00f3leo se a gente n\u00e3o pode aproveitar o g\u00e1s. Ent\u00e3o, essa unidade \u00e9 extremamente importante para que a gente continue tendo estes recordes maravilhosos que a gente est\u00e1 vendo na produ\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal&#8221;, afirmou o presidente da Petrobras, Pedro Parente, em entrevista no ano passado.<\/p>\n<p><strong>Futuro do Comperj \u00e9 incerto<\/strong><\/p>\n<p>A Petrobras diz que est\u00e1 em busca de parcerias para concluir as obras da Refinaria Trem 1. Com frequ\u00eancia, empresas chinesas s\u00e3o citadas como parceiras em potencial. No caso da UPGN, a Shandong Kerui Petroleum entra como fornecedora e n\u00e3o como s\u00f3cia.<\/p>\n<p>Entre os especialistas, no entanto, h\u00e1 muitas d\u00favidas se o projeto ser\u00e1 finalizado e a expectativa \u00e9 que o Comperj seja reduzido.<\/p>\n<p>&#8220;O projeto inicial era megaloman\u00edaco. [&#8230;] O que de fato se tem l\u00e1 hoje \u00e9 uma obra de constru\u00e7\u00e3o de refinaria parada, e n\u00e3o acredito que a segunda ser\u00e1 constru\u00edda. A \u00fanica coisa que j\u00e1 foi contratada \u00e9 a UPGN&#8221;, disse o s\u00f3cio-diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires.<\/p>\n<p>O custo inicial do Comperj era de US$ 6,1 bilh\u00f5es para a obra de um parque industrial de 45 km\u00b2 que chegou a empregar 35 mil funcion\u00e1rios. A produ\u00e7\u00e3o di\u00e1ria prevista era de 465 mil barris de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p><strong>Obra investigada na Lava Jato<\/strong><\/p>\n<p>A obra do Comperj foi investigada na opera\u00e7\u00e3o Lava Jato e pelo Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU), que no fim do ano passado apontou um preju\u00edzo para a Petrobras de US$ 12,5 bilh\u00f5es com a constru\u00e7\u00e3o do complexo. Desse total, US$ 9,5 bilh\u00f5es s\u00e3o atribu\u00eddos \u00e0 gest\u00e3o temer\u00e1ria do projeto.<\/p>\n<p>Parada, a constru\u00e7\u00e3o do Comperj continua gerando preju\u00edzos para a estatal, analisa o ex-diretor da Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo (ANP) e professor do Grupo de Economia da Energia da Universidade Federal do Rio Janeiro, Helder Queiroz.<\/p>\n<p>&#8220;A pior coisa do mundo \u00e9 uma obra que para. Se contratou empr\u00e9stimos que v\u00e3o fazer correr juros durante a constru\u00e7\u00e3o, pior ainda&#8221;, analisou.<\/p>\n<p>Desde a paralisa\u00e7\u00e3o, a obra do Comperj j\u00e1 consumiu R$ 2,7 bilh\u00f5es da Petrobras. Desse valor, &#8220;R$ 2,2 bilh\u00f5es s\u00e3o relativos a 2015, com a desmobiliza\u00e7\u00e3o de contratos da Refinaria Trem 1, que ocorreu de forma gradativa&#8221;, afirma a estatal.<\/p>\n<p>Em 2016, foram R$ 352,24 milh\u00f5es de custos de encerramentos contratuais. A empresa afirma que, em 2017, n\u00e3o foram investidos recurso no Comperj.<\/p>\n<p><strong>Petrobras busca parceiros<\/strong><\/p>\n<p>Para Queiroz, firmar uma parceria \u00e9 a melhor alternativa da companhia para pelo menos minimizar os preju\u00edzos do Comperj.<\/p>\n<p>&#8220;O ideal ali seria atrair investidores que est\u00e3o entrando agora no mercado de refino, repartir custos e, l\u00e1 na frente, tamb\u00e9m repartir a rentabilidade&#8221;.<\/p>\n<p>Para Adriano Pires, a busca por uma parceria para concluir a refinaria tem como objetivo final a venda do ativo. Ele considera, inclusive, que a pr\u00f3pria UPGN possa vir a ser vendida.<\/p>\n<p>Ele lembra o an\u00fancio feito em abril pela Petrobras de se reposicionar seu neg\u00f3cio de refinarias. Na semana seguinte, a estatal colocou \u00e0 venda quatro de suas refinarias \u2013 duas no polo produtivo do Nordeste, e duas no Sul.<\/p>\n<p>&#8220;Essa nova pol\u00edtica de refino deve passar pelo Comperj. A Petrobras fala que pretende vender refinarias no Nordeste e no Sul, mas n\u00e3o fala nada do Sudeste, do Rio ou do Comperj&#8221;, disse o economista.<\/p>\n<p>&#8220;A UPGN nada mais \u00e9 que uma refinaria, s\u00f3 que de g\u00e1s e n\u00e3o de \u00f3leo. A Petrobras tem que matar um le\u00e3o de cada vez. Por isso, n\u00e3o me espantaria se, l\u00e1 na frente, a companhia a vendesse tamb\u00e9m&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Questionada pelo G1 se o Comperj ser\u00e1 afetado pela reestrutura\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio de refinarias, a Petrobras respondeu que &#8220;a parceria para conclus\u00e3o do trem 1 do Comperj se enquadra no reposicionamento da Petrobras no refino que se iniciou com a consolida\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica de pre\u00e7os competitivos e tem como segundo passo o desenvolvimento de parcerias&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O desenvolvimento de parcerias no Comperj \u00e9 complementar \u00e0s parcerias j\u00e1 anunciadas para os blocos regionais Sul e NE<\/p>\n<p><strong>Expectativa no setor de m\u00e1quinas<\/strong><\/p>\n<p>Independentemente de quais s\u00e3o os objetivos da Petrobras com o Comperj, a ind\u00fastria aguarda com expectativas a retomada das obras e seu potencial de aquecer o setor.<\/p>\n<p>&#8220;Para quem estava com tudo parado, esse an\u00fancio feito pela Petrobras de come\u00e7ar as obras ainda este ano come\u00e7a a animar a ind\u00fastria&#8221;, afirmou o diretor de Petr\u00f3leo, G\u00e1s, Bioenergia e Petroqu\u00edmica da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de M\u00e1quinas e Equipamentos (Abimaq), Alberto Machado.<\/p>\n<p>Pelas regras do setor, parte dos equipamentos utilizados no projeto da Petrobras tem de ser comprada de fornecedores brasileiros. Como n\u00e3o h\u00e1 oferta para pronta entrega, as fabricantes est\u00e3o ansiosas para fechar contratos e come\u00e7ar a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Queremos marcar uma reuni\u00e3o com a empresa chinesa para podermos nos preparar, fazer cota\u00e7\u00f5es, reativar algumas linhas de produ\u00e7\u00e3o&#8221;, disse o diretor da Abimaq.<\/p>\n<p>Machado destacou que a maior parte das m\u00e1quinas e equipamentos demandados para a constru\u00e7\u00e3o da UPGN tem de ser pedida com anteced\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8220;Pouca coisa \u00e9 de prateleira. Qualquer pe\u00e7a mais espec\u00edfica tem de ser feita sob encomenda. H\u00e1 equipamentos que levam dez meses para ficarem prontos. E como toda a obra do Comperj ficou parada, quase todo o maquin\u00e1rio acabou desmobilizado&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>Ainda segundo o diretor da Abimaq, desde a paralisa\u00e7\u00e3o das obras do complexo, a produ\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas e equipamentos voltados ao setor de \u00f3leo e g\u00e1s estagnou. &#8220;De 2014 at\u00e9 agora, a principal fonte de receita da ind\u00fastria foi na parte de reposi\u00e7\u00e3o&#8221;, enfatizou.<\/p>\n<p>Fonte: G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A constru\u00e7\u00e3o da Unidade de Processamento de G\u00e1s Natural (UPGN), prevista para come\u00e7ar ainda neste semestre, \u00e9 apenas uma pequena parte do imenso projeto inicialmente&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":5099,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-26903","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26903","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26903"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26903\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26904,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26903\/revisions\/26904"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5099"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26903"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26903"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26903"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}