{"id":26619,"date":"2018-04-18T00:23:28","date_gmt":"2018-04-18T03:23:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=26619"},"modified":"2018-04-17T08:29:42","modified_gmt":"2018-04-17T11:29:42","slug":"custo-do-acordo-sobre-emissoes-de-navios-ainda-e-incerto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/custo-do-acordo-sobre-emissoes-de-navios-ainda-e-incerto\/","title":{"rendered":"Custo do acordo sobre emiss\u00f5es de navios ainda \u00e9 incerto"},"content":{"rendered":"<p>O acordo clim\u00e1tico que reduzir\u00e1 em 50% as emiss\u00f5es do transporte internacional em 2050, acertado em Londres na sexta-feira, n\u00e3o tem efeito imediato. Nenhum navio ser\u00e1 proibido de entrar em algum porto nos pr\u00f3ximos dias caso n\u00e3o cumpra as resolu\u00e7\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o Mar\u00edtima Internacional (OMI). Os impactos econ\u00f4micos de longo prazo, contudo, ainda n\u00e3o s\u00e3o conhecidos.<\/p>\n<p>&#8220;Este \u00e9 o grande problema&#8221;, diz Paulo Chiarelli, chefe da divis\u00e3o de mudan\u00e7a do clima do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores. &#8220;N\u00e3o se sabe ainda o custo dessas decis\u00f5es. Precisamos melhorar esse conhecimento.&#8221;<\/p>\n<p>Este foi precisamente um dos elementos introduzidos pelo Brasil no acordo. O governo brasileiro pediu \u00e0 OMI estudos econ\u00f4micos sobre os impactos das medidas.<\/p>\n<p>&#8220;Qualquer medida para reduzir emiss\u00f5es dever\u00e1 ter seus impactos sobre os pa\u00edses em desenvolvimento avaliados com anteced\u00eancia, em especial considerando fatores como dist\u00e2ncia dos mercados, o tipo de carga, a seguran\u00e7a alimentar e o desenvolvimento socioecon\u00f4mico&#8221;, explicita nota do Itamaraty enviada \u00e0 imprensa.<\/p>\n<p>O acordo t\u00eam as decis\u00f5es antecipadas pelo Valor: reduzir as emiss\u00f5es do setor em no m\u00ednimo 50% em 2050, fortalecer metas adotadas anteriormente de efici\u00eancia dos novos navios e reduzir em 40% as emiss\u00f5es por carga \u00fatil transportada em 2030 e em 70% em 2050. O ano-base \u00e9 2008, o de pico do com\u00e9rcio internacional. H\u00e1 tamb\u00e9m um cronograma at\u00e9 2023 prevendo, por exemplo, coleta de dados por navio sobre combust\u00edvel usado e emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Um estudo da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) indicou que combust\u00edveis alternativos e energias renov\u00e1veis podem contribuir muito para a descarboniza\u00e7\u00e3o do setor. Melhorias nos design dos cascos, navios maiores e mais eficientes s\u00e3o outras medidas que podem ajudar. O transporte mar\u00edtimo responde por 2% a 3% das emiss\u00f5es globais de gases-estufa.<\/p>\n<p>Os negociadores brasileiros tamb\u00e9m pressionaram para que o acordo inclu\u00edsse o princ\u00edpio das &#8220;responsabilidades comuns por\u00e9m diferenciadas&#8221;. O conceito, utilizado nas negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas internacionais que resultaram no Acordo de Paris, procura distinguir as responsabilidades e esfor\u00e7os dos pa\u00edses ricos com os do mundo em desenvolvimento.<\/p>\n<p>A inclus\u00e3o do princ\u00edpio de diferencia\u00e7\u00e3o foi um dos motivos para que os negociadores dos EUA discordassem do acordo. O outro foi as metas de redu\u00e7\u00e3o de carbono.<\/p>\n<p>A insist\u00eancia brasileira de incluir a diferencia\u00e7\u00e3o foi assunto de especula\u00e7\u00e3o. &#8220;Alguns acreditam que isso signifique compromissos ou taxa\u00e7\u00f5es diferentes conforme a rota dos navios&#8221;, disse um observador. Ou seja, um navio que fosse dos EUA \u00e0 Europa teria que demonstrar desempenho diferente de outro, que fosse do Brasil \u00e0 China, por exemplo. &#8220;N\u00e3o falamos sobre isso&#8221;, diz Chiarelli.<\/p>\n<p>A brecha aberta pelo princ\u00edpio que reconhece o diferente est\u00e1gio de desenvolvimento entre os pa\u00edses pode, no futuro, fazer com que os pa\u00edses industrializados se comprometam com transfer\u00eancia de tecnologia e recursos financeiros.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um grande passo para o setor de transporte mar\u00edtimo&#8221;, avalia Mark Lutes, especialista de clima do WWF. &#8220;Mas h\u00e1 um longo caminho pela frente. \u00c9 preciso concordar em implementar, com urg\u00eancia, medidas de curto prazo para come\u00e7ar a reduzir emiss\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>O Brasil, ao aceitar o acordo, expressou reserva \u00e0 meta absoluta de corte de 50%. &#8220;N\u00e3o nos opusemos ao acordo inteiro porque entendemos que a decis\u00e3o tem elementos que ir\u00e3o nos permitir continuar a discutir os impactos que possam acontecer&#8221;, explica Chiarelli.<\/p>\n<p>Fonte: Valor<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O acordo clim\u00e1tico que reduzir\u00e1 em 50% as emiss\u00f5es do transporte internacional em 2050, acertado em Londres na sexta-feira, n\u00e3o tem efeito imediato. 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