{"id":26517,"date":"2018-04-09T08:23:00","date_gmt":"2018-04-09T11:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=26517"},"modified":"2018-04-09T08:23:00","modified_gmt":"2018-04-09T11:23:00","slug":"escolas-da-rede-publica-do-rio-incluirao-acoes-sobre-intolerancia-religiosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/escolas-da-rede-publica-do-rio-incluirao-acoes-sobre-intolerancia-religiosa\/","title":{"rendered":"Escolas da rede p\u00fablica do Rio incluir\u00e3o a\u00e7\u00f5es sobre intoler\u00e2ncia religiosa"},"content":{"rendered":"<p>O debate sobre intoler\u00e2ncia religiosa vai fazer parte do dia a dia dos alunos das 1.249 escolas da rede p\u00fablica estadual do Rio de Janeiro. As secretarias estaduais de Educa\u00e7\u00e3o e de Direitos Humanos e Pol\u00edticas para Mulheres e Idosos fecharam parceria para desenvolver a\u00e7\u00f5es nas escolas.<\/p>\n<p>O ponto de partida \u00e9 um v\u00eddeo produzido por meio do Programa Educa\u00e7\u00e3o Mais Humana, por alunos do Col\u00e9gio Estadual Pedro II, de Petr\u00f3polis, na regi\u00e3o serrana, que fazem o Curso T\u00e9cnico de Produ\u00e7\u00e3o de \u00c1udio e V\u00eddeo. O trabalho ser\u00e1 apresentado aos estudantes da rede para conscientizar sobre a import\u00e2ncia do combate \u00e0 intoler\u00e2ncia religiosa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m desse trabalho, ser\u00e3o produzidos outros v\u00eddeos de 5 minutos para exibi\u00e7\u00e3o nas escolas, no YouTube e nas redes sociais. A ideia \u00e9, ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o, fazer um debate sobre o assunto. Para o secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o, Wagner Victer, o diferencial \u00e9 a linguagem dos v\u00eddeos. \u201cColocamos em uma linguagem de jovens e eles s\u00e3o produzidos pelos pr\u00f3prios alunos. \u00c9 um ato novo. Muita gente faz discurso, mas na pr\u00e1tica n\u00e3o produz nada. Esse \u00e9 um exemplo concreto.<\/p>\n<p>Victer espera repetir nesse tipo de a\u00e7\u00e3o o sucesso que vem sendo obtido em um ano de discuss\u00f5es da Lei Maria da Penha nas escolas. \u201cEsse \u00e9 um tema transversal permanente, que \u00e9 a quest\u00e3o do combate \u00e0 intoler\u00e2ncia religiosa. Futuramente, a gente vai trabalhar alguma coisa contra o preconceito racial. A viol\u00eancia contra as mulheres j\u00e1 est\u00e1 sendo trabalhada e completou um ano agora\u00a0 com a discuss\u00e3o da Lei Maria da Penha nas escolas. Produzimos cinco v\u00eddeos e todas as escolas j\u00e1 est\u00e3o usando\u201d.<\/p>\n<p>Os professores de diversas disciplinas e profissionais em educa\u00e7\u00e3o do Rio v\u00e3o ser capacitados por integrantes da Secretaria de Direitos Humanos e Pol\u00edticas para Mulheres e Idosos, para que fa\u00e7am a abordagem do tema nas aulas de forma pedag\u00f3gica. O secret\u00e1rio de Direitos Humanos, \u00c1tila Alexandre Nunes, disse que est\u00e1 previsto ainda um trabalho espec\u00edfico em uma unidade escolar, se ocorrer algum caso de intoler\u00e2ncia religiosa.<\/p>\n<p>\u201cOcorrendo um epis\u00f3dio de intoler\u00e2ncia religiosa em determinada escola, n\u00f3s vamos aplicar ali como se fosse uma vacina, ou seja, vai ser aplicada uma din\u00e2mica envolvendo debates, apresenta\u00e7\u00e3o cultural e v\u00eddeos, para que a gente possa aumentar a consci\u00eancia desses adolescentes com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 import\u00e2ncia do tema. Aquele que \u00e9 v\u00edtima da intoler\u00e2ncia, muitas vezes pensa em abandonar a educa\u00e7\u00e3o\u201d, lembrou.<\/p>\n<p>O projeto foi lan\u00e7ado no \u00faltimo dia 5, no audit\u00f3rio do pr\u00e9dio anexo do Pal\u00e1cio Guanabara, sede do governo fluminense. Representantes de v\u00e1rias religi\u00f5es estavam presentes. O presidente do Conselho Estadual de Promo\u00e7\u00e3o da Liberdade Religiosa do Rio de Janeiro (Coneplir\/RJ), o babalorix\u00e1 M\u00e1rcio de Jagun, informou que pesquisas mostraram que o ambiente escolar \u00e9 o mais hostil em termos de intoler\u00e2ncia religiosa, seja por parte de pais, educadores e alunos.<\/p>\n<p>\u201cA intoler\u00e2ncia religiosa n\u00e3o \u00e9 um caso isolado. N\u00e3o \u00e9 um problema pontual da sociedade. Ela causa evas\u00e3o escolar, causa traumas que se estendem por toda a vida de um aluno, causa problemas sociais, conturba\u00e7\u00f5es de v\u00e1rias ordens, inclusive agress\u00f5es f\u00edsicas e at\u00e9 mortes, como j\u00e1 foram constatadas. Dentro do leque dos direitos humanos existe um tema que ainda n\u00e3o ganhou visibilidade diante da import\u00e2ncia que tem, que \u00e9 justamente o da liberdade religiosa\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A coordenadora do Observat\u00f3rio Cultural das Aldeias, Cristiane Santos, espera que o projeto possibilite aos alunos receber tamb\u00e9m mais informa\u00e7\u00f5es sobre cultura ind\u00edgena, que apesar de estar prevista na legisla\u00e7\u00e3o junto com a divulga\u00e7\u00e3o da cultura africana, n\u00e3o ocorre.<\/p>\n<p>Og Sperle, da dire\u00e7\u00e3o nacional da Uni\u00e3o Wicca do Brasil e sumo sacerdote da religi\u00e3o que professa o paganismo, contou que tamb\u00e9m enfrenta barreiras e falta de entendimento da sociedade. Na vis\u00e3o dele, a melhor forma de acabar com o preconceito \u00e9 por meio da informa\u00e7\u00e3o. \u201cA grande preocupa\u00e7\u00e3o da intoler\u00e2ncia \u00e9 aquela que vem meio velada, por meio do<span>\u00a0<\/span><em>bullying<\/em>\u201d, disse, acrescentando que praticantes da sua religi\u00e3o s\u00e3o frequentemente apontados como bruxos.<\/p>\n<p>\u201cExiste um trabalho interno da comunidade pag\u00e3. Nessas coisas pequenas podem n\u00e3o nos ofender diretamente, porque estamos cientes da nossa f\u00e9, mas podem ofender a um irm\u00e3o nosso que n\u00e3o esteja t\u00e3o preparado psicologicamente. Ent\u00e3o, temos que combater o pequeno<span>\u00a0<\/span><em>bullying<\/em><span>\u00a0<\/span>e a outra forma \u00e9 fomentar o conhecimento da f\u00e9\u201d. Ele disse que a religi\u00e3o tem atra\u00eddo muitos jovens e que h\u00e1 falta de compreens\u00e3o das fam\u00edlias, que pensam que eles est\u00e3o envolvidos com bruxaria.<\/p>\n<p>Segundo a professora Anita Ferreira Marinho, da Superintend\u00eancia de Gest\u00e3o de Ensino da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o e uma das idealizadoras do projeto, o melhor do trabalho \u00e9 saber que vai ser incentivada a cidadania dos alunos. \u201cVai ser o desenvolvimento do cidad\u00e3o, racioc\u00ednio cidad\u00e3o, respeito ao pr\u00f3ximo. A gente sabe que a tarefa n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, \u00e9 \u00e1rdua, mas vislumbra muito poss\u00edvel, porque \u00e9 um campo que est\u00e1 ali, f\u00e9rtil, e \u00e9 s\u00f3 plantar. A gente precisa ter a\u00e7\u00f5es como essa para colher no futuro bons posicionamentos, olhares respeitosos\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com Anita, a inten\u00e7\u00e3o foi criar um projeto sustent\u00e1vel que possa permanecer, a partir de agora, na grade curricular das escolas. \u201cO projeto \u00e9 feito para a\u00e7\u00f5es simples, para que a gente consiga t\u00ea-lo de forma permanente dentro da nossa rede, para que isso seja uma pr\u00e1tica de professores. Esse vai ser um assunto aberto em sala de aula, que a gente sabe, muitas vezes pol\u00eamico, mas poss\u00edvel\u201d, completou.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio de Direitos Humanos informou que nos \u00faltimos anos os casos de intoler\u00e2ncia religiosa no Rio se agravaram com o uso da viol\u00eancia. Segundo Nunes, foi desenvolvido um trabalho em conjunto com a Secretaria de Seguran\u00e7a, entidades do terceiro setor e integrantes de diversas matrizes religiosas. \u201cEsse trabalho deu resultado at\u00e9 na \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o \u2013 porque casos isolados ocorrem em escolas, tanto particulares quanto p\u00fablicas; este ano, n\u00e3o recebemos nenhum tipo de den\u00fancia como no ano passado. Entendo que, principalmente a imprensa, desenvolveu um papel fundamental que foi expor os casos de intoler\u00e2ncia religiosa e passou o recado de que a sociedade n\u00e3o aceitar\u00e1 isso no estado\u201d.<\/p>\n<p>M\u00e1rcio de Jagun disse que dados da Secretaria de Direitos Humanos mostram quase 900 casos registrados entre 2017 e 2018. Esse n\u00edvel alto de notifica\u00e7\u00f5es pode ser explicado, de acordo com ele, pelo maior esclarecimento sobre a intoler\u00e2ncia religiosa. \u201cAs pessoas est\u00e3o se acostumando a denunciar, est\u00e3o entendendo que isso \u00e9 crime, coisa que n\u00e3o acontecia. N\u00f3s vivemos 500 anos de intoler\u00e2ncia religiosa sem que o cidad\u00e3o se desse conta de que isso constitui crime, agress\u00e3o \u00e0 dignidade humana. Agora, isso est\u00e1 sendo conscientizado; ent\u00e3o, h\u00e1 certa tend\u00eancia, por esse motivo, que os registros aumentem\u201d, observou.<\/p>\n<p>Fonte: Isto \u00c9 Dinheiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O debate sobre intoler\u00e2ncia religiosa vai fazer parte do dia a dia dos alunos das 1.249 escolas da rede p\u00fablica estadual do Rio de Janeiro&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":17974,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-26517","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26517","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26517"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26517\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26518,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26517\/revisions\/26518"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17974"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26517"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26517"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26517"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}