{"id":26349,"date":"2018-03-21T17:38:59","date_gmt":"2018-03-21T20:38:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=26349"},"modified":"2018-03-21T17:38:59","modified_gmt":"2018-03-21T20:38:59","slug":"stj-exclui-taxa-portuaria-da-base-de-calculo-do-imposto-de-importacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/stj-exclui-taxa-portuaria-da-base-de-calculo-do-imposto-de-importacao\/","title":{"rendered":"STJ exclui taxa portu\u00e1ria da base de c\u00e1lculo do Imposto de Importa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Em decis\u00e3o un\u00e2nime publicada recentemente, os ministros da 2\u00aa Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) exclu\u00edram os gastos com capatazia &#8211; movimenta\u00e7\u00e3o de mercadorias em portos ou aeroportos &#8211; do valor aduaneiro, que serve de base de c\u00e1lculo para os impostos incidentes sobre a importa\u00e7\u00e3o (Imposto de Importa\u00e7\u00e3o, IPI, PIS-Cofins e ICMS). O ac\u00f3rd\u00e3o, de relatoria da ministra Assusete Magalh\u00e3es, beneficia uma importadora de Florian\u00f3polis.<\/p>\n<p>Sem diverg\u00eancia na 2\u00aa Turma (Resp 1626971), o STJ consolidou seu entendimento sobre o assunto &#8211; a 1\u00aa Turma j\u00e1 decidia nesse sentido. A decis\u00e3o confirma ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4\u00aa Regi\u00e3o pela n\u00e3o inclus\u00e3o dessa despesa no valor aduaneiro. &#8220;Ap\u00f3s essa decis\u00e3o, o entendimento de todos os julgadores se tornou un\u00edssono&#8221;, diz o advogado Eduardo Aguiar, do escrit\u00f3rio Nahas Sociedade de Advogados.<\/p>\n<p>Pelas contas da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), a manuten\u00e7\u00e3o de entendimento favor\u00e1vel aos contribuintes pode custar R$ 2 bilh\u00f5es por ano ao governo, s\u00f3 com IPI e Imposto de Importa\u00e7\u00e3o. E caso os importadores busquem o Judici\u00e1rio para reaver os valores dos \u00faltimos cinco anos, a conta seria de R$ 12 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Embora a Fazenda esteja perdendo nas duas turmas, ainda enxergamos chance de reverter a quest\u00e3o no tribunal&#8221;, diz o procurador Clovis Monteiro Neto, da Coordena\u00e7\u00e3o-Geral de Atua\u00e7\u00e3o Judicial perante o Superior Tribunal de Justi\u00e7a (CASTJ). H\u00e1 uma aposta do \u00f3rg\u00e3o no voto-vista do ministro Francisco Falc\u00e3o, da 2\u00aa Turma, em dois recursos especiais (n\u00ba 1641228\/CE e n\u00ba 15929 71\/SC). Nos dois processos, por\u00e9m, o voto do relator, Herman Benjamin, foi desfavor\u00e1vel.<\/p>\n<p>A incorpora\u00e7\u00e3o dos custos com capatazia no valor aduaneiro \u00e9 feita com base no artigo 4\u00ba da Instru\u00e7\u00e3o Normativa n\u00ba 327, de 2003, e no artigo 8\u00ba, par\u00e1grafo 2\u00ba, do Acordo de Valor Aduaneiro. O dispositivo estabelece que \u00e9 poss\u00edvel incluir ou excluir do valor aduaneiro os gastos de carregamento ou descarregamento e manuseio de mercadorias at\u00e9 o porto ou local de importa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A diverg\u00eancia est\u00e1 na interpreta\u00e7\u00e3o da express\u00e3o &#8220;at\u00e9 o porto&#8221;. Pela tese dos contribuintes, nenhum gasto posterior poderia ser inclu\u00eddo no valor aduaneiro se o navio j\u00e1 est\u00e1 no porto. Para a Fazenda, enquanto n\u00e3o ocorrer o desembara\u00e7o aduaneiro, os gastos relativos \u00e0 descarga, manuseio e transporte no porto de origem e no porto de destino s\u00e3o componentes do valor da mercadoria.<\/p>\n<p>A inclus\u00e3o de tais despesas representa um custo elevado para as empresas, sobretudo para as grandes importadoras. Nos portos brasileiros, o valor m\u00e9dio cobrado pelos servi\u00e7os de capatazia varia entre R$ 700 a R$ 900 por cont\u00eainer, de acordo com Antonio Costa Ferreira, da Interbras Despachos Aduaneiros.<\/p>\n<p>Para o presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Com\u00e9rcio Exterior do Brasil (AEB), Jos\u00e9 Augusto de Castro, com a pacifica\u00e7\u00e3o do entendimento, caberia \u00e0 Receita desistir de incluir essas despesas na base de c\u00e1lculo dos impostos de importa\u00e7\u00e3o. &#8220;\u00c9 um custo direto para as importadoras e indireto para as exportadoras, que importam mat\u00e9rias-primas&#8221;, diz.<\/p>\n<p>No Tribunal Regional Federal da 4\u00aa Regi\u00e3o, o entendimento pela n\u00e3o inclus\u00e3o est\u00e1 consolidado desde 2016, quando foi editada a s\u00famula n\u00ba 92. De acordo com o texto, servi\u00e7os de capatazia n\u00e3o integram o valor aduaneiro para fins de composi\u00e7\u00e3o da base de c\u00e1lculo do imposto de importa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo o tributarista Kim Augusto Zanoni, do escrit\u00f3rio Silva &amp; Silva Advogados, que patrocinou a a\u00e7\u00e3o da importadora catarinense, embora as empresas do setor estejam vencendo essa disputa no Judici\u00e1rio, o efeito pr\u00e1tico das decis\u00f5es ainda \u00e9 limitado. Isso porque o importador \u00e9 obrigado a informar ao Siscomex o valor da capatazia, que automaticamente compor\u00e1 a base de c\u00e1lculo do Imposto de Importa\u00e7\u00e3o. Caso contr\u00e1rio, o sistema emitir\u00e1 sinal de alerta e a carga \u00e9 direcionada para os canais amarelo ou vermelho.<\/p>\n<p>&#8220;Para evitar a demora na libera\u00e7\u00e3o da carga, muitas empresas acabam pagando o imposto com a base de c\u00e1lculo aumentada e recorrem depois ao Judici\u00e1rio para pedir o valor pago a maior&#8221;, diz o advogado. O escrit\u00f3rio patrocina cerca de 50 a\u00e7\u00f5es sobre a mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>Fonte: Valor<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em decis\u00e3o un\u00e2nime publicada recentemente, os ministros da 2\u00aa Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) exclu\u00edram os gastos com capatazia &#8211; movimenta\u00e7\u00e3o de mercadorias&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":18070,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-26349","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26349","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26349"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26349\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26350,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26349\/revisions\/26350"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18070"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26349"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26349"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26349"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}