{"id":26272,"date":"2018-03-12T10:00:51","date_gmt":"2018-03-12T13:00:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=26272"},"modified":"2018-03-12T10:08:45","modified_gmt":"2018-03-12T13:08:45","slug":"rio-grande-faz-planos-para-superar-perdas-do-polo-naval","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/rio-grande-faz-planos-para-superar-perdas-do-polo-naval\/","title":{"rendered":"Rio Grande faz planos para superar perdas do polo naval"},"content":{"rendered":"<p>Em frente ao estaleiro Rio Grande, da Ecovix, sobram vagas no estacionamento e paradas de \u00f4nibus sem passageiros. Na \u00e1rea interna, poucos funcion\u00e1rios circulam entre as toneladas de a\u00e7o que resultam de projetos paralisados. A menos de 10 quil\u00f4metros, no complexo da QGI, tamb\u00e9m em Rio Grande, apenas dois micro-\u00f4nibus aguardam parte dos empregados que deixam a unidade ao entardecer.\u00a0 Do outro lado da Lagoa dos Patos, situa\u00e7\u00e3o semelhante. No EBR, em S\u00e3o Jos\u00e9 do Norte, o principal som n\u00e3o \u00e9 o da constru\u00e7\u00e3o de plataformas. \u00c9 o do vento, que sopra com for\u00e7a em uma manh\u00e3 em que o sol se esconde entre as nuvens no litoral sul do Estado.<\/p>\n<p>As opera\u00e7\u00f5es escassas nos estaleiros n\u00e3o combinam com o cen\u00e1rio de cinco anos atr\u00e1s. Em seu auge, em 2013, o polo naval ga\u00facho chegou a empregar 24 mil funcion\u00e1rios diretos, informa o Sindicato dos Trabalhadores nas Ind\u00fastrias Metal\u00fargicas, Mec\u00e2nicas e de Material El\u00e9trico de Rio Grande e S\u00e3o Jos\u00e9 do Norte. Hoje, s\u00e3o cerca de 400, calcula a entidade.<\/p>\n<p>A onda de demiss\u00f5es bateu com maior for\u00e7a na regi\u00e3o a partir de 2014. \u00c0 \u00e9poca, o surgimento da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato e a descoberta de irregularidades em contratos da Petrobras balan\u00e7aram a ind\u00fastria naval brasileira, at\u00e9 ent\u00e3o estimulada por compras em s\u00e9rie da estatal. Assombrada por dificuldades financeiras, a companhia passou a apostar em encomendas no Exterior, sob a justificativa de que, em rela\u00e7\u00e3o ao mercado nacional, os custos e o tempo de entrega dos pedidos s\u00e3o menores em pa\u00edses como a China.<\/p>\n<p>\u2014 Rio Grande e regi\u00e3o est\u00e3o a ver navios \u2014 define o presidente do sindicato, Benito Gon\u00e7alves.<\/p>\n<p>A crise no polo naval ganhou novo cap\u00edtulo neste m\u00eas. Na \u00faltima segunda-feira, a Petrobras confirmou que o casco da plataforma P-71 ser\u00e1 feito na China e a integra\u00e7\u00e3o dos m\u00f3dulos ocorrer\u00e1 no Esp\u00edrito Santo. A estatal havia rompido o contrato com o estaleiro da Ecovix, no fim de 2016, e desistido da produ\u00e7\u00e3o em Rio Grande.<\/p>\n<p>Hoje, o que sobrou do casco que seria da P-71 est\u00e1 parado no complexo ga\u00facho \u2013 cerca de 50% da estrutura est\u00e1 pronta, conforme Gon\u00e7alves. O material da plataforma, al\u00e9m das pe\u00e7as da P-72, que tamb\u00e9m repousam no local, deve ser vendido como sucata, aponta o sindicato. Ao defender a negocia\u00e7\u00e3o do material, a estatal argumenta que \u201co custo para aproveitamento dos blocos existentes \u00e9 superior ao atual valor de mercado de um casco novo\u201d.<\/p>\n<p>\u2014 Metade do casco est\u00e1 pronta em Rio Grande. Por isso, entendemos que a decis\u00e3o de fabricar a P-71 na China \u00e9 mau uso de recursos p\u00fablicos \u2014 critica o vice-reitor da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), Danilo Giroldo, presidente do Arranjo Produtivo Local (APL) Polo Naval e Energia.<\/p>\n<p>De concreto, no horizonte dos pr\u00f3ximos meses, h\u00e1 apenas a expectativa em torno da chegada ao estaleiro da QGI dos cascos das plataformas P-75 e P-77, vindos da China. A empresa espera receber as estruturas no segundo semestre. O trabalho de finaliza\u00e7\u00e3o de cada uma das plataformas dever\u00e1 durar de um a dois meses \u2013 e n\u00e3o est\u00e3o previstas contrata\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/p>\n<p>Em meio ao oceano de incertezas sobre o futuro, lideran\u00e7as sindicais, pol\u00edticas e empresariais buscam sa\u00eddas para o polo. Uma das apostas \u00e9 na articula\u00e7\u00e3o para trazer obras como reparos de cascos e conclus\u00e3o de plataformas, que, embora devam exigir menos m\u00e3o de obra do que no auge da ind\u00fastria naval, poderiam impedir o sucateamento dos estaleiros.<\/p>\n<p>\u2014 Estamos chuleando para que haja alguma mudan\u00e7a na pol\u00edtica de encomendas da Petrobras. N\u00e3o sei se isso vai ocorrer. Mas \u00e9 preciso que todos, empresariado e governos estadual e federal, busquem a reativa\u00e7\u00e3o. Apoiamos isso \u2014 diz o presidente da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado (Fiergs), Gilberto Porcello Petry.<\/p>\n<p>Outra op\u00e7\u00e3o para estimular a economia \u00e9 o desenvolvimento de projetos fora dos estaleiros. Um deles \u00e9 uma termel\u00e9trica, cujo investimento chegaria a R$ 3 bilh\u00f5es. Embora com pouca gera\u00e7\u00e3o de empregos permanentes (a exce\u00e7\u00e3o \u00e9 o per\u00edodo de obras, que pode envolver 3,4 mil trabalhadores), a perspectiva de ter oferta abundante de g\u00e1s natural seria incentivo para a instala\u00e7\u00e3o de ind\u00fastrias.\u00a0<\/p>\n<p>No segundo semestre de 2017, a New Fortress Energy, empresa americana que se interessou pela implanta\u00e7\u00e3o, teve a licen\u00e7a revogada pela Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica. Agora, o projeto ganhou novo suspiro. Na quinta-feira, a tamb\u00e9m americana Exxon Mobil manifestou simpatia.<\/p>\n<p>\u2014 A termel\u00e9trica \u00e9 essencial at\u00e9 para o Estado e o pa\u00eds. H\u00e1 necessidade de gera\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural, aliada \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica de Rio Grande. A usina nos colocaria em outro patamar \u2014 defende Giroldo.<\/p>\n<p><strong>A hist\u00f3ria do polo<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; O polo naval cresceu por meio de uma pol\u00edtica de est\u00edmulo \u00e0 ind\u00fastria naval do pa\u00eds. Para desenvolv\u00ea-la, a Petrobras passou a apostar com maior for\u00e7a em encomendas nacionais a partir da segunda metade da d\u00e9cada de 2000.\u00a0<\/p>\n<p>&#8211; Em 2007, chegou a Rio Grande o navio Settebello, que seria convertido na plataforma P-53. Depois de 11 meses de trabalho, em 2008, a conclus\u00e3o da estrutura consolidou o polo naval.\u00a0<\/p>\n<p>&#8211; O maior dique seco da Am\u00e9rica Latina foi inaugurado no estaleiro Rio Grande, em 2010.\u00a0<\/p>\n<p>&#8211; O polo passou a fervilhar por conta do crescimento da ind\u00fastria naval. Em seu auge, em 2013, havia cerca de 24 mil empregos diretos, afirma o sindicato dos metal\u00fargicos de Rio Grande e S\u00e3o Jos\u00e9 do Norte.\u00a0<\/p>\n<p>&#8211; Em 2014, depois do in\u00edcio da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato, o cen\u00e1rio come\u00e7ou a se inverter. Descobertas de casos de corrup\u00e7\u00e3o envolvendo contratos com estaleiros abalaram a Petrobras e levaram a cancelamentos.\u00a0<\/p>\n<p>&#8211; A crise financeira da companhia respingou com maior for\u00e7a no polo naval nos anos seguintes. Ao alegar que as encomendas no Brasil s\u00e3o mais caras e demoradas do que no Exterior, a estatal passou a priorizar contratos em pa\u00edses como a China.\u00a0<\/p>\n<p>&#8211; Os estaleiros ga\u00fachos balan\u00e7aram diante da demanda reduzida. A queda resultou em ondas de demiss\u00f5es. Hoje, o n\u00famero de trabalhadores diretos nos locais \u00e9 de cerca de 400, estima o sindicato. Nos parques industriais, acumula-se sucata.<\/p>\n<p>Fonte: Gaucha ZH<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em frente ao estaleiro Rio Grande, da Ecovix, sobram vagas no estacionamento e paradas de \u00f4nibus sem passageiros. 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