{"id":26025,"date":"2018-02-07T11:43:00","date_gmt":"2018-02-07T13:43:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=26025"},"modified":"2018-02-07T11:43:00","modified_gmt":"2018-02-07T13:43:00","slug":"fim-da-relacao-acucar-petroleo-mostra-que-brasil-perdeu-poder","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/fim-da-relacao-acucar-petroleo-mostra-que-brasil-perdeu-poder\/","title":{"rendered":"Fim da rela\u00e7\u00e3o a\u00e7\u00facar-petr\u00f3leo mostra que Brasil perdeu poder"},"content":{"rendered":"<p>A ind\u00fastria de biocombust\u00edveis do Brasil costuma salvar o mercado de a\u00e7\u00facar ao absorver o excedente transformando a cana em etanol. Mas os tempos mudaram.<\/p>\n<p>Antigamente, as usinas brasileiras que transformavam a\u00e7\u00facar em etanol ajudavam a absorver qualquer excedente, respaldando assim os pre\u00e7os globais. Mas isso mudou nos \u00faltimos anos com a quantidade maior de a\u00e7\u00facar proveniente de outros pa\u00edses que n\u00e3o t\u00eam capacidade de produzir o biocombust\u00edvel, o que altera o equil\u00edbrio de poder do mercado.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 que a ind\u00fastria brasileira de etanol provoca um impacto menor nos pre\u00e7os do a\u00e7\u00facar. Ou seja, as usinas do maior produtor dever\u00e3o produzir mais biocombust\u00edvel, mas isso n\u00e3o ser\u00e1 suficiente para eliminar os excedentes globais, disseram traders na Dubai Sugar Conference, nesta semana.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia se reflete na correla\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar com o petr\u00f3leo \u2014 depois de basicamente oscilarem juntos desde 2016, o a\u00e7\u00facar n\u00e3o tem conseguido acompanhar a alta do petr\u00f3leo desde meados do ano passado.<\/p>\n<p>\u201cTentaremos consumir o excedente, mas temos um excedente maior que a nossa capacidade de limpar o mercado\u201d, disse Ivan Melo, diretor comercial da Raizen, a maior produtora brasileira de a\u00e7\u00facar e etanol. \u201cO excedente n\u00e3o est\u00e1 apenas no Brasil.\u201d<\/p>\n<p><strong>Excedente mundial<\/strong><\/p>\n<p>A oferta superar\u00e1 a demanda nesta temporada e na pr\u00f3xima, em parte devido a safras maiores na Uni\u00e3o Europeia e na \u00c1sia, que est\u00e1 se recuperando de uma seca relacionada ao El Ni\u00f1o. Apesar da grande varia\u00e7\u00e3o das estimativas, a maioria dos analistas acredita que esses excedentes v\u00e3o superar o d\u00e9ficit dos dois anos anteriores.<\/p>\n<p>A oferta mundial de a\u00e7\u00facar aumentou 25 milh\u00f5es de toneladas nos \u00faltimos sete anos, e a maior parte desse incremento vem de fora do Brasil, disse Paulo Roberto de Souza, CEO da produtora brasileira Copersucar, na confer\u00eancia. Provavelmente esteja ocorrendo uma mudan\u00e7a de longo prazo rumo \u00e0 expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o fora do Brasil porque os governos est\u00e3o apoiando um volume maior de produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica, disse Toby Cohen, vice-presidente de an\u00e1lise de mercado da ASR Group, em entrevista.<\/p>\n<p>Como o Brasil atualmente est\u00e1 na entressafra, a rela\u00e7\u00e3o entre o a\u00e7\u00facar e o petr\u00f3leo dever\u00e1 ganhar for\u00e7a novamente no in\u00edcio da pr\u00f3xima colheita, porque a alta do petr\u00f3leo Brent rumo aos US$ 78 por barril, no fim de mar\u00e7o, incentivar\u00e1 uma produ\u00e7\u00e3o maior de etanol, segundo Tracey Allen, analista do JPMorgan Chase.<\/p>\n<p>\u201cOs aspectos econ\u00f4micos da produ\u00e7\u00e3o de etanol s\u00e3o muito dif\u00edceis de ignorar, especialmente \u00e0 medida que nos aproximamos de abril\u201d, disse Allen. \u201cCom o avan\u00e7o para o segundo trimestre, come\u00e7aremos a ver o retorno dessa correla\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p><strong>Oferta de a\u00e7\u00facar<\/strong><\/p>\n<p>O mercado mais apertado para a oferta de a\u00e7\u00facar bruto tamb\u00e9m pode ajudar a restabelecer a correla\u00e7\u00e3o, disse Marcelo de Andrade, chefe global de commodities cultivadas da Cofco International, em entrevista, em Dubai. O Brasil produz principalmente a\u00e7\u00facar bruto e o excedente global \u00e9 do tipo branco.<\/p>\n<p>As usinas de a\u00e7\u00facar da regi\u00e3o Centro-Sul do Brasil produzir\u00e3o 32 milh\u00f5es de toneladas na safra 2018-2019, que come\u00e7a em abril, contra 36 milh\u00f5es de toneladas na temporada anterior. Mesmo se as f\u00e1bricas ampliassem a capacidade de produ\u00e7\u00e3o de etanol, o volume das usinas de a\u00e7\u00facar provavelmente n\u00e3o ficaria abaixo de 30 milh\u00f5es de toneladas, disse Soren Jensen, diretor de opera\u00e7\u00f5es da Alvean, a maior trader de a\u00e7\u00facar do mundo.<\/p>\n<p>\u201cUma oscila\u00e7\u00e3o de 4 milh\u00f5es de toneladas no Brasil normalmente faria o mercado disparar\u201d, disse Tom McNeill, diretor da empresa de pesquisa Green Pool Commodity Specialists. \u201cA magnitude da safra do Centro-Sul do Brasil como determinante da dire\u00e7\u00e3o do mercado est\u00e1 menor neste ano.\u201d<\/p>\n<p>Fonte: Bloomberg News<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ind\u00fastria de biocombust\u00edveis do Brasil costuma salvar o mercado de a\u00e7\u00facar ao absorver o excedente transformando a cana em etanol. 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