{"id":25781,"date":"2018-01-08T00:30:37","date_gmt":"2018-01-08T02:30:37","guid":{"rendered":"http:\/\/sincomam.org.br\/?p=25781"},"modified":"2018-01-07T17:07:33","modified_gmt":"2018-01-07T19:07:33","slug":"estaleiros-buscam-novos-negocios-para-depender-menos-da-petrobras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/estaleiros-buscam-novos-negocios-para-depender-menos-da-petrobras\/","title":{"rendered":"Estaleiros buscam novos neg\u00f3cios para depender menos da Petrobras"},"content":{"rendered":"<p>Os estaleiros nacionais come\u00e7am 2018 com a perspectiva de que ainda ser\u00e1 um ano dif\u00edcil, mas ao mesmo tempo crucial para retomar a carteira de encomendas. Em crise h\u00e1 pelo menos dois anos, com empresas pedindo prote\u00e7\u00e3o \u00e0 justi\u00e7a contra credores desde 2016, os estaleiros ligados \u00e0 ind\u00fastria de petr\u00f3leo e g\u00e1s buscam sa\u00eddas para retomar o crescimento. Miram outras atividades, para atuar como portos e terminais de combust\u00edveis, por exemplo. E tentam desenvolver novos clientes para reduzir a depend\u00eancia da Petrobras, o cliente \u00fanico dessa ind\u00fastria.<\/p>\n<p>Apesar dos esfor\u00e7os de recupera\u00e7\u00e3o, o futuro dos estaleiros \u00e9 incerto mesmo depois de terem investido cerca de R$ 20 bilh\u00f5es desde 2007, em grande parte com recursos p\u00fablicos, para construir e expandir unidades de produ\u00e7\u00e3o de navios e de plataformas de norte a sul do pa\u00eds, segundo estimativas do Sinaval, a entidade que representa as companhias do setor. Boa parte dos investimentos foi financiada com dinheiro do Fundo da Marinha Mercante (FMM), fonte de longo prazo para o setor, e repassada via bancos federais, sobretudo BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econ\u00f4mica Federal.<\/p>\n<p>O Sinaval tem manifestado que, em \u00faltima an\u00e1lise, existiria risco de os bancos p\u00fablicos terem de assumir preju\u00edzos dos estaleiros. Mas nos financiamentos, esses bancos costumam exigir garantias reais dos controladores dos estaleiros, muitos dos quais s\u00e3o empreiteiras envolvidas na Lava-Jato. Mas em alguns casos a lista de credores dos grandes estaleiros vai al\u00e9m dos bancos p\u00fablicos, e envolve fornecedores de servi\u00e7os e outros bancos, al\u00e9m de operadores de petr\u00f3leo. A Engevix Constru\u00e7\u00f5es Oce\u00e2nicas (Ecovix), por exemplo, com instala\u00e7\u00f5es em Rio Grande (RS), protocolou recupera\u00e7\u00e3o judicial no fim de 2016 para tentar renegociar d\u00edvidas de R$ 8 bilh\u00f5es, metade dela com a Tupi BV, da qual s\u00e3o s\u00f3cias Petrobras Netherlands BV, Shell e Galp-Sinopec. A Ecovix acusa a Petrobras, na condi\u00e7\u00e3o de s\u00f3cia da Tupi BV, de descumprir um acordo de t\u00e9rmino de contratos de constru\u00e7\u00e3o de cascos de plataformas acertado entre as partes, o que a estatal nega. A Ecovix tomou emprestado da ordem de R$ 600 milh\u00f5es no FMM, via Caixa e Banco do Brasil, d\u00edvida essa que ser\u00e1 contemplada no plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial da companhia.<\/p>\n<p>Empresas do setor investiram R$ 20 bilh\u00f5es desde 2007, com recursos do BNDES, Banco do Brasil e Caixa<\/p>\n<p>Em outra frente, a Transpetro, subsidi\u00e1ria da Petrobras, tamb\u00e9m cancelou contratos com o EISA Petro-Um, sociedade de prop\u00f3sito espec\u00edfico que opera nas instala\u00e7\u00f5es do Estaleiro Mau\u00e1 (RJ), do Synergy Shipyard, do empres\u00e1rio German Efromovich. O cancelamento abriu lit\u00edgio judicial entre as empresas. Nos dois casos (da Ecovix e do Eisa-Petro Um), h\u00e1 encomendas em est\u00e1gio avan\u00e7ado de obras cujo destino \u00e9 incerto. O casco da plataforma P-71, inacabada na Ecovix, pode virar sucata, e tr\u00eas navios do Eisa Petro-Um, dois dos quais quase prontos, est\u00e3o parados no Estaleiro Mau\u00e1 (RJ).<\/p>\n<p>\u00c9 nesse cen\u00e1rio conturbado que os estaleiros buscam sa\u00eddas para seguir operando. &#8220;2018 ser\u00e1 um ano para tentar construir carteira para os estaleiros&#8221;, diz S\u00e9rgio Bacci, vice-presidente do Sinaval. Esse \u00e9 um tema que se relaciona diretamente com a discuss\u00e3o sobre conte\u00fado nacional na ind\u00fastria de petr\u00f3leo e g\u00e1s, debate que vai continuar em 2018. Em dezembro, a Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo (ANP) prop\u00f4s aumento de 25% para 40% na exig\u00eancia de conte\u00fado local para a constru\u00e7\u00e3o de plataformas, percentual v\u00e1lido para unidades a serem instaladas em \u00e1reas leiloadas entre 2005 e 2015. Mas na vis\u00e3o do Sinaval o percentual poder\u00e1 ser atingido sem construir os cascos das plataformas nos estaleiros nacionais, o que \u00e9 fundamental para garantir a opera\u00e7\u00e3o das empresas e os empregos. No auge do setor, em 2014, os estaleiros chegaram a empregar 82 mil pessoas, n\u00famero que hoje \u00e9 de cerca de 28 mil, nas contas do Sinaval.<\/p>\n<p>Os compromissos de conte\u00fado local para plataformas foram divididos em tr\u00eas segmentos: a) engenharia, b) m\u00e1quinas e equipamentos e c) constru\u00e7\u00e3o, integra\u00e7\u00e3o e montagem, cada um deles com exig\u00eancia de 40%. A proposta ainda precisar\u00e1 do aval do Conselho Nacional de Pol\u00edtica de Energ\u00e9tica (CNPE). Mas o Sinaval entende que para garantir demanda aos estaleiros seria preciso criar um quarto segmento, para os cascos das plataformas, tamb\u00e9m com 40% de conte\u00fado local. Sem isso, a demanda pode ficar restrita \u00e0 constru\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o de m\u00f3dulos para as plataformas, disse Bacci. &#8220;A proposta como est\u00e1 n\u00e3o garante a constru\u00e7\u00e3o de casco no Brasil.&#8221;<\/p>\n<p>Fernando Barbosa, presidente do estaleiro Enseada Ind\u00fastria Naval, acredita que ser\u00e1 poss\u00edvel chegar a um entendimento em torno do conte\u00fado local que atenda a todos os agentes envolvidos na discuss\u00e3o (governo, petroleiras, fornecedores e estaleiros). Em novembro, o Enseada, cujos s\u00f3cios s\u00e3o Odebrecht, OAS e a japonesa Kawasaki, conseguiu homologar na Justi\u00e7a do Rio um plano de recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial &#8211; que foi protocolado em janeiro de 2017 -, reestruturando d\u00edvida de R$ 1,3 bilh\u00e3o com fornecedores e bancos. Dona do estaleiro hom\u00f4nimo em Maragogipe, no Rec\u00f4ncavo baiano, o Enseada tem planos de desenvolver novos neg\u00f3cios, incluindo opera\u00e7\u00f5es portu\u00e1rias e tamb\u00e9m tenta viabilizar a opera\u00e7\u00e3o como terminal de combust\u00edvel.<\/p>\n<p>O Enseada entrou em dificuldades depois da derrocada da Sete Brasil, seu \u00fanico cliente, que pediu recupera\u00e7\u00e3o judicial em 2016. Assim como o Enseada, outros estaleiros tamb\u00e9m enfrentaram dificuldades a partir dos problemas da Sete, que tinha planos de construir 28 sondas de perfura\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, projeto que terminou naufragando por falta de financiamentos. A empresa contava com apoio financeiro do BNDES, o que n\u00e3o ocorreu depois que se tornou p\u00fablico, em dela\u00e7\u00e3o premiada, que houve acerto de propina de 1% nos contratos entre a Sete Brasil e os estaleiros para a constru\u00e7\u00e3o de sondas. At\u00e9 hoje h\u00e1 discuss\u00f5es entre estaleiros e Sete Brasil.<\/p>\n<p>O Estaleiro Atl\u00e2ntico Sul (EAS), que tamb\u00e9m chegou a ter contratos com a Sete Brasil e hoje trabalha na entrega de navios para Transpetro, \u00e9 outro grande estaleiro a buscar alternativas. &#8220;Para 2018, o foco principal \u00e9 a conquista de novas encomendas&#8221;, disse o EAS, que tem como s\u00f3cios Camargo Corr\u00eaa e Queiroz Galv\u00e3o. A Transpetro informou que at\u00e9 2019 receber\u00e1 cinco navios tipo Aframax do EAS e um navio gaseiro do Vard-Promar. Os dois estaleiros ficam em Pernambuco. O EAS recebeu &#8220;prioridade&#8221; de R$ 400 milh\u00f5es do FMM para construir dois navios graneleiros para cliente cujo nome \u00e9 mantido em sigilo. O EAS vinha tentando viabilizar outros contratos de navios com a Petrobras, mas n\u00e3o conseguiu.<\/p>\n<p>Em nota, o EAS afirmou que, embora o plano de investimentos da Petrobras estime R$ 74,5 bilh\u00f5es em investimentos at\u00e9 2022, &#8220;n\u00e3o h\u00e1 qualquer men\u00e7\u00e3o \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de navios no Brasil&#8221;. A constru\u00e7\u00e3o naval no Brasil foi sempre dependente da demanda do Estado, e passou por ciclos. Desde a cria\u00e7\u00e3o dos primeiros estaleiros no pa\u00eds, no governo de Juscelino Kubitschek, nos anos 1950, a ind\u00fastria enfrentou altos e baixos. Houve forte demanda nos anos 1970, seguida de crises e nova retomada, nos anos 2000. Depois de outra crise, a ind\u00fastria tenta se reerguer.<\/p>\n<p>Fonte: Valor<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os estaleiros nacionais come\u00e7am 2018 com a perspectiva de que ainda ser\u00e1 um ano dif\u00edcil, mas ao mesmo tempo crucial para retomar a carteira de&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":19001,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-25781","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25781","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25781"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25781\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25782,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25781\/revisions\/25782"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19001"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25781"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25781"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25781"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}